C
.
Cá – tem três sentidos: 1. aqui – local físico. Ex: “vem pra cá menino”. 2. Agora,
atualmente – tempo. Ex: “O mês passado choveu muito. De lá pra cá…” 3.
contração de “com a”. Ex: “Tá cá [com a] gota serena, menino!”
Caba - abreviação de “cabra”, tem três sentidos: 1. caprino – fêmea do bode. 2. dizse
para designr qualquer pessoa do sexo masculino em sentido genérico. 2.
homem valente, destemido. Em alusão aos ”cabras de Lampião”, quando o termo
foi cunhado, passando a ser sinônimo de cangaceiro.
Cabaça(o) – tem dois sentidos, 1. fruto da cabaceira parecido com uma melancia
que não se come, mas, quando seco fica com a casca dura, daí faz-se um buraco e
coloca-se uma tampa para carregar água. 2. virgindade. Ex: “a fia [filha] de
Fulano perdeu o cabaço”, ou seja, perdeu a virgindade (v. donzela, moça).
Cabaça(o) de colo, ou de gola – cabaça usada para portar água de beber para o
roçado, que tem duas partes gordas e um gogó no meio, onde se amarra uma
corda para pendurar no sinto.
Caba [cabra] da peste, ou macho – diz-se de um homem valente, destemido, bom,
etc.
Caba [cabra] de pêa [peia] – homem safado, que merece uma surra.
Cabeçai – abreviação de “cabeçalho”, que é um pau longo que cruza todo carro de
boi (uma espécie de chassis) e,na ponta, coloca-se a canga para os bois puxarem
o carro.
Cabeça (ou rabo, ou crista) -de-galo, ou mingau de cachorro, ou cardo [caldo]
da caridade (ou levanta-defunto) – espécie de sopa rala de água com farinha de
mandioca, ovos e temperos, que o matuto considera de grande valor energético,
próprio para levantar uma pessoa doente.
Cabeça-de-prego, ou furuncu [furúnculo], ou cabrunco – pequeno tumor.
Cabeçote – pontas (duas) de paus da armação de uma cangalha, sobre os quais se
penduram objetos a serem transportados.
Cabeceiro, ou chapeado – pessoa que trabalha carregando volumes – emcomendas
- na cabeça (v. calunga).
Cabilôro – abreviação de “cabilouro”, que é a cartilagem nervosa do pescoço
(nuca) de um animal
Cabreiro – desconfiado, precavido.
Cabresto – tem dois sentidos: 1. utensílio de corda ou outro material posto na
cabeça do animal para amarrá-lo (v. focinheira). 2. num sentido figurado é usada
para designar o controle de uma pessoa sobre outra. Daí se costuma dizer que
“Fulano colocou um cabresto em Sicrano”.
Cabrito – bode novo ou de pequeno porte.
Cabrita – tem dois sentidos: 1. cabra nova ou de pequeno porte. 2. menina
namoradeira (v. bichota, menina assanhada…).
Cabrocha - moça jovem ou adolescente.
Cabroeira, ou mundiça, ou rafamea [fafameia], ou ralé – gente de baixo nível
social, povinho ou povão (v. frasqueira).
Caboeta, ou dedo-duro – traidor, delator.
Cabuloso, ou carrancudo, ou cavernoso, ou opinioso, ranzinza – pessoa abusada,
insolente, irritante (v. caprichoso, importuno, rabugento).
Caça – animal do mato (silvestre) que se mata para alimento.
Caçambada, ou chapuletada – pancada ou porrada forte (v. lapada).
Cacetada, ou caçoletada – paulada.
Cacareco – tem dois sentidos: 1. pequeno pedaço de um objeto. 2. objetos,
utensílios ou mobília de pouco valor, ou de pobre. Daí a expressão: “pega teus
cacarecos e vai embora…” (v. bregueço).
Caçarola – frigideira.
Caçar terra nos pés – procurar uma saída para um problema repentino e não
encontrar.
Cachaceiro, ou cu de cana, ou pau-d’água, ou papudim [papudinho], ou
pingunço, ou pé inchado – pessoa viciada em aguardente.
Cachimbo - tem dois sentidos: 1. instrumento de fumar. 2. festa, acompanha de
bebidas, em comemoração ao nascimento de um filho.
Cachete - comprimido ou drágea – remédio.
Cachola – cabeça, mente.
Cachorrada – safadeza, desunião, etc.
Cachorro-d’água – pequeno grilo-toupeira que vive na areia.
Cachorro doido – cão com a doença raiva (hidrofobia).
Cacimba – poço aberto no leito dos rios, riacho e açudes vazios para colher água
na época de seca.
Caçola – calcinha de mulher em tamanho grande – “gg”.
Caçote – pequeno anfíbio (parecido com um sapo ou perereca) com nadadeiras
largas nos pés.
Caco – tem dois sentidos: 1. pedaço de um objeto. 2. prato de barro razo e largo
usado para torrar farinha, fritar ovos, etc. (v. bolo de caco).
Caçoar – tem dois sentidos: 1. cesto de palha, cipó ou vime trançado que se coloca
pendurado na cangalha de um animal (jumento, cavalo ou burro) para transporte
de objetos pequenos (geralmente frutas). 2. Ironizar, debochar de alguém. Ex:
“Fulano tá caçoano deu” (v. gozar, mangar, zonar).
Cacoete, muganga, ou sestro – trejeito, que é uma mania ou gesto que alguém faz
incoscientemente.
Cacunda [corcunda], ou cangote – conjunto formado pela parte superior do dorso
e pescoço (nuca). Daí é comum dizer-se que “Fulano tava carregano o menino na
cacunda” (v. escanchado).
Cada quá – abreviação de “cada qual”, ou seja, cada um.
Cadê? ou quêdê? – equivalente a “onde está?” Ex: “menino, cadê a faca que…?” .
Cadêla? – forma contraída de “cadê ela?”, ou seja “onde está ela?”.
