Letra L do Dicionário Matutês

L

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Labrojeiro – diz-se de coisa mal feita, mal acabada (v. baboseira).
Labuta, ou lida, ou loita – serviço, trabalho, luta pela vida, daí é comum a
pergunta: “loita com quê? ou seja, “trabalha com quê?” ou “vive de quê?” (v.
peleja).
Lacraia – tem dois sentidos: 1. escorpião. 2. mulher braba, valente.
Ladainha – tem três sentidos: 1. um tipo de oração cantada em que se invocam os
nomes dos santos. 2. choradeira, lamentação (v. chorumingar). 3. repetição de
uma advertência, daí costuma-se dizer: “já vem cum a merma [mesma] ladain-a”.
Lá em nós – lá em casa, ou lá em nossa terra.
Laigar [largar] de mão – deixar de lado, abandonar.
Laigar [largar] (ou meter) o pau, ou a madeira, ou a lenha, ou a ripa, ou o
sarrafo
– surrar, bater em alguém.
Laigata [largata] -de-fogo – lagarta peluda que em contado com a pele provoca
queimadura – taturama.
Lambança - sujeira, desordem (v. lambuzar).
lambacé – briga, confusão, barulho.
Lambedeira, ou peixeira – faca grande.
Lambedor - xarope caseiro, feito à base de ervas.
Lambe-lambe – fotógrafo de feira, com uma máquina primitiva, coberta com um
pano e com explosão de luz.
Lambisgóia - tem dois sentidos: 1. pessoa magra, esquelética. 2. mulher safada.
Lambu - corruptela de “ianhambu”, que é um pássaro quase sem calda e de um
voo muito rápido.
Lambuzar – sujar, melar (v. lambança).
Lamparina - candeeiro simples feito com um pavio preso a uma roda de cortiça ou
madeira leve que bóia sobre o óleo que alimenta o fogo.
Lance – tem dois sentidos: 1. diz-se quando uma mulher, sem querer, deixa escapar
flash da calcinha. 2. vômito de cachorro.
Lance de ceica [cerca] – certo comprimento de uma cerca, podendo ser, por
exemplo, um dos lados ou laterais de um curral.
Lá nele – para falar ou exemplificar uma doença grave ou perigosa em outrem, e
aponta-se para o local da doença na pessoa e diz “lá nele”, ou seja, no
personagem da narrativa.
Lapada - tem dois sentidos: 1. dose de cachaça. 2. pancada, surra (v. burduada).
Laranja-cravo, ou michirica – tangerina.
Lascado – tem dois sentidos: 1. aberto em duas bandas, rachado (v. trincado). 2.
uma pessoa acabada, derrotada (v. fodido).
Lascado igual a pau de rolete – diz-se de uma pessoa derrotada, arruinada.
Lasqueira – usado para indicar uma coisa ruim ou que não deu certo.
Latatem três sentidos: 1. lâmina fina de metal ferroso (v. frande). 2. vasilhame
feito de lâmina fina de ferro. 3. usada como medida de referência, equivalente a
20 litros (v. cuia, braça, litro, polegada, saca ou saco).
Latada - cobertura (uma espécie de toldo) palha (de coco, de cana, de bananeira,
etc.) para abrigar carro de boi, festas, etc. Daí nasce a expressão “forró de latada”
ou “samba de latada”, que eram festas feitas debaixo de uma latada
Lata-d’água – vasilhame para transporte de água, e outras coisas, muito comum
nos Sertões, feito de lata ou zinco, com capacidade para 20 litros, que são
conduzidas, principalmente, na cabeça ou no ombro, neste caso, penduradas em
um pau (v. pau de galão), uma na frente, outra atrás.
Lata-de-querosene – lata medindo aproximadamente 20 litros, usadíssima na zona
rural, servindo até de medida-padrão para líquidos e cereais (v. lata d’água).
Latejar – pulsar. Muito usada para indicar uma dor pulsante provocada por uma
inflamação com pus.
Latomia - barulho, falação alta. Em alusão ao latido dos cachorros.
Lava-cu, ou zigue-zigue – libélula.
Lavadeira – mulher que lava roupa como profissão (v. lavar roupa de ganho).
Leva-e-traz – pessoa que vive de tercer intrigas, de levar e trazer fofocas.
Lavagem – resto de comida que se guarda para os porcos.
Lavandeira – pequeno pássaro branco com asas pretas muito comuns em beira de
rios, açudes e lagoas.
Lavar a égua, ou a burra, ou a jega – tirar vantagem ou ser bem sucedido.
Lavar roupa de ganho, ou pra fora – lavar roupa para ganhar dinheiro, como um
serviço ou profissão.
Lavôra – abreviação de “lavoura”, que significa toda e qualuqer cultura plantada
pelo agricultor (v. roçado).
Lavou, tá novo – diz-se para justificar uma transa sexual com uma mulher que
acabou de transar com outro.
Lavrado – listrado. Ex: “um boi lavrado” (v. maiado, rajado).
Légua – medida de distância equivalente a 6 km.
Légua de beiço – ali do matuto, que, ao dizer, estira o beiço (lábio inferior). Só
que esse ali termina sendo algo distante, daí costuma-se chamar isso de “légua de
beiço” (v. logo ali).
Leite cortado – leite azedo, talhado.
Leite de criação – leite de cabra ou ovelha.
Leite de gado – leite de vaca.
Lendea – ovo do piolho.
Lenga-lenga, ou xurumela – choradeira, lastimação, conversa pra frente e pra trás.
Lerão [leirão], ou matombo – pequenos montes ou elevações de terra, em forma
de canteiros, para o plantio de verdura, batata-doce, etc.
Lero-lero, ou leriado – conversa fiada (v. papo)
Leseira - tem dois sentidos: 1. besteira, idiotice. 2. enfado, cansaço, indisposição
física.
Levado-da-breca – pessoa, geralmente criança, trelosa.
Levantar (ou abrir, ou limpar) o tempo – parar de chover.
Levar a vida que pediu a Deus – viver folgado.
Levar no bico, ou no papo, ou na lábia – enganar com conversa bonita.
Levar no peito, ou na raça, ou na tora, ou no êito, ou na marra – resolver algo
na ignorância, com estupidez.
Levar (ou dar) uma butada, ou um chega, ou um fora, ou um esbregue, ou um
esporro, ou uma mijada, ou um pa-trás, ou um rela, ou uma subida
– levar
(ou dar) um repreensão, um chamado de atenção (v. carão…)
Levar (ou tomar) um chá de cadeira – esperar longamente.
Levar (ou tomar) um chá de sumiço – desaparer, sumir (v. escafeder).
Libra – unidade de medida de controle do tamanho da enxada de limpar mato.
Ligeiro cuma [como] coice de preá, ou cuma [como] quem roba [rouba], ou
cuma [como] foda de guiné (ou carreira de teju) – coisa muito rápida, veloz.
Legume – cereais.
Limpar o salão – tirar meleca do nariz com o dedo.
Linha – tem dois sentidos: 1. cordão ou fio. 2. traço. 3. pau (madeira) forte
colocado horizontalmente entre duas paredes para sustentar o telhado da casa.
Língua afiada, ou de sogra, ou ferina, ou de trapo – pessoa que fala muito da
vida alheia.
Liso - tem dois sentidos: 1. não crespo (v. mací). 2. sem dinheiro (v. duro).
Litro – medida de referência equivalente a 1000 ml (v. cuia, polegada, etc.).
Lôa, ou tuada – música, canção (v. moda).
Loca - buraco, fenda numa pedra, madeira, etc., que serve de morada ou
esconderijo de animais.
Logo ali – expressão popular que indica uma pequena distância (v. légua de bêiço).
Logo vi – expressão equivalente a “eu já esperava isso”.
Loiça – corruptela de “louça”, que pode ser tanto para a própria louça como para
um tipo de barro usado para o fabrico de panelas, potes, etc, daí as expressões do
tipo: “panela de louça”, “feira da loiça” etc.
Lombo – costas, tanto de homem como de animal. Ex: “andar no lombo do cavalo”,
“Fulano levou uma cacetada no lombo” (v. espinhaço).
Lonjura - longa distância.
Lorde, ou lordeza - elegante, bem vestido, rico.
Lôro – abreviação de “louro”, que é um nome popular de papagaio (v. papagai).
Lorota - conversa fiada, sem fundamento, conversa besta.
Lôva [louva] -a-deus – grilo magro que traz sempre as mãos postas, os joelhos
dobrados e os olhos levantados para o céu.
Lua da sela – lombada ou saliência da sela de um animal.
Lua de mé [mel] – noite de núpcias.
Lugar – local onde se mora: sítio, cidade, etc.
Lundum, ou lundú – corruptela de “calundu”, que significa mau humor, nostalgia,
comportamento arredio ou insociável.
Luto – certo período de contrição em memória à morte de um ente querido. No
Sertão era comum as viuvas passarem um certo período vestindo-se apenas de
preto, como forme de respeito a morte do marido, e os viuvos colocarem uma fita
preta do bolso da camisa, em respeito a morte da esposa.
Luxento – pessoa cheia de luxo ou de frescura (v. biqueiro, chei de nove hora).

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Letra J do Dicionário Matutês

 J

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Jabiraca - mulher braba.
Já é quaji mêi [meio] -dia – expressão dita pela manhã, para indicar pressa, pois já
é tarde da manhã.
Já-já – daqui a pouco, em poucos instantes.
Japonesa – chinelo de borracha aberto atrás, mais conhecido hoje por “havaianas”.
Jarra, ou moringa, ou quartinha – vaso de barro ondulado para depósito de água.
Jegue, ou jerico, ou roxim – nomes populares de jumento.
Jeitoso – tem dois sentidos: 1. habilidoso. 2. bonito, charmoso (v. engraçado).
Jeitoso só quem procura pinico no escuro – diz-se de alguém muito cuidadoso.
Jejum - abstinência de comida que o matuto faz em dias santos, especialmente na
sexta-feira da Semana Santa (v. dejejum).
Jequi – corredor estreito entre duas cercas usado para vacinar ou ferrar boi, ou por
onde sai o boi numa vaquejada.
Jerimum – abóbora ou moranga, que tem mais de um tipo: jerimum de leite – que
fica grande, vermelho ou amarelo-escuro por dentro, bom para comer com leite;
jerimum caboclo – pequeno e bom para comer com feijão ou carne; jerimum de
gola – com as mesmas características do jirimum de leite, sendo mais comprido e
curvado.
Jerimum de ponta de rama, ou raspa de tacho – o último filho, não esperado,
depois de uma grande prole.
Jirau - estaleiro de varas para escorrer panelas e outros objetos.
Joça – coisa ruim, sem valor, desprazível.
Jogar conversa fora – conversar coisas que descontraem.
Jogar uma verde pra cuiê [colher] uma madura – soltar uma indireta para
induzir o outro a dizer o que ele não quer.
Juá - pequeno fruto do juazeiro, parecido com a pitomba, com pouquíssima polpa.
A raspa do caule do juazeiro é muito usada para escovar os dentes.
Jumento batizado – pessoa bruta, ignorante.
Junta – tem seis sentidos: 1. verbo juntar. 2. perto, lado a lado. 3. conexões usadas
para fazer junção entre dois canos. 4. dois animais de um mesmo sexo. Ex: “junta
de bois”, usada para puxar o carro de boi. 5. articulações. 6. uma pessoa que vive
maritalmente com outra sem ser casada (v. amancebado, amasiado, amigado).
Juro pela aima [alma] de…, ou pelo leite que mamei na minha mãe, ou pru
[por] tudo que há de mais sagrado
– expressão de juramento ou apelação de
não ter feito ou dito algo.
Jururu - triste, cabisbaixo.

Letra I do Dicionário Matutês

I

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I! i! i!… – expressão usada para frear ou parar jumento, cavalo ou burro.
Idea [ideia] de jerico – tolice, besteira, ideia maluca.
Imbigada - corruptela de “umbigada”, que significa empurrar com a barriga.
Imbuá - corruptela de “embuá”, que é um pequeno réptil cheio de pernas (tipo de
centopeia), que, quando tocado, se enrola (v. piôi-de-cobra).
Imbuzada – corruptela de “umbuzada”, que é uma geleia de umbu.
Implicado – envolvido. Muito usada quando uma pessoa está envolvida em algum
crime, daí se diz que “Fulano tá impricado na puliça [polícia]”.
Importuno – uma pessoa abusada, exigente demais (v. cabuloso, caprichoso).
Impussive – corruptela de “impossível” – tem dois sentidos: 1. inviável. 2. uma
pessoa (geralmente criança) que gosta de mexer em tudo que vê (v. boliçoso,
malino, traquino).
Incelença - corruptela de “excelência – tem três sentidos: 1. qualidade muito
superior. 2. tratamento que se confere a pessoas das camadas mais altas da
hierarquia social. 3. um tipo de reza/cântico próprio para velórios, cantada em
uníssono e sem acompanhamento,
Inchú, ou inchui – colmeia de abelha em forma de bola, geralmente pendurando
em um galho de árvore.
Inda [ainda] dar no côro [couro] – diz-se de um homem idoso, mas que ainda é
potente sexualmente.
Inda [ainda] foi fazer – diz-se quando alguém demora a atender a um pedido.
Inda [ainda] tá cheirano [cheirando] a leite – diz-se, como repreensão, de um
adolescente que começa a querer namorar.
Inda [ainda] é para se banhar, ou pra lamber os beiço – o mesmo que “ainda é
para dar graças a Deus” (v. beiço).
Indagora, ou indagorinha – agora há pouco, há pouco tempo atrás (v. agorinha).
Indivíduo, ou má-elemento, ou sujeito – pessoa desconhecida ou má (v. meliante).
In-êta – impaciente, inquieto.
Infezado, ou puto da vida – zangado, irritado, abusado, enraivecido (v. arretado).
Infeliz da costa oca – expressão equivalente a desgraçado, miserável.
Íngua, ou landra – glândula crescidas nas axílas ou verilhas.
Inhaca – catinga, mau cheiro.
Injuriado – revoltado.
Inscambau – expressão de negação equivalente a “uma ova”.
Insosso - com pouco ou totalmente sem sal.
Inté - corruptela de “até”.
Inté [até] a gata miar, ou umas hora – até quando quiser, sem previsão de tempo.
Inté [até] debaixo d’água – coisa muito certa, verdadeira, garantida. Ex: “Fulano
é viado [veado] inté [até] debaixo d´água”.
Inté [até] mais ver, ou mais cum’pôco [com’pouco] – até breve, ou daqui a pouco.
Intera – complemento, emenda.
Interar [inteirar] ano – completar ano.
Intiriço – corruptela de “enteiriço”, que significa contínuo.
Intrigado – tem dois sentidos: 1. de mal ou em desavença com alguém. 2. confuso,
pensativo, desconfiado, com interrogações (v. encafifado).
Invocado – pessoa cheia de direito, irritada, intolerante, briguenta.
Ipsilone – pronuncia da letra ‘y’.
Ir atrástem dois sentidos: 1. andar atrás de alguém. 2. procurar, investigar algo.
Irmão de consideração, ou de criação – pessoa criada na casa quase como irmão
dos filhos legítimos.
Iscangotar - quebrar o pescoço (v. cacunda, cangote).
Isso é uma ciência – diz-se diante de um caso complicado, de um mistério.
Ixe! - diz-se em situação de dúvida, tédio, admiração, espanto, etc. (v. afi, ou vige!).
Izonor - isopor.

Letra H do Dicionário Matutês

H

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Há muito que – faz tempo que.
Hectare – unidade de medida ágrária, correspondente a 10.000 (dez mil) metros
quadrados de terra.
História de trancoso – lendas, fábulas, mitos.
História sem pé nem cabeça – história mal contada, contraditória, sem sentido,
que indica ser mentirosa.
Hoje em dia – atualmente, nos dias atuais.
Hôme – abreviação de “homem”.
Hôme [homem] armadotem dois sentidos: 1. homem portando uma arma. 2.
homem com o pênis ereto ou duro.
Hôme [homem] da cobra – vendedor ambulante que se vê nas feiras do interior,
vendendo remédios caseiros, cordeal, etc, que, para atrair o cliente, usa uma
cobra dentro de uma mala (v. fala mais que o hôme da cobra).
Hôme [homem] das feição de galinha – homossexual masculino (v. baitola…).
Hôme [homem] galinha – homem muito namorador, que troca muito de mulher.
Hôme [homem] saite! – expressão de repúdio equivalente a “tô fora” ou “sai pra
lá…” (v. vôte!, varei-ti”, ti dana)
Hora da onça beber água, ou do pega pra capar – hora “h”, ou da decisão.
Hora de roubar galinha – meia-noite, em alusão à tradição de se roubar galinha à
meia-noite da sexta-feira da semana santa.
Hoté – abreviação de “hotel”, tem dois sentidos: 1. hospedaria, pousada. 2. espécie
de lanchonete onde o matuto lancha (toma café, come doce, etc.) quando vem à
cidade, principalmente, nos dias de feira.

Letra G do Dicionário Matutês

G

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Gabiru – corruptela de “guabiru”, que é um tipo de rato grande (v. catita).
Gado, ou rês – bovinos: bois, vacas. Ex: “sortar o gado (ou a rês) na manga” .
Gagau – fórmula infantil de se dizer “mingau” (v. engrossante).
Gaifo, ou galfo – corruptela de “garfo”.
Gaiguelo – corruptela de “garguelo”, que quer dizer o conjunto de pescoço e
garganta juntos.
Gaiofa - algazara.
Gaita, ou rialejo, ou vialejo – pequeno instrumento musical que se toca aspirando
e soprando com a boca.
Gaitada - risada extravagante ou escandalosa.
Gala - tem três sentidos: 1. roupa pomposa de ocasião, chamado de “traje de gala”.
2. mancha branca na gema de um ovo, responsável pela fecundação, daí nasce a
expressão “ovo galado”, quando se quebra um ovo e ele está fecundado. 2.
esperma.
Galalau, ou vara de vira tripa (ou de tirar coco, ou de bater pecado, ou de
espanar a lua), ou varapau
– pessoa muito magra e alta.
Galão – tem três sentidos: 1. enfeite de roupa em forma de fita. 2. patente militar. 3.
conjunto de duas latas penduradas nas pontas extremas de um pau, que o homem
carrega no ombro, com uma lata na frente outra atrás.
Galega – loira.
Galego sararar – negro com cabelo loiro.
Galinha do rabo verde – abacaxi. Recebe esse nome por substituir a carne (no
caso de galinha) na mistura do feijão.
Galo-de-campina, ou cabeça-vrêmêa [vermelha] – pássaro, típico do Sertão, com
corpo branco e cabeça vermelha.
Galope - tem dois sentidos: 1. passos rápidos, entre andar e correr, de um animal
de montaria. 2. um dos tipos de “martelos”, que é um dos estilos de desafios de
repentistas, desta feita em sextilhas de decassílabos (em 10 sílabas). (v. décima,
glosa, martelo, mote, morão, pé-quebrado, trova).
Gambá, ou timbú – roedor parecido com um esquilo, ou seja, que conduz os
filhotes em um saco na barriga (v. cassaco).
Gamela – tigela ou cocho grande talhada em madeira.
Gancho – tem dois sentidos: 1. suporte ou ponta de madeira para pendurar objetos.
2. trabalho provisório (v. bico).
Ganha-pão – meio de vida, profissão.
Gangorra – brinquedo de criança formado por um pau comprido supenso sobre um
eixo no meio, onde as crianças sentam nas extremidades e à medida que uma
sobe a outra desce (v. burrinca).
Garajau, ou grajau – tem dois sentidos: 1. cesto grande de cipó para transporte de
galinha, etc. 2. pacote de 50 rapaduras envolto em palha de cana.
Garapatem três sentidos: 1. sumo da cana (v. cardo). 2. água com açúcar. 3.
oportunismo, tirar proveito de uma situação fácil. Ex: “bater em bbêbado é
garapa”.
Garnisé – tipo de galinha pequenina, criada mais para enfeite do que para comer,
também chamada de “galinha nanica”..
Garrafada – remédio caseiro feito à base de muitas ervas e/ou cascas de pau ao
mesmo tempo (v. cristé).
Garrancheira – tem dois sentidos: 1. restos de mato seco. 2. letra ruim, ilegível.
Garupa – parte traseira do animal (bunda ou ancas), onde também se pode andar
montado, além da sela.
Gavião – tem três sentidos: 1. ave de rapina. 2. homem muito namorador. 3. ponta
posterior (costas) ao gume de um machado, o qual é usado para matar porco, boi,
etc. daí se diz que se mata porco “dando-lhe uma pancada forte com o gavião do
machado”.
Gás – querosene.
Gemada – gema do ovo batida com leite morno e açúcar, que o matuto acredita ser
forte e afrodisíaco.
Geringonça – engrenagem ou maquinaria esquisita ou, simplesmente, uma coisa
desmantelada.
Gibão - casaco de couro que um vaqueiro usa para se livrar dos garranchos.
Girá – abreviação de “giral” – tem dois sentidos: 1. cama rústica de vara sobre
forquilhas (v. paviola). 2. mesa improvisada para colocar algo em cima. Ex: “um
girá [giral] de coentro”, que é uma mesa feita de varas para plantar coentro em
cima (v. tabuleiro).
Glosa – versos improvisados a partir de um mote (v. trova).
Gogo – tem dois sentidos: 1. minhoca. 2. doença que dá em galinha semelhante a
uma gripe em seres humanos (v. gogento).
Gogó - pescoço, garganta, pomo.
Gogento – pessoa ou animal gripado, com tosse (v. gogo).
Goia, ou piola – ponta ou resto de cigarro.
Goifar [golfar], ou goifada [golfada] – refluxo. Geralmente criança que come e
em seguida vomita o que comeu.
Goipe [golpe] – tem dois sentidos: 1. pequena quantidade de líquido. Ex: ”tome um
goipim d’água” (v. naigadinha, talaigada). 2. corte com material afiado. Ex:
“Fulano levou um goipe de foice”.
Goma – polvilho de mandioca, usado especialmente para fazer tapioca (v. araruta).
Gorda – líquido grosso ou viscoso.
Gordo que só fi [filho] de ladrão quano [quando] o pai tá sorto [solto], ou um
poico [porco] ceicavo [cervado] cum (com) tiborna
– diz-se de uma pessoa
gorda (v. tiborna).
Gororoba – comida misturada, de forma que fique de má qualidade (geralmente
aproveitando restos de comida).
Gozar – tem três sentidos: 1. ter prazer com qualquer coisa. Ex: “gozar a vida”. 2.
orgasmo sexual, daí ser comum as expressão “dá uma gozada” 3. debochar de
alguém. Daí ser comum a expressão “Fulano tá gozano deu” (v. caçoar, mangar)
Gozo – tem dois sentidos: 1. ato de gozar. 2. cachorro magro, doente, etc.
Graçatem três sentidos: 1. dom divino – benção ou favor. Ex: “Fulano arecebeu
uma graça de Deus”. 2. gracejo, brincadeira. 3. gratuito (v. de graça).
Graúdo – grande.
Graxa – tem dois sentidos: 1. pasta usada pelo sapateiro para lustrar sapato. 2.
gordura animal derretida, principalmente de porco (v. banha)
Grear – abreviação de “grelhar”, tem dois sentidos: 1. assar em uma grelha. 2.
desfazer, zombar, debochar de alguém (v. caçoar, gozar, mangar, zonar).
Grelar - abrir, arregalar. Ex: “grelar os zoi”.
Griguilim – pequeno periquito nativo dos Sertões que anda em bandos fazendo
muito barulho, também chamado de “tapa-cu”.
Grosso que só papé [papel] de embruiar [embrulhar] prego, ou saco de estopa
-
pessoa ignorante, estúpida.
Grota, ou rego, ou valeta – intercessão entre duas montanhas, vale, córrego, rasgo
no chão para escorrer água.
Grude de goma – cola caseira feita com amido de milho (de maizena).
Grunido - gemido de cachorro.
Guardar dia santo – não trabalhar por ser dia santo (v. dia santo de guarda).
Guarda-peito – colete de couro que o vaqueiro usa no peito para se proteger de
paus e garranchos.
Guarda-sol – guarda-chuva, sombrinha.
Guenzo – magro, definhado, esquelético. Usado para definir cachorro de pobre.
Gugui, ou gurgui – abreviação de “gorgulho”, que é um inseto que dá nos cereais
(feijão, milho, etc), destruindo-os.
Guiné – galinha-d’angola (v. capote).
Gume – tem dois sentidos: 1. fio de um instrumente cortante, como faca, machado,
etc. 2. corruptela de “gomo” de uma fruta. Ex: “gume de laranja”, etc.

