Link Dicionário de Matutês DE A a Z

MARCOS NUNES COSTA
DICIONÁRIO DE MATUTÊS

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RECIFE/2011

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Capa: Xilogravura de Rosilda Silva Ferreira
Revisão ortográfica: Fernando Castim
Diagramação: Gildson Alves
Impressão: FASA GRÁFICA
Ficha Catalográfica
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COSTA, Marcos Nunes. Dicionário de matutês. Marcos Nunes Costa.
Recife: Fundação Antônio dos Santos Abranches, 2011.
148 p.
ISBN 978.85.7084.217-6
1. Palavras matutas. 2. Expressões matutas. 3. Ditados matutos. I.
Título.
CDU 389 (81)(03)
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Sugestões de palavras e/ou significados novos enviar para:
marcosnunescosta@hotmail.com
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PREFÁCIO

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A língua portuguesa começou a formar-se a partir do século XII, com a independência de Portugal. De lá para cá, como toda língua viva, ela não cessa de evoluir. Exemplificando: na boca do povo, a língua portuguesa não é um objeto estático, parado, que percorre séculos com as mesmaspalavras, fonemas e construções sintáticas. A língua – todas as línguas – são dinâmicas, isto é, o povo que a fala, sabe quando certas palavras devem ser esquecidas, ou substituídas; sabe quando se precisa recorrer a palavras estrangeiras e adaptá-las para o português. E é esse vai-e-vem que permitiu
aos estudiosos tentar explicar o que, tecnicamente, se chama “variante”, ou também “dialeto”. As “variantes” são formas diferentes de falar de uma mesma língua sem que por isso ela deixe de ser compreendida. Para exemplificarmos com bem clareza: o jeito de falar da cidade é diferente daquele falado na zona rural, no interior, nas cidades mais distantes do litoral.

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Há uma ciência moderna – a Sociolinguística – que veio abrir
novos caminhos para exemplificar essas diferenças de que falamos. Como? A língua é um fenômeno social e cultural, com relações muito complexas, ou seja, a sociedade influencia a língua e a língua altera padrões sociais. Alíngua é um instrumento marcador de classes sociais.

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Não vemos sentido, portanto, em dizer que “o matuto”, o homem do interior, fala errado. Não. Ele fala tão bem quanto nós da cidade ou das cidades grandes. Daí os gênios da literatura verem tais diferenças sob três aspectos: (1) diferenças no espaço geográfico (falares locais, variantes regionais); (2) diferenças entre as camadas socioculturais (nível cultural, nível popular); e (3) diferenças entre os tipos de modalidades expressivas (língua falada, língua escrita, língua dos poetas e escritores etc.).
No livro do Prof. Dr. Marcos Nunes Costa, vocês encontrarão
essas chamadas “variantes” ou “dialetos”, com a devida tradução. Porquanto, já que não podemos ir à origem de todas as palavras, contentamo-nos com algumas:
1. uma queda (despalatização) ocorre com o “lh”. Ex: atalhar = ataiar, mulher = mulé ou muié, trabalhar = trabaiar.
2. o mesmo “lh”, além de cair (despalatização), pode também
provocar uma apócope (ensurdecimento) da sílaba final. Ex:
filho = fi; milho = mi.
3. o sufixo “inho” passa a “im” (lei do menor esforço e também uma forma carinhosa ou afetiva de tratar pessoas e coisas). Ex: bonitinho = bonitim; Luizinho = Luizim; padrinho = padim. Seria cansativo e impossível explicar todos os fenômenos
presentes na obra do Dr. Marcos. A língua, como dissemos, está constantemente em mutação em todos os seus níveis: fonológico, morfológico, sintático-semântico. Todas as modificações correspondem a sistemas e subsistemas adequados às necessidades dos seus usuários.
Chamamos a atenção, também, para uma variante chamada
“língua padrão” ou “língua culta”. É aquela que se aprende na escola, é o dialeto de prestígio, e atua sempre como modelo do ideal linguístico de uma sociedade. Daí o uso obrigatório para fins burocráticos, administrativos, educacionais, científicos etc. dessa variante padrão, que, como afirma Celso
Cunha, “exerce sua ação coercitiva sobre outras variedades, transformando-se numa considerável força contra a variação”.

Ainda o mesmo autor: “… ao lado da força centrífuga da inovação, existe a força centrípeta da conservação”. Guardemos, pois, uma frase muito conhecida entre os estudiosos da língua: “o matuto não fala errado, fala
diferente”.

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Prof. Fernando Castim
Professor do Curso de Letras – UNICAP

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A

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Ababacado, ou abestaiado [abestalhado], ou abobaiado [abobalhado], ou
alesado, ou aluado, ou arigó, ou aruá, ou atabacado, ou babaca, ou besta, ou
leso, ou palerma, ou paruara, ou paspaião [paspalhão], ou tonto, ou Zé-bocó,
ou Zé Mané
– idiota, tolo, retardado, etc. (v. abilolado)
Abaixar o cangote, ou a cabeça – humilhar-se, submeter-se.

Abanador – leque de palha para abanar o fogo de lenha ou carvão.
Abastar [desbastar], ou decotar – diminuir ou cortar uma parte, daí é comum se
dizer: “amanhã vou abastar um pouco o cabelo” (v. aparar, ripar).
Abasta – corruptela de “basta”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes.
Ex: “abasta uma lata-d’água pra encher o pote”.
Abastado, ou arricursado, ou arrimidiado, ou estribado – diz-se de uma pessoa
que tem certas posses, riqueza ou recurso financeiro.A bem da verdade, ou a bem dizer – na verdade, na realidade.
Abilolado, ou fraco do juízo – que apresenta sinais de deficiência mental.
Abiudo – corruptela de “abelhudo”, que significa uma pessoa curiosa, indiscreta,
astuta, metida etc.
Aboiar - tem dois sentidos: 1. fazer aboio de gado, que é um tipo de poesia
cantada de improviso pelos vaqueiros. 2. corruptela de “boiar”, que o matuto
costuma acrescer a letra “a” antes, significando flutuar na água.
Aboiano [boiando] qui-nem [igual a] bosta n’água – sem rumo, sem direção.
Abofado, ou abufelado, ou afobado, ou cavalo-batizado – diz-se de uma pessoa
abusada, estúpida, ignorante.
Abrejar – alagar, inundar.
Abotoar (ou fechar) o paletó, ou bater a biela (ou as botas, ou o motor, ou a
caçoleta), ou passar dessa pra mió [melhor], ou virar a cambota
- morrer,
falece.
Abusar – tem dois sentidos: 1. irritar, perturbar. 2. aproveitar-se sexualmente de
alguém. Ex: “Fulano abusou da fia [filha] de Sicrano” (v. bulir.., descabaçar).
Acabrunhado – tímido, envergonhado, desconfiado, acanhado.
Acanaiado [acanalhado], ou amundiçado, ou sem estilo – diz-se de uma pessoa
sem educação, sem etiqueta social.
A cara d’um, a bunda d’outro – diz-se de duas pessoas muito parecidas, quase
idênticas (v. é cagado e cuspido).
Acentar - tem dois sentidos: 1. decantar. Ex: “o pó do café acentou no fundo da
chaleira”. 2. combinar, ter tudo a ver. Ex: “essa roupa acenta muito bem no teu
coipo [corpo]”.
Aceiro – limpa que se faz entre dois roçados, afastando um do outro, para, na hora
da queima, não passar o fogo.
À céu aberto, ou ao relento – ao ar livre, sem proteção, exposto aos efeitos do
tempo.
Achar graça – achar engraçado, rir ou sorrir de algo engraçado.
Achar pôco [pouco] – zombar, menosprezar algo ou alguém.
Achar (ou ter) um pé – achar, ou ter, um motivo, pretexto, etc.
Acocorado, ou de coca – de cócoras, agachado, abaixado.
Acochado, ou arrochado – tem dois sentidos: 1. justo (v. apertado). 2. diz-se de
uma pessoa valente, destemida.
Acoitar - dar abrigo, dar guarida, acobertar uma coisa ou pessoa ruim.
Acoloiar-se, ou tá de colôi [coloio], ou de combinação – estar em comum acordo
com alguém, geralmente para fazer o mal.
Acordar cá [com a] baiguia [braguilha] pra trás, ou cá [com a] pá virada, ou
cum’s [com os] zovo [ovos] virado
– amanhecer irritado, abusado (v. arretado,
infezado).
Acordar morto – morrer de morte súbita durante o sono, daí se diz que “quano
[quando] acordou tava morto” (v. nascer morto).
Acuar - encurralar, cercar. Muito usada para indicar a ação de um cachorro que
cerca uma caça até que o caçador apareça para matá-la.
Açucarar – cristalizar. Ex: “o mé [mel] açucarou”.
Aculá, ou lá-culá – apontar algo distante da pessoa que fala.
A cuma [como] é? – usada para perguntar o preço de uma mercadoria, ou seja,
“quanto custa…?” ou “quanto é…?”
A Deus querer – expressão equivalente a “se Deus quiser”.
Adeus viola!, ou agora Inez é morta!, ou é caixão e vela preta! ou foi pru [para
o] beleléu, ou a vaca foi pru [para o] brejo
– tudo encerrado, acabou-se, não
tem mais jeito.
Adiscuipar – corruptela de “desculpar”.
Adispois – corruptela de “depois”.
Adjunto - conjunto de pessoas trabalhando em mutirão.
Adonde – abreviação de “aonde”.
Adular, ou chaleriar – bajular.
Afe!, ou afe Maria! – expressão de espanto ou admiração equivalente a “Virgem!”
ou “Virgem Maria!” (v. Ixe, ou Vige! (ou Vixe!) ou Vige Maria! (ou Vixe
Maria!).
Afiado – tem três sentidos: 1. abreviação de “afilhado”. 2. amolado – cortante. 3.
pessoa preparada em determinado assunto, daí dizer-se que “tá mais afiado que
faca de maloqueiro”.
Afogar o ganso, ou dar uma bimbada, ou uma tacadinha, ou furar o côro
[couro]
– transar (dito pelo homem) (v, foder, etc.).
Afoito – corajoso, destemido, sem precaução.
Afolozar – folgar demais, relaxar.
Afreventar – corruptela de “aferventar”, que é receber uma breve fervura .
Afuturar – aventurar, arriscar, acreditar.

Agarrado, ou amarrado, ou canginha, ou mão-de-vaca, ou mão-fechada, ou
muquirana, ou pão-duro, ou pirangueiro, ou seguro, ou suvino, ou tacanha,
ou unha-de-fome – pessoa avarenta, que faz conta de tudo.
Agarrar (ou pegar) no sono – adormecer.
Ageró - abreviação de “agerol”, que são telhas coladas nas laterais de uma parede
mais alta.
Agonia, ou chililique, ou faniquito, ou macacoa, ou passamento, ou piripaque
– mal-estar, vertigem, desmaio.

Agora deu!, ou agora ponto! – expressão de espanto, indignação ou revolta,
equivalente a “era só o que faltava!”
Agorinha – agora mesmo, neste instante (v. indagorinha).
Agregado – tem dois sentidos: 1. unido, junto, acoplado. 2. diz-se de uma pessoa
que vive e/ou trabalha nas terras de outra.
Aguar – irrigar, regar, umedecer (v. barrufar).
Aguado – com pouca açúcar. Ex: “o café tá aguado”.
Aguentar o rojão, ou o tranco, ou o repuxe – suportar trabalho pesado ou tarefa
difícil.
Aguidar - corruptela de “alguidar”, que é um vaso (travessa) de barro parecido
com uma gamela (v. tirina).
Ai - abreviação “alho”. Ex: “um dentim [dentinho] de ai”.

– tem dois sentidos: 1. local, lugar. Ex: “bote o copo aí”. 2. diz-se muito em
começo de qualquer história, sem nenhum sentido, apenas como termo fático,
isto é, para iniciar ou prolongar a comunicação. Ex: “aí, apareceu um hôme
[homem]…”.
Aí dento [dentro] – diz-se em resposta a uma ofensa, equivalente a “vá tumar no
cu”.
Aí é onde a poica [porca] troce [torce] o rabo – diz-se diante ou início de um
ponto de difícil solução.

 

Aiguero – corruptela de “argueiro”, que é um cisco no olho.
Aiií! – comando para frear jumento, cavalo ou burro.
Aima [alma] penada – suposta alma que anda pela terra, sofrendo, sem poder ir
para o céu (v. malassombro).
Aí varêa – expressão para dizer “aí temos várias opiniões”.
Aivo - corruptela de “alvo”, que significa branco, ou claro.
Alarido, ou auê – barulho, gritaria.
Alastrado - cacto semelhande ao xiquexique.
Alcoviteira - pessoa que acoberta namoro, principalmente, proibidos (v. corta-jaca)
Além de queda, coice – uma desgraça seguida de outra.
Alfenim – um dos produtos derivados da cana-de-açúcar, feito com o mel bem
grosso, o qual é puxado até ficar branco.
Alforje, ou bisaco – pequeno saco, com alça longa para pendurá-lo no ombro (v.
sêi).
Algibeira – bolso pelo lado de dentro do vestuário, para portar dinheiro.
Alicerce, ou sapata – fundação para construção de uma casa.
Alinhado, ou nos trinque – elegante,  bem vestido.

Almocreve, ou tropeiro – pessoa que vive de transportar mercadorias de outras
pessoas em jumento, cavalo, burro.
Alpendre - terraço em qualquer um dos lados da casa.
Alumiar - iluminar, clarear, focar uma luz sobre algo.
À luz do dia – em plena luz do dia. Diz-se quando uma pessoa faz algo ruim às
claras, sem escrúpulos, escancaradamente.
Amaigura [amargura] abasta [basta] a vida – dito por alguém que tem uma vida
sofrida, após provar algo amargo (comida ou bebida).
Amancebado, ou amasiado, ou amigado, ou junto – que vive maritalmente com
alguém sem ser casado.
Amarrar o bode – tem dois sentidos: 1. emperrar, enguiçar. 2. ficar de mau humor,
de cara feia (v. amuado…).
Amarrotado, ou amassado, ou encricriado [encricrilado], ou engiado
[engelhado]
– enrugado, encrespado.
Amasso, ou chambrego, ou xumbrego – namoro muito afetado ou íntimo demais
(v. sarro).
Amastarde - abreviação de “mais tarde” (v. mais cum’pôco).
Ami-lembrar – corruptela de “lembrar-me”
Amojada, ou penha – grávida. Usada mais para animais.
Amolar – tem dois sentidos: 1. afiar uma ferramenta. 2. incomodar (v. aperrear,
atentar).
Amontar - corruptela de “montar”, que o matuto acrescenta um “a” antes, no
sentido de subir no lombo de um animal (cavalo, burro, jumento) (v. atrepar).
Amontar [montar] em osso – montar em animal sem sela.
Amorrinhado – indisposto, tristonho, depressivo (v. morrinha).
Amuderar - corruptela de “moderar”, que o matuto coloca um “a” antes, quer
dizer ter calma, ir devagar.

Amuado, embirrado, emburrado – aborrecido, acuado, fechado por está com
raiva, sem querer acudo algum (v. ciscar).

Anagua - saia fina que as mulheres usavam por baixo do vestido (ou da saia de
fora), para dar mais volume e/ou reforçar ou evitar transparência..

Ancho, ou contente – feliz, alegre, satisfeito.
Andar ataiano [atalhando] (ou ceicano [cercando]) frango, ou baleado, ou
bicado, ou calibrado, ou chêi [cheio] de mé [mel](ou dos paus, ou dos
quequéus), ou chumbado, ou grogue, ou no aço, ou puxano [puxando] fogo
-
embriagado, bêbado.
Andaço, ou caganeira, ou chicotim [chicotinho], ou desarranjo, ou dor de
barriga, ou piriri
– diarreia.
Andar em osso, ou desconforme, ou desprevenido – andar sem roupa íntima -
calcinha ou cueca. Quando alguém é pego de surpresa sem roupa íntima, daí dizse
que está “em osso”, ou “desconforme” ou “desprevenido”.
Angu de caroço – coisa complicada, confusa.
Animá – tem dois sentidos: 1. abreviação de “animal” – para designar todo e
qualquer animal, mais especificamente o animal de montaria (cavalo, burro e
jumento). Ex: “vou selar meu animá [animal]”. 2. diz-se de uma pessoa bruta,
ignorante, estúpida.
Animado que só pinto em beira de ceica [cerca], ou mosquito em cu de
cachorro
– diz-se de uma pessoa animada ou contente igual a um pinto comendo
merda, na beira de uma cerca, que é o lugar que o matuto costuma cagar ou,
igualmente, a um mosquito comendo merda no cu do cachorro.
Animá [animal] inteiro - animal adulto que não foi castrado.
Anjim, ou anjinho – tem dois sentidos: 1. pequeno anjo. 2. criança recém-nascida
que morreu sem ser batizada (v. pagão).
Ano qu’entra, ou ano que vem, ou paruano [para o ano] – no próximo ano, ou
ou daqui a um ano (podendo ser dito com semana, mês).
Antonte, ou ontonte – contração de “antes de ontem”.Ano trasado, ou passado – ano que se passou (podendo ser dito com semana, mês).
Ao pingo do mêi [meio] -dia – ao meio-dia em ponto.

Apalavrar – empenhar ou dá a palavra como garantia.
Apapagaiado – uma coisa exagerada, muito enfeitada (v. empiriquitado).

Aparar – tem dois sentidos: 1. colher, segurar. Ex: “aparar água da biqueira”. 2.
diminuir, cortar uma parte. Ex: “aparar as zunha [unhas]” (v. abastar, ripar).
Aparêi [aparelho], ou latrina – vaso sanitário.
Apartar – tem dois sentidos: 1. separar. Ex: “apartar uma briga” (v. desapartar). 2.
indica o momento da desmama dos animais. Ex: “apartar o bezerro da vaca” (v.
desmamar).
Apear – desmontar ou descer de um animal.
Apertado – tem três sentidos: 1. justo (v. acochado). 2. diz-se de uma pessoa que
está necessidade de fazer cocô. 3. endividado.
Aperrear, ou aporrinhar, ou atanazar – encher a paciência (v. amolar).
A pessoa – indica qualquer pessoa, sem dizer o nome. Ex: “a pessoa saber que só
nasce uma vez e nascer fêi [feio] assim é de lascar”.
Apetrecho - acessório de qualquer natureza.
Aperuar, ou curiar, ou xeretar – observar com curiosidade.
Apojar - chupar: botar o bezerro para mamar um pouco, para afrouxar o leite, para
depois tirar o leite.
Apoquentado – irritado, briguento, de cabeça quente (v. esquentado).
Apragata (ou aprecata, ou zaprecata) de rabicho – sandália de couro fechada
atrás.
Apragata (ou aprecata) de estalo, ou lepe-lepe – chinelo de couro com correia
entre os dedos e aberto atrás.
Apregar - corruptela de “pregar”, que o matuto acrescenta um “a” antes, quer
dizer colar, etc.
Apriciar – corruptela de “apreciar”, quer dizer saborear. Ex: “venha apriciar um
pouco de suco…”
Aprumado – reto verticalmente, ou seja, que está “no prumo”, que é um
instrumento usada por pedreiros para verificar se uma parede está alinhada
verticalmente.
Apurado – tem dois sentidos: 1. fervido até ficar grosso. 2. montante resultante, no
final de um dia, mês, etc, de negócio.
Apustemado – com pus, inflamado (v. pustema).
A puta qu’o pariu – expressão de ofensa equivalente a chamar alguém de “filho de
uma puta”.
Arapuca – pequena armadilha de varinhas, em forma de pirâmide, para pegar
pássaros.
Araruta - polvilho de milho ou de mandioca.
Areado – tem dois sentidos: 1. polido, limpo. Ex: “arear as panelas”. 2. perdido
geograficamente ou desnorteado
Arengar – brigar, discutir em baixo nível.
Armaria! – abreviação de “Ave Maria”!”.
Armador de rede – gancho fixo na parede para pendurar rede.
Armunçar, ou aimunçar – corruptela de “almoçar”.
Arnica – um tipo de remédio ou veneno muito eficaz.
Arquejar - suspirar ofegantemente com alguma dor.
Arra diacho [diabo]! – expressão de espanto e/ou admiração.
Arranca-rabo, ou bate-boca – briga de palavras, discussão.
Arrastar asa – paquerar, insinuar-se para alguém.
Arrasta-pé – tem dois sentidos: 1. um dos ritmos do forró. 2. num sentido mais
amplo, pode ser todo e qualquer tipo de dança. Daí é comum a expressão: “hoje
vai ter um arrasta-pé na casa de…”.
Arrear o bezerro – amarrar (com arreio) o bezerro nas pernas dianteiras da vaca
enquanto se tirar o leite (v. arrêi).
Arredar – sair, desaparecer, sumir. Ex: “arreda daqui menino!”.
Arre égua! ou êita pêga” – expressão de espanto e admiração equivalente a
“danosse”.
Arregaçar as manga – enfrentar um problema, em alusão ao trabalhador que
arregaça as mangas da camisa para trabalhar.
Arrego – tem dois sentidos: 1. proteção, socorro, ajuda. Ex: “na hora ‘H’, Fulano
pediu arrego”. 2. aproveitar-se de algo sem pagar, pegar carona.
Arrêi – abreviação de “arreio”, que são assessórios de uma sela (cinta, corda, etc)
(v. apetrecho).
Arreliado – diz-se de uma pessoa zangada, irritada.
Arrelique, ou um santo remédio – qualquer remédio muito eficiente.
Arremedar – imitar, principalmente, no intuito de ironizar alguém.
Arremedo – apito usado pelos caçadores para imitar os pássaros.
Arremendar – corruptela de “remendar”, que o matuto acrescenta “ar” antes,
significa consertar: colar, costurar, etc.
Arrenegar – corruptela de “renegar”, que o matuto costuma acrescentar um “ar”
antes, significa deixar pra lá.
Arrente – corruptela de “a gente”.
Arreparar – corruptela de “reparar”, que o matuto costuma acrescentar “ar” antes,
tem três sentidos: 1. observar, prestar a atenção (v. espiar, curiar) . 2. considerar,
daí diante de um insulto, para apaziguar, diz-se: “arrepare não, deixe isso pra
lá…” 3. concertar, retificar. Ex: “Fulano buliu cum a fia [filha] de…, agora tem de
arreparar o erro”.
Arretado – tem dois sentidos: 1. bom, excelente. 2. zangado, irritado (v. enfezado).
Arriado – tem três sentidos: 1. descido, caído. 2. doente, deprimido, depressivo. 3.
apaixonado. Daí se diz que “Fulano tá com’s quatro pneus arriado pru Sicrana”.
Arribar – tem dois sentidos: 1. levantar, suspender. 2. ir embora.
Arribaçã, ou ribaçã – ave parecida com uma codorna, que aparece em revoadas no
Sertão, muito apreciada pelos caçadores.
Arrimidêi – um faz de conta, tapeação ou arranjo.
Arripunar, ou infarar – repugnar, que é uma sensação de arrepio ou enjoo
provocada por um alimento, especialmente doce demais. Ex: “esse doce tá muito
enfaroso ou arripunano muito”.
Arroba – referência de medida para compra e venda de algodão e carne, sendo, 20
kg para algodão e 15 kg para carne.
Arrodiar – dar a volta, contormar (v. fazer o balão).
Arrotar riqueza – pabular-se do que tem (v. se gabar, ou se pabular).
Arroto choco – gases estomacais, fedorentos, soltos pela boca.
Arroz-da-terra, ou vrêmêi [vermelho], ou de-festa – um tipo de arroz plantado
nos Sertões, que, ao ser descascado, fica com o grão parecido com “arroz
integral”, só que meio avermelhado, daí o nome, também, de “arroz-vermelho”, e,
quando cozido na gordura da galinha, recebe o nome de “arroz-de-festa”; por
tradição ser oferecido em dias de festa.
Arruaça, ou embuança – baderna, briga de rua.
Artiar [altear] – elevar, tornar mais alto.
Artigo – tem dois sentidos: 1. classe gramatical da linguagem (a,e,i,o.u). 2.
qualquer produto ou mercadoria. Ex: “aquela bodega só vende artigo de luxo”.
Arupemba, ou urupema – peneira de palha de carnaúba.
As coisa, ou as parte, ou os possuído – usada para indicar os órgãos genitais de
uma pessoa. Daí a expressão: “Fulano tava pegano nas coisa ou nas parte”.
Asa-noite – abreviação de “esta noite”, ou seja, “ontem à noite”.
Asi-lembrar – corruptela de “se lembrar”, ou seja “lembrar-se”
Assentar - tem dois sentidos: 1. corruptela de “sentar”, que o matuto acrescenta
um “as”. 2. dar certo, combinar, ficar bem. Ex: “essa roupa assenta muito bem
em mim”.
Assim ou assado – desta ou daquela maneira.
Assuceder – corruptela de “suceder” – que o matuto acrescentar um “as” antes, tem
dois sentidos: 1. no sentido de substituir ou suceder. Ex: “Fulano assucedeu
S.icrano no …”. 2. acontecer. Ex: “ontem assucedeu um caso…”
Assuletrar – corruptela de “soletrar”, que quer dizer pronunciar separadamente as
sílabas de uma palavra.
Assungar – levantar, subir. Ex: “Fulano! assungue a calça que tá caino”.
Assuntar, ou cascaviar [cascavilhar], ou escavoucar, ou escarafunchar -
investigar, procurar.
Assustado - tem dois sentidos: 1. amedrontado. 2. pequena festa dançante
improvisada na casa de alguém.
Ataiar – abreviação de “atalhar”, tem dois sentidos: 1. tomar a dianteira não
deixando passar. Ex: “ataiar os bicho” 2. desviar ou cortar caminho, por onde é
mais perto.
Atajé – pequena prateleira ou prancha fixa na parede.
Atentar – tem dois sentidos: 1. perturbar, irritar (v. amolar). 2. seduzir.
Atí - abreviação de “atilho”, que é uma tira para amarrar pamonha, feita da própria
palha do milho.
Atiçar - dar mais vida, incentivar, por exemplo, o fogo, uma briga, uma discussão,
ou um cachorro a morder.
A tiracolo – ter ou trazer alguém junto.
Atiradeira, ou balieira, ou biadeira, ou estilingue, ou peteca – uma arma de
atirar pedra, feita com uma pequena forquilha de madeira e uma liga (borracha)
de câmara de ar de pneu.
Atocaiar, ou tocaiar – abreviação de “atocalhar”, que dizer vigiar, esperar.
Atolado inté [até] o pescoço – muito envolvido ou comprometido.
A torto e a direito – sem limite, de qualquer jeito.
Atravessado feito pau de lata, ou cu de calango – tem dois sentidos: 1. pessoa
intrometida, enxerida. 2. algo posto transversalmente impedindo a passagem (em
alusão ao pau de lata, que é posto atravessado na boca da lata, como suporte para
se pegar ou pendurar).
Atrepar – corruptela de “trepar” – que o matuto acrescenta um “a” antes, quer dizer
subir (v. amontar).
Aturar - aguentar, suportar, tolerar.
Avacaiar – abreviação de “avacalhar”, que significa bagunçar, esculhambar ou
desmoralizar algo ou alguém.
Avalí só – equivalente a “veja só”, “imagine só”.
Avexado - corruptela de “vexado”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes,
quer dizer apressado, agoniado.
Avia! – apressa!, agiliza! Ex: “avia menino!, que já é quaji mêi [meio] dia”.
Avoar – corruptela de “voar”, que o matuto costuma acrescentar um “a” antes; tem
dois sentidos: 1. verbo voar. 2. lançar. Ex: ”avoar uma pedra num passarim
[passarinho]” (v. jogar, sacudir, zunir, etc.).
Avoar (ou botar, ou jogar, ou sacudir), no mato – atirar fora, desfazer-se de algo,
etc.
Azavessar – corruptela de “avessar”, que significa vira ao avesso (v. dezavessar).
Azêa – abreviação de “azeia”, que é uma alça. Ex: “pegue na azêa [azeia] do bule
pra num se queimar”
Azia – acidez estomacal (v. queima).
Azunhar – fazer riscos em alguém ou em algo com as unhas (v. zunha).
Azucrinar – encher a paciência de alguém, irritar
.