Cadela – tem dois sentidos: 1 cachorra. 2. mulher vulgar, prostituta (v. mulé da
vida…).
Cadiquê? – contração de ‘por causa de quê?’
Caduco, ou gagá – esclerosado.
Caêra – abreviação de “caieira”, que é um amontoado de objetos mais ou menos
organizados. Muito usada para indicar a organização dos tijolos para serem
queimados.
Cafifi – abelha pequena com ferrão que faz sua colmeia em folhas de árvores.
Cafofo, ou cuvuco, ou cubico [cubículo] – pequeno cômodo.
Cafuné - carícia ou massagem na cabeça.
Cafuringa, ou fubica, ou ximbica – carro velho (v. cururu).
Caga-fogo, ou vaga-lume – pirilampo.
Cagar, ou evacuar, ou fazer as necessidada (ou cocô), ou obrar – defecar (v. se
cagano…)
Cagar goma – conta vantagem ou se auto engrandece (v. pabuloso).
Cagar (ou mijar) fora do caco – fazer coisa errada.
Caicular - corruptela de “calcular”, tem dois sentidos: 1. medir, julgar, etc. (v.
chutar, regular). 2. encher de formsa que fique transbordando, ou seja, quando
numa vasilha se coloca um pouco a mais do que ela cabe, ficando parte do
produto acima das bordas. Ex: “bote uma cuia de farinha bem caiculada
[calculada] pra mim”.
Caimante – corruptela de “calmante”, que significa qualquer remédio que deixe o
matuto mais calmo, desde um chazinho a um ansiolítico. Ex: “tome um chazim
pra açaimar [acalmar] os neivo [nervos]”.
Caimbra [câmara] de sangue - diarreia com manchas ou rajadas de sangue (v.
andaço, caganeira).
Caiar, ou dar uma mão-de-cá [cal] – dar uma demão de cal (pintar com cal).
Cair do cavalo – perder o tempo, não conseguir o que queria.
Cair (ou dar) o fora – sair, ir embora.
Cair na boca do povo, ou do mundo – passar a ser alvo de comentários maldosos.
Cair na gandaia – levar vida desregrada.
Cair na graça – passar a ser admirado por alguém.
Cair na vida – prostituir-se.
Cair no conto-da-caroxinha, ou do-vigário – ser enganado, lubridiado por um
negócio vantajoso.
Caivoreira [carvoeira], ou cova de caivão [carvão] – buraco no chão onde se
coloca a madeira organizada e cobre-se com terra para fazer carvão.
Caixa dos peito, ou de catarro – tórax.
Cajaca-de-côro [couro] – corruptela de “casaca-de-couro”, que é um pássaro
avermelhado (semelhante ao casaco de couro do vaqueiro) de nativo do Sertão
que faz um grande ninho de espinhos no alto das árvores.
Caji, ou quaji – corruptela de “quase”.
Cajuada, ou cajuína – refrigerante feito com o sumo do caju.
Calça mêa [meia] – coronha, ou pegano [pegando] mareco – calça comprida no
meio da canela (v. coronha).
Calibre – tem dois sentidos: 1. grossura do cano de uma arma. 2. tendência natural
de uma pessoa para ser gorda ou magra.
Caliça – argamassa feita à base de cal (v. encaliçar)
Califon, ou corpete – sutiã.
Calombo, ou catombo – caroço, ematoma.
Caloteiro, ou veaco [velhaco] , ou xexeiro [seixeiro] – pessoa que não paga o que
deve (v. dar (ou levar) um cano, ou xexo).
Calunga – tem dois sentidos: 1. boneca. 2. pessoa que trabalha
carregando/descarregando caminhões (v. cabeceiro, ou chapiado).
Cambada, ou curriola, ou magote – certo número de pessoas, geralmente de má
índole (v. êito, moi [molho], penca, rebãe, reca, ruma).
Cambão – tem três sentidos: 1. resto do caule do pé de milho. 2. peça de madeira
que prende a canga ao cabeçalho do carro de boi. 3. levar uma grande
desvantagem numa corrida, ficando para trás, daí se diz que “levou um cambão”.
Cambitar – transportar cana, madeira, capim, etc, no lombo de animais.
Cambito – tem dois sentidos: 1. suporte de madeira, em forma de forquilha ou um
“V”, que se pendura na cangalha de um animal (jumento, burro, cavalo), para
transporte de madeira, capim, etc. 2. vem do italiano “gambetta”; pernas finas.
Ex: “Fulana tem pernas de cambito”.
Cambota – pessoa que tem as pernas tortas ou abertas para fora (v. cangaia).
Camboceira, ou tambueira – pequenas coisas, como: espigas de milho, melancia,
jerimum, etc.
Cambuca, ou cumbuca – caneca ou copo grande.
Camim [caminho] – estrada estreita por onde só circulam animais e pessoas (v.
vereda), ao contrário de rodagem que é uma estrada larga por onde trafegam
carros (v. rodagem).
Camim [caminho] de rato – falhas em um corte de cabelo mau feito.
Canáia – abreviação de “canalha”, que quer dizer gente baixa, povão (v. acanaiar)Canhão - tem dois sentidos: 1. arma de fogo de alto calibre. 2. penas novas que
estão começando a brotar em uma ave.
Cancão - tem dois sentidos: 1. pássaro do Sertão. 2. bolinhos de comida amassados
com as mãos, semelhante a um quibe (v. capitão).
Cancela – tem dois sentidos: 1. verbo cancelar. 2. pequena porteira.
Candeeiro – lamparina primitiva a base de querosene ou gás (v. gás).
Caneco, ou caneca – copo grande com alça.
Canela – tem dois sentidos: 1. planta de cuja casca e/ou pó se faz chá. 2. parte
dianteira da perna, entre o joelho e o pé.
Canga – peça de madeira que se coloca no pescoço do animal (boi, cavalo, etc).
para puxar carro de boi, carroça, arrado, etc.
Cangaceiro – bandoleiro, bandido (v. cangaço)
Cangaço – tem dois sentidos: 1. bando de malfeitores, bandoleiros (v. cangaceiro).