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Letra F do Dicionário Matutês

 F . Facada, ou pexeirada – corte provocado por uma faca (pexeira), muito comum em brigas (v. lambedeira, ou peixeira). Faca de dois gume – negócio com vantagens e riscos ao mesmo tempo. Facheiro – cacto da caatinga sertaneja (v. cardeiro). Facho – tocha de madeira seca triturada na ponta, para iluminação ou reproduzir o fogo nas queimadas (v. broca) dos roçados. Facim – abreviação de “facinho, que significa facílimo ou muito fácil. Falar pelos cotovelo – ser prolixo, tagarela, falar muito. Falada – diz-se de uma pessoa que está sendo alvo de comentários maldosos, especialmente uma moça que se suspeita que não é mais virgem. Falano [falando] só cuma [como] raido [rádio] – diz-se de uma pessoa que está falando só, murmurando. Falô [falou] no diacho [diabo], apareceu o rabo – diz-se quando se está falando de alguém e ele aparece repentinamente. Farnizim, ou gastura – ânsia de vomitar, sensação de mal-estar. Farso [falso] que só beijo de rapariga – diz-se de uma pessoa mentirosa. Farta – tem dois sentidos contrários: 1. corruptela de “falta”. 2. abudância. Ex: “uma mesa farta”, ou seja, com “fartura”. Fartar [faltar] terra nos pés – faltar argumentos, não ter justificativa a dar. Fastio – falta de apetite. Fato – tem dois sentidos: 1. acontecimento. 2. intestinos de um animal. Ex: “amanhã vô [vou] comprar 1k de fato pra fazer uma dobradinha” (v. bucho, miúdo). Faz de conta que, ou padizer [para dizer] que – simulação. Ex: “vamos brincar de famia [família]. Padizer qu’eu sô [sou] o pai e tu é a mãe”. Fazer a cama, ou a caveira – falar mal de alguém, preparando o espírito de alguém contra ele. Fazer as perna – depilar as pernas. Fazer as zunha – pintar as unhas. Fazer as vez [vezes] – fazer de conta que é outro. Fazer beicim [beicinho] – fazer cara de choro. Fazer carreira – preparar-se para correr ou partir. Fazer cera – trabalhar lentamente, propositadamente. Fazer coisa-fêa [feia] – fazer sexo ou, pelo menos, gestos obscenos (v. coisa-fêa). Fazer das tripa coração – fazer um grande esforço ou o impossível. Fazer de gato-sapato – usar e abusar de alguém, fazendo-o de coisa insignificante, sem importância. Fazer feira – comprar alimentos na feira, bodega, mercado, etc. Fazer gosto – ter gosto, concordar. Fazer hora - esperar o tempo passar. Fazer missa de corpo presente – fazer elogios a alguém pessoalmente. Fazer nas carreira, ou nas coxa – fazer algo mal feito, apresadamente. Fazenda – tem dois sentidos: 1. grande propriedade rural. 2. tecido (v. pano). Fazer pipi (ou xixi), ou mijar, ou verter água – urinar. Fazer pouco – humilhar, zombar, debochar. Fazer pouco caso, ou num fazer caso – desconsiderar a presença ou palavra de alguém. Fazer pru [por] onde - dar motivo. Fazer quarto – fazer vigília a um doente ou defunto. Fazer sabão – relação sexual entre duas mulheres. Fazer sala – fazer companhia a uma visita, geralmente, na sala. Fazer sangue – ferir alguém em uma briga. Fazer tempestade num copo d’água – fazer confusão por pouca coisa. Fazer terra, ou cera – enrolar ou trabalhar lentamente propositadamente. Fazer vista grossa – fazer de conta que não viu nada. Fazer o balão – dar a volta ou circular com o carro para retornar (v arrodiar). Fazer um pé-de-mêa [meia] – fazer uma reserva ou poupança. Fechiclé, ou ri-ri – zíper (fecho de calça). Feição – fisionomia (v. ter os traço, ou as feição). Feiche – grande molho de algo, preso por uma corda. Ex: “feiche de capim”, etc. Fêi [feio] que só um jaburu, ou um caboré, ou uma briga de foice, ou fêi [feio] que doi, ou de dar desgosto – diz-se de uma pessoa muito feia. Fejão, ou fêjão – corruptelas de “feijão”, podendo ser de diversos tipos, sendo os mais comuns nos Sertões: “fejão-de-arranca, de-corda ou macassa” (v. chocabunda). Fejão (ou fêjão) [feijão] cum [com] arroz – coisa corriqueira, do contidiano. Fejão (ou fêjão) [feijão] puro – sem mistura, principalmente sem carne. Fela (ou fi [filho]) da égua, ou da mãe, ou da puta, ou da gaita – expressões de ofensa à mãe de alguém. Felizmente – tem sentido contrário de infelizmente. Ferida braba – ferida crônica (câncer de pele, erisipela, etc). Ferrar – tem três sentidos: 1. colocar um ferro em algo. Ex: “ferrar a roda do carro de boi”. 2. marcar um animal com um ferro quente, no qual estão inscritas as iniciais do dono. 3. prejudicar ou ser prejudicado por alguém, daí se diz que “Fulano se ferrou” (v. se ferrar). Fi - tem dois sentidos: 1. abreviação de “filho”. 2. abreviação de fio. Ex: “fi de cabelo…”. Fia – abreviação de “filha”. Fiarada – abreviação de “filharada”, fazendo referência ao filhos. Ficar ao Deus darar – ficar abandonado, entregue à sorte. Ficar chupano [chupando] o dedo – ficar sem nada. Ficar cá [com a] cara no chão, ou de tacho – ficar envergonhado. desmoralizado, passar por mentiroso. Ficar cum [com] água na boca – tem dois sentidos: 1. ficar com a boca cheia d’água diante de uma comida gostosa. 2. ter vontade de adquirir algo e não conseguir, ou seja, ficar apenas na vontade. Ficar de flozô – ficar sem fazer nada, na malandragem. Ficar de queixo caído – ficar admirado, perplexo. Ficar (ou tá) no mato sem cachorro – perdido, abandonado. Ficar num pé e noutro – ficar em estado de ansiedade, inquiteação ou preocupação. Ficar no canto – diz-se de uma criança que perde a atenção dos pais ao nascer um novo irmãozinho. Ficar para titia, ou no caritó, ou sorteirona [solteirona], ou maroca, ou vitalina, ou encaiada [encalhada] – ficar moça velha sem casar. Fi [fio] da meada – rumo da conversa. Fi [filho] duma [de uma] ronca e fuça (de uma porca), ou duma [deuma] jega parideira – expressão de ofensa à mãe de alguém. Fi [filho] hôme [homem], ou menino hôme [homem] – filho de sexo masculino. Finca-pé – arranco ou saída brusca impulsionada pelos pés. Fixe – consistente (v. duro, maciço) Flecha (ou bandeira) de agave – pendão do cisal. Fletar – paquerar, ou ter um caso rápido, o que hoje chamamos de “ficar”. Focinheira – utensílio de corda ou outro material posto na cabeça do animal para amarrá-lo (v. cabresto). Foder, ou dar uma, ou furar o côro [couro], ou meter, ou trepar – transar, ter relação sexual. Fodido - pessoa derrotada, endividada, acabada, etc. (v. lascado). Fogão de trempe – fogão improvisado com três pedras, no chão, sobre as quais se coloca uma panela e o fogo embaixo. Fogo de paia [palha] – entusiasmo rápido, passageiro, (v. enfuluença). Fogo no rabo – concupiscência, desejo sexual. Foia – abreviação de “ folha”, tem dois sentidos: 1. folha de planta. 2. lâmina de um instrumento cortante. Ex: “foia [folha] da faca”. Foice – instrumento de corte de ferro usada para roçar mato ou cortar lenha. Foi num [não] foi, ou vez por outra, ou vira e mexe – de vez em quando. Fole de oito baixo, ou pé de bode – acordeom primitivo, de apenas oito baixos. Folia, ou furdunço, ou fuzaca – festa, farra, brincadeira, animação etc. Fome canina – fome semelhante à de um cão faminto. Forjo – armadilha na qual se cava um buraco e coloca-se uma tábua em cima para quando o preá passar cair dentro (v. quixó). Fornido – forte, resistente, reforçado. Forrobodó - tem dois sentidos: 1. festa dançante (forró). 2. tumulto, confusão. Fortificante - qualquer tipo de vitamina ou energético. Fosco – fósforo. Frande – corruptela de “flandre”, que é uma lâmina fina de ferro para o fabrico de copos, bacias, etc. (v. lata). Franga – galinha nova que ainda não pôs os primeiros ovos. Franzino - pessoa magra e pequena. Frasqueira - tem três sentidos: 1. conjunto de pequenos frascos. 2. bolsa de mulher em forma de mala pequena (necesser) para transporte de joias e cosméticos. 3. gente de baixo nível social (v. mundiça, rafamea, ralé). Flecheirar, ou estimbugar, ou tibungar – dar um pulo seguido de mergulho n’água. Frege, ou ruge-ruge, ou vuco-vuco – empurra-empurra, agitação, alvoroço, movimento de muita gente (v. rebuliço). Frêi – tem dois sentidos: abreviação de “freio” (de carro, por exemplo). 2. frade, irmão religioso. Frei-bode – pastor ou ministro protestante (v. crente). Frescar cá [com a] cara, ou tirar sarro – zombar, debochar com a cara de alguém. Frieira – tem dois sentidos: 1. micose que causa muita coceira entre os dedos dos pés. 2. cogumelo (fungo). Friso – tem dois sentidos: 1. grampo pequeno para prender o cabelo (v. birilo). 2. filetes pintados ou vincados em qualquer objeto, inclusive em parede. Friviar, ou fruviar – corruptela de “fervilhar”. Frontão - fachada superior da parede frontal de uma casa (frontispício). Fuá – tem dois sentidos: 1. cabelo despenteado. 2. bagunça, briga, confusão. Fuba – pó de milho pisado no pilão, que se costuma comer com rapadura raspada. Fubá – massa fina de milho moído para fazer bolo, mingau, etc. Fubado, ou fubento – em péssimas condições de uso, geralmente roupa. Fuça, ou fucim – abreviações de “forcinho” – tem dois sentifdos: 1. narinas de um animal. 2. cara, rosto de alguém. Daí a espressão “Fulano levou um murro nas fuça”. Fuçar – tem dois sentidos: 1. remover ou volver a terra com o focinho. Ex: “o poico [porco] fuçou a lama”. 2. procurar, bisbilhotar Ex: “ele fuçou a gaveta e não encontrou nada”. Fueiro – Estacas de madeira que se coloca perpendicularmente à mesa do carro-deboi, enfiando-a em furos que há em todo o contôrno da mesma, para segurar a carga. Fuiquia – abreviação de “forquilha”, que é um pau em forma de “Y”, muito usado para suspender algo, por exemplo, o cabeçalho do carro de boi. (v. passar a noite na fuiquia cuma cabeçai de carro de boi”. Fulano de tá [tal] – pessoa indetermimada (v. Beltrano, Sicrano). Fuleragem – sacanagem, safadeza, pornografia (v. pilera, piada). Fuleiro – fraco, de má qualidade. Fulô, ou frô – abreviação de “flor”. Fulustreco - o mesmo que Fulano, num sentido depreciativo. Fumo-de-rolo – fumo produzido artesanalmente, em forma de rolo, para consumo em cigarros, cachimbos, etc. Fun… – expressão usada ao sentir um mau cheiro. Funda – tem dois sentidos: 1. instrumento de atirar pedra. 2. abreviação de profunda. Fundura – profundidade Furada – tem três sentidos: 1. algo com um furo. 2. enrascada, engano. Daí se dizer que “Fulano entrou numa furada”. 2. usada para indicar uma mulher (principalmente adolescente) que não é mais virgem, daí se dizer que é “uma môça furada” (v. moça bulida). Furado na venta – usada quando uma pessoa está muito apaixonada por outra, a ponto de se deixar dominar, daí se dizer que ela “está furada na venta”, em alusão ao boi que, por mais feroz que seja, quando o homem fura sua venta (narinas), coloca uma argola de ferro e o prende com uma corda amarrada à argola, ele fica manso, dócil, obediente (v. venta).

Letra E do Dicionário Matutês

E

.
E apois! – corruptela de “e então!”, “pois então!”.
É a veinha – expressão de xingamento, que significa “é a velhinha sua mãe”
Éca! – interjeição de reprovação ou nojo diante de coisas sujas, podres, etc.
É cagado e cuspido – usado pelo matuto para comparar duas pessoas muito
parecidas, idênticos, quase iguais (v. a cara dum, a bunda d’outro) e uma versão
popular de “esculpido e encarnado”, que por sua vez é uma corruptela de
“esculpido em Carrara (um tipo de mármora)”.
Etc e coisa e tá [tal] – e outros.
É de hoje que… – tem um sentido contrário de “faz tempo que…”.
É de lascar, ou de lascar o cano – diz-se em situações difíceis, complicadas, etc.
É de lavra – algo que foi colhido ou cultivado pela própria pessoa, ou o contrário
daquilo que foi comprado.
Êi!, ou esse menino! – usada para chamar alguém desconhecido.
É ino [indo] e vortano [voltando] – diz-se de uma coisa de boa qualidade.
Êita!, ou êpa! – interjeição de espanto e/ou admiração.
Êito – tem dois sentidos: 1. trabalho, serviço, tarefa. 2. certo número de pessoas.
Ex: “…apareceu um êito de caba [cabra] safado…” (v. rebãe, etc.).
Elemento – tem dois sentidos: 1. pilha – para rádio, lanterna, etc. (v. carrego). 2.
pessoa desconhecida. Ex: “um elemento apareceu e …” (v. má elemento)
Eles que são branco que se entendam – eles são do mesmo nível, por isso se
entendem.
Em age de (ou veno [vendo] a hora) fazer uma arte – vendo a hora fazer uma
desgraça, uma maldade, um acidente. Diz-se, principalmente, de uma criança que
está trelando.
Embira – cordão de tira de casca de pau, de folha de agave (cisal), etc.
Embiricica – tira de casca de pau, de folha de agave (cisal), etc.na qual se prende
(pela boca) os peixes dentro d’água numa pescaria.
Emboicar [emborcar] – virar de cabeça para baixo (v. desimborcar).
Embruiar [embrulhar] o estambo [estômago] – enjoar, sentir-se mau. Daí ser
comum a expressão “Tá ou ficar com estambo embruiado”, quando uma comida
faz mal ou diante de uma comida estragada (v. enjuar).
Embuchar – engravidar
Emboloar, ou engrolar – diz-se de uma comida (papa, angu, mingau, etc) que
ficou mal cozido, cheio de bolos.
Emburacar – adentrar abruptamente em um lugar.
Em conta – por um preço barato, econômico, etc.
Emendar – colar, consertar.
Emendar os bigodeentre – brigar, lutar, trocar socos e pontapés.
É mermo [mesmo] que cagar e limpar o cu cum [com] a bosta, ou que enfiar
bufa num cordão, ou que passar manteiga em venta de gato
– expressões que
significam “é perca de tempo”.
É mermo [mesmo] que queijo – algo muito bom, fácil, tranqüilo, etc.
Empacar - emperrar, estancar. Muito usada para indicar um animal ao parar de
andar e não querer sair mais do mesmo lugar.
Empaiar - abreviação de “empalhar”, tem dois sentidos: 1. envolver em palhas. 2.
atrapalhar, interromper, provocar atrasar. Ex: “desse jeito você tá empaiando a
viagem”.
Empaiolar - organizar algo formando um paiol (v. paió).
Empanzinar - comer tanto a ponto de o estômago ficar muito cheio, levando a um
mal-estar ou ânsia de vômito.
Emparear - colocar lado a lado, formar uma parelha (v. parêa).
Empeleitada - corruptela de “empreitada”, tem dois sentidos: 1. acerto no qual se
cobra um serviço calculando-se o todo, ao contrário do que é pago por diária. 2.
tarefa difícil. Ex: “tu agora arranjou uma empeleitada grande…”.
Empenado - tem dois sentidos: 1. com penas. Ex: “o passarim começou a
empenar), ou seja, a criar penas. 2. inclinado, penso para um lado (v. torno…).
Empestado, ou empistiado, ou lastrado – proliferado, espalhado
desordenadamente feito uma peste.
Empiriquitado - enfeitado, bem vestido, elegante (v. apapagaiado).
Emprasto – corruptela de “emplasto”, qiue é uma compressa de algum
medicamento.
Emprenhar, ou enxertar – engravidar (usado mais para animais].
Emprenhar pelos zuvido [ouvidos] - acreditar no que se ouve sem ter certeza.
Em ponto – qualquer hora exata do dia. Ex: “mêi [meio] dia em ponto”.
Em riba - em cima, no alto.
Em riba [em cima] da bucha - na hora, no momento.
Em riba [em cima] da hora - de última hora.
Encabrestrar – colocar o cabresto, ou dominar algo ou alguém.
Encabular - inibir, aborrecer, azucrinar, importunar.
Encaicar - corruptela de “encalçar”, que quer dizer apertar, comprimir.
Encafifado, ou encucado – pensativo, cheio de interrogações (v. entrigado).
Encaliçado - tem dois sentidos: 1. que vem de caliça, que é uma argamassa feita à
base de cal, que, quando endurece, fica muito dura. Daí dizer que uma coisa
“encalicou”. 2. usada para indicar uma pessoa viciada, acostumada, Daí se dizer
que “já tá encaliçada”.
Encangado - tem dois sentidos: 1. numa canga. 2. junto, unido, acompanhado. Daí
a expressão: “Fulano só anda encangado com Sicrano”.
Encantado - expessão dita diante de alguém que acaba de ser apresentado,
equivalenter a “é um prazer”.
Encarnar - pegar no pé, grudar em alguém, etc. (v. desincarnar).
Encarnado - da cor da carne, ou seja, vermelho (v. vremêi).
Encardido - manchado, sujo (v. desincardir).
Em carne e osso – diz-se de uma pessoa muito magra.
Encarreado - seguido, contínuo, enfileirado.
Encasquetar - fixar a ideia numa coisa e não ter quem mude o pensamento.
Encerado - tem três sentidos: 1. polido com cera. 2. macia como cera. Muito usada
para um tipo de rapadura, chamada “rapadura encerada”. 3. uma cor
intermediária entre o branco, negro e amarelo (do índio), muito usado para
designar uma pessoa descendente de árabe ou indiana.
Enchaicar [encharcar] – tem dois sentidos: 1. embeber em excesso algo (pano)
com água ou qualquer líquido. 2. zombar, ironizar de alguém (v. mangar).
Encher o saco - incomodar, azucrinar, perturbar.
Enchiqueirar - recolher ao anoitecer os bezerros, colocando-os em chiqueiros,
para ficarem separados das vacas, para não mamarem o leite.
Enchombrado - úmido, molhado, enchovalhado.
Encoivarar - tem dois sentidos: 1. ato de encoivarar – formar uma fogueira (v.
coivara). 2. tem um sentido moral/sexual machista transar com alguém. Daí ser
comum a expressão: “Fulano encoivarou a fia [filha] de Sicrano”.
Encosto - tem dois sentidos: 1. Superfície em que se encosta algo. Ex: “encosto da
cadeira”. 2. quando uma pessoa está com algum problema físico ou psicológico
e que se julgar ser consequência de feitiçaria ou coisa do demônio, daí se diz que
“tá com um encosto”.
Encruar - não cozinhar bem. Ex: “o fêjão [feijão] hoje ficou encruado”
Encuiê [encolher], ou minchar, ou minguar, ou muchar – diminuir de tamanho.
En-êim! - expressão de admiração ou compaixão, que geralmente vem acrescida
de “o bichim”, ficando “en-êim, o bichim!”, ou seja, o coitadinho.
Enfiar de goela abaixo – obrigar, impor.
Enfitete – pessoa que não merece confiança, aproveitador.
Enfuluença – entusiasmo momentâneo ou passageiro, também chamada de “fogo
de paia [palha]”, por exemplo, entusiasmo de menino para ajudar em alguma
tarefa, que logo acaba.
Enfurnar - esconder, principalmente, numa furna ou toca (v. toca).
Engaigelar - corrptela de “engargelar”, quee dizer esganar pelo pescoço.
Enganchado - emaranhado, preso.
Engatar – acoplar. Muito usado para indicar “um cachorro engatado numa
cachorra”, no coito.
Engatinhar - dar os primeiros passos, geralmente andando de quatro pés, a
semelhança de um gato.
Engomar - passar ferro numa roupa, visto que, antigamente, colocava-se água com
goma na roupa antes para passar.
Engolir (ou cumê [comer]) corda – ir na conversa (elogios) dos outros. Daí nasce
a expressão “engolino corda qui-nem cacimbão”.
Engolir sapo - viver uma situação constrangedora sem revidar.
Engraçado – tem quatro sentidos: 1. divertido. 2. mais ou menos bonito, ou seja,
quando o matuto quer dizer que uma pessoa não é tão bela, mas também não tão
feia, ele diz que é engraçada (v. jeitoso). 3. expressão de reprovação diante de um
ato de falsidade, sabedoria, etc. Ex: “você é muito endraçado, quer ganhar sem
trabaiar [trabalhar]”. 4. expressão de admiração diante de algo misterioso,
enigmático, etc. Ex: “engraçado!, eu pensava que Fulano era fi de…. mas…”.
Engrisiado, ou eniado [enlinhado] – enrolado, emaranhado de linhas, cordões, etc.
Engrossante, ou grossante – mingau para bebês, fino a ponto de ser tomado em
mamadeira.
Engrujado, ou engurujado – tem dois sentidos: 1. pequeno e murcho. Daí, quando
feijão não cresce na vargem diz-se que ficou “engurujado” (v. chocho). 2. pessoa
encolhida, retraída, desconfiada.
Enguiçar – tem dois sentidos: 1. quebrar, travar. 2. cruzar ou passar por cima das
pernas de alguém estando este deitado, o que, segundo a superstição, quem está
deitado pode deixa de crescer, daí pede-se que passe no sentido contrário,
desenguiçando, para voltar a crescer (v. desinguiçar).
Enjembrar - quebrar, entortar, amassar, etc.
Enjeitado - tem dois sentidos: 1. rejeitado. 2. pessoas ou animal órfão.
Enjoado - tem três sentidos: 1. com enjôo ou ânsia de vômito (v. embruiar o
estambo). 2. coisa que provoca enjôo. Ex: “esse mé [mel] tá muito enjoado”. 3.
pessoa abusada, aborrecida, intolerante, antipática (v. emportuno).
Enrabar – transar, principalmente numa relação homossexual masculina.
Enrolado que só carreté [carretel], ou cordão no bolso - diz-se de uma pessoa
complicada, lenta.
Ensoado - termo usado para definir uma macaxeira, jerimum, que ao cosinha fica
cheio d’água (não enxuto).
Enterrar os pés – levantar-se bruscamente, saltar, pular.
Entica, ou peitica, ou picuinha – encrencar sem necessidade ou por coisa
insignificante, implicação, marcação serrada.
Entijolar, ou ladriar [ladrilhar] - calçar um piso com tijolos.
Entitelado - ereto, com o peito ou tórax estufado pra fora (v. titela).
Entojo - náuseas ou enjôo durante a gravidez.
Entonce, ou ontonce – corruptela de “então”.
Entrambecar - andar tropeçando as pernas uma nas outras.
Entramelar - desordenar, por exemplo, meter-se no meio da conversa ou serviço
atrapalhando.
Entreter – tem dois sentidos: 1. alegrar, divertir. 2. distrair, desviar a atenção. Ex:
“enquanto um entretia a puliça [polícia], o outro…”
Entrevado – enrijecido, endurecido. Usado, principalmente, para indicar problemas
de artrite.
Entriçado – duro, sólido, rígido.
Entronchar – entortar, desalinhar (v. troncho).
Entrupicar - tropeçar (v. topada, trupição).
Entuiar - abreviação de “entulhar”, que significa amontoar (v. tuia).
Enviezado – atravessado formando um bico ou triângulo.
Envelope (ou paletó) de madeira – caixão-de-defunto.
Enxaguar - lavar em água limpa algo que está ensaboado (v. quarar).
Enxerimento - gracejo ou insinuação sexual para com alguém.
Enxotar - expulsar, excluir, espantar à força ou por gritos.
Enxurada – grande quantidade de água que corre, fruto de uma chuva grossa.
É o besta!, ou o fraco!, ou o rim [ruim]!, etc. – expressões que significam o
contrário, ou seja, que é muito sabido, forte, etc.
É o novo! - ironia quando se quer dizer que algo ou alguém é muito velho.
É osso – é dureza.
É rim [ruim] em! – expressão de reprovação, negação.
Esbaforido - cansado, sem fôlego, sufocado pelo calor.
Esbagaçar, ou esbandaiar [esbandalhar], ou espatifar, ou estraçaiar
[estraçalhar]
– partir em pedaços.
Escarcéu - confusão, briga, gitaria.
Escambichado - arrebentado, quebrado.
Escanchado – em cima de algo com as pernas abertas. Daí ser muito usada a
expressão “o menino tava escanchado no cangote do pai”. Ou é muito comum as
mulheres carregarem os meninos “escanchado nos quadris”.
Escangaiar – abreviação de “escangalhar”, que quer dizer abrir, escancarar, em
alusão a uma pessoa com as pernas abertas, montado numa cangalha de animal
(cavalo, burro ou jumento).
Escapar fedeno [fedendo], ou por uma peinha de nada – escapar por um triz
Escarda [escalda] -pé – lavar os pés com água morna.
Esconchavado – torto, fora de nível ou prumo, desmantelado
Esconder o leite – omitir a verdade, guardar segredo.
Escornado – doente a ponto de não se levantar (v. à beira da morte, moribundo).
Escrachar, ou escuiambar [esculhambar], ou esculachar, ou xingar – dizer
malcriação com alguém, ou depravação em um ambiente.
Escramuçar [escaramuçar], ou pinotar – pular, saltar. Muito usada para definir
os saltos de um jumento (v. esquipar).
Escroto – depravado, indecente, imoral.
Escumar - corruptela de “espumar”, ou seja, formar espuma.
É servido? – expressão para se oferecer algo a alguém, equivalente a “aceita?”
Esfogueado - da cor de fogo (v. amarelo queimado).
Esgarçar, ou se puir – rasgar-se por está franco de tão velho. Ex: “essa rede tá se
puino no fundo” (v. cingir).
Esguio - elegante fisicamente (magro, alto), o que hoje chamamos de “sarado”.
Esgulepo – queda de mau jeito.
Esmolé, ou pedinte – mendigo.
Espanaviado – alegre ou espontâneo demais.
Esparecer, ou desparecer – se distrair, arejar a mente.
Espêi [espelho] sem luz – diz-se quando uma pessoa se atravessa na frente da outra,
atrapalhando a visão.
Esperança - tem dois sentidos: 1. pensamento positivo em relação ao futuro. 2.
grilo de cor verde.
Esperar a poeira assentar (ou baixar) – esperar a situação acalmar ou voltar ao
normal.
Espere deitado que em pé cansa – diz-se para desenganar alguém diante de um
caso sem solução, quando este ainda estava com esperança.
Espia!, ou pia! – tem o sentido de: olha!, pesta a atenção!
Espinhaço – as costas e/ou a espinha dorsal Ex: “tô com dor no espinhaço”.
Espinhela caída – dor cruzando o peito ou tórax. Para tal, costuma-se medir o
tórax com um cordão para diagnosticar a doença. Já a cura é feita com reza forte,
utilizando-se ramos de arruda ou pião-roxo.
Espingarda de feixe, ou soca-soca – um tipo espingarda que se carrega colocandose
pólvora e chumbo pela boca do cano, em seguida uma bucha (tufão), que é
socada por uma vareta (v. saca-trapo), daí o nome “soca-soca” .
Espirituoso - pessoa muito criativa, que gosta de contar piadas, inventar histórias
(mentiras) engraçadas e dar respostas inesperadas.
Espevitado, ou espritado – ativo, esperto, vivo (muito usado para crianças).
Espezinhar – tem dois senridos: 1. andar pra lá e pra cá sem sair do lugar. 2.
menosprezar, himilhar, tripudiar.
Espojar - ato animal de deitar e rolar no chão para se coçar.
Espragatar – amassar, espremer, esmagar.
Espreguiçadeira – cadeira de tecido (lona), parecida com uma cama ou cadeira de
balanço, para curtir preguiça ou descansar (v. preguiçosa).
Esquipar - andar quase correndo, feito um cavalo a passos largos (v. escramuçar).
Estambocar – arrancar um tampo ou pedaço. Ex: “o tiro estambocou a parede”.
Estatelado - engasgado, prostrado, sem fôlego.
Estêi – abreviação de “esteio”, é um pau (madeira) que se coloca em pé para
sustentar ou escorar o telhado de um terraço ou alpendre.
Estiado – sem chova, trégua da chuva.
Estoporar – explodir, inchar. Ex, “Fulano morreu estoporado de raiva”.
Estralar [estrelar] ovo – fringir ou cozer um ovo em gordura.
Estrambólico - corruptela de “estrambótico”, quer dizer esquisito, extravagante.
Estribuchar - espernear, contorcer-se, agonizar para morrer.
Estripulia - trela, artimanha, travessura.
Estropiado, ou tropo – cansado, andando cambaleando.
Estrovenga – tem dois sentidos: 1. foice com gume dos dois lados. 2. coisa
desmantelada.
Estruir - desperdiçar, estragar.
Estrumo - esterco, usado como adubo ou fertilizante, geralmente de gado, que é o
mais comum no Sertão, popularmente conhecido por “estrumo de vaca”.
Estrupício - desastrado, desmantelado, desorganizado.
Estufar – encher muito, inchar.
Estumar – atiçar, estimular ou ordenar o cachorro para atacar.
Esturricar, ou esturrar – deixar uma comida queimar um pouco. Ex: “o xerém
hoje ficou esturicado”.
Esturro, ou urro – berro ou rugido, principalmente, do boi.
…e tanto – bom demais, excepcional. Ex: “ a festa tava boa e tanto”.
É tu nada! – expressão de reprovação diante de alguém atrevido, equivalente a “vê
se te enxerga”.
Eu acho é pouco – expressão interjetiva com intenção de desprezo, maldição.
Eu cegue (ou me dane pru [para o] inferno) se num for verdade – expressão de
juramento, equivalenre a “eu garanto”.
Eu dô [dou] pru [por] vista – eu imagino, eu suponho, eu tenho uma Idea.
Eu ele – eu no lugar dele, eu sendo ele, se eu fosse ele.
Eu que me importe! – expressão de indiferença, equivalente a “num tô nem aí!”
ou “num ligo a mínima!”.
Eu só tô [estou]… – expressão de reprovação ou repreensão, no sentido de estar
admirado que a pessoa seja capaz de algo. Ex: “eu só tô… tu ainda viver cum esse
cara”.
Eu tô besta – eu estou admirado, ou pasmo.
Eu tô para dizer que… – eu sou da opinião de que…
Eu vô [vou] breu! – tem um sentido contrário de não vou, nem pensar.
Excomungado – amaldiçoada.