 B
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Babão, ou baba-ovo, ou puxa-saco, ou xeleléu, ou xirimbaba – bajulador -
agradar em demasia outra pessoa (v. chaleira).
Babicacho – pequeno saco que se coloca na boca de um cabrito (com um cordão
para ser amarrado a sua cabeça), para ele não mamar durante determinado tempo.
Também pode ser um pedaço de pau que se coloca atravessado na boca dele, para
ele não comer a lavoura. Ou seja, enquanto a cabra está pastando amarrada, o
cabrito fica solto com um barbicacho para não comer as plantas.
Baboseira - tem dois sentidos: 1. besteira, tolice (v.asneira). 2. serviço mal feito
ou mal acabado (v. labrojeiro).
Babugem – pasto muito curto ou rasteiro a ponto de os animais terem dificuldade
de comer.
Bacia – tem dois sentidos: 1. conjunto dos ossos dos quadris, daí a expressão: “dor
na bacia” (v. dor nas cadeira, ou nos quarto). 2. vaso grande usado para diversos
fins, como lavar roupa, dar banho em criança, etc.
Bocorim – abrviação de “bacorinho”, que é um porco novo ou pequeno.
Badoque - arma de atirar pedra, semelhante a um arco de flecha, só que no lugar
de uma flecha coloca-se uma pedra.
Bãe [banho] de assento, ou de assêi [asseio] – sentar-se em água com remédio (v.
cozimento). Indicado, geralmente, para cura de casos ginecológicos ou de
hemorróida.
Bãe [banho] de cuia, ou de lapada – banho não em água corrente de chuveiro,
mas, pegando-se água com uma vasilha a partir de uma bacia ou depósito.
Bãe [banho] de gato – banho mal tomado, semelhante a um gato que se lambe ao
invés de tomar banho.
Bafafá – discussão, briga com palavras.
Baforejar - tragar e soltar fumaça de cigarro ou cachimbo pela boca.
Bagaceira – tem três sentidos: 1. local onde se coloca o bagaço de um engenho. 2.
desmantelo, confusão. 3. pessoa de baixo nível moral.
Baião – um dos ritmos ou variações do forró.
Baião de dois, ou rubacão – comida feita a partir da combinação de feijão de
corda com arroz, cozinhados na mesma panela.
Baiba [barba], cabelo e bigode – transa sexual completa (oral, anal e vaginal).
Baibatão – corruptela de “barbatão”, que é um boi bravo, criado solto no mato,
ainda não domesticado ou não manso (v. garrote).
Baibeiro – corruptela de “barbeiro”, tem quatro sentidos: 1. profissão de cortar
cabelo e tirar barba 2. bicho-barbeiro – inseto que provoca a Doença de Chagas.
(v. procotó). 3. garranchos ou pontas de mato em beira de estrada, que provocam
aranhões nas laterais dos carros. 4. pessoa que conduz mal um veículo (v.
baibeiragem).
Baibicha – corruptela de “barbicha”, que significa cavanhaque ou tufo de barba no
queixo, feito um bode.
Bainha – tem dois sentidos: 1. pequeno suporte de couro para guardar uma arma -
faca, revólver, etc. 2. dobra e costura das bordas de um tecido para não desfiar (v.
abanhar, desimbanhar).
Baiguia - corruptela de barguilha.
Baita, ou lapa – grande, enorme, avantajado. Ex: “Fulana discançou um baita dum
menino” (v. marra).
Baitola, ou boiola, ou bicha, ou frango, ou fresco, ou fruta, ou goiaba, ou
marica, ou viado [veado]
– homossexual masculino (v. hôme das feição de
galinha).
Baixar a crista, ou a cabeça, ou urêa [orelha] – obedecer, submeter-se.
Baixar a lenha, ou a macaca, ou a madeira, ou a ripa, ou a sola – surrar alguém.
Baixar o facho, ou o fogo, ou sossegar a periquita – diminuir a ansiedade, o
desejo, a excitação, principalmente sexual.
Baixeiro - quando um animal (cavalo, por exemplo) tem passadas curtas e ligeiras
ao mesmo tempo, dando a sensação de leveza.

Baixo meretrício, ou cabaré, ou casa de ricuso [recurso] ou Rói-côro [couro],
de tolerância ou da luz vrêmêa [vermelha]
– casa de prostituição (v. zona).
Baje, ou vaje – corruptelas de “vargem”, tem dois sentidos: 1. várzea ou planície
fértil . 2. vargem de feijão, por exemplo.
Balai [balaio] de gato – coisa desmantelada, bagunçada, confusa.
Bambo – tem dois sentidos: 1. mole, cambaleante. Ex: “a mesa tá cá (com a) perna
bamba”. 2. sorte, acaso. Ex: “foi um bambo ele acertar o tiro”.
Bambolê de otário – aliança de casamento (v. otário).
Banco – tem três sentidos: 1. agência financeira. 2. mesa de feira. 3. assento
comprido, com ou sem encosto, que dá para várias pessoas se sentarem ao
mesmo tempo.
Banduleiro - pessoa desocupada, malandra.
Banhar as mão de sangue – assassinar alguém.
Banzo - tristeza, depressão, nostalgia.
Baque – queda, tombo.
Baracafuzada – confusão, desordem, coisa atrapalhada.
Barata-de-igreja – mulher que vive muito na igreja (beata).
Bardiar – mexer, turvar, misturar. Ex: “bardiar a água”
Bardo - corruptela de “baldo”, que é a parede de barro de um açude.
Barra do dia – primeira claridade do dia antes de o sol nascer.
Barragem – represa de água feita com paredão de pedra.
Barrão – porco velho reprodutor.
Barrela – sopa feita da mistura de resto de comida.
Barreiro – pequeno açude.
Barrer – corruptela de “varrer”, ou seja, limpar a com uma vassoura (v. bassôra).
Barruada, ou peitada – colisão entre dois objetos, especialmente carro (v. batida).
Barrufar – corruptela de “borrifar”, que significa umedecer salpicando gotasd’água
esparsas (v. sapriscar).
Bascui – corruptela de “vasculho”, que significa sujeira, lixo, entulho.
Bassôra – corruptela de “vassoura”, que é um instrumento para varrer a casa (v.
barrer).
Bassôrinha – corruptela de “vassourinha”, que é um pequeno arbusto (mato) usada
como vassoura.
Batata da perna – panturrilha.
Batata (ou cafôfa) –de-imbu [umbu] – bolsas que se formam na raiz do
umbuzeiro, para armazenar água para a planta sobreviver durante o período de
estiagem, das quais se faz um doce em corte, chamado “doce de batata-de-imbu”.
Batata-de-puiga [purga], ou cabeça-de-negro – raiz (batata) usada como antídoto
contra veneno de cobra. Por exemplo, o teju , ao ser mordido por uma cobra,
corre e come a cabeça-de-negro para não morrer (v. pinhão). Usa-se, também,
como laxante intestinal (v. puigante).
Batente – tem dois sentidos: 1. degrau de calçada. 2. serviço, trabalho, daí a
expressão “pegar no batente”, ou seja, no serviço.
Bater (ou dar) cá [com a] língua nos dente – deixar escapar palavras ou confessar
segredo que não devia.
Bater na boca – gesto que se faz batendo com a mão na boca como símbolo de
autopunição por ter dito uma blasfêmia ou injúria. Geralmente vem acrescida da
expressão “que Deus me perdoi”.
Bater na cuia, ou futricar, ou fuxicar – falar mau de alguém, levar e trazer
conversa, fofocar (v. disse me disse, conversa à boca miúda)
Bater (ou cair) na fraqueza – sonolência ou indisposição, principalmente, após a
refeição.
Bater no peito – vangloriar-se, mostar-se superior.
Bater (ou fincar) o pé – resistir num ato de intransigência.
Bater perna – andar à toa, passear ociosamente.
Bater roupa – lavar roupa batendo-a numa pedra.
Bater uma bronha, ou uma siririca, ou uma punheta – masturbar-se.
Bater uma chapa – tirar uma fotografia ou raio X (v. retrato).
Bater um papo, ou prosêar [proseiar] – conversar, dialogar.
Batida – tem quatro sentidos: 1. colisão, choque. Daí é comum dizer-se “uma
batida de carro” (v. barruada, peitada). 2. bebida feita misturando-se aguardente
e suco de fruta. 3. doce em corte derivado da cana-de-açúcar, uma espécie de
rapadura temperada. 4. busca, procura, revista. Ex: “dá uma batida na casa”.
Bate-entope – comida muito seca ou farofenta, em especial, um pequeno bolo de
ovos muito usado como lanche, também chamado de “bolo de bacia” ou
“engasga-gato”.
Batizar o leite – adicionar água ao leite para render.
Beca – tem dois sentidos: 1. roupa chique ou elegante. 2. colarinho. Ex: “Fulano
segurou Sicrano pela beca”
Bebedôro – abreviação de “bebedouro”, que é uma cacimba rasa ou beira de açude
em que a cerca entra no leito d’água, cercando uma parte dela, para os animais
beberam água.
Beber o defunto – degustação de bebidas durante um velório.
Beiço - lábios (v. légua de bêiço).
Beiju, ou bejú, ou bêjú, ou bijú – espécie de tapioca grande de massa de mandioca
e coco, assado no forno dentro da farinha de mandioca.
Beira-seca – doce de farinha de mandioca e pimenta do reino colocado dentro de
um saquinho de goma de tapioca (no formato de um pastel).
Bem aí – bem perto, ou pertíssimo, só que acaba sem um pouco distante (v. légua
de bêiço).
Bem composto – bem-vestido, no sentido moral, ou seja, decentemente, ou sem
mostrar as partes sensuais do corpo.
Bem empregado, ou bem feito! – usa-se para exprimir satisfação por alg de ruim
que acontece com outrem, no sentido de bem merecido, .
Bem muitão – superlativo de muito, daí, diante da pergunta: “posso botar fejão em
seu prato? Responde-se: “bote bem muitão”.
Bengo, ou preá – roedor herbívoro parecido com um rato grande, só que não tem
rabo, muito apreciado pelos caçadores.
Benditos – cantigas ou cânticos religiosos populares executados em procissões,
romarias etc.
Benza, ou benzo Deus! – expressão de admiração.
Benzedeira, ou rezadeira – pessoa (geralmente mulher) que cura doenças com
reza (v. reza forte)
Berruga – corruptela de “verruga”, que é uma erupção carnosa na pele.
Besta-fera, ou bute, ou cafute, ou cão, ou capeta, ou capiroto, ou tinhoso -
satanás, diabo, demônio.
Bêsta que só aruá, ou cachorro a cavalo, ou peru em mêi [meio] de caiga
[carga], ou peru novo
– diz-se de uma pessoa ingênua, idiota.
Beltrano – pessoa indeterminada, uma vez já tendo sido usados Fulano e Sicrano.
Ex: “fumo [fomos] eu, Fulano, Sicrano e Beltrano” (v. Fulano, Sicrano).
Biboca, ou moquifo, ou tapera – nomes de casa de pobre (v. cortiço, quixó).
Bicada, ou talaigada – dose de cachaça.

Bicheira – feridas em animais em estado de putrefação, com vermes ou tapurus.
Bichim – abreviação de “bichinho”, é uma expressão de pena, equivalente a
pobrezinho, coitadinho.
Bicho de casa – animais domésticos, criados em casa.
Bicho-de-pé – pequenas bolhas (com pus) que se criam no pé, semelhantes a
espinhas, que causam muita coceira e que são adquiridas, principalmente, na
lama de chiqueiro de porco.
Bicho do mato – tem dois sentidos: 1. animal silvestre, criado no mato. 2. pessoa
tímida, inibida, desconfiada (em referência ao matuto).
Bichota – menina nova e/ou leviana (v. cabrita, menina assanhada…).
Bicina – coisa ruim.
Bico – tem cinco sentidos: 1. de pássaro. 2. um tipo de renda para enfeitar roupas
femininas. 3. coisa pontiaguda. Ex: “bico de chaleira”. 4. trabalho temporário,
daí se costuma dizer “fazer um bico” (v. biscaite). 5. borracha em formas de peito
para acalentar crianças (v. chupeta, ou consolo).
Bico da venta – a ponta do nariz.
Bico de luz – uma lâmpada, um candeeiro ou lamparina.
Bico-de-papagai [papagaio] – tem dois sentidos: 1. saliência nas articulações
ósseas. 2. nariz ondulado.
Bigú – carona (v. amorcegar-se).
Bila – bola de gude (v. ximba, ou ximbão).
Beliscar - tem dois sentidos: 1. perfurar com o bico, típico dos pássaros (v. bicar,
pinicar). 2. perfurar a pele de alguém, pressionando-as com duas unhas. Ex:
“Fulano me biliscou”, ou seja, “me perfurou cum as zunha”.
Bilora, ou bilola, bimba, ou manjuba, ou pica, ou cacete, ou carai, ou chibata,
ou correia, ou fumo, ou macaca, ou pau, ou pêa, ou pomba, ou rola, ou trõxa
[trouxa], ou vara
– órgão sexual masculino – pênis. (v. pêa, pitoca, pinta).
Bimba-d’água, ou cardo [caldo] de arroz, ou gala rala – homem estéril, cujo
esperma (gala) não fecunda.
Binóculo, ou monóculo – tipo de fotografia antiga que era vista em negativa (não
revelada) no fundo de um cone, colocando-se um olho na outra extremidade do
cone (v. bater uma chapa, retrato).

Biqueiro, ou rim [ruim] de boca – pessoa com pouco apetite (v. chêi de nove hora,
ou de cavilação).
Berílio - grampo um pouco grande para prender o cabelo (v. friso).
Birimbela – peça que se move presa ou pendurada à outra.
Birita, ou birinaite, ou branquinha, ou carraspana, ou pinga – cachaça.
Birosca, ou boteco, ou espelunca, mosqueiro, ou pega-bêbo [bêbado] - bar
pequeno, sujo e pobre.
Birro - tem dois sentidos: 1. fuso usado para fiar ou torcer lá de algodão no fabrico
de cordão. 2. pequenas bolinhas de merda penduradas nos cabelos do furico de
alguém.
Bisquí – pequenos adornos usadas como enfeite em centros, estantes, etc.
Bitola – medida padrão a ser repetida em uma operação.
Boa bisca – mulher libertina, daí a expressão “aquilo é uma boa de uma bisca”.
Boa-hora – hora da morte. Ex: “que Deus lhe dê uma boa hora”.
Boa-pinta – pessoa de boa aparência, que causa boa impressão.
Boa-praça – pessoa boa, simpátrica, confiável (v. barra-limpa)
Boa-vida – pessoa que não gosta de trabalhar, mas procura viver confortávelmente
(v. vevi na boa-vida, ou no bem-bom).
Boca-aberta – pessoa boa demais a ponto de ser besta.
Boca (ou boquinha) -da-noite, ou cair da noite – ao anoitecer (v. detardezinha).
Boca do estambo [estômago] – parte superior do aparelho digestivo.
Boca-preta - pessoa muito empolgada com um partido ou candidato mas que não
vota (muito usada no tempo que analfabeto não votava).
Boca-rica – pessoa que usa cobertura de ouro nos dentes.
Boca-torta – um tipo abelha muito braba, que costuma ferroar nos lábios das
pessoas, deixando-as com a boca torta.
Bocoió, ou brocoió, ou bocó – pessoa besta, boba, rude, etc. Muito usada para
definir ou homem do campo (v. matuto).
Bode – tem três sentidos: 1. caprino, macho da cabra. 2. evangélico ou protestante,
que no Sertão recebe este nome por fazer muito barulho no meio da rua,
semelhante a um bode “bodejando” (v. crente, bodejar). 3. confusão, daí a
expressão “deu o maió [maior] bode”.
Bocado – tem dois sentidos: 1. porção de algo. 2. alimento, refeição, daí nasce a
expressão: “bocado rim [ruim]”, ou seja, comida ruim.
Bodega, ou venda – pequena mercearia.
Bodejar - som produzido pelo bode para atrair a cabra na hora do cruzamento (v.
berro, cruzar).
Bode véi (ou veio) [velho] – homem velho saliente, metido a namorador.
Boia, ou rango, ou xêpa – comida – almoço, jantar.
Boiar - sobrar. Usada, principalmente, para indicar uma mercadoria que fica
parada, sem vender, numa casa de negócio. Obs: quando boiar é usado no sentido
de flutuar fica “aboiar” (v. abioar).
Boi de corte, ou de engorda – boi cevado para o abate.
Boi-manso, ou de-carro, ou de-canga – boi adestrado para trabalhar em carro de
boi, arado, carroça, etc.
Bolacha doce, ou preta, ou de hoté [hotel], ou mata-fome, ou broa, ou soda -
bolacha feita com mel de rapadura, trigo, bicarbonato e chá de erva-doce,
vendida em toda bodega, venda, lanchonete e padaria do Sertão. Recebeu o nome
de “bolacha de hoté” porque era muito servida nos “hotéis”, que eram antigas
lanchonete, tornando-se a bolacha mais popular dos Sertões, daí nasceu a
expressão “Fulano é mais cconhecido que bolacha de hoté…”.
Bolandeira, ou vapor – máquina de despolpar ou descaroçar algodão.
Bolo de caco, ou chapéu-de-côro [couro], ou urêa [orelha] -de-véi (ou véio)
[velho] (ou de-pau)
– pequeno bolo de farinha de milho e ovo, achatado, feito
em um prato de barro, daí o nome de “bolo de caco” (v. caco).
Bolo de goma – pequeno bolo feito de polvilho de mandioca e leite de coco, que
fica tão fôfo que derrete na boca.
Bombo, ou zabumba – um dos três instrumentos de um trio de forró, juntamente
com a sanfona e o triângulo.
Bom de boca – pessoa com muito apetite.
Bom de lábia, ou de papo – pessoa habilidosa no trato das palavras.
Bom partido – pessoa ideal para o casamento.
Boneca de mí [milho] – espiga de milho nova, em fase de formação. Daí se diz que
o “mi tá bunecano”, ou seja, começando a sair espigas.
Bonitim – abreviação de “bonitinho”, que significa mais ou menos bonito.
Bonito (ou bom) não, aquelas tuia [tulhas]! – expressão de elogio para dizer que
bonito (ou bom) é pouco.
Bonito pra tua cara… – expressão de repreensão.
Boqueira, ou ferida de boca – pequenas rachaduras nos cantos da boca.
Bora, ou borimbora, ou bora simbora, ou rumbora, ou vambora – corruptelas
de “vamos embora”.
Bordoada – pancada com um murro, tapa ou com um objeto qualquer (v. lapada).
Borná – abreviação de “bornal”, tem dois sentidos: 1. pequeno saco ou mochila
(bisaco) no qual se enfia o focinho de um animal (jumento, cavalo ou burro) para
ele comer milho ou outro reforço alimentar.
Boró – rapadura muito preta.
Borocoxô – uma pessoa triste, desanimada, baixo astral.
Bôrra – resto, sobra. Ex: de café, de manteiga, etc. (v. poime de café).
Borrai – abreviação de “borralho” – local onde se acumulam as cinzas de um fogão
de lenha.
Borrar, ou braiar, ou brear – melar, sujar, misturar.
Borrega, ou marrã – ovelha nova ou pequena.
Botano [botando] a aima [alma] (ou os bofe, ou as tripa) pela boca – tem dois
sentidos: 1. cansado, exausto. 2. com náuseas, vontade de vomitar.
Botano [botando] fogo pela venta [nariz] – enfurecido, raivoso.
Botar a boca no mundo – denunciar, protestar, delatar, etc.
Botar a faca nos peito – pressionar, dar um ultimato.
Botar água fria na frevura [fervura] – desencorajar alguém de algo.Botar água pra amornar, ou espertar, ou quebrar a frieza – colocar água para
esquentar um pouco (geralmente para tomar banho em dias frios) (v. afreventar).
Botar a mão na consciência – refletir, reconhecer os próprios erros.
Botar a mão no fogo por – confiar na inocência de alguém.
Botar a perder – estragar.
Botar as manga (ou as zunha [unhas]) de fora – revelar-se, mostrar as
verdadeiras intenções.
Botar as baiba [barbas] de môi [molho] – ficar em alerta, precaver-se.
Botar (ou levantar) as mão pru [para o] céu – dar graças a Deus.
Botar a viola no saco – calar-se por não ter o dizer ou contestar.
Botar banca – fazer exigência ou impor condições.
Botar cabresto, ou canga, ou sela, ou rédea curta – controlar alguém, dar pouca
liberdade
Botar em… – conseguir alcançar ou chegar em… Ex: “com esse peso não sei se
boto em casa”.
Botar fé – acreditar, confiar.
Botar (ou tocar) fogo – atear fogo.
Botar gaia [galha] – trair amorosamente (v. chife, corno, gaia, ponta).
Botar mais água no feijão – expressão usada quando chega uma visita inesperada
em casa, que significa acrescentar a comida a ser cozinhada.
Botar mais lenha na fogueira – incentivar ou alimentar briga, confusão, discórdia.
Botar no penduro, ou no prego, ou comprar fiado – comprar a crédito, daí
quando alguém está devendo muito diz-se que estar “pendurado”.
Botar o carro na frente dos boi, ou meter (ou enfiar) os pés pelas mão – fazer
ou dizer algo antes do tempo, atrapalhando o curso natural ou pondo tudo a
perder.
Botar o dedo na ferida – atingir o ponto fraco de alguém.
Botar ôi [olho] gordo, ou grande – invejar, cobiçar.
Botar o pé na estrada, ou no mundo – caminhar, viajar.
Botar o pé na rua, ou fora de casa – sair de casa, andar pela rua.
Botar o rabo entre as perna – humilhar-se, acovardar-se.