2. coisa velha, espedaçada, estraçalhada.
Cangaia – abreviação de “cangalha”, tem três sentidos: 1. suporte que se coloca no
lombo de um animal (jumento, burro ou cavalo) para o transporte de objetos
sobre ele. 2. pernas tortas para fora (v. cambota, zambeta). 3. óculos (v. picinêz)
Cangueiro, ou munheca de pau – falta de habilidade. Ex: uma pessoa cangueira é
aquela que não se equilibra bem numa bicicleta, ou que dirige mal um carro.
Cangulo – dentuço.
Canja – sopa com carne de galinha.
Canjica – creme de milho grosso e consistente feito de milho-verde, que é uma das
comidas típicas das festas juninas do Nordeste.
Cantador de viola, ou repentista, ou violeiro – poeta que faz versos de improviso
(v. repente).
Cantiga – música ou cântico, tanto de homem como de animais. Daí a expressão
“cantiga de grilo”.
Canto – tem dois sentidos: 1. o cantar de um pássaro. 2. espaço, local. Daí a
famosa expressão “quano cheguei lá tava o canto mais limpo”, ou seja, vazio.
Cantoria de pé de parede – disputa entre repentistas improvisada num recanto de
parede.
Canudo – tem dois sentidos: 1. um cano fino. 2. um tipo de abelha nativa do Sertão,
que não possui ferrão e produz um excelente mel.
Canzil – duas traves que se enfiam numa canga para prender o boi.
Caôi – abreviação de “caolho”, que significa com um olho só ou com um olho torto.
Cão sem dono – pessoa desprezada, marginalizada.
Capa bode – tem dois sentidos: 1. pequeno engenho manual, de madeira, de moer
cana. 2. máquina manual para desfibrar agave (cisal).
Capanga – tem dois sentidos: 1. pistoleiro. 2. bolsa pequena.
Capão – galo castrado ou capado, com o intuíto de engordá-lo para matar.
Capar – castrar.
Capar o gato, ou escafeder, ou se empirulitar [empirilitar-se] – ir embora, sumir,
desaparecer.
Capenga – tem dois sentidos: 1. coxo, manco. 2. velho, atrasado, incompleto.
Capiongo – triste, calado, desconfiado.
Capitá – abreviação de “capital”, tem dois sentidos: 1. cidade sede do governo de
um Estado ou Nação. 2. dinheiro.
Capitão - tem três sentidos: 1. posto do alto escalão na carreira militar. 2. nome
dado a penico (v. penico, urinó). 3. bolinhos de comida amassados com as mãos,
semelhante a um quibe (v. cancão).
Capoeira – vegetação rala da caatinga Daí nasce a expressão “galinha de
capoeira”, por ser criada no mato (v. cascabui, descampado).
Capote - tem três sentidos: 1. casaco de frio. 2. galinha-d’angola (v. guiné). 3.
cobertura, com telhas coladas na cumeeira de um telhado.
Caprichoso – tem dois sentidos: 1. cuidadoso, meticuloso. 2. pessoa turrona,
teimosa (v. cabuloso, importuno, rabugento).
Capucho – tem dois sentidos: 1. pequeno tufo ou chumaço de algodão. 2.
“algodão-doce”, também chamado de “lã-de-açúcar”, por parecer com uma lá de
algodão. Daí ser comum a expressão ”um capucho de açúcar”.
Capuxú – um tipo de abelha nativa do Sertão.
Caquear – apalpar, tatear, procurar algo com as mãos.
Cara – tem dois sentidos: 1. rosto, face. 2. homem. Ex: “esse cara”
Cará – um tipo de inhame, também chamado de “São Tomé”.
Cara amarrada, ou fêa [feia], ou de quem cumeu [comeu] e num gostou – dizse
de uma pessoa carrancuda, de mau humor, etc. (v. carrancudo, ou lundum).
Cara-de-pau – pessoa sem vergonha, dissimulada, oportunista.
Cara lisa, ou lambida – diz-se de um pessoa cínica, dissimulada.
Carão - tem dois sentidos: 1. ave do Sertão que o matuto acretita adivinhar chuva.
2. repreensão, chamado de atenção (v. levar uma bronca…).
Carderão – corruptela de “caldeirão”, tem dois sentidos: 1. panela com uma alça. 2.
cisternas formadas por depressões naturais nos lajedos (v. tanque)
Cardeiro – um tipo de cacto cabeludo parecido com um mandacaru.
Cardo – corruptela de “caldo”, tem dois sentidos: 1. sumo da cana (v. garapa). 2.
líquida grosso e substancioso de uma comida. Ex: “cardo [caldo] de galinha”.
Carecer – vem do verbo latino “carere” quer dizer faltar, necessitar, precisar. Ex:
“quer uma ajuda? – num carece não”.
Carregar na mão – exagerar. Dito, principalmente, quando se erra ao colocar sal
numa comida, tornando-a salgada.
Careta – tem dois sentidos: 1. cara feia. 2. uma coisa atrasada, antiga, fora de moda.
Caritó – quarto nos casarões antigos onde dormiam as moças, sem janelas e com a
porta voltada para o quarto do casal, como forma de controlar a saída das moças.
Daí, quando uma moça não conseguia casar-se costumava-se dizer que “ficou no
caritó” (v. ficar pra titia…)
Carnegão – matéria pútrida e dura de um tumor (v. cabeça de prego).
Carne de criação – carne de caprinos e ovinos. (v. criação).
Carne de gado – carne bovina.
Carne de pescoço – pessoa difícil de ser convencida.
Carne de sol, ou seca – carne típica do Sertão, com sal e exposta ao sol para
desidratar um pouco.
Carne verde – carne fresca, sem sal.
Caroço – tem dois sentidos: 1. semente de uma planta. Ex: “caroço de manga”. 2.
inchaço, hematoma (v. catombo).
Caroço do ôi [olho] – globo ocular.
Carrapateira – mamona.