Letra D do Dicionário Matutês

D

.
– tem quatro sentidos: 1. verbo dar – ceder, ofertar. 2. depara-se, encontra-se.
Ex: Fulano foi pra feira e deu cum Sicrano lá” (v. topar). 3. bater, surrar, etc. Ex:
“Fulano deu no fi [filho] de Sicrano”. 4. usada para indicar a situação do sujeito
passivo (mulher ou homossexual masculino) numa relação sexual. Ex: “Fulana
deu ao fi [filho] de …” ou “Fulano deu o rabo pro fi [filho] de …”.
Daculá - abreviação de “daquele lugar” ou “daquela distância” (usado para
pequena distância).
Dado – tem dois sentidos: 1. bozó. 2. pessoa amável, simpática Ex: “esse menino é
muito dado”.
Danado – tem três sentidos: 1. teimoso, desobediente, astuto (v. medoi). 2.
frequentemente ou quase sempre. Ex: “adispois das primeras chuva é danado pra
sair tanajura”. 3. muito, bastante. Ex: “esse suco tá danado de bom”.
Danosse! – expressão de espanto e/ou admiração equivalente a “arra diacho
[diabo]!” ou “êita pêga)
Daqui pra’li, ou pra culá – tem dois sentidos: 1. pequena distância. 2. rapidinho
ou de repente. Ex: “pra ele se zangar é daqui pra’li”.
Dar a gota serena, ou a peste, ou a bexiga lixa, ou o bute, ou a molesta dos
cachorro, etc.
– complicar, dar tudo errado, etc.
Dar a mão à paimatória [palmatória] – reconhecer o erro.

Dar (ou virar) as costa – abandonar, desprezar alguém.
Dar as hora – cumprimentar uma pessoa num encontro, com expressões do tipo:
“bom dia!”, “tudo bem?”, “cuma vai?”, etc.
Dar cabimento, ou asa, ou brecha, ou trela – dar ousadia, liberdade, etc.
Dar calado pru [por] resposta – silenciar, calar-se.
Dar cartaz – dar importância.
Dar corda – incentivar, encorajar.
Dar conta do recado – cumprir uma tarefa, ser capaz.
Dar cria – parir (usada só para animais).
Dar cum [com] a cara na parede (ou porta), ou cum’s [com os] burro n’água,
ou quebrar a cara, ou rasgar a boca
– perder a viagem, não mconseguir o
esperado.
Dar cum [com] a língua nos dente – confessar, delatar.
Dar de garra, ou de mão – pegar ou usar algo.
Dar fé – perceber.
Dar fim – perder algo.
Dar maçada, ou embromar, ou remanchar - demorar, fazer atrasar.
Dar muito pano par’as manga – ser motivo de muitos comentários.
Dar nó em pingo d’água – um sujeito esperto, sabido.
Dar nome aos boi – nomear, dizer os nomes dos envolvidos.
Dar no pé, ou nos calo – ir embora, fugir, escapar.
Dar pa-trás [para trás] – desistir, cancelar, recuar.
Dar parte – prestar queixa contra alguém na polícia ou justiça.
Dar pru [para o] gasto – o suficiente para o consumo interno.
Dar o ar da graça – aparecer, revelar-se.
Dar o fora – ir embora, sumir, fugir.
Dar o prego – quebrar, enguiçar.
Dar o que falar – dar motivo.
Dar o que fazer – dar muito trabalho.
Dar ouvido - levar em consideração.
Dar um cano, ou um xexo (seixo] – não pagar uma dívida (v. caloteiro…).
Dar um chega pra lá – dar um basta.
Dar (ou levar) um corte – diz-se quando uma moça se recusa a dançar com um
rapaz .
Dar um duro – trabalhar muito.
Dar um jeito – tem dois sentidos: 1. consertar. 2. torcer ou contundir um membro
do corpo. Ex: “Fulano deu um jeito no pé” (v. desmintir, revelar).
Dar um pulim [pulinho] na rua - ir rapidinho à rua ou cidade.
Da silva – expressão que, associada a outra palavra, retrata um fato real, concreto,
perante alguém que estava duvidando, por exemplo: “vivo, ou vivim da silva”.
De a pé – andar á pé (v. de pé).
De banda – de lado.
De besta só tem o andar – diz-se de uma pessoa que se faz de de tolo sem ser.
De butuca ligada – atento, alerta.
De cabeça – fazer ou criar algo de memória, de improviso, como, por exemplo,
cálculos matemáticos, versos, etc.
De cabo a rabo, ou de fora a fora, ou de canto a canto, ou de ponta a ponta -
do começo até o fim.
De cara, ou de testa – frente a frente, olho no olho.
De carne e osso – expressão para dizer uma pessoa humana de verdade, sujeita a
pecados, etc.
De caso pensado – de propósito, premeditado.

Decente - pessoa correta, bem vestida, educada (v. compostura).
Décima – estrofe com dez versos em que cada linha ou verso tem oito sílabas
(octossilábicos). (v. galope, glosa, martelo, mote, morão, pé-quebrado, trova).
De cumê – comida, refeição, alimento.
Dedal – proteção de metal que a costureira coloca na ponta do dedo indicador para
não se furar ao coser ou pontilhar com a agulha (v. chuliar).
Dêdada – toque com o dedo no ânus de alguém.
Dedo-mindim [mindinho] - menor dedo da mão, que na brincadeira de crança
vem seguido de “seu-vizim [vizinho], maió [maior] -de-todos, fura-bolo e matapiôi
[piolho]”.
De finim [fininho], ou de raspão – atingir levemente, ou passar bem próximo.
Ex: “o carro passou de finim [fininho] pelo outro”.
Deforete – descanso, folga.
De frôzô [flozor] – sem fazer nada, malandrando.
Defruce – corruptela de “defluxo”, que é uma secreção nasal em começo de gripe -
coriza (v. constipado).
De graça – grátis (v. graça).
De hoje a oito, ou daqui a oito – abreviações de “de hoje a oito dias” e “daqui a
oito dias”.
Deitar galinha – colocar a galinha para chocar os ovos (v. chocar).
Deixar na mão – abandonar, não ajudar ou ser solidário.
De jeito maneira, ou qualidade – de jeito nehum, de modo algum, de forma
alguma.
Dejejum – café da manhã – que quebra ou tira o jejum da noite (v. jejum).
De lavra – diz-se de alimentos produzidos pelo próprio agricultor, que ele não
precisa comprar fora.
De maica [marca] maió [maior] – do maior tipo. Muito usado em sentido negativo.
Ex: “Fulano é ladrão de maica maió”.
De mala e cuia – definitivamente, para tal levou tudo ou toda mobília, daí é
comum dizer-se: “Fulano se mudou de mala e cuia”.
De mal’a pió [pior], ou de pió [pior] a pió [pior] cuma [como] a cantiga da
perua
– diz-se de algo que vai cada dia pior.
De mãos abanano [abanando] – sem portar nada nas mãos. No Sertão é comum
dizer-se que não se deve ir à casa ou visitar alguém “de mãos abananndo”, ou
seja, sem levar uma lembrancinha.
De mêa [meia] tigela – sem valor, sem importância, mediócre. Ex. “Fulano é um
médico de mêa tigela”.
De mêi [meio] -dia pra tarde – nas primeiras horas da tarde.
Demente, ou descansado, ou maçante, ou manzanza, ou remanchão, ou
drumente [dormente]
– pessoa lenta, vagaroza (v. macio)
De mermo [mesmo], ou de vera - de verdade, verdadeiro.
De môi (ou môio) – abreviação de “de molho”, tem dois sentidos: 1. colocar dentro
d’água para amolecer. Ex: “deixar o mi [milho] de môi [molho] pra moer” 2.
esperar. Ex: “Fulano ficou de môi [molho] esperanno o vigario” (v. chá de
cadeira).
Dente queiro, ou queixar – último dente siso – ou queiro – dos molares.
Dê no que der – aconteça o que acontecer.
De ôi [olho] (ou urêa [orelha]) em pé – vigilante, esperto, atento.
De papel passado – documentado, registrado em Cartório.
De pétem três sentidos: 1. na posição ereta. 2. andar a pé (v. de a pé). 3. firme,
em virgência.
De primeira – excelente, ou de primeira qualidade.
De primeiro – antigamente, no tempo passado.
De quebra, ou quebrados – pequena quantidade que passa em uma medida ou
peso. Ex: “a carne pesou 5 kg e uns quebrados”. Essa pequena quantia costumase
doar “de quebra”, como brinde, ao freguês”.
De repente, ou supetão – subitamente, inesperadamente. Ex: “Fulano apareceu de
supetão” (v. de vez).
Deriado, ou penso – inclinado para um lado, caído. Ex: “a parede tá deriada ou
pensa” (v. torto, troncho).
Derna – corruptela de “desde”, que pode vir acrescida da noção de tempo. Ex:
“derna de antonte”, “derna do ano trassado”, etc.
Derna [desde] que me’ntendo pru [por] gente – desde que tomei consciência que
existo.
Derradeiro sono – sono profundo, nas última horas da noite (v. premeiro sono)
Desafio - tem dois sentidos: 1. provocação, empreitada. 2. disputa entre dois
cantadores de viola (v. cantoria, peleja).
Desavessar – tirar do avesso (v. avessar).
Desbilitado – corruptela de “debilitado”, ou seja, fraco, desnutrido.
Desbocado – depravado, imoral, indecente.
Desbuiar - abreviação de “debulhar”, tem dois sentidos: 1. descaroçar. 2. detalhar,
contar a verdade.
Descabaçar, ou quebrar (ou tirar) o cabaço – desvirginar uma moça (v. bulir…).
Descambar, ou despencar – cair.
Descambichado, ou escambichado – desmontado, quebrado.
Descampado, ou taboleiro – área quase deserta na caatinga (v.cascabui, piçarro ).

Descansar – tem dois sentidos: 1. dar à luz. Usada só para mulheres, enquanto que
parir se usa tanto para mulheres como para animais (v. parir). 2. relaxar, distrairse.
Descansado, maçante, manzanza, ronceiro – vagaroso, lento, preguiçoso.
Descapelar – arranhar, tirar a pele.
Descer a lenha, ou o pau, ou a ripa – tem dois sentidos: 1. surrar alguém. 2. falar
mal de alguém.
Descer pra baixo – descer.
Desconchavado, ou esconchavado – sem jeito, desconforme, desarrumado.
Desconjuntar – desmontar nas juntas.
Desconjuro! – expressão usada para rejeitar, renegar ou amaldiçoar algo.
Desembestado – apressado, em alta velocidade, desvogernado.
Desempolar – nivelar um reboco ou piso com uma desempoladeira.
Desencardir – limpar, tirar a sugeira, etc. (v. encardido).
Desenfastiar – desopilar (v. enfastiar)
Desentrevar – fazer funcionar o que estava enrijecido (v. entrevar).
Desenxavido - sem gosto, sem graça, usada tanto para comida como para gente.
Desfeita – engratidão, afrontamento.
Desfrute – usada para indicar uma pessoa que vive maritalmente com outra sem ser
casada, ou seja, que “vevi [vive] no desfrute” (v. amassiado, etc).
Desinfeliz – diz-se de uma pessoa má.
Desingonçado – desconjuntado, com ginga no andar.
Desinteirar – descompletar (v. inteirar).
Desleixo, ou releixo – em estado de abandono, desmantelo, desorganização.
Desmamar [ou dirmamar] – encerrar o peíodo de mama de uma animal. (v.
apatar).
Desmantelado [ou dirmantelado] – desarrumado, desorganizado.
Desmilinguido [ou dirminlinguido, ou ismilinguidido] – pouco, definhado.
Muito usada para se referir a quem tem pouco cabelo.
Desmentir [ou dirmintir] – tem dois sentidos: 1. desmascarar uma mentira. 2.
torcer, contundir ou deslocar um membro do corpo. Ex: “Fulano desmentiu o pé”,
ou seja, torcer o pé (v. dar um jeito, revelar).
Desmiolado, ou destrambeiado [destrambelhado ] – doido, louco, desastrado.
Desmunhecar [ou dirminhecar] – fazer gestos efeminados (por parte do homem).
De só [sol] a só [sol] – que vai do nascer ao pôr-do-sol.
Despachado – atrevido, exibido, esperto.
Disse me disse, ou leva-e-traz, ou futrica, ou mexerico, ou zum, zum, zum -
fofoca, falar da vida alheia.
Destá – abreviação de “deixe estar”, ou seja, veremos, ou o tempo mostrarar, etc.
Ex: “destá que um dia ele precisa deu”.
Destambocado – o que está com um pedaço arrancado.
Destemperar - diz-se de um metal (instrumento de trabalho) que perdeu a
resistência ou corte (v. temperar).
Destocar - arrancar os tocos que ficaram de uma queimada ou a vegetação rasteira
pela raiz, preparando a terra para o plantio.
Destrinchar, ou esmiunçar – partir em pedaços. detalhar, explicar.
Destrocer - corruptela de “destorcer”, tem três sentidos: 1. desparafusar. 2.
desvirtuar uma conversa. 3. colocar no mesmo nível ou alinhamento. Ex: “o
pedreiro destroceu uma parede pela a outra”.
Desunerar – diz-se quando uma comida perde o ponto, ficando mole.
Desvanecer, ou esmorecer – desanimar, perder a coragem, sentir-se sem ânimo.
De tardezinha, ou tardezinha, ou à tardinha – final da tarde (entre cinco e seis da
tarde). (v. boca da noite)
Deu – abreviação de “de eu”, ou seja “de mim. Ex: “ele tava falano mau deu”.
De um tudo – sem faltar nada, com fartura, em abundância.
Deu o bode, ou o maió [maior] pau – confusão, briga.
Devagarim, ou devagazim – abreviações de “devagarinho”, que quer dizer
vagarosamente, lentamente.
Deveno [devendo] inté [até] os cabelo da cabeça – diz-se de uma pessoa que está
completamente endividado.
De veneta, ou de lua – por acaso, esporadicamente.
De vez – tem dois sentidos: 1. subitamente, repentinamente. Ex: “Fulano apareceu
de vez” (v. de repente, ou de supetão). 2. para indicar uma fruta que está prestes a
amadurecer (v. inchada).

Dia bonito – dia nublado, prometendo chuva.
Diacho – corruptela de “diabo”, usada como admiração ou repúdio. Daí as
expressões: “que diacho é isso?”, “ô diacho [diabo] rim [ruim]…”, etc.
Diadema – tiara.
D’agora em vante, ou doravante – contração de “de agora em diante”.
Dia santo de guarda – dia em que não se deve trabalhar, por ser santo (v. guardar
dia santo).
Difusôra – alto-falante, de metal (ferro ou alumínio), em forma de corneta.
Dinheiro pegado, ou inteiro – determinado valor numa única cédula.
Dinheiro trocado – determinado valor distribuído em várias cédulas.
Direto cuma [como] cantiga de grilo – continuamente, sem intervalo.
Direto cuma [como] enterro de crente – sem desvio ou parada, como enterro de
crente (evangélico ou protestante) que sai do velório direto para o cemitério, sem
passar pela Igreja Matriz da cidade, como acontece com os católicos nas cidades
do interior.
Dispendioso – coisa que causa muita despesa, por exemplo, uma viagem, etc.
Dispensa – tem dois sentidos: 1. ser dispensado, obter licença para… 2. despensa -
cômodo ou armário na cozinha onde se guarda mantimentos.
Distiorado – corruptela de “deteriorado”, que significa danificado, em ruínas,
estragado.
Ditoso, ou felizardo – aquele que tem sorte o dita.
Dito cujo – o mesmo, o tal, a pessoa mencionada.
Dito e feito – aconteceu conforme o previsto.
Dizer na doida – dizer sem pensar nas consequências.
Dizer nome-fêi [feio], ou palavrão – falar palavra pornográfica (v. coisa-fêa).
Dizer poucas e boas – maldizer alguém com insultos ou verdades que ele não
gostaria de ouvir.
Do bom e do mió [melhor] – expressão popular para dizer que só compra, tem,
vende, etc., coisa boa.
Do carai – abreviação de “do caralho”, que quer dizer bom demais (v. arretado).
Doença de mulé [mulher] – doenças próprias de mulheres as quais são tratadas por
um médico ginecologista.
Dois bicudo num se beija – duas pessoas de temperamento fortem não se
entendem (v. se dar, ou se bicar).
Dois dedim [dedinhos] de prosa – uma conversa rápida.
Dona – tem dois sentidos contrários: 1. tratamento respeitoso a uma senhora. 2.
prostituta (v. cadela, catraia, quenga, etc.).
Dona encrenca, ou a patroa, ou o frêi [freio] de mão – a esposa.
Dor de menino – dores no momento do parto (dor do parto).
Dor de viado [veado] – o mesmo que “dor desviada”; dor abdominal (no baço) que
dá geralmente em quem bebe muito líquido e em seguida faz exercícios
excessivos.
Dordói – abreviação de “dordolho”, que é uma inflamação nos olhos (conjuntivite).
Dor encausada – dor insistente ou persistente.
Dor nas cadeira, ou nos quarto – dor nos quadris ou nas costelas (v. bacia, quarto).
Dor nas junta – dor nas articulações ósseas (v. reumatismo).
Dotô – abraviação de “doutor”. Usada principalmente para designar médicos,
advogados, dentistas e outros profissionais formados, ainda que não tenham feito
doutorado, mas também como sinal de respeito a qualquer autoridade, como, por
exemplo, delegados, prefeitos, etc.
Drumença – corruptela de “dormência”, tem dois sentidos: 1. diminuição da
sensibilidade de uma parte do corpo, principalmente dos pés. 2. lentidão (v.
drumente, macio).
Drumir [dormir] cum [com] as galinha – dormir cedo, ao anoitecer.
Drumir [dormir] cum’s [com os] côro [couros] quente – levar uma surra antes de
dormir.
Drumir [dormir] no ponto – descuidar-se, deixar passar a oportunidade.
Duro que só pau de noivo, ou liso que só quiabo – sem dinheiro.