Botar panos quente – amenizar, aliviar.
Botar para quebrar, ou pra lascar, ou pra foder – fazer grande esforço, agir com
violência, etc.
Botar queixão, ou o pé no bucho – impor condições.

Botar quente – falar ou agir com firmeza.
Botar sem cuspe – agir sem pena ou dó.
Botar terra, ou gosto rim [ruim] – atrapalhar, impedir.
Botar uma pá de cá [cal] (ou uma pedra) em riba [em cima] – dar por encerrado
um caso, não falar mais no assunto.
Botar um negócio – montar um ponto comercial. Também se costuma dizer: “botar
o negócio de fora”.
Botar um roçado – preparar e plantar uma roça.
Brabo – tem dois sentidos: 2. pau (madeira) muito forte que se coloca
horizontalmente entre duas paredes para reforçar as linhas do telhado de uma
casa. 2. pessoa valente, destemida.
Braça - medida usada para medir corda, terra, etc. Uma braça equivale a uma
medida que vai de uma mão a outra de uma pessoa com os braços abertos (v.
cuia, lata, litro, polegada, palmo, saca ou saco).
Braço-direito – pessoa de confiança, ou indispensável no trabalho, negácio,
política, etc.
Branquilejo - pastilha de anil para alvejar roupa.
Braúna – abraviação de “baraúna”, que é uma árvore nativa do Sertão.
Brebote – guloseimas que menino gosta de comer fora de hora, que serve para
enganar a barriga, como pipoca, balas, biscoitos, etc., ao contrário de “comidas
de panela” (feijão, etc) que são servidas nas das refeições normais.
Brechar - olhar pela fresta ou brecha de uma porta, fechadura, etc.
Breguesso – coisa sem valor, desprezível (v. cacareco).
Brenha – matagal ou floresta virgem ou de difícil acesso.
Breu – tem quatro sentidos: 1. um tipo de resina de madeira. 2. escuridão, daí a
expressão “escuro que só breu”. 3. muito usado para encerrar uma conversa, uma
discussão. Ex: “o resultado é esse, e breu!”, ou seja, num se fala mais no assunto.
4. sinal de desconfiança ou dúvida diante de algo quase impossível. Ex: “Fulana
diz qui ainda é cabaço, é breu que eu acredito”.
Briba – corruptela de “víbora”, que é uma lagartixa branca.
Broca – tem três sentidos: 1. pedaço de ferro retorcido cortante que se coloca numa
máquina (furadeira) para perfurar madeira, etc. (v. pua). 2. bicho que dá em
madeira, frutas, etc, deixando-as doentes e/ou furadas. Ex: “batata brocada”. 3.
corte da mata para queimada, em preparação para o plantio (v. brocar).
Broche – tem dois sentidos: 1. adorno ou enfeite de roupa. 2. alfinete de segurança
para prender fraldas de crianças, etc.
Brochar, ou num dar no côro [couro], ou negar fogo – falhar na ora do ato
sexual
Bocha, ou tarraxa – pequeno prego com cabeça grande, muito usada em conserto
de sandálias, sapatos, etc.
Bronco – pessoa grosseira, estúpida, rude.
Bruaca - tem dois sentidos: 1. mochila de couro. 2. mulher feia ou má.
Bruguelo – criança nova ou pequena.
Buçanha, ou buceta, ou capô de fusca, ou cara-preta, ou caranguejeira, ou
carne-mijada, ou engole cobra, ou gangarra, ou perseguida, ou priquita, ou
tabaca, ou xibio, ou xiranha, ou xiribita, ou xoxota
– genitália feminina – vulva
ou vagina (v. perereca, pipiu, tabaco, etc.).
Bucha – fruto de uma planta do mato que é usada como esponja para lavar pratos.
Buchada – comida tradicional do Sertão feita com as vísceras do bode picadas,
temperadas e colocadas dentro do bucho do mesmo, que, depois de costurado
com uma linha, vai ao fogo.
Bucho – tem três sentidos: 1. barriga (v. pança). 2. gravidez. 3. vísceras de um
animal. Daí dizer-se: “vou comprar um 1k de bucho pra fazer dobradinha” (v.
fato).
Buchuda – tem dois sentidos: 1. mulher grávida. 2. ganhar várias partidas num
jogo sem que o adversário ganhe nenhuma.
Bufar – soltar gases intestinais, silenciosos, pelo ânus (v. peidar).
Bufenta, ou fubenta – uma coisa velha, desbotada.
Bugiganga – qualquer objeto velho ou sem valor (v. troço, catrevagem).
Bule, ou maimita [marmita] – vasilha para fazer café (v. chaleira).
Bulé - abreviação de “boleia”, que é a cabine de um carro grande.
Bulir (ou mexer) cum’a [com uma] moça – desonrar ou tirar a virgindade de uma
moça (v. Cumê, descabaçar, moça bulida…).
Buliçoso, ou malino, ou traquino, ou treloso, ou sapeca, ou impussive
[impossível]
– diz-se de uma pessoa (geralmente criança) que gosta de mexer ou
pegar em tudo que vê (v. traquinar, trela].
Bunda, ou bumbum, ou buzanfa, ou pandeiro, ou sedém – nádegas.
Bunda canastra, ou cangapé – saltos mortais (cambalhotas) por cima da cabeça.
Bunda rica – calcinha de mulher, especialmente de criança, enfeitada com rendas
e/ou bicos (v. bico).
Burra leiteira – planta que produz um leite viscoso, o qual é usado para fazer
armadilha (vareta melada de visgo) para pegar passarinho.
Burrinca, ou gangora – brinquedo de criança feito de um pau comprido com um
buraco no meio, no qual se enfia um eixo fincado ao chão. Daí sentar-se uma
criança em cada extremidade do pau, o qual fica girando em torno do eixo.
Burro – tem dois sentidos: 1. animal híbrido, estéril, muito resistente ao trabalho,
filho do cruzamento entre o cavalo e a jumenta ou o jumento e a égua. (v. mula).
2. pessoa de baixo nível intelectual, ou com dificuldade cognitiva. Daí ser
comum a expressão: “Fulano é muito burro…”
Buruçu, ou fuzuê, ou reboliço, ou sangangu – confusão, baderna, briga, alvoroço.
Busca-pé – fogo de artifício que não explode, apenas corre rasteiramente (em
direção as pessoas, fazendo-as correr) soltando uma lista de fogo
Butico de ôi [olho] – olho arregalado.
Butija – dinheiro enterrado.
Buzuntar, ou zanzar – andar sem rumo, sem direção ou à toa.

 

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  C

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– tem três sentidos: 1. aqui – local físico. Ex: “vem pra cá menino”. 2. Agora,
atualmente – tempo. Ex: “O mês passado choveu muito. De lá pra cá…” 3.
contração de “com a”. Ex: “Tá cá [com a] gota serena, menino!”
Caba - abreviação de “cabra”, tem três sentidos: 1. caprino – fêmea do bode. 2. dizse
para designr qualquer pessoa do sexo masculino em sentido genérico. 2.
homem valente, destemido. Em alusão aos ”cabras de Lampião”, quando o termo
foi cunhado, passando a ser sinônimo de cangaceiro.
Cabaça(o) – tem dois sentidos, 1. fruto da cabaceira parecido com uma melancia
que não se come, mas, quando seco fica com a casca dura, daí faz-se um buraco e
coloca-se uma tampa para carregar água. 2. virgindade. Ex: “a fia [filha] de
Fulano perdeu o cabaço”, ou seja, perdeu a virgindade (v. donzela, moça).
Cabaça(o) de colo, ou de gola – cabaça usada para portar água de beber para o
roçado, que tem duas partes gordas e um gogó no meio, onde se amarra uma
corda para pendurar no sinto.
Caba [cabra] da peste, ou macho – diz-se de um homem valente, destemido, bom,
etc.
Caba [cabra] de pêa [peia] – homem safado, que merece uma surra.
Cabeçai – abreviação de “cabeçalho”, que é um pau longo que cruza todo carro de
boi (uma espécie de chassis) e,na ponta, coloca-se a canga para os bois puxarem
o carro.
Cabeça (ou rabo, ou crista) -de-galo, ou mingau de cachorro, ou cardo [caldo]
da caridade (ou levanta-defunto) – espécie de sopa rala de água com farinha de
mandioca, ovos e temperos, que o matuto considera de grande valor energético,
próprio para levantar uma pessoa doente.
Cabeça-de-prego, ou furuncu [furúnculo], ou cabrunco – pequeno tumor.
Cabeçote – pontas (duas) de paus da armação de uma cangalha, sobre os quais se
penduram objetos a serem transportados.
Cabeceiro, ou chapeado – pessoa que trabalha carregando volumes – emcomendas
- na cabeça (v. calunga).
Cabilôro – abreviação de “cabilouro”, que é a cartilagem nervosa do pescoço
(nuca) de um animal
Cabreiro – desconfiado, precavido.
Cabresto – tem dois sentidos: 1. utensílio de corda ou outro material posto na
cabeça do animal para amarrá-lo (v. focinheira). 2. num sentido figurado é usada
para designar o controle de uma pessoa sobre outra. Daí se costuma dizer que
“Fulano colocou um cabresto em Sicrano”.
Cabrito – bode novo ou de pequeno porte.
Cabrita – tem dois sentidos: 1. cabra nova ou de pequeno porte. 2. menina
namoradeira (v. bichota, menina assanhada…).
Cabrocha - moça jovem ou adolescente.
Cabroeira, ou mundiça, ou rafamea [fafameia], ou ralé – gente de baixo nível
social, povinho ou povão (v. frasqueira).
Caboeta, ou dedo-duro – traidor, delator.
Cabuloso, ou carrancudo, ou cavernoso, ou opinioso, ranzinza – pessoa abusada,
insolente, irritante (v. caprichoso, importuno, rabugento).
Caça – animal do mato (silvestre) que se mata para alimento.
Caçambada, ou chapuletada – pancada ou porrada forte (v. lapada).
Cacetada, ou caçoletada – paulada.
Cacareco – tem dois sentidos: 1. pequeno pedaço de um objeto. 2. objetos,
utensílios ou mobília de pouco valor, ou de pobre. Daí a expressão: “pega teus
cacarecos e vai embora…” (v. bregueço).
Caçarola – frigideira.
Caçar terra nos pés – procurar uma saída para um problema repentino e não
encontrar.
Cachaceiro, ou cu de cana, ou pau-d’água, ou papudim [papudinho], ou
pingunço, ou pé inchado
– pessoa viciada em aguardente.
Cachimbo - tem dois sentidos: 1. instrumento de fumar. 2. festa, acompanha de
bebidas, em comemoração ao nascimento de um filho.
Cachete - comprimido ou drágea – remédio.
Cachola – cabeça, mente.
Cachorrada – safadeza, desunião, etc.
Cachorro-d’água – pequeno grilo-toupeira que vive na areia.
Cachorro doido – cão com a doença raiva (hidrofobia).
Cacimba – poço aberto no leito dos rios, riacho e açudes vazios para colher água
na época de seca.
Caçola – calcinha de mulher em tamanho grande – “gg”.
Caçote – pequeno anfíbio (parecido com um sapo ou perereca) com nadadeiras
largas nos pés.
Caco – tem dois sentidos: 1. pedaço de um objeto. 2. prato de barro razo e largo
usado para torrar farinha, fritar ovos, etc. (v. bolo de caco).
Caçoar – tem dois sentidos: 1. cesto de palha, cipó ou vime trançado que se coloca
pendurado na cangalha de um animal (jumento, cavalo ou burro) para transporte
de objetos pequenos (geralmente frutas). 2. Ironizar, debochar de alguém. Ex:
“Fulano tá caçoano deu” (v. gozar, mangar, zonar).
Cacoete, muganga, ou sestro – trejeito, que é uma mania ou gesto que alguém faz
incoscientemente.
Cacunda [corcunda], ou cangote – conjunto formado pela parte superior do dorso
e pescoço (nuca). Daí é comum dizer-se que “Fulano tava carregano o menino na
cacunda” (v. escanchado).
Cada quá – abreviação de “cada qual”, ou seja, cada um.
Cadê? ou quêdê? – equivalente a “onde está?” Ex: “menino, cadê a faca que…?” .
Cadêla? – forma contraída de “cadê ela?”, ou seja “onde está ela?”.
Cadela – tem dois sentidos: 1 cachorra. 2. mulher vulgar, prostituta (v. mulé da
vida…).
Cadiquê? – contração de ‘por causa de quê?’
Caduco, ou gagá – esclerosado.
Caêra – abreviação de “caieira”, que é um amontoado de objetos mais ou menos
organizados. Muito usada para indicar a organização dos tijolos para serem
queimados.
Cafifi – abelha pequena com ferrão que faz sua colmeia em folhas de árvores.
Cafofo, ou cuvuco, ou cubico [cubículo] – pequeno cômodo.
Cafuné - carícia ou massagem na cabeça.
Cafuringa, ou fubica, ou ximbica – carro velho (v. cururu).
Caga-fogo, ou vaga-lume – pirilampo.
Cagar, ou evacuar, ou fazer as necessidada (ou cocô), ou obrar – defecar (v. se
cagano…)
Cagar goma – conta vantagem ou se auto engrandece (v. pabuloso).
Cagar (ou mijar) fora do caco – fazer coisa errada.
Caicular - corruptela de “calcular”, tem dois sentidos: 1. medir, julgar, etc. (v.
chutar, regular). 2. encher de formsa que fique transbordando, ou seja, quando
numa vasilha se coloca um pouco a mais do que ela cabe, ficando parte do
produto acima das bordas. Ex: “bote uma cuia de farinha bem caiculada
[calculada] pra mim”.
Caimante – corruptela de “calmante”, que significa qualquer remédio que deixe o
matuto mais calmo, desde um chazinho a um ansiolítico. Ex: “tome um chazim
pra açaimar [acalmar] os neivo [nervos]”.
Caimbra [câmara] de sangue - diarreia com manchas ou rajadas de sangue (v.
andaço, caganeira).
Caiar, ou dar uma mão-de-cá [cal] – dar uma demão de cal (pintar com cal).
Cair do cavalo – perder o tempo, não conseguir o que queria.
Cair (ou dar) o fora – sair, ir embora.
Cair na boca do povo, ou do mundo – passar a ser alvo de comentários maldosos.
Cair na gandaia – levar vida desregrada.
Cair na graça – passar a ser admirado por alguém.
Cair na vida – prostituir-se.
Cair no conto-da-caroxinha, ou do-vigário – ser enganado, lubridiado por um
negócio vantajoso.
Caivoreira [carvoeira], ou cova de caivão [carvão] – buraco no chão onde se
coloca a madeira organizada e cobre-se com terra para fazer carvão.
Caixa dos peito, ou de catarro – tórax.
Cajaca-de-côro [couro] – corruptela de “casaca-de-couro”, que é um pássaro
avermelhado (semelhante ao casaco de couro do vaqueiro) de nativo do Sertão
que faz um grande ninho de espinhos no alto das árvores.
Caji, ou quaji – corruptela de “quase”.
Cajuada, ou cajuína – refrigerante feito com o sumo do caju.
Calça mêa [meia] – coronha, ou pegano [pegando] mareco – calça comprida no
meio da canela (v. coronha).
Calibre – tem dois sentidos: 1. grossura do cano de uma arma. 2. tendência natural
de uma pessoa para ser gorda ou magra.
Caliça – argamassa feita à base de cal (v. encaliçar)
Califon, ou corpete – sutiã.
Calombo, ou catombo – caroço, ematoma.
Caloteiro, ou veaco [velhaco] , ou xexeiro [seixeiro] – pessoa que não paga o que
deve (v. dar (ou levar) um cano, ou xexo).
Calunga – tem dois sentidos: 1. boneca. 2. pessoa que trabalha
carregando/descarregando caminhões (v. cabeceiro, ou chapiado).
Cambada, ou curriola, ou magote – certo número de pessoas, geralmente de má
índole (v. êito, moi [molho], penca, rebãe, reca, ruma).
Cambão – tem três sentidos: 1. resto do caule do pé de milho. 2. peça de madeira
que prende a canga ao cabeçalho do carro de boi. 3. levar uma grande
desvantagem numa corrida, ficando para trás, daí se diz que “levou um cambão”.
Cambitar – transportar cana, madeira, capim, etc, no lombo de animais.
Cambito – tem dois sentidos: 1. suporte de madeira, em forma de forquilha ou um
“V”, que se pendura na cangalha de um animal (jumento, burro, cavalo), para
transporte de madeira, capim, etc. 2. vem do italiano “gambetta”; pernas finas.
Ex: “Fulana tem pernas de cambito”.
Cambota – pessoa que tem as pernas tortas ou abertas para fora (v. cangaia).
Camboceira, ou tambueira – pequenas coisas, como: espigas de milho, melancia,
jerimum, etc.
Cambuca, ou cumbuca – caneca ou copo grande.
Camim [caminho] – estrada estreita por onde só circulam animais e pessoas (v.
vereda), ao contrário de rodagem que é uma estrada larga por onde trafegam
carros (v. rodagem).
Camim [caminho] de rato – falhas em um corte de cabelo mau feito.
Canáia – abreviação de “canalha”, que quer dizer gente baixa, povão (v. acanaiar)Canhão - tem dois sentidos: 1. arma de fogo de alto calibre. 2. penas novas que
estão começando a brotar em uma ave.
Cancão - tem dois sentidos: 1. pássaro do Sertão. 2. bolinhos de comida amassados
com as mãos, semelhante a um quibe (v. capitão).
Cancela – tem dois sentidos: 1. verbo cancelar. 2. pequena porteira.
Candeeiro – lamparina primitiva a base de querosene ou gás (v. gás).
Caneco, ou caneca – copo grande com alça.
Canela – tem dois sentidos: 1. planta de cuja casca e/ou pó se faz chá. 2. parte
dianteira da perna, entre o joelho e o pé.
Canga – peça de madeira que se coloca no pescoço do animal (boi, cavalo, etc).
para puxar carro de boi, carroça, arrado, etc.
Cangaceiro – bandoleiro, bandido (v. cangaço)
Cangaçotem dois sentidos: 1. bando de malfeitores, bandoleiros (v. cangaceiro).
2. coisa velha, espedaçada, estraçalhada.
Cangaia – abreviação de “cangalha”, tem três sentidos: 1. suporte que se coloca no
lombo de um animal (jumento, burro ou cavalo) para o transporte de objetos
sobre ele. 2. pernas tortas para fora (v. cambota, zambeta). 3. óculos (v. picinêz)
Cangueiro, ou munheca de pau – falta de habilidade. Ex: uma pessoa cangueira é
aquela que não se equilibra bem numa bicicleta, ou que dirige mal um carro.
Cangulo – dentuço.
Canja – sopa com carne de galinha.
Canjica – creme de milho grosso e consistente feito de milho-verde, que é uma das
comidas típicas das festas juninas do Nordeste.
Cantador de viola, ou repentista, ou violeiro – poeta que faz versos de improviso
(v. repente).
Cantiga – música ou cântico, tanto de homem como de animais. Daí a expressão
“cantiga de grilo”.
Canto – tem dois sentidos: 1. o cantar de um pássaro. 2. espaço, local. Daí a
famosa expressão “quano cheguei lá tava o canto mais limpo”, ou seja, vazio.
Cantoria de pé de parede – disputa entre repentistas improvisada num recanto de
parede.
Canudo – tem dois sentidos: 1. um cano fino. 2. um tipo de abelha nativa do Sertão,
que não possui ferrão e produz um excelente mel.
Canzil – duas traves que se enfiam numa canga para prender o boi.
Caôi – abreviação de “caolho”, que significa com um olho só ou com um olho torto.
Cão sem dono – pessoa desprezada, marginalizada.
Capa bode – tem dois sentidos: 1. pequeno engenho manual, de madeira, de moer
cana. 2. máquina manual para desfibrar agave (cisal).
Capanga – tem dois sentidos: 1. pistoleiro. 2. bolsa pequena.
Capão – galo castrado ou capado, com o intuíto de engordá-lo para matar.
Capar – castrar.
Capar o gato, ou escafeder, ou se empirulitar [empirilitar-se] – ir embora, sumir,
desaparecer.
Capenga – tem dois sentidos: 1. coxo, manco. 2. velho, atrasado, incompleto.
Capiongo – triste, calado, desconfiado.
Capitá – abreviação de “capital”, tem dois sentidos: 1. cidade sede do governo de
um Estado ou Nação. 2. dinheiro.
Capitão - tem três sentidos: 1. posto do alto escalão na carreira militar. 2. nome
dado a penico (v. penico, urinó). 3. bolinhos de comida amassados com as mãos,
semelhante a um quibe (v. cancão).
Capoeira – vegetação rala da caatinga Daí nasce a expressão “galinha de
capoeira”, por ser criada no mato (v. cascabui, descampado).
Capote - tem três sentidos: 1. casaco de frio. 2. galinha-d’angola (v. guiné). 3.
cobertura, com telhas coladas na cumeeira de um telhado.
Caprichoso – tem dois sentidos: 1. cuidadoso, meticuloso. 2. pessoa turrona,
teimosa (v. cabuloso, importuno, rabugento).
Capucho – tem dois sentidos: 1. pequeno tufo ou chumaço de algodão. 2.
“algodão-doce”, também chamado de “lã-de-açúcar”, por parecer com uma lá de
algodão. Daí ser comum a expressão ”um capucho de açúcar”.
Capuxú – um tipo de abelha nativa do Sertão.
Caquear – apalpar, tatear, procurar algo com as mãos.
Cara – tem dois sentidos: 1. rosto, face. 2. homem. Ex: “esse cara”
Cará – um tipo de inhame, também chamado de “São Tomé”.
Cara amarrada, ou fêa [feia], ou de quem cumeu [comeu] e num gostou – dizse
de uma pessoa carrancuda, de mau humor, etc. (v. carrancudo, ou lundum).
Cara-de-pau – pessoa sem vergonha, dissimulada, oportunista.
Cara lisa, ou lambida – diz-se de um pessoa cínica, dissimulada.
Carão - tem dois sentidos: 1. ave do Sertão que o matuto acretita adivinhar chuva.
2. repreensão, chamado de atenção (v. levar uma bronca…).
Carderão – corruptela de “caldeirão”, tem dois sentidos: 1. panela com uma alça. 2.
cisternas formadas por depressões naturais nos lajedos (v. tanque)
Cardeiro – um tipo de cacto cabeludo parecido com um mandacaru.
Cardo – corruptela de “caldo”, tem dois sentidos: 1. sumo da cana (v. garapa). 2.
líquida grosso e substancioso de uma comida. Ex: “cardo [caldo] de galinha”.
Carecer – vem do verbo latino “carere” quer dizer faltar, necessitar, precisar. Ex:
“quer uma ajuda? – num carece não”.
Carregar na mão – exagerar. Dito, principalmente, quando se erra ao colocar sal
numa comida, tornando-a salgada.
Careta – tem dois sentidos: 1. cara feia. 2. uma coisa atrasada, antiga, fora de moda.
Caritó – quarto nos casarões antigos onde dormiam as moças, sem janelas e com a
porta voltada para o quarto do casal, como forma de controlar a saída das moças.
Daí, quando uma moça não conseguia casar-se costumava-se dizer que “ficou no
caritó” (v. ficar pra titia…)
Carnegão – matéria pútrida e dura de um tumor (v. cabeça de prego).
Carne de criação – carne de caprinos e ovinos. (v. criação).
Carne de gado – carne bovina.
Carne de pescoço – pessoa difícil de ser convencida.
Carne de sol, ou seca – carne típica do Sertão, com sal e exposta ao sol para
desidratar um pouco.
Carne verde – carne fresca, sem sal.
Caroço – tem dois sentidos: 1. semente de uma planta. Ex: “caroço de manga”. 2.
inchaço, hematoma (v. catombo).
Caroço do ôi [olho] – globo ocular.
Carrapateira – mamona.
Carrapicho – arbuste, da família do capim, que, ao florar, produz espinhos, em
forma de cachos, no pendão.
Carrego – pilha – para rádio, lanterna, etc. (v. elemento).
Carreira – tem dois sentidos: 1. ato de correr. 2. espaço entre fileiras de milho,
feijão, cana, etc, emparelhadas
Carreiro – tem dois sentidos: 1. pessoa que conduz ou dirige o carro de boi. 2.
caminho de formiga (v. correição)
Carrité – abreviação de “carretel”, que é uma bobina, especialmente de linha para
costurar.
Carro de boi – carro de madeira puxado por bois.
Casa de arrasto – casa com dois telhados inclinados a partir da cumeeira (parte
mais alta que divide os lances de telhados) um para frente, e outro para trás.
Casa de bagalô, ou chalé – casa com dois telhados, inclinados cada um para um
lado.
Casa de famia [família] – usada para definir o local onde uma emprega doméstica
trabalha, daí se diz que “ela trabaia numa casa di famía”.
Casa de mêa [meia] -água – casa de um telhado único, inclinado para um único
lado.
Casa de Noca, ou da Mãe Joana – casa sem uma autoridade, onde todo mundo
entra, mexe, manda, etc.
Casa de taipa – casa construída não em alvenaria (tijolos), mas com paus (uns
fincados e outros trançados) e revestidos com barro socado.
Casamento da raposa – diz-se de uma situação em que chove e faz sol ao mesmo
tempo.
Cascabui – abreviação de “cascabulho”, que é um terreno pedregoso, ruim para
lavouras (v. capoeira, descampado, piçarro).
Cascai – abreviação de “cascalho”, que significa pedregulho, farelo de pedras.
Casco – tem dois sentidos: 1. unha de animal de porte (jumento, boi, etc). 2. garrafa
ou vasilhame fazio.
Cascudo, ou cocorote, ou croque – bater em alguém com o ponho fechado,
friccionando os dedos sobre sua cabeça.
Cassaco – tem dois sentidos: 1. animal parecido com um esquilo, ou seja, que
conduz os filhotes em um saco na barriga (v. gambá). 2. trabalhador de função
elementar (v. peão de obra).
Catar - tem dois sentidos: 1. colher. Ex: “catar algodão”. 2. escolher, separar. Ex:
“catar feijão, ou arrôz”, ou seja, separar as impurezas antes de cozinhar.
Catabí - abreviação de “catabil”, que é uma trepidação (solavancos) provocada por
buracos ou desníveis na estrada.
Catatau – coisa grande, enorme, volumosa.
Cantingueira – árvore sertaneja própria de terreno pedregoso.
Catita – pequeno rato (rato-catita) ou camundongo .
Catôta, ou meleca – secreção nasal endurecida.
Catraia, ou marafaia, ou marafona, ou mulé da vida (ou de vida fácil, ou
estradeira, ou à toa, ou galinha), ou piranha, ou puta, ou rameira, ou
rapariga
– mulher vadia, depravada, prostituta (v. cadela, dona, quenga, etc.).
Catrevagem – coisas velhas sem valor (v. bugiganga, treco).
Catucão, ou cutucão, ou futucão, ou prutucão – espetada violenta capaz de
provocar uma lesão.
Catucar, ou cutucar, ou futucar - tocar ou espetar levemente alguém com um
dedo, cotovelo, ou objeto pontiagudo, etc, como chamado ou sinal de advertência,
de alerta, etc.
Cavar – tem dois sentidos: 1. perfurar. 2. buscar, procurar. Ex: “o jogador cavou
um pênalte, mas o juiz num deu”.
Cavar a própria cova – procurar a sua própria desgraça.
Cavar a vida – lutar pela sobrevivência.
Cavaco – pontas ou restos de madeira.
Cavalo baixeiro – cavalo que foi adestrado para andar no passo macio, de forma
que quem está montado nele não sente trepidação.
Cavalo de bêbado – pessoa que a todo lugar que chega, para pra conversar,
semelhante ao cavalo do bêbado que para em todo bar.
Cavalo do cão – besouro parecido com um formigão preto que dá uma picada ou
ferroada muito dolorosa. (v. metido a cavalo do cão).
Causo – história engraçada, semelhante a uma piada, porém verídica.
Caxumba, ou papeira – inflamação das glândulas parótidas que incha os queixos
formando papadas (doença de bócio).
Ceará, ou jabá – carne de charque.
Cebolinha – cebola pequena nativa do Sertão, usada não só para temperar mas
também como remédio, como, por exemplo, em lambedor para tosse.
Cego - tem três sentidos: 1. sem visão. 2. sem fio, sem gume, não amolado. Ex:
“uma faca cega”. 3. ingênuo, inocente. Daí a expressão “tem pai que é cego”.
Cegueira – tem três sentidos: 1. sentido físico: falta da visão ocular. 2. sentido
figurado: não enxergar ou perceber o que está acontecendo ao seu redor. 3.
fixação por uma coisa (v. secura).
Ceica - corruptela de “cerca”, que é uma divisória feita de madeira e/ou arame para
prender animais.
Ceica [cerca] de faxina – cerca feita com varas finas trançadas (horizontalmente)
em estacas grossas verticais.
Ceica [cerca] de pau a pique – cerca feita de varas finas, ou paus grossos,
fincados verticalmente no chão.
Ceicado – corruptela de “cercado”, tem dois sentidos: 1. envolto, contornado (v.
arrodiado). 2. área cercada (por cercas) para prender animais (v. currá, manga,
reveso).
Ceivar [cervar] – engordar um animal para abate.
Celôra - abreviação de “celoura”, que é um cuecão, também chamada de “sambacanção”.
Cera - tem dois sentidos: 1. material cremoso feito pelas abelhas para comportar o
mel e os filhotes. 2. enrolar fazendo o tempo passar. Daí a expressão “Fulano tá
fazenno cera”.
Cesto – espécie de balaio de cipó, com asas para ser levado na mão.
Chã, ou chapada – planície.
Chá de burro – mungunzá ou manguzá (que no Sertão é salgado e temperado com
carne e orelha de porco).
Chá de goma – água com maizena usada como remédio para diarréia.
Chafurdo – coisa avacalhada, sem ordem, sem definição, safadeza.
Chaleira – tem dois sentidos: 1. vasilha de fazer café (v. bule, ou maimita). 2.
pessoa que quer agradar em demasia a outra pessoa (v. babão, baba-ovo).
Chamboqui, ou xamboqui – corruptelas de “sambaqui”, que é um pedaço que se
desprende de algo por acidente (v. tampo).
Chamichuga, ou sanguissuga – corruptelas de “sanguessuga”, tem dois sentidos: 1.
molusco de água doce que suga sangue humano. 2. pessoa que vive às custa de
outra.
Chamuscar, ou tostar – assar uma coisa só por fora, deixando o miolo cru (v.
sapecar)
Chapa – tem quadro sentidos: 1. lâmina de metal, madeira, plástico, etc. 2.
fotografia ou raio X, daí o matuto dizer que vai “bater uma chapa” (v. retrato). 3.
dentadura postiça (v. perereca). 4. amigo, companheiro. Ex: “Fulano é meu
chapa”
Chaquaiar [chacoalhar], ou saculejar – balançar, mexer muito.
Chato – tem três sentidos: 1. tipo de piolho ou carrapato achatado que procura os
pelos pubianos (v. mucuim). 2. plano, amassado. 3. pessoa irritante (v.
enchaicado).
Chegue! chegue! chegue!… – usada para chamar animais, por principalmente,
cabras.
Chêa [cheia] – tem dois sentidos: 1. lotada, completa, ocupada. 2. enchente em um
riacho ou rio.
Chêi [cheio] de dedo, ou encabulado – diz-se de uma pessoa envergonhada,
inibida, diante de uma situação inesperada.