Carrapicho – arbuste, da família do capim, que, ao florar, produz espinhos, em
forma de cachos, no pendão.
Carrego – pilha – para rádio, lanterna, etc. (v. elemento).
Carreira – tem dois sentidos: 1. ato de correr. 2. espaço entre fileiras de milho,
feijão, cana, etc, emparelhadas
Carreiro – tem dois sentidos: 1. pessoa que conduz ou dirige o carro de boi. 2.
caminho de formiga (v. correição)
Carrité – abreviação de “carretel”, que é uma bobina, especialmente de linha para
costurar.
Carro de boi – carro de madeira puxado por bois.
Casa de arrasto – casa com dois telhados inclinados a partir da cumeeira (parte
mais alta que divide os lances de telhados) um para frente, e outro para trás.
Casa de bagalô, ou chalé – casa com dois telhados, inclinados cada um para um
lado.
Casa de famia [família] – usada para definir o local onde uma emprega doméstica
trabalha, daí se diz que “ela trabaia numa casa di famía”.
Casa de mêa [meia] -água – casa de um telhado único, inclinado para um único
lado.
Casa de Noca, ou da Mãe Joana – casa sem uma autoridade, onde todo mundo
entra, mexe, manda, etc.
Casa de taipa – casa construída não em alvenaria (tijolos), mas com paus (uns
fincados e outros trançados) e revestidos com barro socado.
Casamento da raposa – diz-se de uma situação em que chove e faz sol ao mesmo
tempo.
Cascabui – abreviação de “cascabulho”, que é um terreno pedregoso, ruim para
lavouras (v. capoeira, descampado, piçarro).
Cascai – abreviação de “cascalho”, que significa pedregulho, farelo de pedras.
Casco – tem dois sentidos: 1. unha de animal de porte (jumento, boi, etc). 2. garrafa
ou vasilhame fazio.
Cascudo, ou cocorote, ou croque – bater em alguém com o ponho fechado,
friccionando os dedos sobre sua cabeça.
Cassaco – tem dois sentidos: 1. animal parecido com um esquilo, ou seja, que
conduz os filhotes em um saco na barriga (v. gambá). 2. trabalhador de função
elementar (v. peão de obra).
Catar - tem dois sentidos: 1. colher. Ex: “catar algodão”. 2. escolher, separar. Ex:
“catar feijão, ou arrôz”, ou seja, separar as impurezas antes de cozinhar.
Catabí - abreviação de “catabil”, que é uma trepidação (solavancos) provocada por
buracos ou desníveis na estrada.
Catatau – coisa grande, enorme, volumosa.
Cantingueira – árvore sertaneja própria de terreno pedregoso.
Catita – pequeno rato (rato-catita) ou camundongo .
Catôta, ou meleca – secreção nasal endurecida.
Catraia, ou marafaia, ou marafona, ou mulé da vida (ou de vida fácil, ou
estradeira, ou à toa, ou galinha), ou piranha, ou puta, ou rameira, ou
rapariga – mulher vadia, depravada, prostituta (v. cadela, dona, quenga, etc.).
Catrevagem – coisas velhas sem valor (v. bugiganga, treco).
Catucão, ou cutucão, ou futucão, ou prutucão – espetada violenta capaz de
provocar uma lesão.
Catucar, ou cutucar, ou futucar - tocar ou espetar levemente alguém com um
dedo, cotovelo, ou objeto pontiagudo, etc, como chamado ou sinal de advertência,
de alerta, etc.
Cavar – tem dois sentidos: 1. perfurar. 2. buscar, procurar. Ex: “o jogador cavou
um pênalte, mas o juiz num deu”.
Cavar a própria cova – procurar a sua própria desgraça.
Cavar a vida – lutar pela sobrevivência.
Cavaco – pontas ou restos de madeira.
Cavalo baixeiro – cavalo que foi adestrado para andar no passo macio, de forma
que quem está montado nele não sente trepidação.
Cavalo de bêbado – pessoa que a todo lugar que chega, para pra conversar,
semelhante ao cavalo do bêbado que para em todo bar.
Cavalo do cão – besouro parecido com um formigão preto que dá uma picada ou
ferroada muito dolorosa. (v. metido a cavalo do cão).
Causo – história engraçada, semelhante a uma piada, porém verídica.
Caxumba, ou papeira – inflamação das glândulas parótidas que incha os queixos
formando papadas (doença de bócio).
Ceará, ou jabá – carne de charque.
Cebolinha – cebola pequena nativa do Sertão, usada não só para temperar mas
também como remédio, como, por exemplo, em lambedor para tosse.
Cego - tem três sentidos: 1. sem visão. 2. sem fio, sem gume, não amolado. Ex:
“uma faca cega”. 3. ingênuo, inocente. Daí a expressão “tem pai que é cego”.
Cegueira – tem três sentidos: 1. sentido físico: falta da visão ocular. 2. sentido
figurado: não enxergar ou perceber o que está acontecendo ao seu redor. 3.
fixação por uma coisa (v. secura).
Ceica - corruptela de “cerca”, que é uma divisória feita de madeira e/ou arame para
prender animais.
Ceica [cerca] de faxina – cerca feita com varas finas trançadas (horizontalmente)
em estacas grossas verticais.
Ceica [cerca] de pau a pique – cerca feita de varas finas, ou paus grossos,
fincados verticalmente no chão.
Ceicado – corruptela de “cercado”, tem dois sentidos: 1. envolto, contornado (v.
arrodiado). 2. área cercada (por cercas) para prender animais (v. currá, manga,
reveso).
Ceivar [cervar] – engordar um animal para abate.
Celôra - abreviação de “celoura”, que é um cuecão, também chamada de “sambacanção”.
Cera - tem dois sentidos: 1. material cremoso feito pelas abelhas para comportar o
mel e os filhotes. 2. enrolar fazendo o tempo passar. Daí a expressão “Fulano tá
fazenno cera”.
Cesto – espécie de balaio de cipó, com asas para ser levado na mão.