 

Letra C do Dicionário Matutês

C

.
– tem três sentidos: 1. aqui – local físico. Ex: “vem pra cá menino”. 2. Agora,
atualmente – tempo. Ex: “O mês passado choveu muito. De lá pra cá…” 3.
contração de “com a”. Ex: “Tá cá [com a] gota serena, menino!”
Caba - abreviação de “cabra”, tem três sentidos: 1. caprino – fêmea do bode. 2. dizse
para designr qualquer pessoa do sexo masculino em sentido genérico. 2.
homem valente, destemido. Em alusão aos ”cabras de Lampião”, quando o termo
foi cunhado, passando a ser sinônimo de cangaceiro.
Cabaça(o) – tem dois sentidos, 1. fruto da cabaceira parecido com uma melancia
que não se come, mas, quando seco fica com a casca dura, daí faz-se um buraco e
coloca-se uma tampa para carregar água. 2. virgindade. Ex: “a fia [filha] de
Fulano perdeu o cabaço”, ou seja, perdeu a virgindade (v. donzela, moça).
Cabaça(o) de colo, ou de gola – cabaça usada para portar água de beber para o
roçado, que tem duas partes gordas e um gogó no meio, onde se amarra uma
corda para pendurar no sinto.
Caba [cabra] da peste, ou macho – diz-se de um homem valente, destemido, bom,
etc.
Caba [cabra] de pêa [peia] – homem safado, que merece uma surra.
Cabeçai – abreviação de “cabeçalho”, que é um pau longo que cruza todo carro de
boi (uma espécie de chassis) e,na ponta, coloca-se a canga para os bois puxarem
o carro.
Cabeça (ou rabo, ou crista) -de-galo, ou mingau de cachorro, ou cardo [caldo]
da caridade (ou levanta-defunto) – espécie de sopa rala de água com farinha de
mandioca, ovos e temperos, que o matuto considera de grande valor energético,
próprio para levantar uma pessoa doente.
Cabeça-de-prego, ou furuncu [furúnculo], ou cabrunco – pequeno tumor.
Cabeçote – pontas (duas) de paus da armação de uma cangalha, sobre os quais se
penduram objetos a serem transportados.
Cabeceiro, ou chapeado – pessoa que trabalha carregando volumes – emcomendas
- na cabeça (v. calunga).
Cabilôro – abreviação de “cabilouro”, que é a cartilagem nervosa do pescoço
(nuca) de um animal
Cabreiro – desconfiado, precavido.
Cabresto – tem dois sentidos: 1. utensílio de corda ou outro material posto na
cabeça do animal para amarrá-lo (v. focinheira). 2. num sentido figurado é usada
para designar o controle de uma pessoa sobre outra. Daí se costuma dizer que
“Fulano colocou um cabresto em Sicrano”.
Cabrito – bode novo ou de pequeno porte.
Cabrita – tem dois sentidos: 1. cabra nova ou de pequeno porte. 2. menina
namoradeira (v. bichota, menina assanhada…).
Cabrocha - moça jovem ou adolescente.
Cabroeira, ou mundiça, ou rafamea [fafameia], ou ralé – gente de baixo nível
social, povinho ou povão (v. frasqueira).
Caboeta, ou dedo-duro – traidor, delator.
Cabuloso, ou carrancudo, ou cavernoso, ou opinioso, ranzinza – pessoa abusada,
insolente, irritante (v. caprichoso, importuno, rabugento).
Caça – animal do mato (silvestre) que se mata para alimento.
Caçambada, ou chapuletada – pancada ou porrada forte (v. lapada).
Cacetada, ou caçoletada – paulada.
Cacareco – tem dois sentidos: 1. pequeno pedaço de um objeto. 2. objetos,
utensílios ou mobília de pouco valor, ou de pobre. Daí a expressão: “pega teus
cacarecos e vai embora…” (v. bregueço).
Caçarola – frigideira.
Caçar terra nos pés – procurar uma saída para um problema repentino e não
encontrar.
Cachaceiro, ou cu de cana, ou pau-d’água, ou papudim [papudinho], ou
pingunço, ou pé inchado
– pessoa viciada em aguardente.
Cachimbo - tem dois sentidos: 1. instrumento de fumar. 2. festa, acompanha de
bebidas, em comemoração ao nascimento de um filho.
Cachete - comprimido ou drágea – remédio.
Cachola – cabeça, mente.
Cachorrada – safadeza, desunião, etc.
Cachorro-d’água – pequeno grilo-toupeira que vive na areia.
Cachorro doido – cão com a doença raiva (hidrofobia).
Cacimba – poço aberto no leito dos rios, riacho e açudes vazios para colher água
na época de seca.
Caçola – calcinha de mulher em tamanho grande – “gg”.
Caçote – pequeno anfíbio (parecido com um sapo ou perereca) com nadadeiras
largas nos pés.
Caco – tem dois sentidos: 1. pedaço de um objeto. 2. prato de barro razo e largo
usado para torrar farinha, fritar ovos, etc. (v. bolo de caco).
Caçoar – tem dois sentidos: 1. cesto de palha, cipó ou vime trançado que se coloca
pendurado na cangalha de um animal (jumento, cavalo ou burro) para transporte
de objetos pequenos (geralmente frutas). 2. Ironizar, debochar de alguém. Ex:
“Fulano tá caçoano deu” (v. gozar, mangar, zonar).
Cacoete, muganga, ou sestro – trejeito, que é uma mania ou gesto que alguém faz
incoscientemente.
Cacunda [corcunda], ou cangote – conjunto formado pela parte superior do dorso
e pescoço (nuca). Daí é comum dizer-se que “Fulano tava carregano o menino na
cacunda” (v. escanchado).
Cada quá – abreviação de “cada qual”, ou seja, cada um.
Cadê? ou quêdê? – equivalente a “onde está?” Ex: “menino, cadê a faca que…?” .
Cadêla? – forma contraída de “cadê ela?”, ou seja “onde está ela?”.
Cadela – tem dois sentidos: 1 cachorra. 2. mulher vulgar, prostituta (v. mulé da
vida…).
Cadiquê? – contração de ‘por causa de quê?’
Caduco, ou gagá – esclerosado.
Caêra – abreviação de “caieira”, que é um amontoado de objetos mais ou menos
organizados. Muito usada para indicar a organização dos tijolos para serem
queimados.
Cafifi – abelha pequena com ferrão que faz sua colmeia em folhas de árvores.
Cafofo, ou cuvuco, ou cubico [cubículo] – pequeno cômodo.
Cafuné - carícia ou massagem na cabeça.
Cafuringa, ou fubica, ou ximbica – carro velho (v. cururu).
Caga-fogo, ou vaga-lume – pirilampo.
Cagar, ou evacuar, ou fazer as necessidada (ou cocô), ou obrar – defecar (v. se
cagano…)
Cagar goma – conta vantagem ou se auto engrandece (v. pabuloso).
Cagar (ou mijar) fora do caco – fazer coisa errada.
Caicular - corruptela de “calcular”, tem dois sentidos: 1. medir, julgar, etc. (v.
chutar, regular). 2. encher de formsa que fique transbordando, ou seja, quando
numa vasilha se coloca um pouco a mais do que ela cabe, ficando parte do
produto acima das bordas. Ex: “bote uma cuia de farinha bem caiculada
[calculada] pra mim”.
Caimante – corruptela de “calmante”, que significa qualquer remédio que deixe o
matuto mais calmo, desde um chazinho a um ansiolítico. Ex: “tome um chazim
pra açaimar [acalmar] os neivo [nervos]”.
Caimbra [câmara] de sangue - diarreia com manchas ou rajadas de sangue (v.
andaço, caganeira).
Caiar, ou dar uma mão-de-cá [cal] – dar uma demão de cal (pintar com cal).
Cair do cavalo – perder o tempo, não conseguir o que queria.
Cair (ou dar) o fora – sair, ir embora.
Cair na boca do povo, ou do mundo – passar a ser alvo de comentários maldosos.
Cair na gandaia – levar vida desregrada.
Cair na graça – passar a ser admirado por alguém.
Cair na vida – prostituir-se.
Cair no conto-da-caroxinha, ou do-vigário – ser enganado, lubridiado por um
negócio vantajoso.
Caivoreira [carvoeira], ou cova de caivão [carvão] – buraco no chão onde se
coloca a madeira organizada e cobre-se com terra para fazer carvão.
Caixa dos peito, ou de catarro – tórax.
Cajaca-de-côro [couro] – corruptela de “casaca-de-couro”, que é um pássaro
avermelhado (semelhante ao casaco de couro do vaqueiro) de nativo do Sertão
que faz um grande ninho de espinhos no alto das árvores.
Caji, ou quaji – corruptela de “quase”.
Cajuada, ou cajuína – refrigerante feito com o sumo do caju.
Calça mêa [meia] – coronha, ou pegano [pegando] mareco – calça comprida no
meio da canela (v. coronha).
Calibre – tem dois sentidos: 1. grossura do cano de uma arma. 2. tendência natural
de uma pessoa para ser gorda ou magra.
Caliça – argamassa feita à base de cal (v. encaliçar)
Califon, ou corpete – sutiã.
Calombo, ou catombo – caroço, ematoma.
Caloteiro, ou veaco [velhaco] , ou xexeiro [seixeiro] – pessoa que não paga o que
deve (v. dar (ou levar) um cano, ou xexo).
Calunga – tem dois sentidos: 1. boneca. 2. pessoa que trabalha
carregando/descarregando caminhões (v. cabeceiro, ou chapiado).
Cambada, ou curriola, ou magote – certo número de pessoas, geralmente de má
índole (v. êito, moi [molho], penca, rebãe, reca, ruma).
Cambão – tem três sentidos: 1. resto do caule do pé de milho. 2. peça de madeira
que prende a canga ao cabeçalho do carro de boi. 3. levar uma grande
desvantagem numa corrida, ficando para trás, daí se diz que “levou um cambão”.
Cambitar – transportar cana, madeira, capim, etc, no lombo de animais.
Cambito – tem dois sentidos: 1. suporte de madeira, em forma de forquilha ou um
“V”, que se pendura na cangalha de um animal (jumento, burro, cavalo), para
transporte de madeira, capim, etc. 2. vem do italiano “gambetta”; pernas finas.
Ex: “Fulana tem pernas de cambito”.
Cambota – pessoa que tem as pernas tortas ou abertas para fora (v. cangaia).
Camboceira, ou tambueira – pequenas coisas, como: espigas de milho, melancia,
jerimum, etc.
Cambuca, ou cumbuca – caneca ou copo grande.
Camim [caminho] – estrada estreita por onde só circulam animais e pessoas (v.
vereda), ao contrário de rodagem que é uma estrada larga por onde trafegam
carros (v. rodagem).
Camim [caminho] de rato – falhas em um corte de cabelo mau feito.
Canáia – abreviação de “canalha”, que quer dizer gente baixa, povão (v. acanaiar)Canhão - tem dois sentidos: 1. arma de fogo de alto calibre. 2. penas novas que
estão começando a brotar em uma ave.
Cancão - tem dois sentidos: 1. pássaro do Sertão. 2. bolinhos de comida amassados
com as mãos, semelhante a um quibe (v. capitão).
Cancela – tem dois sentidos: 1. verbo cancelar. 2. pequena porteira.
Candeeiro – lamparina primitiva a base de querosene ou gás (v. gás).
Caneco, ou caneca – copo grande com alça.
Canela – tem dois sentidos: 1. planta de cuja casca e/ou pó se faz chá. 2. parte
dianteira da perna, entre o joelho e o pé.
Canga – peça de madeira que se coloca no pescoço do animal (boi, cavalo, etc).
para puxar carro de boi, carroça, arrado, etc.
Cangaceiro – bandoleiro, bandido (v. cangaço)
Cangaçotem dois sentidos: 1. bando de malfeitores, bandoleiros (v. cangaceiro).
2. coisa velha, espedaçada, estraçalhada.
Cangaia – abreviação de “cangalha”, tem três sentidos: 1. suporte que se coloca no
lombo de um animal (jumento, burro ou cavalo) para o transporte de objetos
sobre ele. 2. pernas tortas para fora (v. cambota, zambeta). 3. óculos (v. picinêz)
Cangueiro, ou munheca de pau – falta de habilidade. Ex: uma pessoa cangueira é
aquela que não se equilibra bem numa bicicleta, ou que dirige mal um carro.
Cangulo – dentuço.
Canja – sopa com carne de galinha.
Canjica – creme de milho grosso e consistente feito de milho-verde, que é uma das
comidas típicas das festas juninas do Nordeste.
Cantador de viola, ou repentista, ou violeiro – poeta que faz versos de improviso
(v. repente).
Cantiga – música ou cântico, tanto de homem como de animais. Daí a expressão
“cantiga de grilo”.
Canto – tem dois sentidos: 1. o cantar de um pássaro. 2. espaço, local. Daí a
famosa expressão “quano cheguei lá tava o canto mais limpo”, ou seja, vazio.
Cantoria de pé de parede – disputa entre repentistas improvisada num recanto de
parede.
Canudo – tem dois sentidos: 1. um cano fino. 2. um tipo de abelha nativa do Sertão,
que não possui ferrão e produz um excelente mel.
Canzil – duas traves que se enfiam numa canga para prender o boi.
Caôi – abreviação de “caolho”, que significa com um olho só ou com um olho torto.
Cão sem dono – pessoa desprezada, marginalizada.
Capa bode – tem dois sentidos: 1. pequeno engenho manual, de madeira, de moer
cana. 2. máquina manual para desfibrar agave (cisal).
Capanga – tem dois sentidos: 1. pistoleiro. 2. bolsa pequena.
Capão – galo castrado ou capado, com o intuíto de engordá-lo para matar.
Capar – castrar.
Capar o gato, ou escafeder, ou se empirulitar [empirilitar-se] – ir embora, sumir,
desaparecer.
Capenga – tem dois sentidos: 1. coxo, manco. 2. velho, atrasado, incompleto.
Capiongo – triste, calado, desconfiado.
Capitá – abreviação de “capital”, tem dois sentidos: 1. cidade sede do governo de
um Estado ou Nação. 2. dinheiro.
Capitão - tem três sentidos: 1. posto do alto escalão na carreira militar. 2. nome
dado a penico (v. penico, urinó). 3. bolinhos de comida amassados com as mãos,
semelhante a um quibe (v. cancão).
Capoeira – vegetação rala da caatinga Daí nasce a expressão “galinha de
capoeira”, por ser criada no mato (v. cascabui, descampado).
Capote - tem três sentidos: 1. casaco de frio. 2. galinha-d’angola (v. guiné). 3.
cobertura, com telhas coladas na cumeeira de um telhado.
Caprichoso – tem dois sentidos: 1. cuidadoso, meticuloso. 2. pessoa turrona,
teimosa (v. cabuloso, importuno, rabugento).
Capucho – tem dois sentidos: 1. pequeno tufo ou chumaço de algodão. 2.
“algodão-doce”, também chamado de “lã-de-açúcar”, por parecer com uma lá de
algodão. Daí ser comum a expressão ”um capucho de açúcar”.
Capuxú – um tipo de abelha nativa do Sertão.
Caquear – apalpar, tatear, procurar algo com as mãos.
Cara – tem dois sentidos: 1. rosto, face. 2. homem. Ex: “esse cara”
Cará – um tipo de inhame, também chamado de “São Tomé”.
Cara amarrada, ou fêa [feia], ou de quem cumeu [comeu] e num gostou – dizse
de uma pessoa carrancuda, de mau humor, etc. (v. carrancudo, ou lundum).
Cara-de-pau – pessoa sem vergonha, dissimulada, oportunista.
Cara lisa, ou lambida – diz-se de um pessoa cínica, dissimulada.
Carão - tem dois sentidos: 1. ave do Sertão que o matuto acretita adivinhar chuva.
2. repreensão, chamado de atenção (v. levar uma bronca…).
Carderão – corruptela de “caldeirão”, tem dois sentidos: 1. panela com uma alça. 2.
cisternas formadas por depressões naturais nos lajedos (v. tanque)
Cardeiro – um tipo de cacto cabeludo parecido com um mandacaru.
Cardo – corruptela de “caldo”, tem dois sentidos: 1. sumo da cana (v. garapa). 2.
líquida grosso e substancioso de uma comida. Ex: “cardo [caldo] de galinha”.
Carecer – vem do verbo latino “carere” quer dizer faltar, necessitar, precisar. Ex:
“quer uma ajuda? – num carece não”.
Carregar na mão – exagerar. Dito, principalmente, quando se erra ao colocar sal
numa comida, tornando-a salgada.
Careta – tem dois sentidos: 1. cara feia. 2. uma coisa atrasada, antiga, fora de moda.
Caritó – quarto nos casarões antigos onde dormiam as moças, sem janelas e com a
porta voltada para o quarto do casal, como forma de controlar a saída das moças.
Daí, quando uma moça não conseguia casar-se costumava-se dizer que “ficou no
caritó” (v. ficar pra titia…)
Carnegão – matéria pútrida e dura de um tumor (v. cabeça de prego).
Carne de criação – carne de caprinos e ovinos. (v. criação).
Carne de gado – carne bovina.
Carne de pescoço – pessoa difícil de ser convencida.
Carne de sol, ou seca – carne típica do Sertão, com sal e exposta ao sol para
desidratar um pouco.
Carne verde – carne fresca, sem sal.
Caroço – tem dois sentidos: 1. semente de uma planta. Ex: “caroço de manga”. 2.
inchaço, hematoma (v. catombo).
Caroço do ôi [olho] – globo ocular.
Carrapateira – mamona.
Carrapicho – arbuste, da família do capim, que, ao florar, produz espinhos, em
forma de cachos, no pendão.
Carrego – pilha – para rádio, lanterna, etc. (v. elemento).
Carreira – tem dois sentidos: 1. ato de correr. 2. espaço entre fileiras de milho,
feijão, cana, etc, emparelhadas
Carreiro – tem dois sentidos: 1. pessoa que conduz ou dirige o carro de boi. 2.
caminho de formiga (v. correição)
Carrité – abreviação de “carretel”, que é uma bobina, especialmente de linha para
costurar.
Carro de boi – carro de madeira puxado por bois.
Casa de arrasto – casa com dois telhados inclinados a partir da cumeeira (parte
mais alta que divide os lances de telhados) um para frente, e outro para trás.
Casa de bagalô, ou chalé – casa com dois telhados, inclinados cada um para um
lado.
Casa de famia [família] – usada para definir o local onde uma emprega doméstica
trabalha, daí se diz que “ela trabaia numa casa di famía”.
Casa de mêa [meia] -água – casa de um telhado único, inclinado para um único
lado.
Casa de Noca, ou da Mãe Joana – casa sem uma autoridade, onde todo mundo
entra, mexe, manda, etc.
Casa de taipa – casa construída não em alvenaria (tijolos), mas com paus (uns
fincados e outros trançados) e revestidos com barro socado.
Casamento da raposa – diz-se de uma situação em que chove e faz sol ao mesmo
tempo.
Cascabui – abreviação de “cascabulho”, que é um terreno pedregoso, ruim para
lavouras (v. capoeira, descampado, piçarro).
Cascai – abreviação de “cascalho”, que significa pedregulho, farelo de pedras.
Casco – tem dois sentidos: 1. unha de animal de porte (jumento, boi, etc). 2. garrafa
ou vasilhame fazio.
Cascudo, ou cocorote, ou croque – bater em alguém com o ponho fechado,
friccionando os dedos sobre sua cabeça.
Cassaco – tem dois sentidos: 1. animal parecido com um esquilo, ou seja, que
conduz os filhotes em um saco na barriga (v. gambá). 2. trabalhador de função
elementar (v. peão de obra).
Catar - tem dois sentidos: 1. colher. Ex: “catar algodão”. 2. escolher, separar. Ex:
“catar feijão, ou arrôz”, ou seja, separar as impurezas antes de cozinhar.
Catabí - abreviação de “catabil”, que é uma trepidação (solavancos) provocada por
buracos ou desníveis na estrada.
Catatau – coisa grande, enorme, volumosa.
Cantingueira – árvore sertaneja própria de terreno pedregoso.
Catita – pequeno rato (rato-catita) ou camundongo .
Catôta, ou meleca – secreção nasal endurecida.
Catraia, ou marafaia, ou marafona, ou mulé da vida (ou de vida fácil, ou
estradeira, ou à toa, ou galinha), ou piranha, ou puta, ou rameira, ou
rapariga
– mulher vadia, depravada, prostituta (v. cadela, dona, quenga, etc.).
Catrevagem – coisas velhas sem valor (v. bugiganga, treco).
Catucão, ou cutucão, ou futucão, ou prutucão – espetada violenta capaz de
provocar uma lesão.
Catucar, ou cutucar, ou futucar - tocar ou espetar levemente alguém com um
dedo, cotovelo, ou objeto pontiagudo, etc, como chamado ou sinal de advertência,
de alerta, etc.
Cavar – tem dois sentidos: 1. perfurar. 2. buscar, procurar. Ex: “o jogador cavou
um pênalte, mas o juiz num deu”.
Cavar a própria cova – procurar a sua própria desgraça.
Cavar a vida – lutar pela sobrevivência.
Cavaco – pontas ou restos de madeira.
Cavalo baixeiro – cavalo que foi adestrado para andar no passo macio, de forma
que quem está montado nele não sente trepidação.
Cavalo de bêbado – pessoa que a todo lugar que chega, para pra conversar,
semelhante ao cavalo do bêbado que para em todo bar.
Cavalo do cão – besouro parecido com um formigão preto que dá uma picada ou
ferroada muito dolorosa. (v. metido a cavalo do cão).
Causo – história engraçada, semelhante a uma piada, porém verídica.
Caxumba, ou papeira – inflamação das glândulas parótidas que incha os queixos
formando papadas (doença de bócio).
Ceará, ou jabá – carne de charque.
Cebolinha – cebola pequena nativa do Sertão, usada não só para temperar mas
também como remédio, como, por exemplo, em lambedor para tosse.
Cego - tem três sentidos: 1. sem visão. 2. sem fio, sem gume, não amolado. Ex:
“uma faca cega”. 3. ingênuo, inocente. Daí a expressão “tem pai que é cego”.
Cegueira – tem três sentidos: 1. sentido físico: falta da visão ocular. 2. sentido
figurado: não enxergar ou perceber o que está acontecendo ao seu redor. 3.
fixação por uma coisa (v. secura).
Ceica - corruptela de “cerca”, que é uma divisória feita de madeira e/ou arame para
prender animais.
Ceica [cerca] de faxina – cerca feita com varas finas trançadas (horizontalmente)
em estacas grossas verticais.
Ceica [cerca] de pau a pique – cerca feita de varas finas, ou paus grossos,
fincados verticalmente no chão.
Ceicado – corruptela de “cercado”, tem dois sentidos: 1. envolto, contornado (v.
arrodiado). 2. área cercada (por cercas) para prender animais (v. currá, manga,
reveso).
Ceivar [cervar] – engordar um animal para abate.
Celôra - abreviação de “celoura”, que é um cuecão, também chamada de “sambacanção”.
Cera - tem dois sentidos: 1. material cremoso feito pelas abelhas para comportar o
mel e os filhotes. 2. enrolar fazendo o tempo passar. Daí a expressão “Fulano tá
fazenno cera”.
Cesto – espécie de balaio de cipó, com asas para ser levado na mão.
Chã, ou chapada – planície.
Chá de burro – mungunzá ou manguzá (que no Sertão é salgado e temperado com
carne e orelha de porco).
Chá de goma – água com maizena usada como remédio para diarréia.
Chafurdo – coisa avacalhada, sem ordem, sem definição, safadeza.
Chaleira – tem dois sentidos: 1. vasilha de fazer café (v. bule, ou maimita). 2.
pessoa que quer agradar em demasia a outra pessoa (v. babão, baba-ovo).
Chamboqui, ou xamboqui – corruptelas de “sambaqui”, que é um pedaço que se
desprende de algo por acidente (v. tampo).
Chamichuga, ou sanguissuga – corruptelas de “sanguessuga”, tem dois sentidos: 1.
molusco de água doce que suga sangue humano. 2. pessoa que vive às custa de
outra.
Chamuscar, ou tostar – assar uma coisa só por fora, deixando o miolo cru (v.
sapecar)
Chapa – tem quadro sentidos: 1. lâmina de metal, madeira, plástico, etc. 2.
fotografia ou raio X, daí o matuto dizer que vai “bater uma chapa” (v. retrato). 3.
dentadura postiça (v. perereca). 4. amigo, companheiro. Ex: “Fulano é meu
chapa”
Chaquaiar [chacoalhar], ou saculejar – balançar, mexer muito.
Chato – tem três sentidos: 1. tipo de piolho ou carrapato achatado que procura os
pelos pubianos (v. mucuim). 2. plano, amassado. 3. pessoa irritante (v.
enchaicado).
Chegue! chegue! chegue!… – usada para chamar animais, por principalmente,
cabras.
Chêa [cheia] – tem dois sentidos: 1. lotada, completa, ocupada. 2. enchente em um
riacho ou rio.
Chêi [cheio] de dedo, ou encabulado – diz-se de uma pessoa envergonhada,
inibida, diante de uma situação inesperada.