Chêi [cheio] de mas, mas… – cheio de desculpas, indecisões.
Chêi [cheio] de nó pelas costa – pessoa complicada, difícil de se relacionar.
Chêi [cheio] de nove horas, ou de cavilação – diz-se de uma pessoa luxenta,
exigente, principalmente, com comida (o equivalente a cheio de frescura). (v.
biqueiro, luxento).
Chêi [cheio] de num-me-toque, ou de chove-num-moia [molha], ou de requifife
- pessoa requintada, melindrosa, cheia de frescura.
Cheiro-verde – coentro e cebolinha.
Chicote, ou rêi [relho] – tira de couro cru para amarrar ou surrar animais.
Chico – tem três sentidos: 1. apelido popular de Francisco. 2. nome de macaco
prego. 3. menstruação (v. tá de boi, ou de chico).
Chilepada - pancada, surra (v. burduada, lapada).
Chincada – indireta, passar na cara, resposta irônica.
Chincho - forma de madeira para fazer queijo de coalho.
Chinfrim – abreviação de “chinfrinho”, que é um coisa ridícula, insignificante,
pobre.
Chinica, ou titica – merda ou excremento de galinha.
Chiqueirar – separar. Muito usada no sentido de separar os bezerros das vacas à
tardinha, colocando-os num chiqueiro, para, no outro dia, tirar o leite das vacas
(v. enchiqueirar).
Chirre – ralo, fraco, sem consistência. Ex: “uma sopa chirre”
Chispe (ou rispe) daqui! – interjeição – “saia daqui!”. Daí a expressão “chispa
daqui menino!”.
Chita – um tipo ordinário de tecido de algodão, com estampa em cores fortes,
muito usado para cobrir colchão de palha ou fazer “vestido de matuta”.
Chocar – tem dois sentidos: 1. aquecer o ovo para gerar o filhote. 2. escandalizar,
causar espanto ou revolta em alguém.
Chocha-bunda – feijão de corda ou macassa (v. fejão).
Chocho – magro, encolhido, pequeno (v. franzino).
Chola – nome de cachorra vira-lata de pobre.
Chorar a morte da bezerra – lastimar-se de um fato irremediável.
Chorar miséria – fazer-se de pobre sem ser.
Choriso, ou chorisco – corruptela de “chouriço”, que é um doce de sangue de
porco e farinha de mandioca, condimentado com farinha de castanha e amendoim,
erva-doce, etc.
Choto – corruptela de “chouto”, que é o andar apressado de um cavalo, burro, etc.
Choviscar, ou lebrinar, ou serenar – chover fino (v. sereno).
Chucai – abreviação de “chocalho”, que é uma sineta que se pendura no pescoço
de um animal para que se saiba onde ele está.
Chucaiar – abreviação de “chocalhar”, que significa balançar fazendo barulho
semelhante a um chocalho.
Chulear - coser provisoriamente à mão (com agulha), em pontos esparços, um
tecido para depois vir com a costura definitiva na máquina.
Chupeta, ou consolo – borracha em formas de peito para acalentar crianças (v.
bico).
Churamingar [choramingar], ou resmungar, ou se lastimar [lastimar-se] -
murmurar, chorar baixinho, reclamar ou lamentar-se da vida.
Cia – abreviação de “cilha”, que é uma correia larga de couro que prende ou amarra
a sela e/ou cangalha pela barriga do animal.
Ciar, ou cêar – abreviação de “ceiar”, que quer dizer jantar.
Cião – sela grande própria para mulher andar a cavalo, em que se anda com os pés
só para um lado ou de lado (ou seja, para a mulher não andar com as pernas
abertas, dando lance). (v. lance).
Cibito – um dos menores pássaros sertanejos, tão pequeno quanto um beija-flor, daí
a expressão de comparação “Fulano é magro que só um cibito”.
Ciço – abreviação ou apelido popular de Cícero. Ex: Padim [padrinho] Ciço.
Cidade de pés junto – cemitério.
Cigarro de paia [palha], ou pé de burro, ou pacaia [pacalha] - cigarro (ou
charuto) de “fumo-de-rolo” fabricado artesanalmente no Sertão, envolto em
palha de milho seca (v. fumo-de-rolo)..
Cipó – galho fino e flexível de árvore, principalmente, de arbusto rasteiro. Muito
usado para fazer cestos e, no passado, para dar surra em meninos.
Cipó de boi – pênis de boi (seco) usado para surrar alguém.
Cipoada – surra com um cipó (v. lapada).
Cingir – corruptela de “cerzir”, que significa colocar um tecido novo por baixo de
um já velho e passar uma costura várias vezes no mesmo local para reforçar o
tecido velho que está “se poindo” ou “esgarçando”, ou seja se rasgando de fraco
(v. esgarçar, ou se poir).
Cismar – tem dois sentidos: 1. desconfiar. 2. encrencar, indispor-se, daí nasce a
expressão “cirmar das aprecata”.
Ciscar – tem dois sentidos: 1. ato de espalhar ou separar coisas com os pés,
próprio das aves, por exemplo, as galinhas, que ciscam o chão para catar
alimentos. 3. usada para indicar uma criança que está teimando em querer uma
coisa a ponto de se deitar no chão e ficar esperneando (v. amuado…).
Cisco – tem dois sentidos: 1. pequeno fragmento que entra no olho. 2. sujeira em
forma de pequenos fragmentos.
Coar - passar água ou outro líquido em um pano para extrair as impurezas.
Cobra criada – pessoa experiente, vivida.
Cobra-de-cipó – cobra que recebe este nome por ter uma cor cinzenta a ponto de
se confundir com um cipó.
Cobreiro – doença transmitida pelo germe do cachorro que, quando se manifesta
externamente, provoca erupções na pele e, quando internamente, comichões no
corpo.
Côca, Colinha, Socorrinha, Coquinha – apelido do nome próprio Socorro.
Cocão – peças que ficam dos dois lados de uma mesa de carro de boi, nas quais
gira o eixo.
Cochotem dois sentidos: 1. – vasilha comprida de madeira ou cimento, em forma
de gamela, usada para colocar ração para animais, especialmente porcos. 2.
manco.
Cocó – penteado de mulher em que se coloca todo o cabelo enrolado e preso no
alto da cabeça.
Coco-catolé – coco pequeno, parecido com o fruto da palmeira.
Coco velado – coco sem água, tão velho a ponto de soltar a amêndoa do quengo.
Muito usada para extrair o óleo ou azeite.
Coice – tem dois sentidos: 1. patada de um animal. 2. dar ou levar um fora.
Coidado – corruptela de “cuidado”.
Coipo [corpo] fechado – pessoa que acredita ser imune de desgraças, como crimes,
picada
Coisar – popularmente, substitui qualquer verbo, quando o falante esquece ou não
sabe o verbo correto a ser empregado.
Coisas do aico [arco] -da-véa [velha] – coisas absurdas, surpreendente, quase
impossíveis de acontecer.
Coisa-fêa [feia] – gesto obsceno, ou ato sexual (v. dizer (ou fazer) coisa-fêa).
Coisa-feita, ou catimbó, ou dispacho, ou macumba – feitiçaria, bruxaria,
trabalhos feitos no Candomblé.
Coisa e tá [tal] – expressão que significa “e outros”, “etc”.
Coivara – fogueira de vegetação rela cortada e amontoada para limpar o terreno
para o plantio (v. encoivarar).
Colar de cachorro – colar de rodelas de sabugo de milho que se coloca no pescoço
do cachorro para ele não pegar pulga.
Colcha de retai [retalho] – tem dois sentidos: 1. lençol feito de pedaços de pano
ou tecidos. 2. trabalho em pedaços ou feito aos pedaços.
Colchão de paia [palha] – colchão feito de palha (de bananeira, cana ou capim),
coberto com tecido de chita.
Cô [com] licença da palavra – pedido de licença ou desculpa antes de dizer um
palavrão (pornografia).
Combinação – roupa íntima feminina (um tipo de camisola), usada para dar
volume ou encobrir o corpo em casa de roupa transparente.
Combôi – abreviação de “combaio”, tem dois sentidos: 1. agrupamento de
determinado meio de transporte, por exemplo: de carro, de animais, etc. 2.
agrupamento de pessoas, geralmente, ruins. Ex: “comboi [comboio] de caba
[cabra] safado”.

Come quieto – pessoa que faz as coisas discretamente, principalmente, que tem
uma amante às escondidas.

Come que só uma geringonça, ou o esmeril da França, ou um cavalo, ou um
padre
– expressões usadas para indicar alguém que come demais ou um pouco
além da conta.

Compostura – usada para designar uma pessoa correta, bem vestida, educada, ou
seja, uma pessoa que tem compostura (v. decente).

Comprar briga – meter-se em briga dos outros.
Comprar (ou vender) animá [animal] pru [por] cabeça, ou inteiro, ou em pé -
comprar (ou vender) animais (caprino, suínos, ouvinos, etc) por unidade, vivos.
Concertina, ou harmônica, ou sanfona – acordeom grande, com muitos baixos,
diferente do fole, que é um acordeon pequeno, de apenas oito baixos (v. fole de
oito baixo).
Confeito - tem dois sentidos: 1. cobertura de bolo. 2. bombom (v. bala).
Conga – tem dois sentidos: 1. aluguel pelo uso da casa de farinha, engenho de
rapadura, etc, pago com uma parte da produção. 2. um tipo de tênis bem simples.

Congestão - má digestão alimentar.
Conhece Deus e o mundo – diz-se de uma pessoa bem relacionada, viajada.
Constipação – resfriado, início de gripe (v. defruce).
Consumição - aperreio, agonia, ansiedade, aperreio de vida.
Contar cum (com o) ovo no cu da galinha – contar com o incerto.
Conversa à boca miúda, ou pru [por] debaixo dos pano – conversa na sudirna,
em segredo (v. fofoca, fuxico).
Conversa miúda, ou mole – conversa sem sentido..

Conversar aritica, ou arezia, ou miolo de pote, ou água – falar bobagem.

Conversa pra boi drumir [dormir], ou fiada – mentira, conversa a que ninguém
dá crédito.
Corar saúde – melhorar, sarar.
Cordão de enfieira – cordão que se enfia em peixes (ou outros produtos),
formando uma fileira (enfieira), para expor ao sol para secar.
Cor de bonina – roxo.
Coré – porco.
Coroa-de-frade – um cacto em forma de flor, nativo do Sertão.
Coroca – lagartixa grande e velha.
Côro [couro] cru – couro em estado natural, sem ser curtido ou tratado.
Coronha – tem dois sentidos: 1. cabo de arma de fogo: espingarda, revólver, etc. 2.
calça comprida curta, ou seja, indo só até o meio da canela (v. calça mêa-
coronha, ou pegando mareco).
Coroné [coronel], ou manda-chuva, ou todo-poderoso – homem de grande poder
político e econômico, patrão, chefe.
Cordorniz - ave nativa do Sertão muito procurada pelos caçadores.
Corisco – suposta pedra que cai por ocasião de um grande relâmpago.
Correr as légua de – fugir ou esquivar-se de um trabalho, tarefa ou compromisso
Correr cá [com a] sela, ou do pau, ou da raia – desistir, acovardar-se.
Corredor – tem dois sentidos: 1. caminho ou passagem estreita entre dois cercados,
currais, paredes, etc. 2. osso buco, muito usado para fazer pirão.
Correição - caminho ou trajeto de formigas entre o formigueiro e a roça à procura
de alimentos (v. carreiro).
Correr os bãe [banhos] – proclamas de casamento.
Correr os zói [olhos], ou passar uma vista (ou um rabim de ôi [olho]) – observar
rapidamente.
Corrimento – secreção vaginal.
Corrimboque, ou tabaqueiro – pequeno vasilhame, geralmente feito de chifre de
boi, para o transporte de rapé.
Corta-jaca – pessoa que gosta de arranjar namoro para os outros (v. alcoviteira).
Corte de tecido, ou de costura – uma medida de tecido suficiente para
confeccionar uma roupa (v. quarta, quarto, retai).
Cortiço – tem dois sentidos: 1. aglomerado de pequenas casas de pobres (v.
mucambo, quixó). 2. casa ou colmeia feita artificialmente pelo homem (de
madeira ou juntando duas telhas) para abrigar abelhas, geralmente nativas e sem
ferrão, e que são colocadas perto de casa.
Cosca – abreviação de “cócega”.
Costá [costal] de rapadura – fardo ou grande pacote com 50 rapaduras enroladas
ou embrulhadas com palha de cana.
Costurar para fora – tem dois sentidos: 1. trabalhar como costureira. 2. trair o
marido.
Cotó – sem rabo.
Cotôco – ponta ou resto de algo, principalmente de madeira, mas que pode ser
usada para designar pessoas pequenas, daí ser comum a expressão “um cotoquim
de gente”.
Cova – abertura no solo para plantio de semente, sepultar animais e/ou defuntos,
fazer carvão, etc. (v. barroca, buraco).
Coxim – forro macio para sela de animais.
Coxo – manco, perneta.
Cozido – carne verde cozinhada com água e temperos.
Cozimento – tem dois sentidos: 1. ato de cozinhar. 2. remédio caseiro feito
cozendo-se cascas de paus (angico, aroeira, caju roxo, etc). Usado no tratamento
de inflamações, doenças ginecológicas, etc. (v. bãe de assento).
Creca - casca de ferida, principalmente, na cabeça.
Crente - nome dado a todo e qualquer protestante ou evangélico (v. bode).
Creu – coisa difícil, complicada. Ex: “coisa deficio do creu” ou “agora deu o creu”
Criação – criatório de caprino e ovinos (v. carne de criação).
Cria da casa – diz-se de um animal que criado em casa desde que nasceu, ou seja,
que não foi adquirido depois.
Criar de mêa [meia] – criar em sociedade, ou melhor, cuidar de um animal de
outra pessoa para depois repartir para os dois. (v. trabaiar de mêa).
Criado a mingua – criado na miséria, passando fome, etc.
Criatura – pessoa indeterminada.
Criatura de Deus! – expressão de tratamento.
Cri-cri – pessoa pegajosa, insistente, daí se dizer que alguém é um “cri-cri”.
Crina – cabelos ou pelos longos do pescoço do cavalo.
Cristaleira, ou guarda-louça, ou pitisqueiro – móvel de madeira, em forma de
estante, geralmente portas da frente e/ou laterais em vidro, usado para colocar as
louças e cristais: copos, pratos, tigelas, etc. (v. pratileira).
Cristé - um tipo de remédio caseiro (garrafada) usado para dar lavagem nos
animais, introduzindo o remédio pelo ânus (v. garrafada, puigante).
Cromo – calendário em poucas folhas, ao contrário do “Coração de Jesus”, que é
um calendário tradicional com uma “folhinha” para cada dia do ano.
Crueira – resto da massa da mandioca que não passa na peneira, que depois é
reaproveitada para outros fins, especialmente, ração de animais (v. manipueira).
Cruzar – tem dois sentidos: 1. atravessar. Ex: “cruzar a estrada”. 2. ato sexual dos
animais com vista à reprodução.
Cruz-credo! – interjeição de admiração, espanto, horror, aversão.
Cruzeta – tem dois sentidos: 1. pessoa ruim, difícil de se lidar. 2. peça de caminhão.
Cuai - abreviação de “coalho”, que uma pelanca do estomago de uma animal
roedor (especialmente coelho ou preá) que se coloca dentro do leite para cortar
ou azedar (cuaiar).
Cuaiada – abreviação de “coalhada”, tem dois sentidos: 1. massa que resulta do
leite posto para coalhar, que pode ser usada tanto para comer com açúcar, como
ser escorrida e prensada para fazer queijo de coalho. 2. repleto.
Cubar – tem dois sentidos: 1. calcular, medir. 2. observar.
Cuche, cuche, cuche… – comando para chamar porco.
Cucuruta [cocuruta], tem dois sentidos: 1. crista-de-galo. 2. o ponto mais alto de
uma árvore, de uma serra, da cabeça (v. moleira).
Cu de calango - corte ou talho nas juntas dos dedos, pela parte de dentro da mão,
que demora a sarar por conta do movimento de abrir e fechar da mão. Daí nasce a
expressão “atravessado feito cu de calango”.
Cu do mundo – cidade pequena, pobre, ruim, feia, etc.
Cueiro - fralda (não descartável) em tecido macio para recém-nascido.
Cuia – tem dois sentidos: 1. vasilha feita com uma banda de um cabaço seco
partido ao meio. (v. cabaço). 2. antiga medida usada para medir cereais: feijão,
farinha, milho, etc. Uma cuia equivale a 10 litros (v. braça, etc).
Cuié, ou culé – abreviação de “colher”.
Cuma – corruptela de “como”.
Cum [com] a bola virada, ou doido barrido [varrido] – totalmente louco.
Cuma [como] Deus criou batata – de qualquer jeito, à toa.
Cum [com o] adiantar da hora – estar ou ficar tarde.