Chã, ou chapada – planície.
Chá de burro – mungunzá ou manguzá (que no Sertão é salgado e temperado com
carne e orelha de porco).
Chá de goma – água com maizena usada como remédio para diarréia.
Chafurdo – coisa avacalhada, sem ordem, sem definição, safadeza.
Chaleira – tem dois sentidos: 1. vasilha de fazer café (v. bule, ou maimita). 2.
pessoa que quer agradar em demasia a outra pessoa (v. babão, baba-ovo).
Chamboqui, ou xamboqui – corruptelas de “sambaqui”, que é um pedaço que se
desprende de algo por acidente (v. tampo).
Chamichuga, ou sanguissuga – corruptelas de “sanguessuga”, tem dois sentidos: 1.
molusco de água doce que suga sangue humano. 2. pessoa que vive às custa de
outra.
Chamuscar, ou tostar – assar uma coisa só por fora, deixando o miolo cru (v.
sapecar)
Chapa – tem quadro sentidos: 1. lâmina de metal, madeira, plástico, etc. 2.
fotografia ou raio X, daí o matuto dizer que vai “bater uma chapa” (v. retrato). 3.
dentadura postiça (v. perereca). 4. amigo, companheiro. Ex: “Fulano é meu
chapa”
Chaquaiar [chacoalhar], ou saculejar – balançar, mexer muito.
Chato – tem três sentidos: 1. tipo de piolho ou carrapato achatado que procura os
pelos pubianos (v. mucuim). 2. plano, amassado. 3. pessoa irritante (v.
enchaicado).
Chegue! chegue! chegue!… – usada para chamar animais, por principalmente,
cabras.
Chêa [cheia] – tem dois sentidos: 1. lotada, completa, ocupada. 2. enchente em um
riacho ou rio.
Chêi [cheio] de dedo, ou encabulado – diz-se de uma pessoa envergonhada,
inibida, diante de uma situação inesperada.
Chêi [cheio] de mas, mas… – cheio de desculpas, indecisões.
Chêi [cheio] de nó pelas costa – pessoa complicada, difícil de se relacionar.
Chêi [cheio] de nove horas, ou de cavilação – diz-se de uma pessoa luxenta,
exigente, principalmente, com comida (o equivalente a cheio de frescura). (v.
biqueiro, luxento).
Chêi [cheio] de num-me-toque, ou de chove-num-moia [molha], ou de requifife
- pessoa requintada, melindrosa, cheia de frescura.
Cheiro-verde – coentro e cebolinha.
Chicote, ou rêi [relho] – tira de couro cru para amarrar ou surrar animais.
Chico – tem três sentidos: 1. apelido popular de Francisco. 2. nome de macaco
prego. 3. menstruação (v. tá de boi, ou de chico).
Chilepada - pancada, surra (v. burduada, lapada).
Chincada – indireta, passar na cara, resposta irônica.
Chincho - forma de madeira para fazer queijo de coalho.
Chinfrim – abreviação de “chinfrinho”, que é um coisa ridícula, insignificante,
pobre.
Chinica, ou titica – merda ou excremento de galinha.
Chiqueirar – separar. Muito usada no sentido de separar os bezerros das vacas à
tardinha, colocando-os num chiqueiro, para, no outro dia, tirar o leite das vacas
(v. enchiqueirar).
Chirre – ralo, fraco, sem consistência. Ex: “uma sopa chirre”
Chispe (ou rispe) daqui! – interjeição – “saia daqui!”. Daí a expressão “chispa
daqui menino!”.
Chita – um tipo ordinário de tecido de algodão, com estampa em cores fortes,
muito usado para cobrir colchão de palha ou fazer “vestido de matuta”.
Chocar – tem dois sentidos: 1. aquecer o ovo para gerar o filhote. 2. escandalizar,
causar espanto ou revolta em alguém.
Chocha-bunda – feijão de corda ou macassa (v. fejão).
Chocho – magro, encolhido, pequeno (v. franzino).
Chola – nome de cachorra vira-lata de pobre.
Chorar a morte da bezerra – lastimar-se de um fato irremediável.
Chorar miséria – fazer-se de pobre sem ser.
Choriso, ou chorisco – corruptela de “chouriço”, que é um doce de sangue de
porco e farinha de mandioca, condimentado com farinha de castanha e amendoim,
erva-doce, etc.
Choto – corruptela de “chouto”, que é o andar apressado de um cavalo, burro, etc.
Choviscar, ou lebrinar, ou serenar – chover fino (v. sereno).
Chucai – abreviação de “chocalho”, que é uma sineta que se pendura no pescoço
de um animal para que se saiba onde ele está.
Chucaiar – abreviação de “chocalhar”, que significa balançar fazendo barulho
semelhante a um chocalho.
Chulear - coser provisoriamente à mão (com agulha), em pontos esparços, um
tecido para depois vir com a costura definitiva na máquina.
Chupeta, ou consolo – borracha em formas de peito para acalentar crianças (v.
bico).
Churamingar [choramingar], ou resmungar, ou se lastimar [lastimar-se] -
murmurar, chorar baixinho, reclamar ou lamentar-se da vida.
Cia – abreviação de “cilha”, que é uma correia larga de couro que prende ou amarra
a sela e/ou cangalha pela barriga do animal.
Ciar, ou cêar – abreviação de “ceiar”, que quer dizer jantar.
Cião – sela grande própria para mulher andar a cavalo, em que se anda com os pés
só para um lado ou de lado (ou seja, para a mulher não andar com as pernas
abertas, dando lance). (v. lance).
Cibito – um dos menores pássaros sertanejos, tão pequeno quanto um beija-flor, daí
a expressão de comparação “Fulano é magro que só um cibito”.
Ciço – abreviação ou apelido popular de Cícero. Ex: Padim [padrinho] Ciço.
Cidade de pés junto – cemitério.