Chêi [cheio] de mas, mas… – cheio de desculpas, indecisões.
Chêi [cheio] de nó pelas costa – pessoa complicada, difícil de se relacionar.
Chêi [cheio] de nove horas, ou de cavilação – diz-se de uma pessoa luxenta,
exigente, principalmente, com comida (o equivalente a cheio de frescura). (v.
biqueiro, luxento).
Chêi [cheio] de num-me-toque, ou de chove-num-moia [molha], ou de requifife
- pessoa requintada, melindrosa, cheia de frescura.
Cheiro-verde – coentro e cebolinha.
Chicote, ou rêi [relho] – tira de couro cru para amarrar ou surrar animais.
Chico – tem três sentidos: 1. apelido popular de Francisco. 2. nome de macaco
prego. 3. menstruação (v. tá de boi, ou de chico).
Chilepada - pancada, surra (v. burduada, lapada).
Chincada – indireta, passar na cara, resposta irônica.
Chincho - forma de madeira para fazer queijo de coalho.
Chinfrim – abreviação de “chinfrinho”, que é um coisa ridícula, insignificante,
pobre.
Chinica, ou titica – merda ou excremento de galinha.
Chiqueirar – separar. Muito usada no sentido de separar os bezerros das vacas à
tardinha, colocando-os num chiqueiro, para, no outro dia, tirar o leite das vacas
(v. enchiqueirar).
Chirre – ralo, fraco, sem consistência. Ex: “uma sopa chirre”
Chispe (ou rispe) daqui! – interjeição – “saia daqui!”. Daí a expressão “chispa
daqui menino!”.
Chita – um tipo ordinário de tecido de algodão, com estampa em cores fortes,
muito usado para cobrir colchão de palha ou fazer “vestido de matuta”.
Chocar – tem dois sentidos: 1. aquecer o ovo para gerar o filhote. 2. escandalizar,
causar espanto ou revolta em alguém.
Chocha-bunda – feijão de corda ou macassa (v. fejão).
Chocho – magro, encolhido, pequeno (v. franzino).
Chola – nome de cachorra vira-lata de pobre.
Chorar a morte da bezerra – lastimar-se de um fato irremediável.
Chorar miséria – fazer-se de pobre sem ser.
Choriso, ou chorisco – corruptela de “chouriço”, que é um doce de sangue de
porco e farinha de mandioca, condimentado com farinha de castanha e amendoim,
erva-doce, etc.
Choto – corruptela de “chouto”, que é o andar apressado de um cavalo, burro, etc.
Choviscar, ou lebrinar, ou serenar – chover fino (v. sereno).
Chucai – abreviação de “chocalho”, que é uma sineta que se pendura no pescoço
de um animal para que se saiba onde ele está.
Chucaiar – abreviação de “chocalhar”, que significa balançar fazendo barulho
semelhante a um chocalho.
Chulear - coser provisoriamente à mão (com agulha), em pontos esparços, um
tecido para depois vir com a costura definitiva na máquina.
Chupeta, ou consolo – borracha em formas de peito para acalentar crianças (v.
bico).
Churamingar [choramingar], ou resmungar, ou se lastimar [lastimar-se] -
murmurar, chorar baixinho, reclamar ou lamentar-se da vida.
Cia – abreviação de “cilha”, que é uma correia larga de couro que prende ou amarra
a sela e/ou cangalha pela barriga do animal.
Ciar, ou cêar – abreviação de “ceiar”, que quer dizer jantar.
Cião – sela grande própria para mulher andar a cavalo, em que se anda com os pés
só para um lado ou de lado (ou seja, para a mulher não andar com as pernas
abertas, dando lance). (v. lance).
Cibito – um dos menores pássaros sertanejos, tão pequeno quanto um beija-flor, daí
a expressão de comparação “Fulano é magro que só um cibito”.
Ciço – abreviação ou apelido popular de Cícero. Ex: Padim [padrinho] Ciço.
Cidade de pés junto – cemitério.
Cigarro de paia [palha], ou pé de burro, ou pacaia [pacalha] - cigarro (ou
charuto) de “fumo-de-rolo” fabricado artesanalmente no Sertão, envolto em
palha de milho seca (v. fumo-de-rolo)..
Cipó – galho fino e flexível de árvore, principalmente, de arbusto rasteiro. Muito
usado para fazer cestos e, no passado, para dar surra em meninos.
Cipó de boi – pênis de boi (seco) usado para surrar alguém.
Cipoada – surra com um cipó (v. lapada).
Cingir – corruptela de “cerzir”, que significa colocar um tecido novo por baixo de
um já velho e passar uma costura várias vezes no mesmo local para reforçar o
tecido velho que está “se poindo” ou “esgarçando”, ou seja se rasgando de fraco
(v. esgarçar, ou se poir).
Cismar – tem dois sentidos: 1. desconfiar. 2. encrencar, indispor-se, daí nasce a
expressão “cirmar das aprecata”.
Ciscar – tem dois sentidos: 1. ato de espalhar ou separar coisas com os pés,
próprio das aves, por exemplo, as galinhas, que ciscam o chão para catar
alimentos. 3. usada para indicar uma criança que está teimando em querer uma
coisa a ponto de se deitar no chão e ficar esperneando (v. amuado…).
Cisco – tem dois sentidos: 1. pequeno fragmento que entra no olho. 2. sujeira em
forma de pequenos fragmentos.
Coar - passar água ou outro líquido em um pano para extrair as impurezas.
Cobra criada – pessoa experiente, vivida.
Cobra-de-cipó – cobra que recebe este nome por ter uma cor cinzenta a ponto de
se confundir com um cipó.
Cobreiro – doença transmitida pelo germe do cachorro que, quando se manifesta
externamente, provoca erupções na pele e, quando internamente, comichões no
corpo.
Côca, Colinha, Socorrinha, Coquinha – apelido do nome próprio Socorro.
Cocão – peças que ficam dos dois lados de uma mesa de carro de boi, nas quais
gira o eixo.
Cochotem dois sentidos: 1. – vasilha comprida de madeira ou cimento, em forma
de gamela, usada para colocar ração para animais, especialmente porcos. 2.
manco.
Cocó – penteado de mulher em que se coloca todo o cabelo enrolado e preso no
alto da cabeça.
Coco-catolé – coco pequeno, parecido com o fruto da palmeira.
Coco velado – coco sem água, tão velho a ponto de soltar a amêndoa do quengo.
Muito usada para extrair o óleo ou azeite.
Coice – tem dois sentidos: 1. patada de um animal. 2. dar ou levar um fora.
Coidado – corruptela de “cuidado”.
Coipo [corpo] fechado – pessoa que acredita ser imune de desgraças, como crimes,
picada
Coisar – popularmente, substitui qualquer verbo, quando o falante esquece ou não
sabe o verbo correto a ser empregado.
Coisas do aico [arco] -da-véa [velha] – coisas absurdas, surpreendente, quase
impossíveis de acontecer.
Coisa-fêa [feia] – gesto obsceno, ou ato sexual (v. dizer (ou fazer) coisa-fêa).
Coisa-feita, ou catimbó, ou dispacho, ou macumba – feitiçaria, bruxaria,
trabalhos feitos no Candomblé.
Coisa e tá [tal] – expressão que significa “e outros”, “etc”.
Coivara – fogueira de vegetação rela cortada e amontoada para limpar o terreno
para o plantio (v. encoivarar).
Colar de cachorro – colar de rodelas de sabugo de milho que se coloca no pescoço
do cachorro para ele não pegar pulga.
Colcha de retai [retalho] – tem dois sentidos: 1. lençol feito de pedaços de pano
ou tecidos. 2. trabalho em pedaços ou feito aos pedaços.
Colchão de paia [palha] – colchão feito de palha (de bananeira, cana ou capim),
coberto com tecido de chita.
Cô [com] licença da palavra – pedido de licença ou desculpa antes de dizer um
palavrão (pornografia).
Combinação – roupa íntima feminina (um tipo de camisola), usada para dar
volume ou encobrir o corpo em casa de roupa transparente.
Combôi – abreviação de “combaio”, tem dois sentidos: 1. agrupamento de
determinado meio de transporte, por exemplo: de carro, de animais, etc. 2.
agrupamento de pessoas, geralmente, ruins. Ex: “comboi [comboio] de caba
[cabra] safado”.

Come quieto – pessoa que faz as coisas discretamente, principalmente, que tem
uma amante às escondidas.

Come que só uma geringonça, ou o esmeril da França, ou um cavalo, ou um
padre
– expressões usadas para indicar alguém que come demais ou um pouco
além da conta.

Compostura – usada para designar uma pessoa correta, bem vestida, educada, ou
seja, uma pessoa que tem compostura (v. decente).

Comprar briga – meter-se em briga dos outros.
Comprar (ou vender) animá [animal] pru [por] cabeça, ou inteiro, ou em pé -
comprar (ou vender) animais (caprino, suínos, ouvinos, etc) por unidade, vivos.
Concertina, ou harmônica, ou sanfona – acordeom grande, com muitos baixos,
diferente do fole, que é um acordeon pequeno, de apenas oito baixos (v. fole de
oito baixo).
Confeito - tem dois sentidos: 1. cobertura de bolo. 2. bombom (v. bala).
Conga – tem dois sentidos: 1. aluguel pelo uso da casa de farinha, engenho de
rapadura, etc, pago com uma parte da produção. 2. um tipo de tênis bem simples.

Congestão - má digestão alimentar.
Conhece Deus e o mundo – diz-se de uma pessoa bem relacionada, viajada.
Constipação – resfriado, início de gripe (v. defruce).
Consumição - aperreio, agonia, ansiedade, aperreio de vida.
Contar cum (com o) ovo no cu da galinha – contar com o incerto.
Conversa à boca miúda, ou pru [por] debaixo dos pano – conversa na sudirna,
em segredo (v. fofoca, fuxico).
Conversa miúda, ou mole – conversa sem sentido..

Conversar aritica, ou arezia, ou miolo de pote, ou água – falar bobagem.

Conversa pra boi drumir [dormir], ou fiada – mentira, conversa a que ninguém
dá crédito.
Corar saúde – melhorar, sarar.
Cordão de enfieira – cordão que se enfia em peixes (ou outros produtos),
formando uma fileira (enfieira), para expor ao sol para secar.
Cor de bonina – roxo.
Coré – porco.
Coroa-de-frade – um cacto em forma de flor, nativo do Sertão.
Coroca – lagartixa grande e velha.
Côro [couro] cru – couro em estado natural, sem ser curtido ou tratado.
Coronha – tem dois sentidos: 1. cabo de arma de fogo: espingarda, revólver, etc. 2.
calça comprida curta, ou seja, indo só até o meio da canela (v. calça mêa-
coronha, ou pegando mareco).
Coroné [coronel], ou manda-chuva, ou todo-poderoso – homem de grande poder
político e econômico, patrão, chefe.
Cordorniz - ave nativa do Sertão muito procurada pelos caçadores.
Corisco – suposta pedra que cai por ocasião de um grande relâmpago.
Correr as légua de – fugir ou esquivar-se de um trabalho, tarefa ou compromisso
Correr cá [com a] sela, ou do pau, ou da raia – desistir, acovardar-se.
Corredor – tem dois sentidos: 1. caminho ou passagem estreita entre dois cercados,
currais, paredes, etc. 2. osso buco, muito usado para fazer pirão.
Correição - caminho ou trajeto de formigas entre o formigueiro e a roça à procura
de alimentos (v. carreiro).
Correr os bãe [banhos] – proclamas de casamento.
Correr os zói [olhos], ou passar uma vista (ou um rabim de ôi [olho]) – observar
rapidamente.
Corrimento – secreção vaginal.
Corrimboque, ou tabaqueiro – pequeno vasilhame, geralmente feito de chifre de
boi, para o transporte de rapé.
Corta-jaca – pessoa que gosta de arranjar namoro para os outros (v. alcoviteira).
Corte de tecido, ou de costura – uma medida de tecido suficiente para
confeccionar uma roupa (v. quarta, quarto, retai).
Cortiço – tem dois sentidos: 1. aglomerado de pequenas casas de pobres (v.
mucambo, quixó). 2. casa ou colmeia feita artificialmente pelo homem (de
madeira ou juntando duas telhas) para abrigar abelhas, geralmente nativas e sem
ferrão, e que são colocadas perto de casa.
Cosca – abreviação de “cócega”.
Costá [costal] de rapadura – fardo ou grande pacote com 50 rapaduras enroladas
ou embrulhadas com palha de cana.
Costurar para fora – tem dois sentidos: 1. trabalhar como costureira. 2. trair o
marido.
Cotó – sem rabo.
Cotôco – ponta ou resto de algo, principalmente de madeira, mas que pode ser
usada para designar pessoas pequenas, daí ser comum a expressão “um cotoquim
de gente”.
Cova – abertura no solo para plantio de semente, sepultar animais e/ou defuntos,
fazer carvão, etc. (v. barroca, buraco).
Coxim – forro macio para sela de animais.
Coxo – manco, perneta.
Cozido – carne verde cozinhada com água e temperos.
Cozimento – tem dois sentidos: 1. ato de cozinhar. 2. remédio caseiro feito
cozendo-se cascas de paus (angico, aroeira, caju roxo, etc). Usado no tratamento
de inflamações, doenças ginecológicas, etc. (v. bãe de assento).
Creca - casca de ferida, principalmente, na cabeça.
Crente - nome dado a todo e qualquer protestante ou evangélico (v. bode).
Creu – coisa difícil, complicada. Ex: “coisa deficio do creu” ou “agora deu o creu”
Criação – criatório de caprino e ovinos (v. carne de criação).
Cria da casa – diz-se de um animal que criado em casa desde que nasceu, ou seja,
que não foi adquirido depois.
Criar de mêa [meia] – criar em sociedade, ou melhor, cuidar de um animal de
outra pessoa para depois repartir para os dois. (v. trabaiar de mêa).
Criado a mingua – criado na miséria, passando fome, etc.
Criatura – pessoa indeterminada.
Criatura de Deus! – expressão de tratamento.
Cri-cri – pessoa pegajosa, insistente, daí se dizer que alguém é um “cri-cri”.
Crina – cabelos ou pelos longos do pescoço do cavalo.
Cristaleira, ou guarda-louça, ou pitisqueiro – móvel de madeira, em forma de
estante, geralmente portas da frente e/ou laterais em vidro, usado para colocar as
louças e cristais: copos, pratos, tigelas, etc. (v. pratileira).
Cristé - um tipo de remédio caseiro (garrafada) usado para dar lavagem nos
animais, introduzindo o remédio pelo ânus (v. garrafada, puigante).
Cromo – calendário em poucas folhas, ao contrário do “Coração de Jesus”, que é
um calendário tradicional com uma “folhinha” para cada dia do ano.
Crueira – resto da massa da mandioca que não passa na peneira, que depois é
reaproveitada para outros fins, especialmente, ração de animais (v. manipueira).
Cruzar – tem dois sentidos: 1. atravessar. Ex: “cruzar a estrada”. 2. ato sexual dos
animais com vista à reprodução.
Cruz-credo! – interjeição de admiração, espanto, horror, aversão.
Cruzeta – tem dois sentidos: 1. pessoa ruim, difícil de se lidar. 2. peça de caminhão.
Cuai - abreviação de “coalho”, que uma pelanca do estomago de uma animal
roedor (especialmente coelho ou preá) que se coloca dentro do leite para cortar
ou azedar (cuaiar).
Cuaiada – abreviação de “coalhada”, tem dois sentidos: 1. massa que resulta do
leite posto para coalhar, que pode ser usada tanto para comer com açúcar, como
ser escorrida e prensada para fazer queijo de coalho. 2. repleto.
Cubar – tem dois sentidos: 1. calcular, medir. 2. observar.
Cuche, cuche, cuche… – comando para chamar porco.
Cucuruta [cocuruta], tem dois sentidos: 1. crista-de-galo. 2. o ponto mais alto de
uma árvore, de uma serra, da cabeça (v. moleira).
Cu de calango - corte ou talho nas juntas dos dedos, pela parte de dentro da mão,
que demora a sarar por conta do movimento de abrir e fechar da mão. Daí nasce a
expressão “atravessado feito cu de calango”.
Cu do mundo – cidade pequena, pobre, ruim, feia, etc.
Cueiro - fralda (não descartável) em tecido macio para recém-nascido.
Cuia – tem dois sentidos: 1. vasilha feita com uma banda de um cabaço seco
partido ao meio. (v. cabaço). 2. antiga medida usada para medir cereais: feijão,
farinha, milho, etc. Uma cuia equivale a 10 litros (v. braça, etc).
Cuié, ou culé – abreviação de “colher”.
Cuma – corruptela de “como”.
Cum [com] a bola virada, ou doido barrido [varrido] – totalmente louco.
Cuma [como] Deus criou batata – de qualquer jeito, à toa.
Cum [com o] adiantar da hora – estar ou ficar tarde.

Cumade [comadre] – tem dois sentidos: 1. madrinha de batismo de um filho(a). 2.
parteira, que passa a ser comadre de todas as mulheres que ajuda no parto e,
consequentemente, madrinha dos filhos(as).
Cum’a [com uma] mão na frente, outra atrás – sem ter nada na vida, pobre.
Cum [com] a mosca (ou a puiga [pulga]) detrás da urêa (ou zurêa) [orelha] -
desconfiado, atento.
Cum [com] a vista curta, ou empastada, ou encadeada, ou maretano
[maretando]
– vista ofuscada, embassada, turva.
Cumbuca [combuca] – pequena cuia ou banda de um cabaço (ou outro material)
usada para apanhar água de uma cacimba, açude, etc, para uma vasilha maior,
como, por exemplo, uma lata, tonel, etc. (v. apanhar).
Cum [com o] bucho inchado, ou empachado, ou empedido, ou enturido – com
prisão de ventre.
Cum [com o] cão no côro [couro] – endiabrado, feroz, enraivecido.
Cumeeira – parte mais alta de um telhado que divide as águas.
Cumê [comer] corda – amostrar-se, exibir-se .
Cumê [comer] da banda podre – sofrer, penar.
Cumê [comer] pão cum [com] banha – transar com uma mulher que acabou de
transar com outro homem e nem se lavou.
Cumê [comer] o pão que o diabo amassou – sofrer, penar.
Cumé qu’é? – abreviada de “como é que é?”
Cumê (ou ofender) uma moça – desvirginar uma donzela (v. bulir, descabaçar).
Cumida [comida] carregada, ou reimosa, ou que ofende – comida muito
gordurosa, imprópria ou que “ofende” (faz mal) a quem está de dieta médica,
como, por exemplo, “crustáceos, carneiro, peru, etc. (v. reimoso).
Cumida [comida] de panela – comida que tem sustância, que enche barriga, ao
contrário de “brebote”, que é comida só para enganar a barriga.
Cumida [comida] passada, ou sentida, ou ardida – comida fora da validade,
estragada, azeda, podre, etc.
Cumpade [compadre] – padrinho de batismo, casamento, etc.
Cum [com o] pé atrás – desconfiado, com cuidado, etc.
Cum’pôco [com’pouco] – expressão que denota suposição, dúvida, etc. Ex:
“cum’pouco eu vou chegar primeiro que…” (v. mais cum’pôco).
Cumprissai – corruptela de “cumprissaio”, que significa uma coisa sem fim. Ex:
“uma conversa muito longa”.
Cum [com o] rabo entre as perna – humilhado, derrotado.
Cum [com o] suor do rosto – com o próprio esforço.
Cum’s [com os] nêivo (ou nêuvo) [nervos] à frô [flor] da pele – diz-se de uma
pessoa que estressada, que se irrita com facilidade.

Cum’s [com os] zoi [olhos] negrejano [negrejando] – com os olhos lacrimejando.
Cunha do mermo [mesmo] pau, ou farinha do mermo [mesmo] saco, ou ser da
merma [mesma] laia
– expressões para dizer que duas pessoas são da mesma
qualidade, mesma estirpe.
Cupira - tem dois sentidos: 1. pequena abelha que costuma fazer sua casa num
cupim abandonado. 2. buraco no fundo de uma calça.
Curejar, ou gurejar – observar com desejo ou ambição.
Curar no rastro – crença de que rezando-se no rastro de um animal pode-se curálo
de certos males como, bicheira, carrapato, verme, etc.
Currá – abreviação de “curral”, que é um cercado de madeira, pedra, arame, etc,
para criatório de bois, cabras, ovelhas, etc. (v. ceicado, manga, reveso).
Currulepe - golpe dado na orelha, por trás, com dois dedos (v. peteleco).
Curto e grosso – pessoa objetiva demais, estúpida, ignorante.
Curto que só lençó [lençol] de poico [porco], ou coice de preá – diz-se de uma
coisa pequena demais.
Curtume – local onde se beneficia (curtir) o couro para comercialização.
Cururu - tem dois sentidos: 1. sapo-cururu. 2. carro velho (v. cafuringa, fubica).
Cururu de pé de pote – diz-se de uma pessoa teimosa.
Cuscuz, ou pão-de-mi [milho] – iguaria feita com flocos de milho cozida ao vapor.
Cush! cush! cush!… – expressão para chamar porco.
Cuspino [cuspindo] bala – com a garganta seca, com sede.
Cuspir no prato que cumeu [comeu] – ser mal agradecido.
Custar uma ninharia, ou uma mereça, ou uma mixaria – custar pouco dinheiro.
Custar os zoi [olhos] da cara, ou tá pela hora da morte – custar ou estar muito
caro.

 

Letra B do Dicionário Matutês

B
.