Cumade [comadre] – tem dois sentidos: 1. madrinha de batismo de um filho(a). 2.
parteira, que passa a ser comadre de todas as mulheres que ajuda no parto e,
consequentemente, madrinha dos filhos(as).
Cum’a [com uma] mão na frente, outra atrás – sem ter nada na vida, pobre.
Cum [com] a mosca (ou a puiga [pulga]) detrás da urêa (ou zurêa) [orelha] -
desconfiado, atento.
Cum [com] a vista curta, ou empastada, ou encadeada, ou maretano
[maretando]
– vista ofuscada, embassada, turva.
Cumbuca [combuca] – pequena cuia ou banda de um cabaço (ou outro material)
usada para apanhar água de uma cacimba, açude, etc, para uma vasilha maior,
como, por exemplo, uma lata, tonel, etc. (v. apanhar).
Cum [com o] bucho inchado, ou empachado, ou empedido, ou enturido – com
prisão de ventre.
Cum [com o] cão no côro [couro] – endiabrado, feroz, enraivecido.
Cumeeira – parte mais alta de um telhado que divide as águas.
Cumê [comer] corda – amostrar-se, exibir-se .
Cumê [comer] da banda podre – sofrer, penar.
Cumê [comer] pão cum [com] banha – transar com uma mulher que acabou de
transar com outro homem e nem se lavou.
Cumê [comer] o pão que o diabo amassou – sofrer, penar.
Cumé qu’é? – abreviada de “como é que é?”
Cumê (ou ofender) uma moça – desvirginar uma donzela (v. bulir, descabaçar).
Cumida [comida] carregada, ou reimosa, ou que ofende – comida muito
gordurosa, imprópria ou que “ofende” (faz mal) a quem está de dieta médica,
como, por exemplo, “crustáceos, carneiro, peru, etc. (v. reimoso).
Cumida [comida] de panela – comida que tem sustância, que enche barriga, ao
contrário de “brebote”, que é comida só para enganar a barriga.
Cumida [comida] passada, ou sentida, ou ardida – comida fora da validade,
estragada, azeda, podre, etc.
Cumpade [compadre] – padrinho de batismo, casamento, etc.
Cum [com o] pé atrás – desconfiado, com cuidado, etc.
Cum’pôco [com’pouco] – expressão que denota suposição, dúvida, etc. Ex:
“cum’pouco eu vou chegar primeiro que…” (v. mais cum’pôco).
Cumprissai – corruptela de “cumprissaio”, que significa uma coisa sem fim. Ex:
“uma conversa muito longa”.
Cum [com o] rabo entre as perna – humilhado, derrotado.
Cum [com o] suor do rosto – com o próprio esforço.
Cum’s [com os] nêivo (ou nêuvo) [nervos] à frô [flor] da pele – diz-se de uma
pessoa que estressada, que se irrita com facilidade.

Cum’s [com os] zoi [olhos] negrejano [negrejando] – com os olhos lacrimejando.
Cunha do mermo [mesmo] pau, ou farinha do mermo [mesmo] saco, ou ser da
merma [mesma] laia
– expressões para dizer que duas pessoas são da mesma
qualidade, mesma estirpe.
Cupira - tem dois sentidos: 1. pequena abelha que costuma fazer sua casa num
cupim abandonado. 2. buraco no fundo de uma calça.
Curejar, ou gurejar – observar com desejo ou ambição.
Curar no rastro – crença de que rezando-se no rastro de um animal pode-se curálo
de certos males como, bicheira, carrapato, verme, etc.
Currá – abreviação de “curral”, que é um cercado de madeira, pedra, arame, etc,
para criatório de bois, cabras, ovelhas, etc. (v. ceicado, manga, reveso).
Currulepe - golpe dado na orelha, por trás, com dois dedos (v. peteleco).
Curto e grosso – pessoa objetiva demais, estúpida, ignorante.
Curto que só lençó [lençol] de poico [porco], ou coice de preá – diz-se de uma
coisa pequena demais.
Curtume – local onde se beneficia (curtir) o couro para comercialização.
Cururu - tem dois sentidos: 1. sapo-cururu. 2. carro velho (v. cafuringa, fubica).
Cururu de pé de pote – diz-se de uma pessoa teimosa.
Cuscuz, ou pão-de-mi [milho] – iguaria feita com flocos de milho cozida ao vapor.
Cush! cush! cush!… – expressão para chamar porco.
Cuspino [cuspindo] bala – com a garganta seca, com sede.
Cuspir no prato que cumeu [comeu] – ser mal agradecido.
Custar uma ninharia, ou uma mereça, ou uma mixaria – custar pouco dinheiro.
Custar os zoi [olhos] da cara, ou tá pela hora da morte – custar ou estar muito
caro.

 

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D

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– tem quatro sentidos: 1. verbo dar – ceder, ofertar. 2. depara-se, encontra-se.
Ex: Fulano foi pra feira e deu cum Sicrano lá” (v. topar). 3. bater, surrar, etc. Ex:
“Fulano deu no fi [filho] de Sicrano”. 4. usada para indicar a situação do sujeito
passivo (mulher ou homossexual masculino) numa relação sexual. Ex: “Fulana
deu ao fi [filho] de …” ou “Fulano deu o rabo pro fi [filho] de …”.
Daculá - abreviação de “daquele lugar” ou “daquela distância” (usado para
pequena distância).
Dado – tem dois sentidos: 1. bozó. 2. pessoa amável, simpática Ex: “esse menino é
muito dado”.
Danado – tem três sentidos: 1. teimoso, desobediente, astuto (v. medoi). 2.
frequentemente ou quase sempre. Ex: “adispois das primeras chuva é danado pra
sair tanajura”. 3. muito, bastante. Ex: “esse suco tá danado de bom”.
Danosse! – expressão de espanto e/ou admiração equivalente a “arra diacho
[diabo]!” ou “êita pêga)
Daqui pra’li, ou pra culá – tem dois sentidos: 1. pequena distância. 2. rapidinho
ou de repente. Ex: “pra ele se zangar é daqui pra’li”.
Dar a gota serena, ou a peste, ou a bexiga lixa, ou o bute, ou a molesta dos
cachorro, etc.
– complicar, dar tudo errado, etc.
Dar a mão à paimatória [palmatória] – reconhecer o erro.

Dar (ou virar) as costa – abandonar, desprezar alguém.
Dar as hora – cumprimentar uma pessoa num encontro, com expressões do tipo:
“bom dia!”, “tudo bem?”, “cuma vai?”, etc.
Dar cabimento, ou asa, ou brecha, ou trela – dar ousadia, liberdade, etc.
Dar calado pru [por] resposta – silenciar, calar-se.
Dar cartaz – dar importância.
Dar corda – incentivar, encorajar.
Dar conta do recado – cumprir uma tarefa, ser capaz.
Dar cria – parir (usada só para animais).
Dar cum [com] a cara na parede (ou porta), ou cum’s [com os] burro n’água,
ou quebrar a cara, ou rasgar a boca
– perder a viagem, não mconseguir o
esperado.
Dar cum [com] a língua nos dente – confessar, delatar.
Dar de garra, ou de mão – pegar ou usar algo.
Dar fé – perceber.
Dar fim – perder algo.
Dar maçada, ou embromar, ou remanchar - demorar, fazer atrasar.
Dar muito pano par’as manga – ser motivo de muitos comentários.
Dar nó em pingo d’água – um sujeito esperto, sabido.
Dar nome aos boi – nomear, dizer os nomes dos envolvidos.
Dar no pé, ou nos calo – ir embora, fugir, escapar.
Dar pa-trás [para trás] – desistir, cancelar, recuar.
Dar parte – prestar queixa contra alguém na polícia ou justiça.
Dar pru [para o] gasto – o suficiente para o consumo interno.
Dar o ar da graça – aparecer, revelar-se.
Dar o fora – ir embora, sumir, fugir.
Dar o prego – quebrar, enguiçar.
Dar o que falar – dar motivo.
Dar o que fazer – dar muito trabalho.
Dar ouvido - levar em consideração.
Dar um cano, ou um xexo (seixo] – não pagar uma dívida (v. caloteiro…).
Dar um chega pra lá – dar um basta.
Dar (ou levar) um corte – diz-se quando uma moça se recusa a dançar com um
rapaz .
Dar um duro – trabalhar muito.
Dar um jeito – tem dois sentidos: 1. consertar. 2. torcer ou contundir um membro
do corpo. Ex: “Fulano deu um jeito no pé” (v. desmintir, revelar).
Dar um pulim [pulinho] na rua - ir rapidinho à rua ou cidade.
Da silva – expressão que, associada a outra palavra, retrata um fato real, concreto,
perante alguém que estava duvidando, por exemplo: “vivo, ou vivim da silva”.
De a pé – andar á pé (v. de pé).
De banda – de lado.
De besta só tem o andar – diz-se de uma pessoa que se faz de de tolo sem ser.
De butuca ligada – atento, alerta.
De cabeça – fazer ou criar algo de memória, de improviso, como, por exemplo,
cálculos matemáticos, versos, etc.
De cabo a rabo, ou de fora a fora, ou de canto a canto, ou de ponta a ponta -
do começo até o fim.
De cara, ou de testa – frente a frente, olho no olho.
De carne e osso – expressão para dizer uma pessoa humana de verdade, sujeita a
pecados, etc.
De caso pensado – de propósito, premeditado.

Decente - pessoa correta, bem vestida, educada (v. compostura).
Décima – estrofe com dez versos em que cada linha ou verso tem oito sílabas
(octossilábicos). (v. galope, glosa, martelo, mote, morão, pé-quebrado, trova).
De cumê – comida, refeição, alimento.
Dedal – proteção de metal que a costureira coloca na ponta do dedo indicador para
não se furar ao coser ou pontilhar com a agulha (v. chuliar).
Dêdada – toque com o dedo no ânus de alguém.
Dedo-mindim [mindinho] - menor dedo da mão, que na brincadeira de crança
vem seguido de “seu-vizim [vizinho], maió [maior] -de-todos, fura-bolo e matapiôi
[piolho]”.
De finim [fininho], ou de raspão – atingir levemente, ou passar bem próximo.
Ex: “o carro passou de finim [fininho] pelo outro”.
Deforete – descanso, folga.
De frôzô [flozor] – sem fazer nada, malandrando.
Defruce – corruptela de “defluxo”, que é uma secreção nasal em começo de gripe -
coriza (v. constipado).
De graça – grátis (v. graça).
De hoje a oito, ou daqui a oito – abreviações de “de hoje a oito dias” e “daqui a
oito dias”.
Deitar galinha – colocar a galinha para chocar os ovos (v. chocar).
Deixar na mão – abandonar, não ajudar ou ser solidário.
De jeito maneira, ou qualidade – de jeito nehum, de modo algum, de forma
alguma.
Dejejum – café da manhã – que quebra ou tira o jejum da noite (v. jejum).
De lavra – diz-se de alimentos produzidos pelo próprio agricultor, que ele não
precisa comprar fora.
De maica [marca] maió [maior] – do maior tipo. Muito usado em sentido negativo.
Ex: “Fulano é ladrão de maica maió”.
De mala e cuia – definitivamente, para tal levou tudo ou toda mobília, daí é
comum dizer-se: “Fulano se mudou de mala e cuia”.
De mal’a pió [pior], ou de pió [pior] a pió [pior] cuma [como] a cantiga da
perua
– diz-se de algo que vai cada dia pior.
De mãos abanano [abanando] – sem portar nada nas mãos. No Sertão é comum
dizer-se que não se deve ir à casa ou visitar alguém “de mãos abananndo”, ou
seja, sem levar uma lembrancinha.
De mêa [meia] tigela – sem valor, sem importância, mediócre. Ex. “Fulano é um
médico de mêa tigela”.
De mêi [meio] -dia pra tarde – nas primeiras horas da tarde.
Demente, ou descansado, ou maçante, ou manzanza, ou remanchão, ou
drumente [dormente]
– pessoa lenta, vagaroza (v. macio)
De mermo [mesmo], ou de vera - de verdade, verdadeiro.
De môi (ou môio) – abreviação de “de molho”, tem dois sentidos: 1. colocar dentro
d’água para amolecer. Ex: “deixar o mi [milho] de môi [molho] pra moer” 2.
esperar. Ex: “Fulano ficou de môi [molho] esperanno o vigario” (v. chá de
cadeira).
Dente queiro, ou queixar – último dente siso – ou queiro – dos molares.
Dê no que der – aconteça o que acontecer.
De ôi [olho] (ou urêa [orelha]) em pé – vigilante, esperto, atento.
De papel passado – documentado, registrado em Cartório.
De pétem três sentidos: 1. na posição ereta. 2. andar a pé (v. de a pé). 3. firme,
em virgência.
De primeira – excelente, ou de primeira qualidade.
De primeiro – antigamente, no tempo passado.
De quebra, ou quebrados – pequena quantidade que passa em uma medida ou
peso. Ex: “a carne pesou 5 kg e uns quebrados”. Essa pequena quantia costumase
doar “de quebra”, como brinde, ao freguês”.
De repente, ou supetão – subitamente, inesperadamente. Ex: “Fulano apareceu de
supetão” (v. de vez).
Deriado, ou penso – inclinado para um lado, caído. Ex: “a parede tá deriada ou
pensa” (v. torto, troncho).
Derna – corruptela de “desde”, que pode vir acrescida da noção de tempo. Ex:
“derna de antonte”, “derna do ano trassado”, etc.
Derna [desde] que me’ntendo pru [por] gente – desde que tomei consciência que
existo.
Derradeiro sono – sono profundo, nas última horas da noite (v. premeiro sono)
Desafio - tem dois sentidos: 1. provocação, empreitada. 2. disputa entre dois
cantadores de viola (v. cantoria, peleja).
Desavessar – tirar do avesso (v. avessar).
Desbilitado – corruptela de “debilitado”, ou seja, fraco, desnutrido.
Desbocado – depravado, imoral, indecente.
Desbuiar - abreviação de “debulhar”, tem dois sentidos: 1. descaroçar. 2. detalhar,
contar a verdade.
Descabaçar, ou quebrar (ou tirar) o cabaço – desvirginar uma moça (v. bulir…).
Descambar, ou despencar – cair.
Descambichado, ou escambichado – desmontado, quebrado.
Descampado, ou taboleiro – área quase deserta na caatinga (v.cascabui, piçarro ).

Descansar – tem dois sentidos: 1. dar à luz. Usada só para mulheres, enquanto que
parir se usa tanto para mulheres como para animais (v. parir). 2. relaxar, distrairse.
Descansado, maçante, manzanza, ronceiro – vagaroso, lento, preguiçoso.
Descapelar – arranhar, tirar a pele.
Descer a lenha, ou o pau, ou a ripa – tem dois sentidos: 1. surrar alguém. 2. falar
mal de alguém.
Descer pra baixo – descer.
Desconchavado, ou esconchavado – sem jeito, desconforme, desarrumado.
Desconjuntar – desmontar nas juntas.
Desconjuro! – expressão usada para rejeitar, renegar ou amaldiçoar algo.
Desembestado – apressado, em alta velocidade, desvogernado.
Desempolar – nivelar um reboco ou piso com uma desempoladeira.
Desencardir – limpar, tirar a sugeira, etc. (v. encardido).
Desenfastiar – desopilar (v. enfastiar)
Desentrevar – fazer funcionar o que estava enrijecido (v. entrevar).
Desenxavido - sem gosto, sem graça, usada tanto para comida como para gente.
Desfeita – engratidão, afrontamento.
Desfrute – usada para indicar uma pessoa que vive maritalmente com outra sem ser
casada, ou seja, que “vevi [vive] no desfrute” (v. amassiado, etc).
Desinfeliz – diz-se de uma pessoa má.
Desingonçado – desconjuntado, com ginga no andar.
Desinteirar – descompletar (v. inteirar).
Desleixo, ou releixo – em estado de abandono, desmantelo, desorganização.
Desmamar [ou dirmamar] – encerrar o peíodo de mama de uma animal. (v.
apatar).
Desmantelado [ou dirmantelado] – desarrumado, desorganizado.
Desmilinguido [ou dirminlinguido, ou ismilinguidido] – pouco, definhado.
Muito usada para se referir a quem tem pouco cabelo.
Desmentir [ou dirmintir] – tem dois sentidos: 1. desmascarar uma mentira. 2.
torcer, contundir ou deslocar um membro do corpo. Ex: “Fulano desmentiu o pé”,
ou seja, torcer o pé (v. dar um jeito, revelar).
Desmiolado, ou destrambeiado [destrambelhado ] – doido, louco, desastrado.
Desmunhecar [ou dirminhecar] – fazer gestos efeminados (por parte do homem).
De só [sol] a só [sol] – que vai do nascer ao pôr-do-sol.
Despachado – atrevido, exibido, esperto.
Disse me disse, ou leva-e-traz, ou futrica, ou mexerico, ou zum, zum, zum -
fofoca, falar da vida alheia.
Destá – abreviação de “deixe estar”, ou seja, veremos, ou o tempo mostrarar, etc.
Ex: “destá que um dia ele precisa deu”.
Destambocado – o que está com um pedaço arrancado.
Destemperar - diz-se de um metal (instrumento de trabalho) que perdeu a
resistência ou corte (v. temperar).
Destocar - arrancar os tocos que ficaram de uma queimada ou a vegetação rasteira
pela raiz, preparando a terra para o plantio.
Destrinchar, ou esmiunçar – partir em pedaços. detalhar, explicar.
Destrocer - corruptela de “destorcer”, tem três sentidos: 1. desparafusar. 2.
desvirtuar uma conversa. 3. colocar no mesmo nível ou alinhamento. Ex: “o
pedreiro destroceu uma parede pela a outra”.
Desunerar – diz-se quando uma comida perde o ponto, ficando mole.
Desvanecer, ou esmorecer – desanimar, perder a coragem, sentir-se sem ânimo.
De tardezinha, ou tardezinha, ou à tardinha – final da tarde (entre cinco e seis da
tarde). (v. boca da noite)
Deu – abreviação de “de eu”, ou seja “de mim. Ex: “ele tava falano mau deu”.
De um tudo – sem faltar nada, com fartura, em abundância.
Deu o bode, ou o maió [maior] pau – confusão, briga.
Devagarim, ou devagazim – abreviações de “devagarinho”, que quer dizer
vagarosamente, lentamente.
Deveno [devendo] inté [até] os cabelo da cabeça – diz-se de uma pessoa que está
completamente endividado.
De veneta, ou de lua – por acaso, esporadicamente.
De vez – tem dois sentidos: 1. subitamente, repentinamente. Ex: “Fulano apareceu
de vez” (v. de repente, ou de supetão). 2. para indicar uma fruta que está prestes a
amadurecer (v. inchada).

Dia bonito – dia nublado, prometendo chuva.
Diacho – corruptela de “diabo”, usada como admiração ou repúdio. Daí as
expressões: “que diacho é isso?”, “ô diacho [diabo] rim [ruim]…”, etc.
Diadema – tiara.
D’agora em vante, ou doravante – contração de “de agora em diante”.
Dia santo de guarda – dia em que não se deve trabalhar, por ser santo (v. guardar
dia santo).
Difusôra – alto-falante, de metal (ferro ou alumínio), em forma de corneta.
Dinheiro pegado, ou inteiro – determinado valor numa única cédula.
Dinheiro trocado – determinado valor distribuído em várias cédulas.
Direto cuma [como] cantiga de grilo – continuamente, sem intervalo.
Direto cuma [como] enterro de crente – sem desvio ou parada, como enterro de
crente (evangélico ou protestante) que sai do velório direto para o cemitério, sem
passar pela Igreja Matriz da cidade, como acontece com os católicos nas cidades
do interior.
Dispendioso – coisa que causa muita despesa, por exemplo, uma viagem, etc.
Dispensa – tem dois sentidos: 1. ser dispensado, obter licença para… 2. despensa -
cômodo ou armário na cozinha onde se guarda mantimentos.
Distiorado – corruptela de “deteriorado”, que significa danificado, em ruínas,
estragado.
Ditoso, ou felizardo – aquele que tem sorte o dita.
Dito cujo – o mesmo, o tal, a pessoa mencionada.
Dito e feito – aconteceu conforme o previsto.
Dizer na doida – dizer sem pensar nas consequências.
Dizer nome-fêi [feio], ou palavrão – falar palavra pornográfica (v. coisa-fêa).
Dizer poucas e boas – maldizer alguém com insultos ou verdades que ele não
gostaria de ouvir.
Do bom e do mió [melhor] – expressão popular para dizer que só compra, tem,
vende, etc., coisa boa.
Do carai – abreviação de “do caralho”, que quer dizer bom demais (v. arretado).
Doença de mulé [mulher] – doenças próprias de mulheres as quais são tratadas por
um médico ginecologista.
Dois bicudo num se beija – duas pessoas de temperamento fortem não se
entendem (v. se dar, ou se bicar).
Dois dedim [dedinhos] de prosa – uma conversa rápida.
Dona – tem dois sentidos contrários: 1. tratamento respeitoso a uma senhora. 2.
prostituta (v. cadela, catraia, quenga, etc.).
Dona encrenca, ou a patroa, ou o frêi [freio] de mão – a esposa.
Dor de menino – dores no momento do parto (dor do parto).
Dor de viado [veado] – o mesmo que “dor desviada”; dor abdominal (no baço) que
dá geralmente em quem bebe muito líquido e em seguida faz exercícios
excessivos.
Dordói – abreviação de “dordolho”, que é uma inflamação nos olhos (conjuntivite).
Dor encausada – dor insistente ou persistente.
Dor nas cadeira, ou nos quarto – dor nos quadris ou nas costelas (v. bacia, quarto).
Dor nas junta – dor nas articulações ósseas (v. reumatismo).
Dotô – abraviação de “doutor”. Usada principalmente para designar médicos,
advogados, dentistas e outros profissionais formados, ainda que não tenham feito
doutorado, mas também como sinal de respeito a qualquer autoridade, como, por
exemplo, delegados, prefeitos, etc.
Drumença – corruptela de “dormência”, tem dois sentidos: 1. diminuição da
sensibilidade de uma parte do corpo, principalmente dos pés. 2. lentidão (v.
drumente, macio).
Drumir [dormir] cum [com] as galinha – dormir cedo, ao anoitecer.
Drumir [dormir] cum’s [com os] côro [couros] quente – levar uma surra antes de
dormir.
Drumir [dormir] no ponto – descuidar-se, deixar passar a oportunidade.
Duro que só pau de noivo, ou liso que só quiabo – sem dinheiro.