Cigarro de paia [palha], ou pé de burro, ou pacaia [pacalha] - cigarro (ou
charuto) de “fumo-de-rolo” fabricado artesanalmente no Sertão, envolto em
palha de milho seca (v. fumo-de-rolo)..
Cipó – galho fino e flexível de árvore, principalmente, de arbusto rasteiro. Muito
usado para fazer cestos e, no passado, para dar surra em meninos.
Cipó de boi – pênis de boi (seco) usado para surrar alguém.
Cipoada – surra com um cipó (v. lapada).
Cingir – corruptela de “cerzir”, que significa colocar um tecido novo por baixo de
um já velho e passar uma costura várias vezes no mesmo local para reforçar o
tecido velho que está “se poindo” ou “esgarçando”, ou seja se rasgando de fraco
(v. esgarçar, ou se poir).
Cismar – tem dois sentidos: 1. desconfiar. 2. encrencar, indispor-se, daí nasce a
expressão “cirmar das aprecata”.
Ciscar – tem dois sentidos: 1. ato de espalhar ou separar coisas com os pés,
próprio das aves, por exemplo, as galinhas, que ciscam o chão para catar
alimentos. 3. usada para indicar uma criança que está teimando em querer uma
coisa a ponto de se deitar no chão e ficar esperneando (v. amuado…).
Cisco – tem dois sentidos: 1. pequeno fragmento que entra no olho. 2. sujeira em
forma de pequenos fragmentos.
Coar - passar água ou outro líquido em um pano para extrair as impurezas.
Cobra criada – pessoa experiente, vivida.
Cobra-de-cipó – cobra que recebe este nome por ter uma cor cinzenta a ponto de
se confundir com um cipó.
Cobreiro – doença transmitida pelo germe do cachorro que, quando se manifesta
externamente, provoca erupções na pele e, quando internamente, comichões no
corpo.
Côca, Colinha, Socorrinha, Coquinha – apelido do nome próprio Socorro.
Cocão – peças que ficam dos dois lados de uma mesa de carro de boi, nas quais
gira o eixo.
Cocho – tem dois sentidos: 1. – vasilha comprida de madeira ou cimento, em forma
de gamela, usada para colocar ração para animais, especialmente porcos. 2.
manco.
Cocó – penteado de mulher em que se coloca todo o cabelo enrolado e preso no
alto da cabeça.
Coco-catolé – coco pequeno, parecido com o fruto da palmeira.
Coco velado – coco sem água, tão velho a ponto de soltar a amêndoa do quengo.
Muito usada para extrair o óleo ou azeite.
Coice – tem dois sentidos: 1. patada de um animal. 2. dar ou levar um fora.
Coidado – corruptela de “cuidado”.
Coipo [corpo] fechado – pessoa que acredita ser imune de desgraças, como crimes,
picada
Coisar – popularmente, substitui qualquer verbo, quando o falante esquece ou não
sabe o verbo correto a ser empregado.
Coisas do aico [arco] -da-véa [velha] – coisas absurdas, surpreendente, quase
impossíveis de acontecer.
Coisa-fêa [feia] – gesto obsceno, ou ato sexual (v. dizer (ou fazer) coisa-fêa).
Coisa-feita, ou catimbó, ou dispacho, ou macumba – feitiçaria, bruxaria,
trabalhos feitos no Candomblé.
Coisa e tá [tal] – expressão que significa “e outros”, “etc”.
Coivara – fogueira de vegetação rela cortada e amontoada para limpar o terreno
para o plantio (v. encoivarar).
Colar de cachorro – colar de rodelas de sabugo de milho que se coloca no pescoço
do cachorro para ele não pegar pulga.
Colcha de retai [retalho] – tem dois sentidos: 1. lençol feito de pedaços de pano
ou tecidos. 2. trabalho em pedaços ou feito aos pedaços.
Colchão de paia [palha] – colchão feito de palha (de bananeira, cana ou capim),
coberto com tecido de chita.
Cô [com] licença da palavra – pedido de licença ou desculpa antes de dizer um
palavrão (pornografia).
Combinação – roupa íntima feminina (um tipo de camisola), usada para dar
volume ou encobrir o corpo em casa de roupa transparente.
Combôi – abreviação de “combaio”, tem dois sentidos: 1. agrupamento de
determinado meio de transporte, por exemplo: de carro, de animais, etc. 2.
agrupamento de pessoas, geralmente, ruins. Ex: “comboi [comboio] de caba
[cabra] safado”.
Come quieto – pessoa que faz as coisas discretamente, principalmente, que tem
uma amante às escondidas.
Come que só uma geringonça, ou o esmeril da França, ou um cavalo, ou um
padre – expressões usadas para indicar alguém que come demais ou um pouco
além da conta.
Compostura – usada para designar uma pessoa correta, bem vestida, educada, ou
seja, uma pessoa que tem compostura (v. decente).
Comprar briga – meter-se em briga dos outros.
Comprar (ou vender) animá [animal] pru [por] cabeça, ou inteiro, ou em pé -
comprar (ou vender) animais (caprino, suínos, ouvinos, etc) por unidade, vivos.
Concertina, ou harmônica, ou sanfona – acordeom grande, com muitos baixos,
diferente do fole, que é um acordeon pequeno, de apenas oito baixos (v. fole de
oito baixo).
Confeito - tem dois sentidos: 1. cobertura de bolo. 2. bombom (v. bala).
Conga – tem dois sentidos: 1. aluguel pelo uso da casa de farinha, engenho de
rapadura, etc, pago com uma parte da produção. 2. um tipo de tênis bem simples.
Congestão - má digestão alimentar.
Conhece Deus e o mundo – diz-se de uma pessoa bem relacionada, viajada.
Constipação – resfriado, início de gripe (v. defruce).
Consumição - aperreio, agonia, ansiedade, aperreio de vida.
Contar cum (com o) ovo no cu da galinha – contar com o incerto.
Conversa à boca miúda, ou pru [por] debaixo dos pano – conversa na sudirna,
em segredo (v. fofoca, fuxico).
Conversa miúda, ou mole – conversa sem sentido..