Babão, ou baba-ovo, ou puxa-saco, ou xeleléu, ou xirimbaba – bajulador -
agradar em demasia outra pessoa (v. chaleira).
Babicacho – pequeno saco que se coloca na boca de um cabrito (com um cordão
para ser amarrado a sua cabeça), para ele não mamar durante determinado tempo.
Também pode ser um pedaço de pau que se coloca atravessado na boca dele, para
ele não comer a lavoura. Ou seja, enquanto a cabra está pastando amarrada, o
cabrito fica solto com um barbicacho para não comer as plantas.
Baboseira - tem dois sentidos: 1. besteira, tolice (v.asneira). 2. serviço mal feito
ou mal acabado (v. labrojeiro).
Babugem – pasto muito curto ou rasteiro a ponto de os animais terem dificuldade
de comer.
Bacia – tem dois sentidos: 1. conjunto dos ossos dos quadris, daí a expressão: “dor
na bacia” (v. dor nas cadeira, ou nos quarto). 2. vaso grande usado para diversos
fins, como lavar roupa, dar banho em criança, etc.
Bocorim – abrviação de “bacorinho”, que é um porco novo ou pequeno.
Badoque - arma de atirar pedra, semelhante a um arco de flecha, só que no lugar
de uma flecha coloca-se uma pedra.
Bãe [banho] de assento, ou de assêi [asseio] – sentar-se em água com remédio (v.
cozimento). Indicado, geralmente, para cura de casos ginecológicos ou de
hemorróida.
Bãe [banho] de cuia, ou de lapada – banho não em água corrente de chuveiro,
mas, pegando-se água com uma vasilha a partir de uma bacia ou depósito.
Bãe [banho] de gato – banho mal tomado, semelhante a um gato que se lambe ao
invés de tomar banho.
Bafafá – discussão, briga com palavras.
Baforejar - tragar e soltar fumaça de cigarro ou cachimbo pela boca.
Bagaceira – tem três sentidos: 1. local onde se coloca o bagaço de um engenho. 2.
desmantelo, confusão. 3. pessoa de baixo nível moral.
Baião – um dos ritmos ou variações do forró.
Baião de dois, ou rubacão – comida feita a partir da combinação de feijão de
corda com arroz, cozinhados na mesma panela.
Baiba [barba], cabelo e bigode – transa sexual completa (oral, anal e vaginal).
Baibatão – corruptela de “barbatão”, que é um boi bravo, criado solto no mato,
ainda não domesticado ou não manso (v. garrote).
Baibeiro – corruptela de “barbeiro”, tem quatro sentidos: 1. profissão de cortar
cabelo e tirar barba 2. bicho-barbeiro – inseto que provoca a Doença de Chagas.
(v. procotó). 3. garranchos ou pontas de mato em beira de estrada, que provocam
aranhões nas laterais dos carros. 4. pessoa que conduz mal um veículo (v.
baibeiragem).
Baibicha – corruptela de “barbicha”, que significa cavanhaque ou tufo de barba no
queixo, feito um bode.
Bainha – tem dois sentidos: 1. pequeno suporte de couro para guardar uma arma -
faca, revólver, etc. 2. dobra e costura das bordas de um tecido para não desfiar (v.
abanhar, desimbanhar).
Baiguia - corruptela de barguilha.
Baita, ou lapa – grande, enorme, avantajado. Ex: “Fulana discançou um baita dum
menino” (v. marra).
Baitola, ou boiola, ou bicha, ou frango, ou fresco, ou fruta, ou goiaba, ou
marica, ou viado [veado]
– homossexual masculino (v. hôme das feição de
galinha).
Baixar a crista, ou a cabeça, ou urêa [orelha] – obedecer, submeter-se.
Baixar a lenha, ou a macaca, ou a madeira, ou a ripa, ou a sola – surrar alguém.
Baixar o facho, ou o fogo, ou sossegar a periquita – diminuir a ansiedade, o
desejo, a excitação, principalmente sexual.
Baixeiro - quando um animal (cavalo, por exemplo) tem passadas curtas e ligeiras
ao mesmo tempo, dando a sensação de leveza.

Baixo meretrício, ou cabaré, ou casa de ricuso [recurso] ou Rói-côro [couro],
de tolerância ou da luz vrêmêa [vermelha]
– casa de prostituição (v. zona).
Baje, ou vaje – corruptelas de “vargem”, tem dois sentidos: 1. várzea ou planície
fértil . 2. vargem de feijão, por exemplo.
Balai [balaio] de gato – coisa desmantelada, bagunçada, confusa.
Bambo – tem dois sentidos: 1. mole, cambaleante. Ex: “a mesa tá cá (com a) perna
bamba”. 2. sorte, acaso. Ex: “foi um bambo ele acertar o tiro”.
Bambolê de otário – aliança de casamento (v. otário).
Banco – tem três sentidos: 1. agência financeira. 2. mesa de feira. 3. assento
comprido, com ou sem encosto, que dá para várias pessoas se sentarem ao
mesmo tempo.
Banduleiro - pessoa desocupada, malandra.
Banhar as mão de sangue – assassinar alguém.
Banzo - tristeza, depressão, nostalgia.
Baque – queda, tombo.
Baracafuzada – confusão, desordem, coisa atrapalhada.
Barata-de-igreja – mulher que vive muito na igreja (beata).
Bardiar – mexer, turvar, misturar. Ex: “bardiar a água”
Bardo - corruptela de “baldo”, que é a parede de barro de um açude.
Barra do dia – primeira claridade do dia antes de o sol nascer.
Barragem – represa de água feita com paredão de pedra.
Barrão – porco velho reprodutor.
Barrela – sopa feita da mistura de resto de comida.
Barreiro – pequeno açude.
Barrer – corruptela de “varrer”, ou seja, limpar a com uma vassoura (v. bassôra).
Barruada, ou peitada – colisão entre dois objetos, especialmente carro (v. batida).
Barrufar – corruptela de “borrifar”, que significa umedecer salpicando gotasd’água
esparsas (v. sapriscar).
Bascui – corruptela de “vasculho”, que significa sujeira, lixo, entulho.
Bassôra – corruptela de “vassoura”, que é um instrumento para varrer a casa (v.
barrer).
Bassôrinha – corruptela de “vassourinha”, que é um pequeno arbusto (mato) usada
como vassoura.
Batata da perna – panturrilha.
Batata (ou cafôfa) –de-imbu [umbu] – bolsas que se formam na raiz do
umbuzeiro, para armazenar água para a planta sobreviver durante o período de
estiagem, das quais se faz um doce em corte, chamado “doce de batata-de-imbu”.
Batata-de-puiga [purga], ou cabeça-de-negro – raiz (batata) usada como antídoto
contra veneno de cobra. Por exemplo, o teju , ao ser mordido por uma cobra,
corre e come a cabeça-de-negro para não morrer (v. pinhão). Usa-se, também,
como laxante intestinal (v. puigante).
Batente – tem dois sentidos: 1. degrau de calçada. 2. serviço, trabalho, daí a
expressão “pegar no batente”, ou seja, no serviço.
Bater (ou dar) cá [com a] língua nos dente – deixar escapar palavras ou confessar
segredo que não devia.
Bater na boca – gesto que se faz batendo com a mão na boca como símbolo de
autopunição por ter dito uma blasfêmia ou injúria. Geralmente vem acrescida da
expressão “que Deus me perdoi”.
Bater na cuia, ou futricar, ou fuxicar – falar mau de alguém, levar e trazer
conversa, fofocar (v. disse me disse, conversa à boca miúda)
Bater (ou cair) na fraqueza – sonolência ou indisposição, principalmente, após a
refeição.
Bater no peito – vangloriar-se, mostar-se superior.
Bater (ou fincar) o pé – resistir num ato de intransigência.
Bater perna – andar à toa, passear ociosamente.
Bater roupa – lavar roupa batendo-a numa pedra.
Bater uma bronha, ou uma siririca, ou uma punheta – masturbar-se.
Bater uma chapa – tirar uma fotografia ou raio X (v. retrato).
Bater um papo, ou prosêar [proseiar] – conversar, dialogar.
Batida – tem quatro sentidos: 1. colisão, choque. Daí é comum dizer-se “uma
batida de carro” (v. barruada, peitada). 2. bebida feita misturando-se aguardente
e suco de fruta. 3. doce em corte derivado da cana-de-açúcar, uma espécie de
rapadura temperada. 4. busca, procura, revista. Ex: “dá uma batida na casa”.
Bate-entope – comida muito seca ou farofenta, em especial, um pequeno bolo de
ovos muito usado como lanche, também chamado de “bolo de bacia” ou
“engasga-gato”.
Batizar o leite – adicionar água ao leite para render.
Beca – tem dois sentidos: 1. roupa chique ou elegante. 2. colarinho. Ex: “Fulano
segurou Sicrano pela beca”
Bebedôro – abreviação de “bebedouro”, que é uma cacimba rasa ou beira de açude
em que a cerca entra no leito d’água, cercando uma parte dela, para os animais
beberam água.
Beber o defunto – degustação de bebidas durante um velório.
Beiço - lábios (v. légua de bêiço).
Beiju, ou bejú, ou bêjú, ou bijú – espécie de tapioca grande de massa de mandioca
e coco, assado no forno dentro da farinha de mandioca.
Beira-seca – doce de farinha de mandioca e pimenta do reino colocado dentro de
um saquinho de goma de tapioca (no formato de um pastel).
Bem aí – bem perto, ou pertíssimo, só que acaba sem um pouco distante (v. légua
de bêiço).
Bem composto – bem-vestido, no sentido moral, ou seja, decentemente, ou sem
mostrar as partes sensuais do corpo.
Bem empregado, ou bem feito! – usa-se para exprimir satisfação por alg de ruim
que acontece com outrem, no sentido de bem merecido, .
Bem muitão – superlativo de muito, daí, diante da pergunta: “posso botar fejão em
seu prato? Responde-se: “bote bem muitão”.
Bengo, ou preá – roedor herbívoro parecido com um rato grande, só que não tem
rabo, muito apreciado pelos caçadores.
Benditos – cantigas ou cânticos religiosos populares executados em procissões,
romarias etc.
Benza, ou benzo Deus! – expressão de admiração.
Benzedeira, ou rezadeira – pessoa (geralmente mulher) que cura doenças com
reza (v. reza forte)
Berruga – corruptela de “verruga”, que é uma erupção carnosa na pele.
Besta-fera, ou bute, ou cafute, ou cão, ou capeta, ou capiroto, ou tinhoso -
satanás, diabo, demônio.
Bêsta que só aruá, ou cachorro a cavalo, ou peru em mêi [meio] de caiga
[carga], ou peru novo
– diz-se de uma pessoa ingênua, idiota.
Beltrano – pessoa indeterminada, uma vez já tendo sido usados Fulano e Sicrano.
Ex: “fumo [fomos] eu, Fulano, Sicrano e Beltrano” (v. Fulano, Sicrano).
Biboca, ou moquifo, ou tapera – nomes de casa de pobre (v. cortiço, quixó).
Bicada, ou talaigada – dose de cachaça.

Bicheira – feridas em animais em estado de putrefação, com vermes ou tapurus.
Bichim – abreviação de “bichinho”, é uma expressão de pena, equivalente a
pobrezinho, coitadinho.
Bicho de casa – animais domésticos, criados em casa.
Bicho-de-pé – pequenas bolhas (com pus) que se criam no pé, semelhantes a
espinhas, que causam muita coceira e que são adquiridas, principalmente, na
lama de chiqueiro de porco.
Bicho do mato – tem dois sentidos: 1. animal silvestre, criado no mato. 2. pessoa
tímida, inibida, desconfiada (em referência ao matuto).
Bichota – menina nova e/ou leviana (v. cabrita, menina assanhada…).
Bicina – coisa ruim.
Bico – tem cinco sentidos: 1. de pássaro. 2. um tipo de renda para enfeitar roupas
femininas. 3. coisa pontiaguda. Ex: “bico de chaleira”. 4. trabalho temporário,
daí se costuma dizer “fazer um bico” (v. biscaite). 5. borracha em formas de peito
para acalentar crianças (v. chupeta, ou consolo).
Bico da venta – a ponta do nariz.
Bico de luz – uma lâmpada, um candeeiro ou lamparina.
Bico-de-papagai [papagaio] – tem dois sentidos: 1. saliência nas articulações
ósseas. 2. nariz ondulado.
Bigú – carona (v. amorcegar-se).
Bila – bola de gude (v. ximba, ou ximbão).
Beliscar - tem dois sentidos: 1. perfurar com o bico, típico dos pássaros (v. bicar,
pinicar). 2. perfurar a pele de alguém, pressionando-as com duas unhas. Ex:
“Fulano me biliscou”, ou seja, “me perfurou cum as zunha”.
Bilora, ou bilola, bimba, ou manjuba, ou pica, ou cacete, ou carai, ou chibata,
ou correia, ou fumo, ou macaca, ou pau, ou pêa, ou pomba, ou rola, ou trõxa
[trouxa], ou vara
– órgão sexual masculino – pênis. (v. pêa, pitoca, pinta).
Bimba-d’água, ou cardo [caldo] de arroz, ou gala rala – homem estéril, cujo
esperma (gala) não fecunda.
Binóculo, ou monóculo – tipo de fotografia antiga que era vista em negativa (não
revelada) no fundo de um cone, colocando-se um olho na outra extremidade do
cone (v. bater uma chapa, retrato).

Biqueiro, ou rim [ruim] de boca – pessoa com pouco apetite (v. chêi de nove hora,
ou de cavilação).
Berílio - grampo um pouco grande para prender o cabelo (v. friso).
Birimbela – peça que se move presa ou pendurada à outra.
Birita, ou birinaite, ou branquinha, ou carraspana, ou pinga – cachaça.
Birosca, ou boteco, ou espelunca, mosqueiro, ou pega-bêbo [bêbado] - bar
pequeno, sujo e pobre.
Birro - tem dois sentidos: 1. fuso usado para fiar ou torcer lá de algodão no fabrico
de cordão. 2. pequenas bolinhas de merda penduradas nos cabelos do furico de
alguém.
Bisquí – pequenos adornos usadas como enfeite em centros, estantes, etc.
Bitola – medida padrão a ser repetida em uma operação.
Boa bisca – mulher libertina, daí a expressão “aquilo é uma boa de uma bisca”.
Boa-hora – hora da morte. Ex: “que Deus lhe dê uma boa hora”.
Boa-pinta – pessoa de boa aparência, que causa boa impressão.
Boa-praça – pessoa boa, simpátrica, confiável (v. barra-limpa)
Boa-vida – pessoa que não gosta de trabalhar, mas procura viver confortávelmente
(v. vevi na boa-vida, ou no bem-bom).
Boca-aberta – pessoa boa demais a ponto de ser besta.
Boca (ou boquinha) -da-noite, ou cair da noite – ao anoitecer (v. detardezinha).
Boca do estambo [estômago] – parte superior do aparelho digestivo.
Boca-preta - pessoa muito empolgada com um partido ou candidato mas que não
vota (muito usada no tempo que analfabeto não votava).
Boca-rica – pessoa que usa cobertura de ouro nos dentes.
Boca-torta – um tipo abelha muito braba, que costuma ferroar nos lábios das
pessoas, deixando-as com a boca torta.
Bocoió, ou brocoió, ou bocó – pessoa besta, boba, rude, etc. Muito usada para
definir ou homem do campo (v. matuto).
Bode – tem três sentidos: 1. caprino, macho da cabra. 2. evangélico ou protestante,
que no Sertão recebe este nome por fazer muito barulho no meio da rua,
semelhante a um bode “bodejando” (v. crente, bodejar). 3. confusão, daí a
expressão “deu o maió [maior] bode”.
Bocado – tem dois sentidos: 1. porção de algo. 2. alimento, refeição, daí nasce a
expressão: “bocado rim [ruim]”, ou seja, comida ruim.
Bodega, ou venda – pequena mercearia.
Bodejar - som produzido pelo bode para atrair a cabra na hora do cruzamento (v.
berro, cruzar).
Bode véi (ou veio) [velho] – homem velho saliente, metido a namorador.
Boia, ou rango, ou xêpa – comida – almoço, jantar.
Boiar - sobrar. Usada, principalmente, para indicar uma mercadoria que fica
parada, sem vender, numa casa de negócio. Obs: quando boiar é usado no sentido
de flutuar fica “aboiar” (v. abioar).
Boi de corte, ou de engorda – boi cevado para o abate.
Boi-manso, ou de-carro, ou de-canga – boi adestrado para trabalhar em carro de
boi, arado, carroça, etc.
Bolacha doce, ou preta, ou de hoté [hotel], ou mata-fome, ou broa, ou soda -
bolacha feita com mel de rapadura, trigo, bicarbonato e chá de erva-doce,
vendida em toda bodega, venda, lanchonete e padaria do Sertão. Recebeu o nome
de “bolacha de hoté” porque era muito servida nos “hotéis”, que eram antigas
lanchonete, tornando-se a bolacha mais popular dos Sertões, daí nasceu a
expressão “Fulano é mais cconhecido que bolacha de hoté…”.
Bolandeira, ou vapor – máquina de despolpar ou descaroçar algodão.
Bolo de caco, ou chapéu-de-côro [couro], ou urêa [orelha] -de-véi (ou véio)
[velho] (ou de-pau)
– pequeno bolo de farinha de milho e ovo, achatado, feito
em um prato de barro, daí o nome de “bolo de caco” (v. caco).
Bolo de goma – pequeno bolo feito de polvilho de mandioca e leite de coco, que
fica tão fôfo que derrete na boca.
Bombo, ou zabumba – um dos três instrumentos de um trio de forró, juntamente
com a sanfona e o triângulo.
Bom de boca – pessoa com muito apetite.
Bom de lábia, ou de papo – pessoa habilidosa no trato das palavras.
Bom partido – pessoa ideal para o casamento.
Boneca de mí [milho] – espiga de milho nova, em fase de formação. Daí se diz que
o “mi tá bunecano”, ou seja, começando a sair espigas.
Bonitim – abreviação de “bonitinho”, que significa mais ou menos bonito.
Bonito (ou bom) não, aquelas tuia [tulhas]! – expressão de elogio para dizer que
bonito (ou bom) é pouco.
Bonito pra tua cara… – expressão de repreensão.
Boqueira, ou ferida de boca – pequenas rachaduras nos cantos da boca.
Bora, ou borimbora, ou bora simbora, ou rumbora, ou vambora – corruptelas
de “vamos embora”.
Bordoada – pancada com um murro, tapa ou com um objeto qualquer (v. lapada).
Borná – abreviação de “bornal”, tem dois sentidos: 1. pequeno saco ou mochila
(bisaco) no qual se enfia o focinho de um animal (jumento, cavalo ou burro) para
ele comer milho ou outro reforço alimentar.
Boró – rapadura muito preta.
Borocoxô – uma pessoa triste, desanimada, baixo astral.
Bôrra – resto, sobra. Ex: de café, de manteiga, etc. (v. poime de café).
Borrai – abreviação de “borralho” – local onde se acumulam as cinzas de um fogão
de lenha.
Borrar, ou braiar, ou brear – melar, sujar, misturar.
Borrega, ou marrã – ovelha nova ou pequena.
Botano [botando] a aima [alma] (ou os bofe, ou as tripa) pela boca – tem dois
sentidos: 1. cansado, exausto. 2. com náuseas, vontade de vomitar.
Botano [botando] fogo pela venta [nariz] – enfurecido, raivoso.
Botar a boca no mundo – denunciar, protestar, delatar, etc.
Botar a faca nos peito – pressionar, dar um ultimato.
Botar água fria na frevura [fervura] – desencorajar alguém de algo.Botar água pra amornar, ou espertar, ou quebrar a frieza – colocar água para
esquentar um pouco (geralmente para tomar banho em dias frios) (v. afreventar).
Botar a mão na consciência – refletir, reconhecer os próprios erros.
Botar a mão no fogo por – confiar na inocência de alguém.
Botar a perder – estragar.
Botar as manga (ou as zunha [unhas]) de fora – revelar-se, mostrar as
verdadeiras intenções.
Botar as baiba [barbas] de môi [molho] – ficar em alerta, precaver-se.
Botar (ou levantar) as mão pru [para o] céu – dar graças a Deus.
Botar a viola no saco – calar-se por não ter o dizer ou contestar.
Botar banca – fazer exigência ou impor condições.
Botar cabresto, ou canga, ou sela, ou rédea curta – controlar alguém, dar pouca
liberdade
Botar em… – conseguir alcançar ou chegar em… Ex: “com esse peso não sei se
boto em casa”.
Botar fé – acreditar, confiar.
Botar (ou tocar) fogo – atear fogo.
Botar gaia [galha] – trair amorosamente (v. chife, corno, gaia, ponta).
Botar mais água no feijão – expressão usada quando chega uma visita inesperada
em casa, que significa acrescentar a comida a ser cozinhada.
Botar mais lenha na fogueira – incentivar ou alimentar briga, confusão, discórdia.
Botar no penduro, ou no prego, ou comprar fiado – comprar a crédito, daí
quando alguém está devendo muito diz-se que estar “pendurado”.
Botar o carro na frente dos boi, ou meter (ou enfiar) os pés pelas mão – fazer
ou dizer algo antes do tempo, atrapalhando o curso natural ou pondo tudo a
perder.
Botar o dedo na ferida – atingir o ponto fraco de alguém.
Botar ôi [olho] gordo, ou grande – invejar, cobiçar.
Botar o pé na estrada, ou no mundo – caminhar, viajar.
Botar o pé na rua, ou fora de casa – sair de casa, andar pela rua.
Botar o rabo entre as perna – humilhar-se, acovardar-se.

Botar panos quente – amenizar, aliviar.
Botar para quebrar, ou pra lascar, ou pra foder – fazer grande esforço, agir com
violência, etc.
Botar queixão, ou o pé no bucho – impor condições.