 

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 E

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E apois! – corruptela de “e então!”, “pois então!”.
É a veinha – expressão de xingamento, que significa “é a velhinha sua mãe”
Éca! – interjeição de reprovação ou nojo diante de coisas sujas, podres, etc.
É cagado e cuspido – usado pelo matuto para comparar duas pessoas muito
parecidas, idênticos, quase iguais (v. a cara dum, a bunda d’outro) e uma versão
popular de “esculpido e encarnado”, que por sua vez é uma corruptela de
“esculpido em Carrara (um tipo de mármora)”.
Etc e coisa e tá [tal] – e outros.
É de hoje que… – tem um sentido contrário de “faz tempo que…”.
É de lascar, ou de lascar o cano – diz-se em situações difíceis, complicadas, etc.
É de lavra – algo que foi colhido ou cultivado pela própria pessoa, ou o contrário
daquilo que foi comprado.
Êi!, ou esse menino! – usada para chamar alguém desconhecido.
É ino [indo] e vortano [voltando] – diz-se de uma coisa de boa qualidade.
Êita!, ou êpa! – interjeição de espanto e/ou admiração.
Êito – tem dois sentidos: 1. trabalho, serviço, tarefa. 2. certo número de pessoas.
Ex: “…apareceu um êito de caba [cabra] safado…” (v. rebãe, etc.).
Elemento – tem dois sentidos: 1. pilha – para rádio, lanterna, etc. (v. carrego). 2.
pessoa desconhecida. Ex: “um elemento apareceu e …” (v. má elemento)
Eles que são branco que se entendam – eles são do mesmo nível, por isso se
entendem.
Em age de (ou veno [vendo] a hora) fazer uma arte – vendo a hora fazer uma
desgraça, uma maldade, um acidente. Diz-se, principalmente, de uma criança que
está trelando.
Embira – cordão de tira de casca de pau, de folha de agave (cisal), etc.
Embiricica – tira de casca de pau, de folha de agave (cisal), etc.na qual se prende
(pela boca) os peixes dentro d’água numa pescaria.
Emboicar [emborcar] – virar de cabeça para baixo (v. desimborcar).
Embruiar [embrulhar] o estambo [estômago] – enjoar, sentir-se mau. Daí ser
comum a expressão “Tá ou ficar com estambo embruiado”, quando uma comida
faz mal ou diante de uma comida estragada (v. enjuar).
Embuchar – engravidar
Emboloar, ou engrolar – diz-se de uma comida (papa, angu, mingau, etc) que
ficou mal cozido, cheio de bolos.
Emburacar – adentrar abruptamente em um lugar.
Em conta – por um preço barato, econômico, etc.
Emendar – colar, consertar.
Emendar os bigodeentre – brigar, lutar, trocar socos e pontapés.
É mermo [mesmo] que cagar e limpar o cu cum [com] a bosta, ou que enfiar
bufa num cordão, ou que passar manteiga em venta de gato
– expressões que
significam “é perca de tempo”.
É mermo [mesmo] que queijo – algo muito bom, fácil, tranqüilo, etc.
Empacar - emperrar, estancar. Muito usada para indicar um animal ao parar de
andar e não querer sair mais do mesmo lugar.
Empaiar - abreviação de “empalhar”, tem dois sentidos: 1. envolver em palhas. 2.
atrapalhar, interromper, provocar atrasar. Ex: “desse jeito você tá empaiando a
viagem”.
Empaiolar - organizar algo formando um paiol (v. paió).
Empanzinar - comer tanto a ponto de o estômago ficar muito cheio, levando a um
mal-estar ou ânsia de vômito.
Emparear - colocar lado a lado, formar uma parelha (v. parêa).
Empeleitada - corruptela de “empreitada”, tem dois sentidos: 1. acerto no qual se
cobra um serviço calculando-se o todo, ao contrário do que é pago por diária. 2.
tarefa difícil. Ex: “tu agora arranjou uma empeleitada grande…”.
Empenado - tem dois sentidos: 1. com penas. Ex: “o passarim começou a
empenar), ou seja, a criar penas. 2. inclinado, penso para um lado (v. torno…).
Empestado, ou empistiado, ou lastrado – proliferado, espalhado
desordenadamente feito uma peste.
Empiriquitado - enfeitado, bem vestido, elegante (v. apapagaiado).
Emprasto – corruptela de “emplasto”, qiue é uma compressa de algum
medicamento.
Emprenhar, ou enxertar – engravidar (usado mais para animais].
Emprenhar pelos zuvido [ouvidos] - acreditar no que se ouve sem ter certeza.
Em ponto – qualquer hora exata do dia. Ex: “mêi [meio] dia em ponto”.
Em riba - em cima, no alto.
Em riba [em cima] da bucha - na hora, no momento.
Em riba [em cima] da hora - de última hora.
Encabrestrar – colocar o cabresto, ou dominar algo ou alguém.
Encabular - inibir, aborrecer, azucrinar, importunar.
Encaicar - corruptela de “encalçar”, que quer dizer apertar, comprimir.
Encafifado, ou encucado – pensativo, cheio de interrogações (v. entrigado).
Encaliçado - tem dois sentidos: 1. que vem de caliça, que é uma argamassa feita à
base de cal, que, quando endurece, fica muito dura. Daí dizer que uma coisa
“encalicou”. 2. usada para indicar uma pessoa viciada, acostumada, Daí se dizer
que “já tá encaliçada”.
Encangado - tem dois sentidos: 1. numa canga. 2. junto, unido, acompanhado. Daí
a expressão: “Fulano só anda encangado com Sicrano”.
Encantado - expessão dita diante de alguém que acaba de ser apresentado,
equivalenter a “é um prazer”.
Encarnar - pegar no pé, grudar em alguém, etc. (v. desincarnar).
Encarnado - da cor da carne, ou seja, vermelho (v. vremêi).
Encardido - manchado, sujo (v. desincardir).
Em carne e osso – diz-se de uma pessoa muito magra.
Encarreado - seguido, contínuo, enfileirado.
Encasquetar - fixar a ideia numa coisa e não ter quem mude o pensamento.
Encerado - tem três sentidos: 1. polido com cera. 2. macia como cera. Muito usada
para um tipo de rapadura, chamada “rapadura encerada”. 3. uma cor
intermediária entre o branco, negro e amarelo (do índio), muito usado para
designar uma pessoa descendente de árabe ou indiana.
Enchaicar [encharcar] – tem dois sentidos: 1. embeber em excesso algo (pano)
com água ou qualquer líquido. 2. zombar, ironizar de alguém (v. mangar).
Encher o saco - incomodar, azucrinar, perturbar.
Enchiqueirar - recolher ao anoitecer os bezerros, colocando-os em chiqueiros,
para ficarem separados das vacas, para não mamarem o leite.
Enchombrado - úmido, molhado, enchovalhado.
Encoivarar - tem dois sentidos: 1. ato de encoivarar – formar uma fogueira (v.
coivara). 2. tem um sentido moral/sexual machista transar com alguém. Daí ser
comum a expressão: “Fulano encoivarou a fia [filha] de Sicrano”.
Encosto - tem dois sentidos: 1. Superfície em que se encosta algo. Ex: “encosto da
cadeira”. 2. quando uma pessoa está com algum problema físico ou psicológico
e que se julgar ser consequência de feitiçaria ou coisa do demônio, daí se diz que
“tá com um encosto”.
Encruar - não cozinhar bem. Ex: “o fêjão [feijão] hoje ficou encruado”
Encuiê [encolher], ou minchar, ou minguar, ou muchar – diminuir de tamanho.
En-êim! - expressão de admiração ou compaixão, que geralmente vem acrescida
de “o bichim”, ficando “en-êim, o bichim!”, ou seja, o coitadinho.
Enfiar de goela abaixo – obrigar, impor.
Enfitete – pessoa que não merece confiança, aproveitador.
Enfuluença – entusiasmo momentâneo ou passageiro, também chamada de “fogo
de paia [palha]”, por exemplo, entusiasmo de menino para ajudar em alguma
tarefa, que logo acaba.
Enfurnar - esconder, principalmente, numa furna ou toca (v. toca).
Engaigelar - corrptela de “engargelar”, quee dizer esganar pelo pescoço.
Enganchado - emaranhado, preso.
Engatar – acoplar. Muito usado para indicar “um cachorro engatado numa
cachorra”, no coito.
Engatinhar - dar os primeiros passos, geralmente andando de quatro pés, a
semelhança de um gato.
Engomar - passar ferro numa roupa, visto que, antigamente, colocava-se água com
goma na roupa antes para passar.
Engolir (ou cumê [comer]) corda – ir na conversa (elogios) dos outros. Daí nasce
a expressão “engolino corda qui-nem cacimbão”.
Engolir sapo - viver uma situação constrangedora sem revidar.
Engraçado – tem quatro sentidos: 1. divertido. 2. mais ou menos bonito, ou seja,
quando o matuto quer dizer que uma pessoa não é tão bela, mas também não tão
feia, ele diz que é engraçada (v. jeitoso). 3. expressão de reprovação diante de um
ato de falsidade, sabedoria, etc. Ex: “você é muito endraçado, quer ganhar sem
trabaiar [trabalhar]”. 4. expressão de admiração diante de algo misterioso,
enigmático, etc. Ex: “engraçado!, eu pensava que Fulano era fi de…. mas…”.
Engrisiado, ou eniado [enlinhado] – enrolado, emaranhado de linhas, cordões, etc.
Engrossante, ou grossante – mingau para bebês, fino a ponto de ser tomado em
mamadeira.
Engrujado, ou engurujado – tem dois sentidos: 1. pequeno e murcho. Daí, quando
feijão não cresce na vargem diz-se que ficou “engurujado” (v. chocho). 2. pessoa
encolhida, retraída, desconfiada.
Enguiçar – tem dois sentidos: 1. quebrar, travar. 2. cruzar ou passar por cima das
pernas de alguém estando este deitado, o que, segundo a superstição, quem está
deitado pode deixa de crescer, daí pede-se que passe no sentido contrário,
desenguiçando, para voltar a crescer (v. desinguiçar).
Enjembrar - quebrar, entortar, amassar, etc.
Enjeitado - tem dois sentidos: 1. rejeitado. 2. pessoas ou animal órfão.
Enjoado - tem três sentidos: 1. com enjôo ou ânsia de vômito (v. embruiar o
estambo). 2. coisa que provoca enjôo. Ex: “esse mé [mel] tá muito enjoado”. 3.
pessoa abusada, aborrecida, intolerante, antipática (v. emportuno).
Enrabar – transar, principalmente numa relação homossexual masculina.
Enrolado que só carreté [carretel], ou cordão no bolso - diz-se de uma pessoa
complicada, lenta.
Ensoado - termo usado para definir uma macaxeira, jerimum, que ao cosinha fica
cheio d’água (não enxuto).
Enterrar os pés – levantar-se bruscamente, saltar, pular.
Entica, ou peitica, ou picuinha – encrencar sem necessidade ou por coisa
insignificante, implicação, marcação serrada.
Entijolar, ou ladriar [ladrilhar] - calçar um piso com tijolos.
Entitelado - ereto, com o peito ou tórax estufado pra fora (v. titela).
Entojo - náuseas ou enjôo durante a gravidez.
Entonce, ou ontonce – corruptela de “então”.
Entrambecar - andar tropeçando as pernas uma nas outras.
Entramelar - desordenar, por exemplo, meter-se no meio da conversa ou serviço
atrapalhando.
Entreter – tem dois sentidos: 1. alegrar, divertir. 2. distrair, desviar a atenção. Ex:
“enquanto um entretia a puliça [polícia], o outro…”
Entrevado – enrijecido, endurecido. Usado, principalmente, para indicar problemas
de artrite.
Entriçado – duro, sólido, rígido.
Entronchar – entortar, desalinhar (v. troncho).
Entrupicar - tropeçar (v. topada, trupição).
Entuiar - abreviação de “entulhar”, que significa amontoar (v. tuia).
Enviezado – atravessado formando um bico ou triângulo.
Envelope (ou paletó) de madeira – caixão-de-defunto.
Enxaguar - lavar em água limpa algo que está ensaboado (v. quarar).
Enxerimento - gracejo ou insinuação sexual para com alguém.
Enxotar - expulsar, excluir, espantar à força ou por gritos.
Enxurada – grande quantidade de água que corre, fruto de uma chuva grossa.
É o besta!, ou o fraco!, ou o rim [ruim]!, etc. – expressões que significam o
contrário, ou seja, que é muito sabido, forte, etc.
É o novo! - ironia quando se quer dizer que algo ou alguém é muito velho.
É osso – é dureza.
É rim [ruim] em! – expressão de reprovação, negação.
Esbaforido - cansado, sem fôlego, sufocado pelo calor.
Esbagaçar, ou esbandaiar [esbandalhar], ou espatifar, ou estraçaiar
[estraçalhar]
– partir em pedaços.
Escarcéu - confusão, briga, gitaria.
Escambichado - arrebentado, quebrado.
Escanchado – em cima de algo com as pernas abertas. Daí ser muito usada a
expressão “o menino tava escanchado no cangote do pai”. Ou é muito comum as
mulheres carregarem os meninos “escanchado nos quadris”.
Escangaiar – abreviação de “escangalhar”, que quer dizer abrir, escancarar, em
alusão a uma pessoa com as pernas abertas, montado numa cangalha de animal
(cavalo, burro ou jumento).
Escapar fedeno [fedendo], ou por uma peinha de nada – escapar por um triz
Escarda [escalda] -pé – lavar os pés com água morna.
Esconchavado – torto, fora de nível ou prumo, desmantelado
Esconder o leite – omitir a verdade, guardar segredo.
Escornado – doente a ponto de não se levantar (v. à beira da morte, moribundo).
Escrachar, ou escuiambar [esculhambar], ou esculachar, ou xingar – dizer
malcriação com alguém, ou depravação em um ambiente.
Escramuçar [escaramuçar], ou pinotar – pular, saltar. Muito usada para definir
os saltos de um jumento (v. esquipar).
Escroto – depravado, indecente, imoral.
Escumar - corruptela de “espumar”, ou seja, formar espuma.
É servido? – expressão para se oferecer algo a alguém, equivalente a “aceita?”
Esfogueado - da cor de fogo (v. amarelo queimado).
Esgarçar, ou se puir – rasgar-se por está franco de tão velho. Ex: “essa rede tá se
puino no fundo” (v. cingir).
Esguio - elegante fisicamente (magro, alto), o que hoje chamamos de “sarado”.
Esgulepo – queda de mau jeito.
Esmolé, ou pedinte – mendigo.
Espanaviado – alegre ou espontâneo demais.
Esparecer, ou desparecer – se distrair, arejar a mente.
Espêi [espelho] sem luz – diz-se quando uma pessoa se atravessa na frente da outra,
atrapalhando a visão.
Esperança - tem dois sentidos: 1. pensamento positivo em relação ao futuro. 2.
grilo de cor verde.
Esperar a poeira assentar (ou baixar) – esperar a situação acalmar ou voltar ao
normal.
Espere deitado que em pé cansa – diz-se para desenganar alguém diante de um
caso sem solução, quando este ainda estava com esperança.
Espia!, ou pia! – tem o sentido de: olha!, pesta a atenção!
Espinhaço – as costas e/ou a espinha dorsal Ex: “tô com dor no espinhaço”.
Espinhela caída – dor cruzando o peito ou tórax. Para tal, costuma-se medir o
tórax com um cordão para diagnosticar a doença. Já a cura é feita com reza forte,
utilizando-se ramos de arruda ou pião-roxo.
Espingarda de feixe, ou soca-soca – um tipo espingarda que se carrega colocandose
pólvora e chumbo pela boca do cano, em seguida uma bucha (tufão), que é
socada por uma vareta (v. saca-trapo), daí o nome “soca-soca” .
Espirituoso - pessoa muito criativa, que gosta de contar piadas, inventar histórias
(mentiras) engraçadas e dar respostas inesperadas.
Espevitado, ou espritado – ativo, esperto, vivo (muito usado para crianças).
Espezinhar – tem dois senridos: 1. andar pra lá e pra cá sem sair do lugar. 2.
menosprezar, himilhar, tripudiar.
Espojar - ato animal de deitar e rolar no chão para se coçar.
Espragatar – amassar, espremer, esmagar.
Espreguiçadeira – cadeira de tecido (lona), parecida com uma cama ou cadeira de
balanço, para curtir preguiça ou descansar (v. preguiçosa).
Esquipar - andar quase correndo, feito um cavalo a passos largos (v. escramuçar).
Estambocar – arrancar um tampo ou pedaço. Ex: “o tiro estambocou a parede”.
Estatelado - engasgado, prostrado, sem fôlego.
Estêi – abreviação de “esteio”, é um pau (madeira) que se coloca em pé para
sustentar ou escorar o telhado de um terraço ou alpendre.
Estiado – sem chova, trégua da chuva.
Estoporar – explodir, inchar. Ex, “Fulano morreu estoporado de raiva”.
Estralar [estrelar] ovo – fringir ou cozer um ovo em gordura.
Estrambólico - corruptela de “estrambótico”, quer dizer esquisito, extravagante.
Estribuchar - espernear, contorcer-se, agonizar para morrer.
Estripulia - trela, artimanha, travessura.
Estropiado, ou tropo – cansado, andando cambaleando.
Estrovenga – tem dois sentidos: 1. foice com gume dos dois lados. 2. coisa
desmantelada.
Estruir - desperdiçar, estragar.
Estrumo - esterco, usado como adubo ou fertilizante, geralmente de gado, que é o
mais comum no Sertão, popularmente conhecido por “estrumo de vaca”.
Estrupício - desastrado, desmantelado, desorganizado.
Estufar – encher muito, inchar.
Estumar – atiçar, estimular ou ordenar o cachorro para atacar.
Esturricar, ou esturrar – deixar uma comida queimar um pouco. Ex: “o xerém
hoje ficou esturicado”.
Esturro, ou urro – berro ou rugido, principalmente, do boi.
…e tanto – bom demais, excepcional. Ex: “ a festa tava boa e tanto”.
É tu nada! – expressão de reprovação diante de alguém atrevido, equivalente a “vê
se te enxerga”.
Eu acho é pouco – expressão interjetiva com intenção de desprezo, maldição.
Eu cegue (ou me dane pru [para o] inferno) se num for verdade – expressão de
juramento, equivalenre a “eu garanto”.
Eu dô [dou] pru [por] vista – eu imagino, eu suponho, eu tenho uma Idea.
Eu ele – eu no lugar dele, eu sendo ele, se eu fosse ele.
Eu que me importe! – expressão de indiferença, equivalente a “num tô nem aí!”
ou “num ligo a mínima!”.
Eu só tô [estou]… – expressão de reprovação ou repreensão, no sentido de estar
admirado que a pessoa seja capaz de algo. Ex: “eu só tô… tu ainda viver cum esse
cara”.
Eu tô besta – eu estou admirado, ou pasmo.
Eu tô para dizer que… – eu sou da opinião de que…
Eu vô [vou] breu! – tem um sentido contrário de não vou, nem pensar.
Excomungado – amaldiçoada.

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 F

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Facada, ou pexeirada – corte provocado por uma faca (pexeira), muito comum
em brigas (v. lambedeira, ou peixeira).
Faca de dois gume – negócio com vantagens e riscos ao mesmo tempo.
Facheiro – cacto da caatinga sertaneja (v. cardeiro).
Facho – tocha de madeira seca triturada na ponta, para iluminação ou reproduzir o
fogo nas queimadas (v. broca) dos roçados.
Facim – abreviação de “facinho, que significa facílimo ou muito fácil.
Falar pelos cotovelo – ser prolixo, tagarela, falar muito.
Falada – diz-se de uma pessoa que está sendo alvo de comentários maldosos,
especialmente uma moça que se suspeita que não é mais virgem.
Falano [falando] só cuma [como] raido [rádio] – diz-se de uma pessoa que está
falando só, murmurando.
Falô [falou] no diacho [diabo], apareceu o rabo – diz-se quando se está falando
de alguém e ele aparece repentinamente.
Farnizim, ou gastura – ânsia de vomitar, sensação de mal-estar.
Farso [falso] que só beijo de rapariga – diz-se de uma pessoa mentirosa.
Farta – tem dois sentidos contrários: 1. corruptela de “falta”. 2. abudância. Ex:
“uma mesa farta”, ou seja, com “fartura”.
Fartar [faltar] terra nos pés – faltar argumentos, não ter justificativa a dar.
Fastio – falta de apetite.
Fato – tem dois sentidos: 1. acontecimento. 2. intestinos de um animal. Ex:
“amanhã vô [vou] comprar 1k de fato pra fazer uma dobradinha” (v. bucho,
miúdo).
Faz de conta que, ou padizer [para dizer] que – simulação. Ex: “vamos brincar
de famia [família]. Padizer qu’eu sô [sou] o pai e tu é a mãe”.
Fazer a cama, ou a caveira – falar mal de alguém, preparando o espírito de
alguém contra ele.
Fazer as perna – depilar as pernas.
Fazer as zunha – pintar as unhas.
Fazer as vez [vezes] – fazer de conta que é outro.
Fazer beicim [beicinho] – fazer cara de choro.
Fazer carreira – preparar-se para correr ou partir.
Fazer cera – trabalhar lentamente, propositadamente.
Fazer coisa-fêa [feia] – fazer sexo ou, pelo menos, gestos obscenos (v. coisa-fêa).
Fazer das tripa coração – fazer um grande esforço ou o impossível.
Fazer de gato-sapato – usar e abusar de alguém, fazendo-o de coisa insignificante,
sem importância.
Fazer feira – comprar alimentos na feira, bodega, mercado, etc.
Fazer gosto – ter gosto, concordar.
Fazer hora - esperar o tempo passar.
Fazer missa de corpo presente – fazer elogios a alguém pessoalmente.
Fazer nas carreira, ou nas coxa – fazer algo mal feito, apresadamente.
Fazenda – tem dois sentidos: 1. grande propriedade rural. 2. tecido (v. pano).
Fazer pipi (ou xixi), ou mijar, ou verter água – urinar.
Fazer pouco – humilhar, zombar, debochar.
Fazer pouco caso, ou num fazer caso – desconsiderar a presença ou palavra de
alguém.
Fazer pru [por] onde - dar motivo.
Fazer quarto – fazer vigília a um doente ou defunto.
Fazer sabão – relação sexual entre duas mulheres.
Fazer sala – fazer companhia a uma visita, geralmente, na sala.
Fazer sangue – ferir alguém em uma briga.
Fazer tempestade num copo d’água – fazer confusão por pouca coisa.
Fazer terra, ou cera – enrolar ou trabalhar lentamente propositadamente.
Fazer vista grossa – fazer de conta que não viu nada.
Fazer o balão – dar a volta ou circular com o carro para retornar (v arrodiar).
Fazer um pé-de-mêa [meia] – fazer uma reserva ou poupança.
Fechiclé, ou ri-ri – zíper (fecho de calça).
Feição – fisionomia (v. ter os traço, ou as feição).
Feiche – grande molho de algo, preso por uma corda. Ex: “feiche de capim”, etc.
Fêi [feio] que só um jaburu, ou um caboré, ou uma briga de foice, ou fêi [feio]
que doi, ou de dar desgosto
– diz-se de uma pessoa muito feia.
Fejão, ou fêjão – corruptelas de “feijão”, podendo ser de diversos tipos, sendo os
mais comuns nos Sertões: “fejão-de-arranca, de-corda ou macassa” (v. chocabunda).
Fejão (ou fêjão) [feijão] cum [com] arroz – coisa corriqueira, do contidiano.
Fejão (ou fêjão) [feijão] puro – sem mistura, principalmente sem carne.
Fela (ou fi [filho]) da égua, ou da mãe, ou da puta, ou da gaita – expressões de
ofensa à mãe de alguém.
Felizmente – tem sentido contrário de infelizmente.
Ferida braba – ferida crônica (câncer de pele, erisipela, etc).
Ferrar – tem três sentidos: 1. colocar um ferro em algo. Ex: “ferrar a roda do carro
de boi”. 2. marcar um animal com um ferro quente, no qual estão inscritas as
iniciais do dono. 3. prejudicar ou ser prejudicado por alguém, daí se diz que
“Fulano se ferrou” (v. se ferrar).
Fi - tem dois sentidos: 1. abreviação de “filho”. 2. abreviação de fio. Ex: “fi de
cabelo…”.
Fia – abreviação de “filha”.
Fiarada – abreviação de “filharada”, fazendo referência ao filhos.
Ficar ao Deus darar – ficar abandonado, entregue à sorte.
Ficar chupano [chupando] o dedo – ficar sem nada.
Ficar cá [com a] cara no chão, ou de tacho – ficar envergonhado. desmoralizado,
passar por mentiroso.
Ficar cum [com] água na boca – tem dois sentidos: 1. ficar com a boca cheia
d’água diante de uma comida gostosa. 2. ter vontade de adquirir algo e não
conseguir, ou seja, ficar apenas na vontade.
Ficar de flozô – ficar sem fazer nada, na malandragem.
Ficar de queixo caído – ficar admirado, perplexo.
Ficar (ou tá) no mato sem cachorro – perdido, abandonado.
Ficar num pé e noutro – ficar em estado de ansiedade, inquiteação ou
preocupação.
Ficar no canto – diz-se de uma criança que perde a atenção dos pais ao nascer um
novo irmãozinho.
Ficar para titia, ou no caritó, ou sorteirona [solteirona], ou maroca, ou vitalina,
ou encaiada [encalhada]
– ficar moça velha sem casar.
Fi [fio] da meada – rumo da conversa.
Fi [filho] duma [de uma] ronca e fuça (de uma porca), ou duma [deuma] jega
parideira
– expressão de ofensa à mãe de alguém.
Fi [filho] hôme [homem], ou menino hôme [homem] – filho de sexo masculino.
Finca-pé – arranco ou saída brusca impulsionada pelos pés.
Fixe – consistente (v. duro, maciço)
Flecha (ou bandeira) de agave – pendão do cisal.
Fletar – paquerar, ou ter um caso rápido, o que hoje chamamos de “ficar”.
Focinheira – utensílio de corda ou outro material posto na cabeça do animal para
amarrá-lo (v. cabresto).
Foder, ou dar uma, ou furar o côro [couro], ou meter, ou trepar – transar, ter
relação sexual.
Fodido - pessoa derrotada, endividada, acabada, etc. (v. lascado).
Fogão de trempe – fogão improvisado com três pedras, no chão, sobre as quais se
coloca uma panela e o fogo embaixo.
Fogo de paia [palha] – entusiasmo rápido, passageiro, (v. enfuluença).
Fogo no rabo – concupiscência, desejo sexual.
Foia – abreviação de “ folha”, tem dois sentidos: 1. folha de planta. 2. lâmina de
um instrumento cortante. Ex: “foia [folha] da faca”.
Foice – instrumento de corte de ferro usada para roçar mato ou cortar lenha.
Foi num [não] foi, ou vez por outra, ou vira e mexe – de vez em quando.
Fole de oito baixo, ou pé de bode – acordeom primitivo, de apenas oito baixos.
Folia, ou furdunço, ou fuzaca – festa, farra, brincadeira, animação etc.
Fome canina – fome semelhante à de um cão faminto.
Forjo – armadilha na qual se cava um buraco e coloca-se uma tábua em cima para
quando o preá passar cair dentro (v. quixó).
Fornido – forte, resistente, reforçado.
Forrobodó - tem dois sentidos: 1. festa dançante (forró). 2. tumulto, confusão.
Fortificante - qualquer tipo de vitamina ou energético.
Fosco – fósforo.
Frande – corruptela de “flandre”, que é uma lâmina fina de ferro para o fabrico de
copos, bacias, etc. (v. lata).
Franga – galinha nova que ainda não pôs os primeiros ovos.
Franzino - pessoa magra e pequena.
Frasqueira - tem três sentidos: 1. conjunto de pequenos frascos. 2. bolsa de mulher
em forma de mala pequena (necesser) para transporte de joias e cosméticos. 3.
gente de baixo nível social (v. mundiça, rafamea, ralé).
Flecheirar, ou estimbugar, ou tibungar – dar um pulo seguido de mergulho
n’água.
Frege, ou ruge-ruge, ou vuco-vuco – empurra-empurra, agitação, alvoroço,
movimento de muita gente (v. rebuliço).
Frêi – tem dois sentidos: abreviação de “freio” (de carro, por exemplo). 2. frade,
irmão religioso.
Frei-bode – pastor ou ministro protestante (v. crente).
Frescar cá [com a] cara, ou tirar sarro – zombar, debochar com a cara de alguém.
Frieira – tem dois sentidos: 1. micose que causa muita coceira entre os dedos dos
pés. 2. cogumelo (fungo).
Friso – tem dois sentidos: 1. grampo pequeno para prender o cabelo (v. birilo). 2.
filetes pintados ou vincados em qualquer objeto, inclusive em parede.
Friviar, ou fruviar – corruptela de “fervilhar”.
Frontão - fachada superior da parede frontal de uma casa (frontispício).
Fuá – tem dois sentidos: 1. cabelo despenteado. 2. bagunça, briga, confusão.
Fuba – pó de milho pisado no pilão, que se costuma comer com rapadura raspada.
Fubá – massa fina de milho moído para fazer bolo, mingau, etc.
Fubado, ou fubento – em péssimas condições de uso, geralmente roupa.
Fuça, ou fucim – abreviações de “forcinho” – tem dois sentifdos: 1. narinas de um
animal. 2. cara, rosto de alguém. Daí a espressão “Fulano levou um murro nas
fuça”.
Fuçar – tem dois sentidos: 1. remover ou volver a terra com o focinho. Ex: “o
poico [porco] fuçou a lama”. 2. procurar, bisbilhotar Ex: “ele fuçou a gaveta e
não encontrou nada”.
Fueiro – Estacas de madeira que se coloca perpendicularmente à mesa do carro-deboi,
enfiando-a em furos que há em todo o contôrno da mesma, para segurar a
carga.
Fuiquia – abreviação de “forquilha”, que é um pau em forma de “Y”, muito usado
para suspender algo, por exemplo, o cabeçalho do carro de boi. (v. passar a noite
na fuiquia cuma cabeçai de carro de boi”.
Fulano de tá [tal] – pessoa indetermimada (v. Beltrano, Sicrano).
Fuleragem – sacanagem, safadeza, pornografia (v. pilera, piada).
Fuleiro – fraco, de má qualidade.
Fulô, ou frô – abreviação de “flor”.
Fulustreco - o mesmo que Fulano, num sentido depreciativo.
Fumo-de-rolo – fumo produzido artesanalmente, em forma de rolo, para consumo
em cigarros, cachimbos, etc.
Fun… – expressão usada ao sentir um mau cheiro.
Funda – tem dois sentidos: 1. instrumento de atirar pedra. 2. abreviação de
profunda.
Fundura – profundidade
Furada – tem três sentidos: 1. algo com um furo. 2. enrascada, engano. Daí se dizer
que “Fulano entrou numa furada”. 2. usada para indicar uma mulher
(principalmente adolescente) que não é mais virgem, daí se dizer que é “uma
môça furada” (v. moça bulida).
Furado na venta – usada quando uma pessoa está muito apaixonada por outra, a
ponto de se deixar dominar, daí se dizer que ela “está furada na venta”, em alusão
ao boi que, por mais feroz que seja, quando o homem fura sua venta (narinas),
coloca uma argola de ferro e o prende com uma corda amarrada à argola, ele fica
manso, dócil, obediente (v. venta).