Conversar aritica, ou arezia, ou miolo de pote, ou água – falar bobagem.
Conversa pra boi drumir [dormir], ou fiada – mentira, conversa a que ninguém
dá crédito.
Corar saúde – melhorar, sarar.
Cordão de enfieira – cordão que se enfia em peixes (ou outros produtos),
formando uma fileira (enfieira), para expor ao sol para secar.
Cor de bonina – roxo.
Coré – porco.
Coroa-de-frade – um cacto em forma de flor, nativo do Sertão.
Coroca – lagartixa grande e velha.
Côro [couro] cru – couro em estado natural, sem ser curtido ou tratado.
Coronha – tem dois sentidos: 1. cabo de arma de fogo: espingarda, revólver, etc. 2.
calça comprida curta, ou seja, indo só até o meio da canela (v. calça mêa-
coronha, ou pegando mareco).
Coroné [coronel], ou manda-chuva, ou todo-poderoso – homem de grande poder
político e econômico, patrão, chefe.
Cordorniz - ave nativa do Sertão muito procurada pelos caçadores.
Corisco – suposta pedra que cai por ocasião de um grande relâmpago.
Correr as légua de – fugir ou esquivar-se de um trabalho, tarefa ou compromisso
Correr cá [com a] sela, ou do pau, ou da raia – desistir, acovardar-se.
Corredor – tem dois sentidos: 1. caminho ou passagem estreita entre dois cercados,
currais, paredes, etc. 2. osso buco, muito usado para fazer pirão.
Correição - caminho ou trajeto de formigas entre o formigueiro e a roça à procura
de alimentos (v. carreiro).
Correr os bãe [banhos] – proclamas de casamento.
Correr os zói [olhos], ou passar uma vista (ou um rabim de ôi [olho]) – observar
rapidamente.
Corrimento – secreção vaginal.
Corrimboque, ou tabaqueiro – pequeno vasilhame, geralmente feito de chifre de
boi, para o transporte de rapé.
Corta-jaca – pessoa que gosta de arranjar namoro para os outros (v. alcoviteira).
Corte de tecido, ou de costura – uma medida de tecido suficiente para
confeccionar uma roupa (v. quarta, quarto, retai).
Cortiço – tem dois sentidos: 1. aglomerado de pequenas casas de pobres (v.
mucambo, quixó). 2. casa ou colmeia feita artificialmente pelo homem (de
madeira ou juntando duas telhas) para abrigar abelhas, geralmente nativas e sem
ferrão, e que são colocadas perto de casa.
Cosca – abreviação de “cócega”.
Costá [costal] de rapadura – fardo ou grande pacote com 50 rapaduras enroladas
ou embrulhadas com palha de cana.
Costurar para fora – tem dois sentidos: 1. trabalhar como costureira. 2. trair o
marido.
Cotó – sem rabo.
Cotôco – ponta ou resto de algo, principalmente de madeira, mas que pode ser
usada para designar pessoas pequenas, daí ser comum a expressão “um cotoquim
de gente”.
Cova – abertura no solo para plantio de semente, sepultar animais e/ou defuntos,
fazer carvão, etc. (v. barroca, buraco).
Coxim – forro macio para sela de animais.
Coxo – manco, perneta.
Cozido – carne verde cozinhada com água e temperos.
Cozimento – tem dois sentidos: 1. ato de cozinhar. 2. remédio caseiro feito
cozendo-se cascas de paus (angico, aroeira, caju roxo, etc). Usado no tratamento
de inflamações, doenças ginecológicas, etc. (v. bãe de assento).
Creca - casca de ferida, principalmente, na cabeça.
Crente - nome dado a todo e qualquer protestante ou evangélico (v. bode).
Creu – coisa difícil, complicada. Ex: “coisa deficio do creu” ou “agora deu o creu”
Criação – criatório de caprino e ovinos (v. carne de criação).
Cria da casa – diz-se de um animal que criado em casa desde que nasceu, ou seja,
que não foi adquirido depois.
Criar de mêa [meia] – criar em sociedade, ou melhor, cuidar de um animal de
outra pessoa para depois repartir para os dois. (v. trabaiar de mêa).
Criado a mingua – criado na miséria, passando fome, etc.
Criatura – pessoa indeterminada.
Criatura de Deus! – expressão de tratamento.
Cri-cri – pessoa pegajosa, insistente, daí se dizer que alguém é um “cri-cri”.
Crina – cabelos ou pelos longos do pescoço do cavalo.
Cristaleira, ou guarda-louça, ou pitisqueiro – móvel de madeira, em forma de
estante, geralmente portas da frente e/ou laterais em vidro, usado para colocar as
louças e cristais: copos, pratos, tigelas, etc. (v. pratileira).
Cristé - um tipo de remédio caseiro (garrafada) usado para dar lavagem nos
animais, introduzindo o remédio pelo ânus (v. garrafada, puigante).
Cromo – calendário em poucas folhas, ao contrário do “Coração de Jesus”, que é
um calendário tradicional com uma “folhinha” para cada dia do ano.
Crueira – resto da massa da mandioca que não passa na peneira, que depois é
reaproveitada para outros fins, especialmente, ração de animais (v. manipueira).
Cruzar – tem dois sentidos: 1. atravessar. Ex: “cruzar a estrada”. 2. ato sexual dos
animais com vista à reprodução.
Cruz-credo! – interjeição de admiração, espanto, horror, aversão.
Cruzeta – tem dois sentidos: 1. pessoa ruim, difícil de se lidar. 2. peça de caminhão.
Cuai - abreviação de “coalho”, que uma pelanca do estomago de uma animal
roedor (especialmente coelho ou preá) que se coloca dentro do leite para cortar
ou azedar (cuaiar).
Cuaiada – abreviação de “coalhada”, tem dois sentidos: 1. massa que resulta do
leite posto para coalhar, que pode ser usada tanto para comer com açúcar, como
ser escorrida e prensada para fazer queijo de coalho. 2. repleto.