Botar quente – falar ou agir com firmeza.
Botar sem cuspe – agir sem pena ou dó.
Botar terra, ou gosto rim [ruim] – atrapalhar, impedir.
Botar uma pá de cá [cal] (ou uma pedra) em riba [em cima] – dar por encerrado
um caso, não falar mais no assunto.
Botar um negócio – montar um ponto comercial. Também se costuma dizer: “botar
o negócio de fora”.
Botar um roçado – preparar e plantar uma roça.
Brabo – tem dois sentidos: 2. pau (madeira) muito forte que se coloca
horizontalmente entre duas paredes para reforçar as linhas do telhado de uma
casa. 2. pessoa valente, destemida.
Braça - medida usada para medir corda, terra, etc. Uma braça equivale a uma
medida que vai de uma mão a outra de uma pessoa com os braços abertos (v.
cuia, lata, litro, polegada, palmo, saca ou saco).
Braço-direito – pessoa de confiança, ou indispensável no trabalho, negácio,
política, etc.
Branquilejo - pastilha de anil para alvejar roupa.
Braúna – abraviação de “baraúna”, que é uma árvore nativa do Sertão.
Brebote – guloseimas que menino gosta de comer fora de hora, que serve para
enganar a barriga, como pipoca, balas, biscoitos, etc., ao contrário de “comidas
de panela” (feijão, etc) que são servidas nas das refeições normais.
Brechar - olhar pela fresta ou brecha de uma porta, fechadura, etc.
Breguesso – coisa sem valor, desprezível (v. cacareco).
Brenha – matagal ou floresta virgem ou de difícil acesso.
Breu – tem quatro sentidos: 1. um tipo de resina de madeira. 2. escuridão, daí a
expressão “escuro que só breu”. 3. muito usado para encerrar uma conversa, uma
discussão. Ex: “o resultado é esse, e breu!”, ou seja, num se fala mais no assunto.
4. sinal de desconfiança ou dúvida diante de algo quase impossível. Ex: “Fulana
diz qui ainda é cabaço, é breu que eu acredito”.
Briba – corruptela de “víbora”, que é uma lagartixa branca.
Broca – tem três sentidos: 1. pedaço de ferro retorcido cortante que se coloca numa
máquina (furadeira) para perfurar madeira, etc. (v. pua). 2. bicho que dá em
madeira, frutas, etc, deixando-as doentes e/ou furadas. Ex: “batata brocada”. 3.
corte da mata para queimada, em preparação para o plantio (v. brocar).
Broche – tem dois sentidos: 1. adorno ou enfeite de roupa. 2. alfinete de segurança
para prender fraldas de crianças, etc.
Brochar, ou num dar no côro [couro], ou negar fogo – falhar na ora do ato
sexual
Bocha, ou tarraxa – pequeno prego com cabeça grande, muito usada em conserto
de sandálias, sapatos, etc.
Bronco – pessoa grosseira, estúpida, rude.
Bruaca - tem dois sentidos: 1. mochila de couro. 2. mulher feia ou má.
Bruguelo – criança nova ou pequena.
Buçanha, ou buceta, ou capô de fusca, ou cara-preta, ou caranguejeira, ou
carne-mijada, ou engole cobra, ou gangarra, ou perseguida, ou priquita, ou
tabaca, ou xibio, ou xiranha, ou xiribita, ou xoxota
– genitália feminina – vulva
ou vagina (v. perereca, pipiu, tabaco, etc.).
Bucha – fruto de uma planta do mato que é usada como esponja para lavar pratos.
Buchada – comida tradicional do Sertão feita com as vísceras do bode picadas,
temperadas e colocadas dentro do bucho do mesmo, que, depois de costurado
com uma linha, vai ao fogo.
Bucho – tem três sentidos: 1. barriga (v. pança). 2. gravidez. 3. vísceras de um
animal. Daí dizer-se: “vou comprar um 1k de bucho pra fazer dobradinha” (v.
fato).
Buchuda – tem dois sentidos: 1. mulher grávida. 2. ganhar várias partidas num
jogo sem que o adversário ganhe nenhuma.
Bufar – soltar gases intestinais, silenciosos, pelo ânus (v. peidar).
Bufenta, ou fubenta – uma coisa velha, desbotada.
Bugiganga – qualquer objeto velho ou sem valor (v. troço, catrevagem).
Bule, ou maimita [marmita] – vasilha para fazer café (v. chaleira).
Bulé - abreviação de “boleia”, que é a cabine de um carro grande.
Bulir (ou mexer) cum’a [com uma] moça – desonrar ou tirar a virgindade de uma
moça (v. Cumê, descabaçar, moça bulida…).
Buliçoso, ou malino, ou traquino, ou treloso, ou sapeca, ou impussive
[impossível]
– diz-se de uma pessoa (geralmente criança) que gosta de mexer ou
pegar em tudo que vê (v. traquinar, trela].
Bunda, ou bumbum, ou buzanfa, ou pandeiro, ou sedém – nádegas.
Bunda canastra, ou cangapé – saltos mortais (cambalhotas) por cima da cabeça.
Bunda rica – calcinha de mulher, especialmente de criança, enfeitada com rendas
e/ou bicos (v. bico).
Burra leiteira – planta que produz um leite viscoso, o qual é usado para fazer
armadilha (vareta melada de visgo) para pegar passarinho.
Burrinca, ou gangora – brinquedo de criança feito de um pau comprido com um
buraco no meio, no qual se enfia um eixo fincado ao chão. Daí sentar-se uma
criança em cada extremidade do pau, o qual fica girando em torno do eixo.
Burro – tem dois sentidos: 1. animal híbrido, estéril, muito resistente ao trabalho,
filho do cruzamento entre o cavalo e a jumenta ou o jumento e a égua. (v. mula).
2. pessoa de baixo nível intelectual, ou com dificuldade cognitiva. Daí ser comum a expressão: “Fulano é muito burro…”
Buruçu, ou fuzuê, ou reboliço, ou sangangu – confusão, baderna, briga, alvoroço.
Busca-pé – fogo de artifício que não explode, apenas corre rasteiramente (em direção as pessoas, fazendo-as correr) soltando uma lista de fogo
Butico de ôi [olho] – olho arregalado.
Butija – dinheiro enterrado.
Buzuntar, ou zanzar – andar sem rumo, sem direção ou à toa.

 

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Letra A do Dicionário Matutês

A

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Ababacado, ou abestaiado [abestalhado], ou abobaiado [abobalhado], ou alesado, ou aluado, ou arigó, ou aruá, ou atabacado, ou babaca, ou besta, ou
leso, ou palerma, ou paruara, ou paspaião [paspalhão], ou tonto, ou Zé-bocó,
ou Zé Mané
 - idiota, tolo, retardado, etc. (v. abilolado)
Abaixar o cangote, ou a cabeça – humilhar-se, submeter-se.

Abanador - leque de palha para abanar o fogo de lenha ou carvão.
Abastar [desbastar], ou decotar – diminuir ou cortar uma parte, daí é comum se dizer: “amanhã vou abastar um pouco o cabelo” (v. aparar, ripar).
Abasta - corruptela de “basta”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes. Ex: “abasta uma lata-d’água pra encher o pote”.
Abastado, ou arricursado, ou arrimidiado, ou estribado – diz-se de uma pessoa
que tem certas posses, riqueza ou recurso financeiro.A bem da verdade, ou a bem dizer - na verdade, na realidade.
Abilolado, ou fraco do juízo - que apresenta sinais de deficiência mental.
Abiudo - corruptela de “abelhudo”, que significa uma pessoa curiosa, indiscreta, astuta, metida etc.
Aboiar - tem dois sentidos: 1. fazer aboio de gado, que é um tipo de poesia cantada de improviso pelos vaqueiros. 2. corruptela de “boiar”, que o matuto costuma acrescer a letra “a” antes, significando flutuar na água.
Aboiano [boiando] qui-nem [igual a] bosta n’água - sem rumo, sem direção.
Abofado, ou abufelado, ou afobado, ou cavalo-batizado - diz-se de uma pessoa
abusada, estúpida, ignorante.
Abrejar - alagar, inundar.
Abotoar (ou fechar) o paletó, ou bater a biela (ou as botas, ou o motor, ou a
caçoleta), ou passar dessa pra mió [melhor], ou virar a cambota 
- morrer,
falece.
Abusar - tem dois sentidos: 1. irritar, perturbar. 2. aproveitar-se sexualmente de
alguém. Ex: “Fulano abusou da fia [filha] de Sicrano” (v. bulir.., descabaçar).
Acabrunhado - tímido, envergonhado, desconfiado, acanhado.
Acanaiado [acanalhado], ou amundiçado, ou sem estilo - diz-se de uma pessoa
sem educação, sem etiqueta social.
A cara d’um, a bunda d’outro - diz-se de duas pessoas muito parecidas, quase
idênticas (v. é cagado e cuspido).
Acentar - tem dois sentidos: 1. decantar. Ex: “o pó do café acentou no fundo da
chaleira”. 2. combinar, ter tudo a ver. Ex: “essa roupa acenta muito bem no teu
coipo [corpo]”.
Aceiro - limpa que se faz entre dois roçados, afastando um do outro, para, na hora
da queima, não passar o fogo. À céu aberto, ou ao relento – ao ar livre, sem proteção, exposto aos efeitos do tempo.
Achar graça - achar engraçado, rir ou sorrir de algo engraçado.
Achar pôco [pouco] - zombar, menosprezar algo ou alguém.
Achar (ou ter) um pé - achar, ou ter, um motivo, pretexto, etc.
Acocorado, ou de coca - de cócoras, agachado, abaixado.
Acochado, ou arrochado - tem dois sentidos: 1. justo (v. apertado). 2. diz-se de
uma pessoa valente, destemida.
Acoitar - dar abrigo, dar guarida, acobertar uma coisa ou pessoa ruim.
Acoloiar-se, ou tá de colôi [coloio], ou de combinação - estar em comum acordo com alguém, geralmente para fazer o mal.
Acordar cá [com a] baiguia [braguilha] pra trás, ou cá [com a] pá virada, ou cum’s [com os] zovo [ovos] virado - amanhecer irritado, abusado (v. arretado, infezado).
Acordar morto - morrer de morte súbita durante o sono, daí se diz que “quano
[quando] acordou tava morto” (v. nascer morto).
Acuar - encurralar, cercar. Muito usada para indicar a ação de um cachorro que
cerca uma caça até que o caçador apareça para matá-la.
Açucarar - cristalizar. Ex: “o mé [mel] açucarou”.
Aculá, ou lá-culá - apontar algo distante da pessoa que fala.
A cuma [como] é? - usada para perguntar o preço de uma mercadoria, ou seja,
“quanto custa…?” ou “quanto é…?”
A Deus querer - expressão equivalente a “se Deus quiser”.
Adeus viola!, ou agora Inez é morta!, ou é caixão e vela preta! ou foi pru [para
o] beleléu, ou a vaca foi pru [para o] brejo
 - tudo encerrado, acabou-se, não
tem mais jeito.
Adiscuipar - corruptela de “desculpar”.
Adispois - corruptela de “depois”.
Adjunto - conjunto de pessoas trabalhando em mutirão.
Adonde - abreviação de “aonde”.
Adular, ou chaleriar - bajular.
Afe!, ou afe Maria! - expressão de espanto ou admiração equivalente a “Virgem!”
ou “Virgem Maria!” (v. Ixe, ou Vige! (ou Vixe!) ou Vige Maria! (ou Vixe
Maria!).
Afiado – tem três sentidos: 1. abreviação de “afilhado”. 2. amolado - cortante. 3.
pessoa preparada em determinado assunto, daí dizer-se que “tá mais afiado que
faca de maloqueiro”.
Afogar o ganso, ou dar uma bimbada, ou uma tacadinha, ou furar o côro
[couro]
 - transar (dito pelo homem) (v, foder, etc.).
Afoito - corajoso, destemido, sem precaução.
Afolozar - folgar demais, relaxar.
Afreventar - corruptela de “aferventar”, que é receber uma breve fervura .
Afuturar - aventurar, arriscar, acreditar.

Agarrado, ou amarrado, ou canginha, ou mão-de-vaca, ou mão-fechada, ou
muquirana, ou pão-duro, ou pirangueiro, ou seguro, ou suvino, ou tacanha,
ou unha-de-fome – pessoa avarenta, que faz conta de tudo.
Agarrar (ou pegar) no sono - adormecer.
Ageró - abreviação de “agerol”, que são telhas coladas nas laterais de uma parede
mais alta.
Agonia, ou chililique, ou faniquito, ou macacoa, ou passamento, ou piripaque
– mal-estar, vertigem, desmaio.

Agora deu!, ou agora ponto! – expressão de espanto, indignação ou revolta,
equivalente a “era só o que faltava!”
Agorinha - agora mesmo, neste instante (v. indagorinha).
Agregado - tem dois sentidos: 1. unido, junto, acoplado. 2. diz-se de uma pessoa
que vive e/ou trabalha nas terras de outra.
Aguar - irrigar, regar, umedecer (v. barrufar).
Aguado - com pouca açúcar. Ex: “o café tá aguado”.
Aguentar o rojão, ou o tranco, ou o repuxe - suportar trabalho pesado ou tarefa
difícil.
Aguidar - corruptela de “alguidar”, que é um vaso (travessa) de barro parecido
com uma gamela (v. tirina).
Ai - abreviação “alho”. Ex: “um dentim [dentinho] de ai”.

 - tem dois sentidos: 1. local, lugar. Ex: “bote o copo aí”. 2. diz-se muito em
começo de qualquer história, sem nenhum sentido, apenas como termo fático,
isto é, para iniciar ou prolongar a comunicação. Ex: “aí, apareceu um hôme
[homem]…”.
Aí dento [dentro] - diz-se em resposta a uma ofensa, equivalente a “vá tumar no
cu”.
Aí é onde a poica [porca] troce [torce] o rabo - diz-se diante ou início de um
ponto de difícil solução.

 

Aiguero - corruptela de “argueiro”, que é um cisco no olho.
Aiií! - comando para frear jumento, cavalo ou burro.
Aima [alma] penada - suposta alma que anda pela terra, sofrendo, sem poder ir
para o céu (v. malassombro).
Aí varêa - expressão para dizer “aí temos várias opiniões”.
Aivo - corruptela de “alvo”, que significa branco, ou claro.
Alarido, ou auê - barulho, gritaria.
Alastrado - cacto semelhande ao xiquexique.
Alcoviteira - pessoa que acoberta namoro, principalmente, proibidos (v. corta-jaca)
Além de queda, coice - uma desgraça seguida de outra.
Alfenim - um dos produtos derivados da cana-de-açúcar, feito com o mel bem
grosso, o qual é puxado até ficar branco.
Alforje, ou bisaco - pequeno saco, com alça longa para pendurá-lo no ombro (v.
sêi).
Algibeira - bolso pelo lado de dentro do vestuário, para portar dinheiro.
Alicerce, ou sapata - fundação para construção de uma casa.
Alinhado, ou nos trinque – elegante,  bem vestido.

Almocreve, ou tropeiro - pessoa que vive de transportar mercadorias de outras
pessoas em jumento, cavalo, burro.
Alpendre - terraço em qualquer um dos lados da casa.
Alumiar - iluminar, clarear, focar uma luz sobre algo.
À luz do dia - em plena luz do dia. Diz-se quando uma pessoa faz algo ruim às
claras, sem escrúpulos, escancaradamente.
Amaigura [amargura] abasta [basta] a vida - dito por alguém que tem uma vida
sofrida, após provar algo amargo (comida ou bebida).
Amancebado, ou amasiado, ou amigado, ou junto - que vive maritalmente com
alguém sem ser casado.
Amarrar o bode - tem dois sentidos: 1. emperrar, enguiçar. 2. ficar de mau humor,
de cara feia (v. amuado…).
Amarrotado, ou amassado, ou encricriado [encricrilado], ou engiado
[engelhado]
 - enrugado, encrespado.
Amasso, ou chambrego, ou xumbrego - namoro muito afetado ou íntimo demais
(v. sarro).
Amastarde - abreviação de “mais tarde” (v. mais cum’pôco).
Ami-lembrar - corruptela de “lembrar-me”
Amojada, ou penha - grávida. Usada mais para animais.
Amolar - tem dois sentidos: 1. afiar uma ferramenta. 2. incomodar (v. aperrear,
atentar).
Amontar - corruptela de “montar”, que o matuto acrescenta um “a” antes, no
sentido de subir no lombo de um animal (cavalo, burro, jumento) (v. atrepar).
Amontar [montar] em osso - montar em animal sem sela.
Amorrinhado - indisposto, tristonho, depressivo (v. morrinha).
Amuderar - corruptela de “moderar”, que o matuto coloca um “a” antes, quer
dizer ter calma, ir devagar.

Amuado, embirrado, emburrado - aborrecido, acuado, fechado por está com
raiva, sem querer acudo algum (v. ciscar).

Anagua - saia fina que as mulheres usavam por baixo do vestido (ou da saia de
fora), para dar mais volume e/ou reforçar ou evitar transparência..

Ancho, ou contente - feliz, alegre, satisfeito.
Andar ataiano [atalhando] (ou ceicano [cercando]) frango, ou baleado, ou
bicado, ou calibrado, ou chêi [cheio] de mé [mel](ou dos paus, ou dos
quequéus), ou chumbado, ou grogue, ou no aço, ou puxano [puxando] fogo
 -
embriagado, bêbado.
Andaço, ou caganeira, ou chicotim [chicotinho], ou desarranjo, ou dor de
barriga, ou piriri
 - diarreia.
Andar em osso, ou desconforme, ou desprevenido – andar sem roupa íntima -
calcinha ou cueca. Quando alguém é pego de surpresa sem roupa íntima, daí dizse
que está “em osso”, ou “desconforme” ou “desprevenido”.
Angu de caroço - coisa complicada, confusa.
Animá – tem dois sentidos: 1. abreviação de “animal” – para designar todo e
qualquer animal, mais especificamente o animal de montaria (cavalo, burro e
jumento). Ex: “vou selar meu animá [animal]”. 2. diz-se de uma pessoa bruta,
ignorante, estúpida.
Animado que só pinto em beira de ceica [cerca], ou mosquito em cu de
cachorro
 - diz-se de uma pessoa animada ou contente igual a um pinto comendo
merda, na beira de uma cerca, que é o lugar que o matuto costuma cagar ou,
igualmente, a um mosquito comendo merda no cu do cachorro.
Animá [animal] inteiro - animal adulto que não foi castrado.
Anjim, ou anjinho - tem dois sentidos: 1. pequeno anjo. 2. criança recém-nascida
que morreu sem ser batizada (v. pagão).
Ano qu’entra, ou ano que vem, ou paruano [para o ano] - no próximo ano, ou
ou daqui a um ano (podendo ser dito com semana, mês).
Antonte, ou ontonte - contração de “antes de ontem”.Ano trasado, ou passado - ano que se passou (podendo ser dito com semana, mês).
Ao pingo do mêi [meio] -dia - ao meio-dia em ponto.

Apalavrar - empenhar ou dá a palavra como garantia.
Apapagaiado - uma coisa exagerada, muito enfeitada (v. empiriquitado).

Aparar - tem dois sentidos: 1. colher, segurar. Ex: “aparar água da biqueira”. 2.
diminuir, cortar uma parte. Ex: “aparar as zunha [unhas]” (v. abastar, ripar).
Aparêi [aparelho], ou latrina - vaso sanitário.
Apartar – tem dois sentidos: 1. separar. Ex: “apartar uma briga” (v. desapartar). 2.
indica o momento da desmama dos animais. Ex: “apartar o bezerro da vaca” (v.
desmamar).
Apear - desmontar ou descer de um animal.
Apertado - tem três sentidos: 1. justo (v. acochado). 2. diz-se de uma pessoa que está necessidade de fazer cocô. 3. endividado.
Aperrear, ou aporrinhar, ou atanazar - encher a paciência (v. amolar).
A pessoa - indica qualquer pessoa, sem dizer o nome. Ex: “a pessoa saber que só
nasce uma vez e nascer fêi [feio] assim é de lascar”.
Apetrecho - acessório de qualquer natureza.
Aperuar, ou curiar, ou xeretar - observar com curiosidade.
Apojar - chupar: botar o bezerro para mamar um pouco, para afrouxar o leite, para
depois tirar o leite.
Apoquentado - irritado, briguento, de cabeça quente (v. esquentado).
Apragata (ou aprecata, ou zaprecata) de rabicho - sandália de couro fechada
atrás.
Apragata (ou aprecata) de estalo, ou lepe-lepe - chinelo de couro com correia
entre os dedos e aberto atrás.
Apregar - corruptela de “pregar”, que o matuto acrescenta um “a” antes, quer
dizer colar, etc.
Apriciar - corruptela de “apreciar”, quer dizer saborear. Ex: “venha apriciar um
pouco de suco…”
Aprumado - reto verticalmente, ou seja, que está “no prumo”, que é um
instrumento usada por pedreiros para verificar se uma parede está alinhada
verticalmente.
Apurado - tem dois sentidos: 1. fervido até ficar grosso. 2. montante resultante, no
final de um dia, mês, etc, de negócio.
Apustemado - com pus, inflamado (v. pustema).
A puta qu’o pariu - expressão de ofensa equivalente a chamar alguém de “filho de
uma puta”.
Arapuca - pequena armadilha de varinhas, em forma de pirâmide, para pegar
pássaros.
Araruta - polvilho de milho ou de mandioca.
Areado - tem dois sentidos: 1. polido, limpo. Ex: “arear as panelas”. 2. perdido
geograficamente ou desnorteado
Arengar - brigar, discutir em baixo nível.
Armaria! - abreviação de “Ave Maria”!”.
Armador de rede - gancho fixo na parede para pendurar rede.
Armunçar, ou aimunçar - corruptela de “almoçar”.
Arnica - um tipo de remédio ou veneno muito eficaz.
Arquejar - suspirar ofegantemente com alguma dor.
Arra diacho [diabo]! - expressão de espanto e/ou admiração.
Arranca-rabo, ou bate-boca - briga de palavras, discussão.
Arrastar asa - paquerar, insinuar-se para alguém.
Arrasta-pé – tem dois sentidos: 1. um dos ritmos do forró. 2. num sentido mais
amplo, pode ser todo e qualquer tipo de dança. Daí é comum a expressão: “hoje
vai ter um arrasta-pé na casa de…”.
Arrear o bezerro - amarrar (com arreio) o bezerro nas pernas dianteiras da vaca
enquanto se tirar o leite (v. arrêi).
Arredar - sair, desaparecer, sumir. Ex: “arreda daqui menino!”.
Arre égua! ou êita pêga” - expressão de espanto e admiração equivalente a
“danosse”.
Arregaçar as manga - enfrentar um problema, em alusão ao trabalhador que
arregaça as mangas da camisa para trabalhar.
Arrego - tem dois sentidos: 1. proteção, socorro, ajuda. Ex: “na hora ‘H’, Fulano
pediu arrego”. 2. aproveitar-se de algo sem pagar, pegar carona.
Arrêi - abreviação de “arreio”, que são assessórios de uma sela (cinta, corda, etc)
(v. apetrecho).
Arreliado - diz-se de uma pessoa zangada, irritada.
Arrelique, ou um santo remédio - qualquer remédio muito eficiente.
Arremedar - imitar, principalmente, no intuito de ironizar alguém.
Arremedo - apito usado pelos caçadores para imitar os pássaros.
Arremendar - corruptela de “remendar”, que o matuto acrescenta “ar” antes,
significa consertar: colar, costurar, etc.
Arrenegar - corruptela de “renegar”, que o matuto costuma acrescentar um “ar”
antes, significa deixar pra lá.
Arrente - corruptela de “a gente”.
Arreparar - corruptela de “reparar”, que o matuto costuma acrescentar “ar” antes,
tem três sentidos: 1. observar, prestar a atenção (v. espiar, curiar) . 2. considerar,
daí diante de um insulto, para apaziguar, diz-se: “arrepare não, deixe isso pra
lá…” 3. concertar, retificar. Ex: “Fulano buliu cum a fia [filha] de…, agora tem de
arreparar o erro”.
Arretado - tem dois sentidos: 1. bom, excelente. 2. zangado, irritado (v. enfezado).
Arriado – tem três sentidos: 1. descido, caído. 2. doente, deprimido, depressivo. 3.
apaixonado. Daí se diz que “Fulano tá com’s quatro pneus arriado pru Sicrana”.
Arribar - tem dois sentidos: 1. levantar, suspender. 2. ir embora.
Arribaçã, ou ribaçã - ave parecida com uma codorna, que aparece em revoadas no
Sertão, muito apreciada pelos caçadores.
Arrimidêi - um faz de conta, tapeação ou arranjo.
Arripunar, ou infarar - repugnar, que é uma sensação de arrepio ou enjoo
provocada por um alimento, especialmente doce demais. Ex: “esse doce tá muito
enfaroso ou arripunano muito”.
Arroba - referência de medida para compra e venda de algodão e carne, sendo, 20
kg para algodão e 15 kg para carne.
Arrodiar - dar a volta, contormar (v. fazer o balão).
Arrotar riqueza - pabular-se do que tem (v. se gabar, ou se pabular).
Arroto choco - gases estomacais, fedorentos, soltos pela boca.
Arroz-da-terra, ou vrêmêi [vermelho], ou de-festa - um tipo de arroz plantado
nos Sertões, que, ao ser descascado, fica com o grão parecido com “arroz
integral”, só que meio avermelhado, daí o nome, também, de “arroz-vermelho”, e,
quando cozido na gordura da galinha, recebe o nome de “arroz-de-festa”; por
tradição ser oferecido em dias de festa.
Arruaça, ou embuança - baderna, briga de rua.
Artiar [altear] - elevar, tornar mais alto.
Artigo - tem dois sentidos: 1. classe gramatical da linguagem (a,e,i,o.u). 2.
qualquer produto ou mercadoria. Ex: “aquela bodega só vende artigo de luxo”.
Arupemba, ou urupema - peneira de palha de carnaúba.
As coisa, ou as parte, ou os possuído - usada para indicar os órgãos genitais de
uma pessoa. Daí a expressão: “Fulano tava pegano nas coisa ou nas parte”.
Asa-noite - abreviação de “esta noite”, ou seja, “ontem à noite”.
Asi-lembrar - corruptela de “se lembrar”, ou seja “lembrar-se”
Assentar - tem dois sentidos: 1. corruptela de “sentar”, que o matuto acrescenta
um “as”. 2. dar certo, combinar, ficar bem. Ex: “essa roupa assenta muito bem
em mim”.
Assim ou assado - desta ou daquela maneira.
Assuceder - corruptela de “suceder” – que o matuto acrescentar um “as” antes, tem
dois sentidos: 1. no sentido de substituir ou suceder. Ex: “Fulano assucedeu
S.icrano no …”. 2. acontecer. Ex: “ontem assucedeu um caso…”
Assuletrar - corruptela de “soletrar”, que quer dizer pronunciar separadamente as
sílabas de uma palavra.
Assungar - levantar, subir. Ex: “Fulano! assungue a calça que tá caino”.
Assuntar, ou cascaviar [cascavilhar], ou escavoucar, ou escarafunchar -
investigar, procurar.
Assustado - tem dois sentidos: 1. amedrontado. 2. pequena festa dançante
improvisada na casa de alguém.
Ataiar - abreviação de “atalhar”, tem dois sentidos: 1. tomar a dianteira não
deixando passar. Ex: “ataiar os bicho” 2. desviar ou cortar caminho, por onde é
mais perto.
Atajé - pequena prateleira ou prancha fixa na parede.
Atentar – tem dois sentidos: 1. perturbar, irritar (v. amolar). 2. seduzir.
Atí - abreviação de “atilho”, que é uma tira para amarrar pamonha, feita da própria
palha do milho.
Atiçar - dar mais vida, incentivar, por exemplo, o fogo, uma briga, uma discussão,
ou um cachorro a morder.
A tiracolo - ter ou trazer alguém junto.
Atiradeira, ou balieira, ou biadeira, ou estilingue, ou peteca - uma arma de
atirar pedra, feita com uma pequena forquilha de madeira e uma liga (borracha)
de câmara de ar de pneu.
Atocaiar, ou tocaiar - abreviação de “atocalhar”, que dizer vigiar, esperar.
Atolado inté [até] o pescoço - muito envolvido ou comprometido.
A torto e a direito - sem limite, de qualquer jeito.
Atravessado feito pau de lata, ou cu de calango - tem dois sentidos: 1. pessoa
intrometida, enxerida. 2. algo posto transversalmente impedindo a passagem (em
alusão ao pau de lata, que é posto atravessado na boca da lata, como suporte para
se pegar ou pendurar).
Atrepar - corruptela de “trepar” – que o matuto acrescenta um “a” antes, quer dizer
subir (v. amontar).
Aturar - aguentar, suportar, tolerar.
Avacaiar - abreviação de “avacalhar”, que significa bagunçar, esculhambar ou
desmoralizar algo ou alguém.
Avalí só - equivalente a “veja só”, “imagine só”.
Avexado - corruptela de “vexado”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes,
quer dizer apressado, agoniado.
Avia! - apressa!, agiliza! Ex: “avia menino!, que já é quaji mêi [meio] dia”.
Avoar - corruptela de “voar”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes; tem
dois sentidos: 1. verbo voar. 2. lançar. Ex: ”avoar uma pedra num passarim
[passarinho]” (v. jogar, sacudir, zunir, etc.).
Avoar (ou botar, ou jogar, ou sacudir), no mato - atirar fora, desfazer-se de algo,
etc.
Azavessar - corruptela de “avessar”, que significa vira ao avesso (v. dezavessar).
Azêa - abreviação de “azeia”, que é uma alça. Ex: “pegue na azêa [azeia] do bule
pra num se queimar”
Azia - acidez estomacal (v. queima).
Azunhar - fazer riscos em alguém ou em algo com as unhas (v. zunha).
Azucrinar - encher a paciência de alguém, irritar

 


Historia de Itapetim

Aniversário 28 de dezembro
Fundação 1 de março de 1893 (116 anos)
Gentílico itapetinense
Prefeito(a) Adelmo Alves de Moura (PSB)
(20092012)

” A História não é de quem a faz, nem de quem a escreve”

( Mauro Mota )

 

Dados Gerais

População: 14.766

Zona urbana: 7.591

Zona rural: 7.175

Área: 480,0 Km²

Região: Mesorregião do Sertão. Microrregião do Pajeú.