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 G

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Gabiru – corruptela de “guabiru”, que é um tipo de rato grande (v. catita).
Gado, ou rês – bovinos: bois, vacas. Ex: “sortar o gado (ou a rês) na manga” .
Gagau – fórmula infantil de se dizer “mingau” (v. engrossante).
Gaifo, ou galfo – corruptela de “garfo”.
Gaiguelo – corruptela de “garguelo”, que quer dizer o conjunto de pescoço e
garganta juntos.
Gaiofa - algazara.
Gaita, ou rialejo, ou vialejo – pequeno instrumento musical que se toca aspirando
e soprando com a boca.
Gaitada - risada extravagante ou escandalosa.
Gala - tem três sentidos: 1. roupa pomposa de ocasião, chamado de “traje de gala”.
2. mancha branca na gema de um ovo, responsável pela fecundação, daí nasce a
expressão “ovo galado”, quando se quebra um ovo e ele está fecundado. 2.
esperma.
Galalau, ou vara de vira tripa (ou de tirar coco, ou de bater pecado, ou de
espanar a lua), ou varapau
– pessoa muito magra e alta.
Galão – tem três sentidos: 1. enfeite de roupa em forma de fita. 2. patente militar. 3.
conjunto de duas latas penduradas nas pontas extremas de um pau, que o homem
carrega no ombro, com uma lata na frente outra atrás.
Galega – loira.
Galego sararar – negro com cabelo loiro.
Galinha do rabo verde – abacaxi. Recebe esse nome por substituir a carne (no
caso de galinha) na mistura do feijão.
Galo-de-campina, ou cabeça-vrêmêa [vermelha] – pássaro, típico do Sertão, com
corpo branco e cabeça vermelha.
Galope - tem dois sentidos: 1. passos rápidos, entre andar e correr, de um animal
de montaria. 2. um dos tipos de “martelos”, que é um dos estilos de desafios de
repentistas, desta feita em sextilhas de decassílabos (em 10 sílabas). (v. décima,
glosa, martelo, mote, morão, pé-quebrado, trova).
Gambá, ou timbú – roedor parecido com um esquilo, ou seja, que conduz os
filhotes em um saco na barriga (v. cassaco).
Gamela – tigela ou cocho grande talhada em madeira.
Gancho – tem dois sentidos: 1. suporte ou ponta de madeira para pendurar objetos.
2. trabalho provisório (v. bico).
Ganha-pão – meio de vida, profissão.
Gangorra – brinquedo de criança formado por um pau comprido supenso sobre um
eixo no meio, onde as crianças sentam nas extremidades e à medida que uma
sobe a outra desce (v. burrinca).
Garajau, ou grajau – tem dois sentidos: 1. cesto grande de cipó para transporte de
galinha, etc. 2. pacote de 50 rapaduras envolto em palha de cana.
Garapatem três sentidos: 1. sumo da cana (v. cardo). 2. água com açúcar. 3.
oportunismo, tirar proveito de uma situação fácil. Ex: “bater em bbêbado é
garapa”.
Garnisé – tipo de galinha pequenina, criada mais para enfeite do que para comer,
também chamada de “galinha nanica”..
Garrafada – remédio caseiro feito à base de muitas ervas e/ou cascas de pau ao
mesmo tempo (v. cristé).
Garrancheira – tem dois sentidos: 1. restos de mato seco. 2. letra ruim, ilegível.
Garupa – parte traseira do animal (bunda ou ancas), onde também se pode andar
montado, além da sela.
Gavião – tem três sentidos: 1. ave de rapina. 2. homem muito namorador. 3. ponta
posterior (costas) ao gume de um machado, o qual é usado para matar porco, boi,
etc. daí se diz que se mata porco “dando-lhe uma pancada forte com o gavião do
machado”.
Gás – querosene.
Gemada – gema do ovo batida com leite morno e açúcar, que o matuto acredita ser
forte e afrodisíaco.
Geringonça – engrenagem ou maquinaria esquisita ou, simplesmente, uma coisa
desmantelada.
Gibão - casaco de couro que um vaqueiro usa para se livrar dos garranchos.
Girá – abreviação de “giral” – tem dois sentidos: 1. cama rústica de vara sobre
forquilhas (v. paviola). 2. mesa improvisada para colocar algo em cima. Ex: “um
girá [giral] de coentro”, que é uma mesa feita de varas para plantar coentro em
cima (v. tabuleiro).
Glosa – versos improvisados a partir de um mote (v. trova).
Gogo – tem dois sentidos: 1. minhoca. 2. doença que dá em galinha semelhante a
uma gripe em seres humanos (v. gogento).
Gogó - pescoço, garganta, pomo.
Gogento – pessoa ou animal gripado, com tosse (v. gogo).
Goia, ou piola – ponta ou resto de cigarro.
Goifar [golfar], ou goifada [golfada] – refluxo. Geralmente criança que come e
em seguida vomita o que comeu.
Goipe [golpe] – tem dois sentidos: 1. pequena quantidade de líquido. Ex: ”tome um
goipim d’água” (v. naigadinha, talaigada). 2. corte com material afiado. Ex:
“Fulano levou um goipe de foice”.
Goma – polvilho de mandioca, usado especialmente para fazer tapioca (v. araruta).
Gorda – líquido grosso ou viscoso.
Gordo que só fi [filho] de ladrão quano [quando] o pai tá sorto [solto], ou um
poico [porco] ceicavo [cervado] cum (com) tiborna
– diz-se de uma pessoa
gorda (v. tiborna).
Gororoba – comida misturada, de forma que fique de má qualidade (geralmente
aproveitando restos de comida).
Gozar – tem três sentidos: 1. ter prazer com qualquer coisa. Ex: “gozar a vida”. 2.
orgasmo sexual, daí ser comum as expressão “dá uma gozada” 3. debochar de
alguém. Daí ser comum a expressão “Fulano tá gozano deu” (v. caçoar, mangar)
Gozo – tem dois sentidos: 1. ato de gozar. 2. cachorro magro, doente, etc.
Graçatem três sentidos: 1. dom divino – benção ou favor. Ex: “Fulano arecebeu
uma graça de Deus”. 2. gracejo, brincadeira. 3. gratuito (v. de graça).
Graúdo – grande.
Graxa – tem dois sentidos: 1. pasta usada pelo sapateiro para lustrar sapato. 2.
gordura animal derretida, principalmente de porco (v. banha)
Grear – abreviação de “grelhar”, tem dois sentidos: 1. assar em uma grelha. 2.
desfazer, zombar, debochar de alguém (v. caçoar, gozar, mangar, zonar).
Grelar - abrir, arregalar. Ex: “grelar os zoi”.
Griguilim – pequeno periquito nativo dos Sertões que anda em bandos fazendo
muito barulho, também chamado de “tapa-cu”.
Grosso que só papé [papel] de embruiar [embrulhar] prego, ou saco de estopa
-
pessoa ignorante, estúpida.
Grota, ou rego, ou valeta – intercessão entre duas montanhas, vale, córrego, rasgo
no chão para escorrer água.
Grude de goma – cola caseira feita com amido de milho (de maizena).
Grunido - gemido de cachorro.
Guardar dia santo – não trabalhar por ser dia santo (v. dia santo de guarda).
Guarda-peito – colete de couro que o vaqueiro usa no peito para se proteger de
paus e garranchos.
Guarda-sol – guarda-chuva, sombrinha.
Guenzo – magro, definhado, esquelético. Usado para definir cachorro de pobre.
Gugui, ou gurgui – abreviação de “gorgulho”, que é um inseto que dá nos cereais
(feijão, milho, etc), destruindo-os.
Guiné – galinha-d’angola (v. capote).
Gume – tem dois sentidos: 1. fio de um instrumente cortante, como faca, machado,
etc. 2. corruptela de “gomo” de uma fruta. Ex: “gume de laranja”, etc.

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 H

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Há muito que – faz tempo que.
Hectare – unidade de medida ágrária, correspondente a 10.000 (dez mil) metros
quadrados de terra.
História de trancoso – lendas, fábulas, mitos.
História sem pé nem cabeça – história mal contada, contraditória, sem sentido,
que indica ser mentirosa.
Hoje em dia – atualmente, nos dias atuais.
Hôme – abreviação de “homem”.
Hôme [homem] armadotem dois sentidos: 1. homem portando uma arma. 2.
homem com o pênis ereto ou duro.
Hôme [homem] da cobra – vendedor ambulante que se vê nas feiras do interior,
vendendo remédios caseiros, cordeal, etc, que, para atrair o cliente, usa uma
cobra dentro de uma mala (v. fala mais que o hôme da cobra).
Hôme [homem] das feição de galinha – homossexual masculino (v. baitola…).
Hôme [homem] galinha – homem muito namorador, que troca muito de mulher.
Hôme [homem] saite! – expressão de repúdio equivalente a “tô fora” ou “sai pra
lá…” (v. vôte!, varei-ti”, ti dana)
Hora da onça beber água, ou do pega pra capar – hora “h”, ou da decisão.
Hora de roubar galinha – meia-noite, em alusão à tradição de se roubar galinha à
meia-noite da sexta-feira da semana santa.
Hoté – abreviação de “hotel”, tem dois sentidos: 1. hospedaria, pousada. 2. espécie
de lanchonete onde o matuto lancha (toma café, come doce, etc.) quando vem à
cidade, principalmente, nos dias de feira.

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 I

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I! i! i!… – expressão usada para frear ou parar jumento, cavalo ou burro.
Idea [ideia] de jerico – tolice, besteira, ideia maluca.
Imbigada - corruptela de “umbigada”, que significa empurrar com a barriga.
Imbuá - corruptela de “embuá”, que é um pequeno réptil cheio de pernas (tipo de
centopeia), que, quando tocado, se enrola (v. piôi-de-cobra).
Imbuzada – corruptela de “umbuzada”, que é uma geleia de umbu.
Implicado – envolvido. Muito usada quando uma pessoa está envolvida em algum
crime, daí se diz que “Fulano tá impricado na puliça [polícia]”.
Importuno – uma pessoa abusada, exigente demais (v. cabuloso, caprichoso).
Impussive – corruptela de “impossível” – tem dois sentidos: 1. inviável. 2. uma
pessoa (geralmente criança) que gosta de mexer em tudo que vê (v. boliçoso,
malino, traquino).
Incelença - corruptela de “excelência – tem três sentidos: 1. qualidade muito
superior. 2. tratamento que se confere a pessoas das camadas mais altas da
hierarquia social. 3. um tipo de reza/cântico próprio para velórios, cantada em
uníssono e sem acompanhamento,
Inchú, ou inchui – colmeia de abelha em forma de bola, geralmente pendurando
em um galho de árvore.
Inda [ainda] dar no côro [couro] – diz-se de um homem idoso, mas que ainda é
potente sexualmente.
Inda [ainda] foi fazer – diz-se quando alguém demora a atender a um pedido.
Inda [ainda] tá cheirano [cheirando] a leite – diz-se, como repreensão, de um
adolescente que começa a querer namorar.
Inda [ainda] é para se banhar, ou pra lamber os beiço – o mesmo que “ainda é
para dar graças a Deus” (v. beiço).
Indagora, ou indagorinha – agora há pouco, há pouco tempo atrás (v. agorinha).
Indivíduo, ou má-elemento, ou sujeito – pessoa desconhecida ou má (v. meliante).
In-êta – impaciente, inquieto.
Infezado, ou puto da vida – zangado, irritado, abusado, enraivecido (v. arretado).
Infeliz da costa oca – expressão equivalente a desgraçado, miserável.
Íngua, ou landra – glândula crescidas nas axílas ou verilhas.
Inhaca – catinga, mau cheiro.
Injuriado – revoltado.
Inscambau – expressão de negação equivalente a “uma ova”.
Insosso - com pouco ou totalmente sem sal.
Inté - corruptela de “até”.
Inté [até] a gata miar, ou umas hora – até quando quiser, sem previsão de tempo.
Inté [até] debaixo d’água – coisa muito certa, verdadeira, garantida. Ex: “Fulano
é viado [veado] inté [até] debaixo d´água”.
Inté [até] mais ver, ou mais cum’pôco [com’pouco] – até breve, ou daqui a pouco.
Intera – complemento, emenda.
Interar [inteirar] ano – completar ano.
Intiriço – corruptela de “enteiriço”, que significa contínuo.
Intrigado – tem dois sentidos: 1. de mal ou em desavença com alguém. 2. confuso,
pensativo, desconfiado, com interrogações (v. encafifado).
Invocado – pessoa cheia de direito, irritada, intolerante, briguenta.
Ipsilone – pronuncia da letra ‘y’.
Ir atrástem dois sentidos: 1. andar atrás de alguém. 2. procurar, investigar algo.
Irmão de consideração, ou de criação – pessoa criada na casa quase como irmão
dos filhos legítimos.
Iscangotar - quebrar o pescoço (v. cacunda, cangote).
Isso é uma ciência – diz-se diante de um caso complicado, de um mistério.
Ixe! - diz-se em situação de dúvida, tédio, admiração, espanto, etc. (v. afi, ou vige!).
Izonor - isopor.

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 J

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Jabiraca - mulher braba.
Já é quaji mêi [meio] -dia – expressão dita pela manhã, para indicar pressa, pois já
é tarde da manhã.
Já-já – daqui a pouco, em poucos instantes.
Japonesa – chinelo de borracha aberto atrás, mais conhecido hoje por “havaianas”.
Jarra, ou moringa, ou quartinha – vaso de barro ondulado para depósito de água.
Jegue, ou jerico, ou roxim – nomes populares de jumento.
Jeitoso – tem dois sentidos: 1. habilidoso. 2. bonito, charmoso (v. engraçado).
Jeitoso só quem procura pinico no escuro – diz-se de alguém muito cuidadoso.
Jejum - abstinência de comida que o matuto faz em dias santos, especialmente na
sexta-feira da Semana Santa (v. dejejum).
Jequi – corredor estreito entre duas cercas usado para vacinar ou ferrar boi, ou por
onde sai o boi numa vaquejada.
Jerimum – abóbora ou moranga, que tem mais de um tipo: jerimum de leite – que
fica grande, vermelho ou amarelo-escuro por dentro, bom para comer com leite;
jerimum caboclo – pequeno e bom para comer com feijão ou carne; jerimum de
gola – com as mesmas características do jirimum de leite, sendo mais comprido e
curvado.
Jerimum de ponta de rama, ou raspa de tacho – o último filho, não esperado,
depois de uma grande prole.
Jirau - estaleiro de varas para escorrer panelas e outros objetos.
Joça – coisa ruim, sem valor, desprazível.
Jogar conversa fora – conversar coisas que descontraem.
Jogar uma verde pra cuiê [colher] uma madura – soltar uma indireta para
induzir o outro a dizer o que ele não quer.
Juá - pequeno fruto do juazeiro, parecido com a pitomba, com pouquíssima polpa.
A raspa do caule do juazeiro é muito usada para escovar os dentes.
Jumento batizado – pessoa bruta, ignorante.
Junta – tem seis sentidos: 1. verbo juntar. 2. perto, lado a lado. 3. conexões usadas
para fazer junção entre dois canos. 4. dois animais de um mesmo sexo. Ex: “junta
de bois”, usada para puxar o carro de boi. 5. articulações. 6. uma pessoa que vive
maritalmente com outra sem ser casada (v. amancebado, amasiado, amigado).
Juro pela aima [alma] de…, ou pelo leite que mamei na minha mãe, ou pru
[por] tudo que há de mais sagrado
– expressão de juramento ou apelação de
não ter feito ou dito algo.
Jururu - triste, cabisbaixo.

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 L

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Labrojeiro – diz-se de coisa mal feita, mal acabada (v. baboseira).
Labuta, ou lida, ou loita – serviço, trabalho, luta pela vida, daí é comum a
pergunta: “loita com quê? ou seja, “trabalha com quê?” ou “vive de quê?” (v.
peleja).
Lacraia – tem dois sentidos: 1. escorpião. 2. mulher braba, valente.
Ladainha – tem três sentidos: 1. um tipo de oração cantada em que se invocam os
nomes dos santos. 2. choradeira, lamentação (v. chorumingar). 3. repetição de
uma advertência, daí costuma-se dizer: “já vem cum a merma [mesma] ladain-a”.
Lá em nós – lá em casa, ou lá em nossa terra.
Laigar [largar] de mão – deixar de lado, abandonar.
Laigar [largar] (ou meter) o pau, ou a madeira, ou a lenha, ou a ripa, ou o
sarrafo
– surrar, bater em alguém.
Laigata [largata] -de-fogo – lagarta peluda que em contado com a pele provoca
queimadura – taturama.
Lambança - sujeira, desordem (v. lambuzar).
lambacé – briga, confusão, barulho.
Lambedeira, ou peixeira – faca grande.
Lambedor - xarope caseiro, feito à base de ervas.
Lambe-lambe – fotógrafo de feira, com uma máquina primitiva, coberta com um
pano e com explosão de luz.
Lambisgóia - tem dois sentidos: 1. pessoa magra, esquelética. 2. mulher safada.
Lambu - corruptela de “ianhambu”, que é um pássaro quase sem calda e de um
voo muito rápido.
Lambuzar – sujar, melar (v. lambança).
Lamparina - candeeiro simples feito com um pavio preso a uma roda de cortiça ou
madeira leve que bóia sobre o óleo que alimenta o fogo.
Lance – tem dois sentidos: 1. diz-se quando uma mulher, sem querer, deixa escapar
flash da calcinha. 2. vômito de cachorro.
Lance de ceica [cerca] – certo comprimento de uma cerca, podendo ser, por
exemplo, um dos lados ou laterais de um curral.
Lá nele – para falar ou exemplificar uma doença grave ou perigosa em outrem, e
aponta-se para o local da doença na pessoa e diz “lá nele”, ou seja, no
personagem da narrativa.
Lapada - tem dois sentidos: 1. dose de cachaça. 2. pancada, surra (v. burduada).
Laranja-cravo, ou michirica – tangerina.
Lascado – tem dois sentidos: 1. aberto em duas bandas, rachado (v. trincado). 2.
uma pessoa acabada, derrotada (v. fodido).
Lascado igual a pau de rolete – diz-se de uma pessoa derrotada, arruinada.
Lasqueira – usado para indicar uma coisa ruim ou que não deu certo.
Latatem três sentidos: 1. lâmina fina de metal ferroso (v. frande). 2. vasilhame
feito de lâmina fina de ferro. 3. usada como medida de referência, equivalente a
20 litros (v. cuia, braça, litro, polegada, saca ou saco).
Latada - cobertura (uma espécie de toldo) palha (de coco, de cana, de bananeira,
etc.) para abrigar carro de boi, festas, etc. Daí nasce a expressão “forró de latada”
ou “samba de latada”, que eram festas feitas debaixo de uma latada
Lata-d’água – vasilhame para transporte de água, e outras coisas, muito comum
nos Sertões, feito de lata ou zinco, com capacidade para 20 litros, que são
conduzidas, principalmente, na cabeça ou no ombro, neste caso, penduradas em
um pau (v. pau de galão), uma na frente, outra atrás.
Lata-de-querosene – lata medindo aproximadamente 20 litros, usadíssima na zona
rural, servindo até de medida-padrão para líquidos e cereais (v. lata d’água).
Latejar – pulsar. Muito usada para indicar uma dor pulsante provocada por uma
inflamação com pus.
Latomia - barulho, falação alta. Em alusão ao latido dos cachorros.
Lava-cu, ou zigue-zigue – libélula.
Lavadeira – mulher que lava roupa como profissão (v. lavar roupa de ganho).
Leva-e-traz – pessoa que vive de tercer intrigas, de levar e trazer fofocas.
Lavagem – resto de comida que se guarda para os porcos.
Lavandeira – pequeno pássaro branco com asas pretas muito comuns em beira de
rios, açudes e lagoas.
Lavar a égua, ou a burra, ou a jega – tirar vantagem ou ser bem sucedido.
Lavar roupa de ganho, ou pra fora – lavar roupa para ganhar dinheiro, como um
serviço ou profissão.
Lavôra – abreviação de “lavoura”, que significa toda e qualuqer cultura plantada
pelo agricultor (v. roçado).
Lavou, tá novo – diz-se para justificar uma transa sexual com uma mulher que
acabou de transar com outro.
Lavrado – listrado. Ex: “um boi lavrado” (v. maiado, rajado).
Légua – medida de distância equivalente a 6 km.
Légua de beiço – ali do matuto, que, ao dizer, estira o beiço (lábio inferior). Só
que esse ali termina sendo algo distante, daí costuma-se chamar isso de “légua de
beiço” (v. logo ali).
Leite cortado – leite azedo, talhado.
Leite de criação – leite de cabra ou ovelha.
Leite de gado – leite de vaca.
Lendea – ovo do piolho.
Lenga-lenga, ou xurumela – choradeira, lastimação, conversa pra frente e pra trás.
Lerão [leirão], ou matombo – pequenos montes ou elevações de terra, em forma
de canteiros, para o plantio de verdura, batata-doce, etc.
Lero-lero, ou leriado – conversa fiada (v. papo)
Leseira - tem dois sentidos: 1. besteira, idiotice. 2. enfado, cansaço, indisposição
física.
Levado-da-breca – pessoa, geralmente criança, trelosa.
Levantar (ou abrir, ou limpar) o tempo – parar de chover.
Levar a vida que pediu a Deus – viver folgado.
Levar no bico, ou no papo, ou na lábia – enganar com conversa bonita.
Levar no peito, ou na raça, ou na tora, ou no êito, ou na marra – resolver algo
na ignorância, com estupidez.
Levar (ou dar) uma butada, ou um chega, ou um fora, ou um esbregue, ou um
esporro, ou uma mijada, ou um pa-trás, ou um rela, ou uma subida
– levar
(ou dar) um repreensão, um chamado de atenção (v. carão…)
Levar (ou tomar) um chá de cadeira – esperar longamente.
Levar (ou tomar) um chá de sumiço – desaparer, sumir (v. escafeder).
Libra – unidade de medida de controle do tamanho da enxada de limpar mato.
Ligeiro cuma [como] coice de preá, ou cuma [como] quem roba [rouba], ou
cuma [como] foda de guiné (ou carreira de teju) – coisa muito rápida, veloz.
Legume – cereais.
Limpar o salão – tirar meleca do nariz com o dedo.
Linha – tem dois sentidos: 1. cordão ou fio. 2. traço. 3. pau (madeira) forte
colocado horizontalmente entre duas paredes para sustentar o telhado da casa.
Língua afiada, ou de sogra, ou ferina, ou de trapo – pessoa que fala muito da
vida alheia.
Liso - tem dois sentidos: 1. não crespo (v. mací). 2. sem dinheiro (v. duro).
Litro – medida de referência equivalente a 1000 ml (v. cuia, polegada, etc.).
Lôa, ou tuada – música, canção (v. moda).
Loca - buraco, fenda numa pedra, madeira, etc., que serve de morada ou
esconderijo de animais.
Logo ali – expressão popular que indica uma pequena distância (v. légua de bêiço).
Logo vi – expressão equivalente a “eu já esperava isso”.
Loiça – corruptela de “louça”, que pode ser tanto para a própria louça como para
um tipo de barro usado para o fabrico de panelas, potes, etc, daí as expressões do
tipo: “panela de louça”, “feira da loiça” etc.
Lombo – costas, tanto de homem como de animal. Ex: “andar no lombo do cavalo”,
“Fulano levou uma cacetada no lombo” (v. espinhaço).
Lonjura - longa distância.
Lorde, ou lordeza - elegante, bem vestido, rico.
Lôro – abreviação de “louro”, que é um nome popular de papagaio (v. papagai).
Lorota - conversa fiada, sem fundamento, conversa besta.
Lôva [louva] -a-deus – grilo magro que traz sempre as mãos postas, os joelhos
dobrados e os olhos levantados para o céu.
Lua da sela – lombada ou saliência da sela de um animal.
Lua de mé [mel] – noite de núpcias.
Lugar – local onde se mora: sítio, cidade, etc.
Lundum, ou lundú – corruptela de “calundu”, que significa mau humor, nostalgia,
comportamento arredio ou insociável.
Luto – certo período de contrição em memória à morte de um ente querido. No
Sertão era comum as viuvas passarem um certo período vestindo-se apenas de
preto, como forme de respeito a morte do marido, e os viuvos colocarem uma fita
preta do bolso da camisa, em respeito a morte da esposa.
Luxento – pessoa cheia de luxo ou de frescura (v. biqueiro, chei de nove hora).