Cubar – tem dois sentidos: 1. calcular, medir. 2. observar.
Cuche, cuche, cuche… – comando para chamar porco.
Cucuruta [cocuruta], tem dois sentidos: 1. crista-de-galo. 2. o ponto mais alto de
uma árvore, de uma serra, da cabeça (v. moleira).
Cu de calango - corte ou talho nas juntas dos dedos, pela parte de dentro da mão,
que demora a sarar por conta do movimento de abrir e fechar da mão. Daí nasce a
expressão “atravessado feito cu de calango”.
Cu do mundo – cidade pequena, pobre, ruim, feia, etc.
Cueiro - fralda (não descartável) em tecido macio para recém-nascido.
Cuia – tem dois sentidos: 1. vasilha feita com uma banda de um cabaço seco
partido ao meio. (v. cabaço). 2. antiga medida usada para medir cereais: feijão,
farinha, milho, etc. Uma cuia equivale a 10 litros (v. braça, etc).
Cuié, ou culé – abreviação de “colher”.
Cuma – corruptela de “como”.
Cum [com] a bola virada, ou doido barrido [varrido] – totalmente louco.
Cuma [como] Deus criou batata – de qualquer jeito, à toa.
Cum [com o] adiantar da hora – estar ou ficar tarde.
Cumade [comadre] – tem dois sentidos: 1. madrinha de batismo de um filho(a). 2.
parteira, que passa a ser comadre de todas as mulheres que ajuda no parto e,
consequentemente, madrinha dos filhos(as).
Cum’a [com uma] mão na frente, outra atrás – sem ter nada na vida, pobre.
Cum [com] a mosca (ou a puiga [pulga]) detrás da urêa (ou zurêa) [orelha] -
desconfiado, atento.
Cum [com] a vista curta, ou empastada, ou encadeada, ou maretano
[maretando] – vista ofuscada, embassada, turva.
Cumbuca [combuca] – pequena cuia ou banda de um cabaço (ou outro material)
usada para apanhar água de uma cacimba, açude, etc, para uma vasilha maior,
como, por exemplo, uma lata, tonel, etc. (v. apanhar).
Cum [com o] bucho inchado, ou empachado, ou empedido, ou enturido – com
prisão de ventre.
Cum [com o] cão no côro [couro] – endiabrado, feroz, enraivecido.
Cumeeira – parte mais alta de um telhado que divide as águas.
Cumê [comer] corda – amostrar-se, exibir-se .
Cumê [comer] da banda podre – sofrer, penar.
Cumê [comer] pão cum [com] banha – transar com uma mulher que acabou de
transar com outro homem e nem se lavou.
Cumê [comer] o pão que o diabo amassou – sofrer, penar.
Cumé qu’é? – abreviada de “como é que é?”
Cumê (ou ofender) uma moça – desvirginar uma donzela (v. bulir, descabaçar).
Cumida [comida] carregada, ou reimosa, ou que ofende – comida muito
gordurosa, imprópria ou que “ofende” (faz mal) a quem está de dieta médica,
como, por exemplo, “crustáceos, carneiro, peru, etc. (v. reimoso).
Cumida [comida] de panela – comida que tem sustância, que enche barriga, ao
contrário de “brebote”, que é comida só para enganar a barriga.
Cumida [comida] passada, ou sentida, ou ardida – comida fora da validade,
estragada, azeda, podre, etc.
Cumpade [compadre] – padrinho de batismo, casamento, etc.
Cum [com o] pé atrás – desconfiado, com cuidado, etc.
Cum’pôco [com’pouco] – expressão que denota suposição, dúvida, etc. Ex:
“cum’pouco eu vou chegar primeiro que…” (v. mais cum’pôco).
Cumprissai – corruptela de “cumprissaio”, que significa uma coisa sem fim. Ex:
“uma conversa muito longa”.
Cum [com o] rabo entre as perna – humilhado, derrotado.
Cum [com o] suor do rosto – com o próprio esforço.
Cum’s [com os] nêivo (ou nêuvo) [nervos] à frô [flor] da pele – diz-se de uma
pessoa que estressada, que se irrita com facilidade.
Cum’s [com os] zoi [olhos] negrejano [negrejando] – com os olhos lacrimejando.
Cunha do mermo [mesmo] pau, ou farinha do mermo [mesmo] saco, ou ser da
merma [mesma] laia – expressões para dizer que duas pessoas são da mesma
qualidade, mesma estirpe.
Cupira - tem dois sentidos: 1. pequena abelha que costuma fazer sua casa num
cupim abandonado. 2. buraco no fundo de uma calça.
Curejar, ou gurejar – observar com desejo ou ambição.
Curar no rastro – crença de que rezando-se no rastro de um animal pode-se curálo
de certos males como, bicheira, carrapato, verme, etc.
Currá – abreviação de “curral”, que é um cercado de madeira, pedra, arame, etc,
para criatório de bois, cabras, ovelhas, etc. (v. ceicado, manga, reveso).
Currulepe - golpe dado na orelha, por trás, com dois dedos (v. peteleco).
Curto e grosso – pessoa objetiva demais, estúpida, ignorante.
Curto que só lençó [lençol] de poico [porco], ou coice de preá – diz-se de uma
coisa pequena demais.
Curtume – local onde se beneficia (curtir) o couro para comercialização.
Cururu - tem dois sentidos: 1. sapo-cururu. 2. carro velho (v. cafuringa, fubica).
Cururu de pé de pote – diz-se de uma pessoa teimosa.
Cuscuz, ou pão-de-mi [milho] – iguaria feita com flocos de milho cozida ao vapor.
Cush! cush! cush!… – expressão para chamar porco.
Cuspino [cuspindo] bala – com a garganta seca, com sede.
Cuspir no prato que cumeu [comeu] – ser mal agradecido.
Custar uma ninharia, ou uma mereça, ou uma mixaria – custar pouco dinheiro.
Custar os zoi [olhos] da cara, ou tá pela hora da morte – custar ou estar muito
caro.