Localização: Distante 421 Km da Capital.

Limites: Ao norte com o estado da Paraíba. Ao sul com São José do Egito, a leste com o estado da Paraíba e a oeste com Brejinho e São José do Egito.

Acesso: PE-263, BR-110, PE-275, PE-280, BR-110.

Perfil Econômico

Atividades principais: Agricultura e o Comércio.

Principais produtos: Feijão, banana, goiaba, milho e castanha de caju.

Fonte IBGE – Censo Demográfico 2000

Cristãos: 97,0%

católicos: 95,7%

evangélicos: 1,3%

FONTE DE INFORMAÇÃO: http://pesquisas.sepal.info/modules.php?name=Municipios&file=article&sid=203

Economia

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.                           Itapetim está localizado no Sertão do Pajeú/Moxotó, região com a economia baseada na agropecuária. Na área há atividades pastoris como a bovinocultura e a caprinocultura; lavouras de subsistência, algodão, cana-de-açúcar e fruticultura. A área rural apresenta uma atividade agrícola mais diversificada onde a produção de frutas é predominante. Outra fonte de economia é o artesanato em madeira, vendido em feiras locais e em outras regiões do Estado.

Solo: Arenoso, pedregoso, rochosoRelevo: Forte ondulado e montanhoso

Vegetação: Caatinga hiperxerófila

Precipitação pluviomética média anual: 641,8 milímetros

Meses chuvosos: Março – Abril

Dia de feira: Quarta-feira

Data de comemoração da emancipação política: 29 de dezembro

Prefeito Atual: Adelmo Moura

Fonte: http://www.pe-az.com.br/municipios

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Itapetim: a cidade que um dia acreditou na riqueza do ouro

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                           Bem próxima à divisa dos Estados de Pernambuco e Paraíba, o município de Itapetim um dia acreditou na riqueza da extração de ouro. Foi nos anos 40, quando uma mina localizada no pacato distrito de Piedade trouxe a esperança (posteriormente não confirmada) de que o nobre metal seria a grande alternativa econômica para aquela região castigada pelas secas. A princípio, todos os moradores da cidade ficaram eufóricos – até porque a mina foi tida como a terceira maior do Brasil. Mas, à medida que as escavações prosseguiam, o sonho da riqueza foi-se desmanchando. Sim, era verdade que ali havia ouro. Porém, um problema se apresentava: a extração era economicamente inviável. A euforia, então, cedeu lugar a um certo desânimo até que, em 1985, a mina foi desativada.

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.                                Da dourada riqueza que chegaria do dia para a noite, ficaram apenas algumas histórias que hoje fazem parte da memória local. Mas, Itapetim não vive somente do passado, ou melhor, não vive só desse passado que foi um sonho. A cidade tem uma rica tradição cultural na qual têm destaque vários poetas populares que se tornaram grandes nomes das poesias oral e escrita do Nordeste brasileiro.Para não citar vários nomes, basta lembrar dois desses poetas que Itapetim exportou para o Nordeste, ambos já falecidos: Rogaciano Leite e Antônio Pereira. O primeiro deixou versos publicados e um dos seus poemas (“Os Trabalhadores”) ficou registrado na Praça de Moscou, da então União Soviética. O segundo mal assinava o nome, nunca deixou o sítio onde nasceu, mas os seus versos ganharam o mundo.

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.                                  No local onde hoje fica a cidade de Itapetim, existiu uma povoado denominado Umburanas – nome de uma árvore muito comum na região, onde realizava-se uma pequena feira-livre.

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.                                 O povoado também foi denominado São Pedro das Lajes e tornou-se distrito sob a denominação de Itapetininga.

.                                O nome Itapetim foi dado através de decreto-lei, a 31 de dezembro de 1943. Itapetim foi elevado à categoria de cidade a 29 de dezembro de 1953, desmembrado do município de São José do Egito, e o município foi instalado a 01 de junho de 1954.

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Na segunda metade do século, deu-se a povoação com a chegada a essa região de dois portugueses, Pedro Mendes de Barros e Inácio Cunha, que se enteressaram por essas terras e logo se fixaram por aqui, dedicando-se à agricultura.

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.                         Desenvolveram o cultivo do milho, feijão, mandioca, batata doce, bem como a criação de rebanhos bovinos, caprinos, além de criação de aves caseiras (galinha, perú, e guiné).

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.                       Com o passar dos anos, o sr. Amâncio Pereira, um dos primeiros habitantes deste povoado, vendo o crescimento da população das Umburanas e sendo um homen de idéias avançadas e progressistas teve a iniciativa de construir uma casa comercial (a primeira casa de alvenaria dessa localidade). Este foi o primeiro ponto comercial construido ao lado do rio pajeú (ainda existente).

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.                           Amâncio Pereira José, José Antônio e Virgulino Soares, considerados os fundadores do povoado das Umburanas construíram suas primeiras casas de alvenaria e de taipa no local da atual cidade de Itapetim.

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.                                Uma casa de alvenaria e duas de taipa deram início a fundação do povoado das umburanas, que com os anos foi pouco a pouco se desenvolvendo e tornando-se uma cidade de progresso no vale do pajeú.

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Nas três casas iniciais, residiam as famílias dos seus fundadores.

” A História não é de quem a faz, nem de quem a escreve”

( Mauro Mota )

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FONTE: texto extraído do livro(Itapetim- histórias de seu povo) (Co-Autoria: Benones Lopes “professor” e Inácio Ciê Gomes).

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Janeiro de 1993.

Nos primórdios do século XVIII a região foi habitada por uma tribo indígena denominada Babicos.

Ancestralmente, Itapetim recebeu o nome de Umburanas devido à imensa quantidade de árvores nativas com essa nomeação.

Discorrer sobre a origem histórica desse centro urbanístico é rememorar seus fundadores: tropeiros, almocreves, que transportavam bens tangíveis, principalmente gêneros alimentícios,vindos da localidade Lagoa de Baixo,atual Sertânia, e Flores, em Pernambuco, para Princesa Isabel e Espinharas,na Paraíba.

Homens tangedores de azêmolas,em comboio,conduziam suas tropas fazendo tal percurso,numa viagem expandida, que levava de seis a oito dias ao destino almejado. No transcorrer, realizavam paradas em pontos diversos para seus descansos – e das alimárias. As umburanas,frondosas e de generosa sombra, serviam como lenitivos aos tais recoveiros,e estavam sempre à ribeira do Pajeú. Ao lado esquerdo do rio,no sítio Rio Limpo (hoje propriedade dos familiares do saudoso João Amaro Cordeiro), ficavam tais árvores de madeira nobre. Os dias foram sucedendo e os mercadores aumentavam em quantidade, tornando-se rotina acamparem por ali para o sistema de trocas de mercadoria.

Em virtude do aumento do trânsito e dos contínuos encontros em tal paragem,surgiu-se um comércio mais pujante: tecidos,louças,jóias,calçados,dentre outros artigos vários,fincaram pé – e assim nasceu a feira das Umburanas,por volta de 1878.

Na segunda metade do século,deu-se a povoação com a chegada de dois portugueses: Pedro Mendes de Barros e Inácio Cunha, que se interessaram por estas plagas,fixando-se para desenvolver culturas de milho, feijão, mandioca, batata-doce, bem como criação de rebanho bovino, caprino e aves domésticas adaptadas às nossas condições meteorológicas.

Com o passar dos anos,o senhor Amâncio Pereira,um dos primeiros procedentes do lugarejo,vendo o crescimento da população umburanense,e sendo um homem prático, de idéias progressistas,teve a iniciativa de construir uma casa comercial (a primeira de alvenaria,erigida ao lado do rio Pajeú (ainda existente).

Amâncio Pereira José,José Antônio e Virgulino Soares,considerados os fundadores na nascente vila,construíram as primeiras habitações, e lá moraram seus familiares. Religioso ao extremo,incitou às pessoas já climatizadas na terra a conceber uma capelinha, que ficava defronte à casa de “seu” Amâncio,onde hoje está o “Dance Music Casarão”. Esse pequeno templo permaneceu funcionando até o ano de 1914, quando o Padre José Guerel,da Paróquia de São José do Egito,arquitetou nossa Igreja Matriz de São Pedro das Lages, concluída muito depois pelo Cônego João Leite Gonçalves, o primeiro vigário.

Padre João fixou-se aqui em 1928, tornando-se um dos grandes vultos da nossa história, pela dedicação e amor intransponíveis a este pedaço de terra do Sertão pernambucano. Foi um veemente chefe político sempre ligado as forças políticas da direita. Grande batalhador pela emancipação nossa, fez benefícios na primeira escola, nos Correios, estradas, e que-tais.

Voltando à figura do Padre Guerel. Conta-se que,por problemas sociais envolvendo seu país de origem, a França, e também forçado pela Primeira Guerra Mundial,ele imigrou para o Brasil. Aqui chegando, abancou-se na cidade de São José do Egito. Trazia consigo dois objetivos básicos: sair ileso de sua nação e edificar uma igreja em louvor a São Pedro,assim como explorar e cultivar a agricultura local. Fazia celebrações periódicas de missas nos arredores. E encontrou o terreno ideal ao seu sonho: Umburanas. O religioso citado morreu de forma trágica a 9 de dezembro de 1915,quando uma barreira de açude que estruturava despencou sobre seu corpo enquanto ele cochilava,sob tal barranco, num pós-almoço.

Em relação ao Padre João Leite Gonçalves,figura ultra carismática,ele nasceu no dia 7 de julho de 1903 no Pajeú. Filho de Cláudio Leite de Andrade e Josefa Gonçalves de Andrade. Ao cursar o primário, descobriu sua vocação para o sacerdócio,demonstrando aos seus familiares o desejo de estudar Teologia. Entrou para o Seminário de Pesqueira,concluindo o Ginásio e o Clássico. Em seguida,deu um passo importantíssimo,ingressando no Seminário de Olinda, onde finalmente cursa Filosofia e Teologia – fato que culminou com sua ordenação plesbiterial realizado por Dom José Antônio de Oliveira Lopes,no dia 2 de abril de 1927. Já como padre,iniciou seus trabalhos religiosos na cidade de Buíque-PE, e, em seguida,em Pedra de Buíque. Mediante as labutas exemplares,foi convocado pelo Bispo da Diocese de Pesqueira para ser seu secretário. Finalmente, realiza sua paixão anorável de servir a seu povo na terra natal. Nomeado vigário da Paróquia de São Pedro das Umburanas no dia 4 de janeiro de 1928, assumiu-a,em definitivo,no dia 09 do mesmo mês.

Ele preencheu uma grande pauta de atividades prestadas à nossa gente. Mais que religioso,foi um político que lutou com garra por cada obra que surgiu aqui – e que deixou sua marca indelével. Doou 42 anos de sua digníssima vida a Itapetim,falecendo a 1 de dezembro de 1969.

Voltando às priscas eras itapetinenses. A celebração da primeira missa aqui,foi conduzida pelo padre Manoel Gomes,da paróquia de São José da Ingazeira, hoje São José do egito, juntamente com Frei Ibiapina da Ordem dos Franciscanos. Eles foram hospedados na casa de três vitalinas, que exibiram aos religiosos uma imagem de São Pedro,encontrada numa gruta de pedra alteada pelos portugueses nossos pioneiros. Em homenagem,Ibiapina batizou a Capela de São Pedro, que, mais tarde,seria o padroeiro de nossa urbe.

Denominações

O primeiro nome de Itapetim foi Umburanas,pelo fator já descrito. Quarenta e três anos depois do início do povoamento, chamou-se São pedro das Lages,pelo decreto nº 92 de 31 de março de 1928. Passada uma década,pela Lei nº 235 de 9 de dezembro de 1938,já na categoria de Vila,nomear-se-ia Itapetininga,permanecendo apenas a Paróquia com o nome primevo. Em 31 de dezembro de 1943 pelo Decreto-Lei n° 952 foi novamente alterado o nome devido a uma cidade homônima do interior de São Paulo. A partir desta data,o município passou definitivamente ao nome atual,pela Lei nº 1818 de 29 de dezembro de 1953,Itapetim torna-se Município,ficando desmembrado,graças a DEUS!,de São José. Na época,o governador de Pernambuco era o Dr. Etelvino Lins de Albuquerque e o projeto foi apresentado à Assembleia Legislativa pelo então deputado Manoel Santa Cruz Valadares e impulsionado pelo seu companheiro Walfredo Paulino de Siqueira,ambos de São José do Egito. vale salientar que Valadares foi o primeiro juiz da Comarca de Itapetim.

Em 1º de junho de 1954,em sessão presidida pelo Padre João leite,no grupo Escolar Dom José Lopes,onde funcionou provisoriamente a Prefeitura Municipal,foi inaugurada a instalação do município com a posse do 1º prefeito nomeado,Francisco José de Maria (“Chico Santos”). Ele teve um mandato de 18 meses. (Texto elaborado,com algumas alterações vocabulares,a partir do original do Professor Benones Lopes,retirado do livro “ITAPETIM: histórias de seu povo”,por Paulo Patriota em 25 de Maio de 2006.)

OS  PRIMEIROS DE ITAPETIM Por Adalva Bezerra

A primeira cisterna d’água,pertencente a Juvêncio Bezerra da Silva,foi construída em 1932 por Otaviano França;

A primeira capela foi instalada na hoje Praça Rogaciano Leite.

A primeira telegrafista dos Correios,foi Dona Júlia Malta.

O primeiro major da polícia,foi Pedro Malta e o primeiro capitão,o Sr. José Malta.

.                  Os primeiros agricultores que começaram as atividades agrícolas foram: Zé Paulino,Pedrinho Pereira,João Ritinha,José Ritinha,José Nunes,Izidro Paes,Delfino Alves,Zezinho Santos,Odilon Alexandre,João Lêla,João Alves,Manoel Laureano,Juvino da Penha,Chico Santos,Joaquim de Fonte,Paulo Nunes,Antônio Delfino,Serafim Piancó,Manoel Garra,Pedro Batista,Antônio Lopes de Souza,Seu Nobelino,entre outros.

O primeiro enterro no Cemitério foi o de uma moça chamada Agda.

O primeiro motor que proporcionaria energia elétrica em nossa cidade chegou em 1942. Era ligado diariamente pelo Sr. Biu Cardoso,a partir das 18:00 horas até as 22:00 horas.

                       O primeiro barbeiro que instalou ponto comercial no centro da então Umburanas,foi o popular José Barbeiro,juntamente com sua esposa,Dona Regina.

                       As primeiras bordadeiras foram: Matildes Lourdes Correia,Maria de Albino,Maria das graças. As primeiras alunas: Maria José Rêgo Lopes,Socorro Ventura,Adalgisa Ricardo,Lourdes Marques,entre outras.

.                            Os primeiros comerciantes de lojas de tecidos foram: Juvêncio Bezerra,oriundo de Belo Jardim-PE,José Rêgo Monteiro e Aderbal,seu filho,que vieram de Teixeira-PB,João Leão,Simão Leite,entre outros.

.                           Os primeiros alfaiates foram: Pedro e Manoel Malta (conhecido popularmente por Nezinho Malta).

.                         As primeiras mercearias,tradicionais bodegas,pertenciam às seguintes pessoas: Lucas Ricardo,João Ricardo,Joaquim Mariano,Joaquim Gomes,Luiz Rocha e Pedro Balbino da Silva.

Os primeiros comerciantes de cereais foram: Juvino da Penha,Pedro Balbino da Silva,João Lêla,Anatólio Rêgo Monteiro,dentre outros.

.                         As primeiras farmácias de Itapetim tinham como proprietários,Francisco Maginário,o “Pai Xixi”,Miguel Maginário,Otaviano Correia e João dos Passos.

.                        O primeiro posto de gasolina foi instaurado por Diógenes Paes da Silva,nos anos 60. A primeira loja de auto peças também,em 1970.

.                              Os primeiros missangueiros foram: Sebastião Marques,Severino “Pai Velho”,João Lucas,Cosme de Elizeu e Manoel.

.                            A primeira costureira renomada foi a Senhora Teresa Torres,esposa de José Costa Grande.

                        As primeiras hoteleiras que faziam doces,cocadas,beiras-secas,pés-de-moleque,bolos,entre outras iguarias,foram: Amara Patriota,Rita Batista,Dona Balbina e Ritinha de José Gongol.

.                          A primeira padaria de Itapetim pertencia ao Sr. Francisco Santos,conhecido por “Seu Branco”,e funcionava na Rua Juvino Leite.

Os três primeiros tabeliões foram: Zuza de Deus,sua filha Terezinha de Deus e Raquel Nunes de Araújo,filha de João Nunes.

As primeiras parteiras: Maria Silva,Dona Bolipinha e Teresa Soares.

Os primeiros sapateiros foram: Seu Paizinho e Antônio Machado.

                         As primeiras professoras formadas,que vieram do Recife para Itapetim foram: Carolina Barbosa da Silva,Isnar de Moura,Rosa,Juraci Mirian e Ida Lira. As primeiras professoras formadas,filhas da terra,foram: Júnia Bezerra,Hilda Leite,irmã de Pe. João Leite,Anísia Bezerra de Farias. Quando Itapetim ainda era Vila,os primeiros professores não-formados foram: Maria Correia,Otacília Patriota,Seu Vicente e Pedro Nunes.

.                      O primeiro carteiro de Itapetim foi Rangel,o popular João Grilo.

.                      Os primeiros atendentes na área de Medicina,mesmo não-formados foram: Juvino Leite,Oliveira Lopes e Juvêncio Bezerra.

.                      Os primeiros médicos formados,advindos do Recife,foram: Dr. Clístenes Péricles Leal e o popular “Língua de Aço” (pelo hábito de lidar com bois).

.                      A primeira equipe de futebol teve como fundador Pedro Nunes,exibindo como destaques os jogadores: João Grilo,Alfredo Borges,Eugênio Nunes,João I e João Pequeno (irmãos),Zezo Correia Patriota (José Maria Filho),Messias Rocha,Orlando Grilo e João de Xixica.

.                       A primeira locutora de difusora,que funcionava onde hoje é a Casa Paroquial,foi a Senhora Gesumira Venceslau de Farias.

.                      Os primeiros seresteiras da Vila de Umburanas foram: Jaime Ventura,José Malta,que tocavam violão; Francisquinho,que tocava e cantava,e Quinquinho de Possidônio,que tocava saxofone.

.                    Os primeiros organizadores de eventos,como: shows,teatros,bailes e coisas do gênero foram: Otacília Patriota e suas alunas Anísia,Judite,Júnia e Adalva,da família Bezerra,Juberlita Costa,Luiza Nino,Jacimã Leite,Doroteia Batista,Alnita Batista,Angelita Costa,Antônio Tavares,Julieta Malta,entre outras,que realizavam apresentações em Desterro e São José do Egito.

.                      O primeiro automóvel que chegou a Itapetim foi um calhambeque pertencente a Serafim Piancó.

               O primeiro mecânico de veículos foi o Sr. Oswaldo Silva,casado com Dona Gigi,irmã de Seu Geraldo Mariano.

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.                    Os primeiros carnavais foram organizados pelos músicos: Albino Alves e Miguel Alves da Costa,que tocavam pistom; Ernesto Lino,João Bom e Alberto Nunes,que tocavam clarinete; José Gongol,que,além de maestro,tocava tuba. Como foliões,participavam Aderbal Rêgo Monteiro,Tim Rêgo,João Ricardo,Otaviano Correia,Antônio Correia,Geraldo Marques,Luiz Sousa Lima,Geraldo Mariano; as foliãs: Alaíde Leite,Gesumira Venceslau,Adalva Bezerra,Júnia Bezerra,Giselda Alves Nogueira,Terezinha Vilar do Rêgo (Teca de Jacinto),Vilani Patriota,Lourdes Marques Bezerra,Maria José Lopes Rêgo (Dona Mazé de Tim),Luiz Nino,Djaly Paes da Silva,Alzira Costa,Lizete Patriota,Madá Patriota,Sueli Davi,Juvita Costa… Tudo ocorria no saudoso “Salão Grande”,onde hoje existe um prédio moderno,mas inativo.

.                       As primeiras bolandeiras de algodão pertenceram a Leocádio Rocha e Joaquim de Fonte.

Fonte : http://itapetim-historia.blogspot.com/

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Geografia

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Localiza-se a uma latitude 07º22’42″ sul e a uma longitude 37º11’25″ oeste, estando a uma altitude de 637 metros. Local onde nasce o rio Pajeú, afluente do rio São Francisco. Terra, berço dos grandes poetas repentistas, dentre eles os irmãos Batista e Rogaciano Leite. Sua população estimada em 2004 era de 14 308 habitantes.

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Possui uma área de 409,82 km².

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As atividades econômicas principais são a agricultura, com as lavouras permanentes de castanha de caju, sisal ou agave, laranja, banana, goiaba e manga e as lavouras temporárias de batata doce, cana de açúcar , feijão, mandioca, milho e tomate. Outras atividades relevantes são a pecuária e o comércio.

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