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 M

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Macambira – cacto típico da caatinga.
Maçaroca, ou toicera [torceira] – porção volumosa de um arbusto. Ex. uma
toicera de capim”
Macaxeira – variedade comestível de mandioca (mandioca-mansa), ao contrário da
mandioca propriamente dita (mandioca-brava), que é usada só para fazer farinha.
Macete - tem dois sentidos: 1. martelo com cabeça grande de madeira usada para
bater em formão ou escopo com cabo de madeira. 2. experiência. Daí sercomum
a expressão: “pegar o macete”, ou seja, pegar experiência.
Macho – tem dois sentidos: 1. do sexo masculino . 2. valente, destemido.
Macho que só um preá – diz-se de um homem viril, que fez muitos filhos.
Machucão – lesão provocada por um pancada (v. prutucão).
Macio – tem dois sentidos: 1. não crespo ou cascudo. 2. pessoa lenta, vagarosa. Daí
dizer-se que “Fulano é macio que só bosta de batata” (v. drumente).
Má [mal] -criação – desrespeito, falta de educação.
Madrinha – mulher que conduz a criança à pia batismal, que passa a ser “comade”
dos pais da criança.
Madrinha de apresentação, ou de consagração – menina ou moça que conduz a
criança à Igreja para ser batizada.
Madrinha de fogueira – mulher que a criança toma por madrinha diante da
fogueira de São João.
Madrugadinha – perto do amanhecer (entre 4 e 5 da manhã)
Magoar – tem dois sentidos: 1. machucar ou rebentar uma ferida que já estava
quase sarada. 2. ofender ou mexer com a sensibilidade de alguém.
Mãe-da-lua – pássaro da família das corujas (urutau) que tem um bico muito largo,
de forma que, quando ele abre o bico, parece uma meia-lua, o qual tem um canto
melancólico semelhante a uma gargalhada de dor, por conta disso é considerada
uma ave argourenta.
Mãe do coipo [corpo] – útero de um animal (às vezes, o animal coloca pra fora na
hora do parto e o matuto enfia-o de volta para dentro e costura o vagina do
animal, para não ficar saindo).
Mãe sorteira [solteira] – mulher que tem filho sem ser casada.
Maiado – abreviação de “malhado”, que quer dizer com malhas ou estampas de
cores diferentes (v. lavrado, rajado).
Maimota - corruptela de “marmota”, que é uma coisa desmantelada, estranha,
esquisita.
Mais cru comeu a onça – diz-se frente a uma situação que não é ideal, mas é
suportável, pois poderia ser pior, por exemplo, diante de uma comida que não
está bem cozinhada, mas dá para comer.
Mais cum’pôco [com’pouco]- daqui a pouco, em breve, em poucos instantes (v.
amastarde).
Mais desconfiado que cachorro em mêi [meio] de caiga [carga] – diz-se de uma
pessoa inibida, tímida.
Mais dia, menos dia – mais cedo ou mais tarde.
Mais duro que pau de noivo – tem dois sentidos: 1. diz de algo duro, resistente (v.
duro). 2. diz-se de alguém sem dinheiro (v. mais liso que quiabo).
Mais eu – comigo. Ex: “ele tava mais eu”.
Mais fraco que cardo [caldo] de batata, ou de arroz – fraco demais.
Mais frio que bunda de anjo – uma coisa muito fria.
Mais liso que quiabo, ou muçu ensaboado - diz-se de alguém sem dinheiro (v.
mais duro que pau de noivo).
Mais ou meno – expressão muito usada para responder a pergunta: “cuma vai?”.
Mais perdido que cachorro de sítio na rua, ou pitomba em boca de vêi (ou
véio) [velho]
– diz-se de uma pessoa desnorteada, confusa.
Mais para lá do que para cá – diz-se de uma pessoa que já passou da meia-idade.
Mais pru [por] dentro que talo de macaxeira, ou pavi [pavio] de vela – diz-se
de uma pessoa inteirada ou por dentro do assunto.
Mais pru [por] fora que pneu de trator, ou asa de pinico – pessoa inocente, sem
saber de nada no assunto.
Mala sem alça – pessoa incômoda, que vive dando trabalho aos outros.
Malamanhado – mal arrumado, desmantelado, maltrapilho, mal vestido.
Mal-assada – omelete
Malassombro - assombração (v aima [alma] penada).
Maliça - apreviação de “malícia”, tem dois sentidos: 1. má inteção. 2. um tipo de
arbusto rasteiro e ramificado que fecha as folhas quando é tocado.
Maluvido – pessoa desobediente (geralmente criança).
Mamão-de-corda, ou macho – mamão que é vingado não no caule do mamoeiro,
mas em pontas de ramos que se formam pendurados no caule, daí o nome de
“mamão-de-corda”. Além disso, a semente deste mamão não germina, daí o
nome de “mamão-macho” (v. passa-raiva).
Mamolengo – boneco de fantoche, muito comum nas feiras dos Sertões,
principalmente o “Benedito”, que é um boneco negro, usado para fazer
propaganda de produtos populares, como cordéis, remédios caseiros, etc. Daí a
expressão “será o Benedito?” (v. será o Benedito?).
Mandar às fava, ou plantar [plantar] batata – dar um fora, mandar ir incomodar
outro.
Mané – tem dois sentidos: 1.abreviação ou apelido popular de Manoel. 2. sentido
pejorativo: uma pessoa boba, idiota (v. ababacado…).
Maneiro – leve.
Manga – tem três sentidos: 1. fruto da mangueira. 2. parte da camisa que fica nos
braços. 3. redoma de vidro para proteger a chama de um lampião. 4. cercado
enorme quadrado (ou de outra forma geométrica) feito por cercas para prender
animais (v. ceicado, currá, reveso).
Mangar, ou zonar – debochar do jeito de ser de outrem (v.caçoar, gozar, grear).
Mangai [mangalho], ou miçanga – utensílios domésticos e do campo.
Mangangá – besouro preto e grande que costuma fazer ninho no oco de pau.
Mangará – ponta terminal, em forma de flor, de um cacho de banana.
Mangoça – mangação, galhofa.
Mangunzá, ou munguzá – caldo grosso feito com grãos de milho triturado, que,
no Sertão, é salgado e com carne e orelha de porco (v. chá de burro).
Maninha - animal feminino estéril.
Maniçoba - planta nativa da caatinga que o gado morre se a comer mucha.
Manipueira, ou ipueira – água que sai da mandioca prensada (v. crueira).
Maniva - caule da mandioca que o matuto corta em pedaços para replantar.
Manquejar – mancar.
Manteiga de garrafa, ou da terra – manteiga produzida artesanalmente a partir da
nata do leite coalhado.
Manteiga derretida – diz-se de uma pessoa chorona.
Mão-aberta – pessoa que não faz economia com nada, que não faz conta com nada
na hora de receber pessoas em casa ou ajudar aos outros.
Mão-de-mi [milho] – 50 espigas de milho (usado como medida na venda de
milho-verde).
Mão-de-pilão – haste de madeira para triturar alimentos no pilão.
Mão-de-vaca – tem dois sentidos: 1. comida feita a partir do osso buco da vaca,
também conhecido por “corredor, chambaril, mocotó”. 2. pessoa avarenta, que
não dá nada a ninguém (v. agarrado, …).
Máquina de moer mi [milho] – moinho mpromitivo de moer milho, para fazer
xerém, mungunzá, cuszuz, etc.
Marchante – pessoa que mata gado para vender em retalho, também chamado de
“açogueiro”.
Marêar – enferrujar, oxcidar, perder o brilho.
Maria chiquinha - elástico para prender cabelo, especialmente de menina.
Maria gasolina – diz-se de uma mulher que só namora, ou sai, com homem que
tem carro.
Maria vai cum [com] as outra – pessoa sem personalidade, que segue o que as
outras fazem.
Maribone [maribondo] – um tipo de vespa muito brava e que dá uma grande
picada (ferroada).
Marinete – um tipo de micro-ônibus antigo (v. sopa).
Mariola – pequena barra de doce de goiaba, granulado em açúcar e envolto em
papel seda.
Marmanjo – jovem que já é quase adulto. Geralmente usada para reforçar que o
sujeito não é mais criança. Daí é comum a expressão: “um marmanjo desse
tamãe quereno ser criança”.
Marmeleiro - planta nativa da caatinga nordestina, cujas folhas eram muito usada
como papel higiênico.
Marra – tem dois sentidos: 1. correia de sola usada para pendura o chocalho no
pescoço do animal. 2. grande, enorme, avantajado. Ex: “Fulano ficou um marra
de hôme [homem]” (v. baita, ou lapa).
Marrafa – pente grande, em forma de concha, usado para prender o cabelo em
forma de cocó.
Marretar – castigar, surrar, espancar.
Marrento – teimoso, cabeça dura.
Marrudo – uma pessoa forte, musculosa.
Martelo – tem dois sentidos: 1. instrumento de ferro para bater prego. 2. versos em
10 sílabas, pondendo ser em 6, 7, 8, 9 ou 10 linhas. (v. décima, etc.).
Maruagem – mentira, enrolagem, trambicagem.
Mascar fumo – mastigar fumo.
Massapé
– barro de baixio muito fértil para lavoura e muito bom para o feitio de
tijolo e telha.
Mastruz, ou mentruz – corruptela de “mastruço”, que é um arbusto muito usado
para fabricação de remédios caseiros.
Matar a cobra e mostrar o pau – não só dizer, mas provar.
Mata-burro – pequena ponte sobre um vale perfurado no chão, no local onde uma
cerca cruza a estrada, com paus ou ferros cruzando-o, para que os carros passem
por cima, de forma que a porteira fica aberta e os animais não passam com medo
do buraco.
Matadôro – abreviação de “matadouro”, tem dois sentidos: 1. local para abate de
animais (v. matança). 2. local para encontros amorosos, motel de baixo nível.
Matança - local (geralmente clandestino) para abate de animais (v. matadôro).
Matar na unha – vencer pelo cansaço, maltratar.
Matraca – tem dois sentidos: 1. instrumento de madeira e argolas de ferro usada
para fazer barulho. Muito usado em precisões da Igreja Católica, principalmente
na Semana Santa. 2. uma pessoa muito conversadeira, tagarela. Daí se diz:
“Fulano convesa mais que uma matraca” (v. fala mais que o hôme da cobra”.
Matreiro, ou trambiqueiro, ou trapaceiro – pessoa que usa de má fé nos
negócios.
Mato – erva ou arbusto (v. ração, pasto).
Matulão – saco ou trouxa com roupas que o pobre usa em viagem em substituição
a uma mala.
Maturí – fruto do cajueiro ainda muito pequeno de forma que sobressai a castanha.
Matutar – pensar numa coisa por muito tempo sem encontrar uma resposta.
Matuto - tem dois sentidos: 1. pessoa do mato ou nascida no campo. 2. uma pessoa
iletrada, ignorante ou ingênua culturalmente (v. bocoió).
Mau-oiado [olhado], ou quebrante – espécie de tristeza, depressão, baixo-astral,
que se acredita ser fruto de mau-olhado de alguém, ou seja, a superstição de que
alguém com inveja poderá nos prejudicar.
Maxixe - tem dois sentidos: 1. verdura nativa em forma de bolas crespas. 2. rítmo
dançante, variante do forró.
Mazela – sofrimento, doença.
- abreviação de “mel”, podendo significar também cachaça.
Mé [mel] batizado – mel de abelha falso, misturado com mel de açúcar.
Mé [mel] de abêa [abelha] – mel produzido pela abelha.
Mé [mel] de dedo – mel de engenho bem grosso.
Mé [mel] de engenho – mel produzido a partir da cana.
Mêa - abreviação de “meia”, tem dois sentidos: 1. metade. 2. meia de sapato.
Mêa [meia] dúzia, ou quatro gatos-pingado – expressão que indica pequena
quantidade. Ex: “na festa tinha mêa dúzia de gente” ou “quatro gatos-pingado”.
Mêa [meia] -parede – parede que divide os cômodos de uma casa, que vai não até
o teto, mas até certa altura.
Mêa [meia] -porta – metade da porta principal da uma casa, que é formada de dois
rolos, costumando-se ficar aberta a parte de cima durante o dia.
Mêa [meia] -sola – tem dois sentidos: 1. metade da sola de um calçado, que o
matuto costuma mandar colocar para reaproveitá-lo. 2. serviço mal feito.
Mêa [meia] -tigela – coisa medíocre, de pouco valor, sem importância.
Medõe [medonho] – tem dois sentidos: 1. teimoso, desobediente (v. danado). 2.
frequentemente ou quase sempre. Ex: “adispois das premeiras [primeiras] chuva
é medõe pra sair tanajura” (v. danado).
Meeiro - pessoa que planta na terra de outra, doando como pagamento metade do
que lucra. Uma espécie de arrendamento (v. morador)
Mêi – abreviação de “meio”.
Meicado [mercado] – tem dois sentidos: 1. estabelecimento público de venda de
mercadorias. 2. uma porção ou quantidade padrão de uma mercadoria que se
vende a granel ou no varejo..
Mêi [meio] camim [caminho] andado – algo já pela medade.
Mêi [meio] de vida – meio de subsistência: profissão, comércio, etc.
Meigui - abreviação de “mergulho”.
Mêi [meio] mundo de… – grande quantidade de algo. Ex: “a festa tinha mêi [meio]
mundo de gente”.
Meizinha, ou mezinha – remédio caseiro de fácil preparo e de efeito imediato.
Melindrosa – pessoa sensível, que se ofende com pouca coisa.
Melão de São Caetano – erva em ramas que produz um pequeno fruto com
pouquíssima polpa, mas que menino de sítio acaba comendo por brincadeira.
Menina assanhada, ou atirada, ou avoada, ou oferecida – menina leviana que
quer namorar e fica se oferecendo aos rapazes (v. bichota).
Meota – abreviação de “meiota”, que é meia garrafa de cachaça.
Mequetreco, ou mequetrefe – uma pessoa ruim.
Mermo – corruptela de “mesmo”.
Mês de Santana – mês de julho.
Meter – tem dois sentidos: 1. colocar, introduzir. 2. relação sexual. Daí ser comum
a expressão: “Fulano tava meteno cum…” (v. foder, trepar).
Meter a culé [colher], ou o bedei [bedelho] – significa intrometer-se onde não foi
chamado: em conversa, assunto, negócio alheio, etc.
Meter a viola no saco – calar-se.
Meter o rabo entre as perna – acovardar-se.
Meter o sarrafo, ou a lenha, ou o pau, ou a ripa, etc. – surrar, bater em alguém.
Meter os pés pelas mão – atropelar o curso natural.
Metido a cavalo do cão, ou a galo cego, ou a cu doce – diz-se de uma pessoa
metida a besta: exibida, orgulhosa, pedante, vaidosa, valente, etc.
Mexer os pauzim [pauzinhos] – procurar ajuda de pessoa influente.
– abreviação de “milho”.
Mi [milho] -assado – espiga de milho-verde sem palha, assada na brasa, ou com
palha, assada dentro da fogueira.
Mi [milho] –cozido, ou cozinhado – espiga de milho-verde sem palha cozinhada
em água e sal.
Mi [milho] de pranta [planta] – grãos de milho secos selecionados (maiores) e
guardados para plantar no próximo inverno (v. cumê inté o mi de pranta)..
Mi [milho] de môi [molho] – grãos de milho secos colocados dentro d’água-morna
para inchar e amolecer um pouco, para depois serem moídos (mi-muído) e com
eles fazer farinha, cuscuz, xerém, etc.
Mi [milho] paetano [pelhetando] – pé de milho começando a brotar as primeiras
espigas de milho.
Mi [milho] zarôi [zarolho] – milho que não está bem seco.
Mico, ou sagui, ou saguim, ou soim – pequeno macaco de calda longa.
Micula (ou sobrecu) de galinha, ou mitra de bispo – bundinha da galinha, a qual
estão presas as penas do rabo.
Migué - abreviação de Miguel.
Mijados – pertences pessoais, geralmente de pobres.
Mijar fora do pinico, ou do caco – fazer algo errado.
Mimoso, ou vistoso – pessoa bonita, formosa, charmosa (c. engraçado).
Mincho – coisa pouca ou de pouco valor.
Mincharia, ou mixaria, ou merreca – pouco dinheiro.
Mingau das aima [almas] – baba ou saliva que escorre da boca de alguém,
principalmente criança, quando está dormindo.
Missiva - carta, correspondência.
Mistotem dois sentidos: 1. misturado, diversificado. 2. caminhão adaptado, meio
caminhão, meio ônibus, ou ampliação da cabine em três bancos e,
consequentemente a diminuição da carroceria. Além disso, há um pequeno
bagageiro em cima da cabine, muito usada nos Sertões no transporte de feirantes
de uma cidade para outra.
Misturatem dois sentidos: 1. misturar algo. 2. termo usada para indicar o que
acompanha o feijão e o arroz na refeição, geralmente fazendo alusão à carne, ao
ovo, etc. Ex: “hoje o fêjão é sem mistura”, ou seja, sem acompanhar carne. Pode
ser usado também para o que acompanha o café.
Miudeza - loja ou casa de negócio de vender adereços ou aviamentos.
Miúdotem três sentidos: 1. pequeno. 2. trocado, quando usada referente a
dinheiro. Daí a expressão: “Não tenho dinheiro miúdo para lhe dá o trocu…”. 3.
vísceras de animal. Ex: “vou comprar 1k de miúdo pra fazer dobradinha” (v.
fato).
Miudim [miudinho], mixuruco, ou pichototim [pichototinho], ou pequenim
[pequeninho]
– muito pequeno, minúsculo.
Miunceira – coisas pequenas, pedaceira, daí a expressão “Fulano quebrou o o pote,
deixou só a miunceira”.
Moagem – período de atividade num engenho de rapadura.
Moça bulida, ou comida, ou furada, ou mexida, ou perdida, ou ofendida -
moça que perdeu a virgindade (v. bulir…, descabaçar).
Moça imcubada, ou donzela de candeeiro – mulher se faz passar por moça sem
ser (virgem) sem ser.
Moça má [mal] -falada – mulher suspeita de não ser mais virgem.
Mocó - animal nativo do Sertão parecido com o preá, sendo um pouco maior.
Mocotó – mãos ou pés (tornozelos) de um animal (v. mão de vaca).
Moço – tem dois sentidos: 1. homem jovem. 2. expressão para se dirigir a alguém
desconhecido, como, na pergunta: “Moço, pru [por] favor, da donde [de onde]
você é?”.
Moda – tem dois sentidos: 1. o que está atual ou que faz sucesso. 2. música, canção.
Daí a expressão “canti uma moda para mim” (v. lôa, tuada).
Mode – absorvente feminino.
Mofino – pessoa fraca, medrosa.
Moi – abreviação de “molho”, tem dois sentidos: 1. porção pequena. Ex: “um moi
[molho] de coentro” (v. maçaroca, punhado). 2. certo número de pessoas (êito,
penca, rebãe, reca, ruma). Ex: “de repente apareceu um moi [molho] de gente”.
Môi – abreviação de “molho”, tem dois sentidos: 1. condimento. Ex: “môi [molho]
de pimenta”. 2. colocar algo dentro d’água para amolecer.
Moiá [molhar] o bico, ou a goela – tomar uma cachacinha.
Moído - tem dois sentidos: 1. triturado. Ex: “mi [milho] moído”. 2. conversa pra
frente e pra trás, caso complicado.
Moimaço [mormaço] – quentura ambiental, tempo abafado.
Moita, ou toiceira [touceira] – aglomerado, em forma circular, de ervas ou plantas
pequenas.
Moleque – menino preto. Quando o menino está um pouco crescido (adolescente),
costuma-se chamar de “molecote ou meninote).
Moleira – parte de cima da cabeça de uma pessoa, que em crianças recém-nascidas
costuma-se dizer que têm a “muleira aberta”, ou seja, o crânio ainda não formado
totalmente, por isso merece cuidados (v. cocuruta).
Molesta [moléstia] do mundo – doenças venérias, transmitidas sexualmente.
Molesta [moléstia] dos cachorro - raiva, loucura (hidrofobia).
Monturo – local, perto da casa do matuto, onde se coloca o lixo (lixão).
Morador – tem dois sentidos: 1. pessoa que mora numa casa, sítio, cidade, etc. 2.
pessoa que toma conta da casa, sítio, etc. de outro (v. meeiro).
Môrão – abreviação de “mourão”, tem dois sentidos: 1. tronco de pau (madeira)
erguido verticalmente para amarrar animais. 2. versos trocados num desafio de
repentistas em que cada linha é feita por um dos cantadores, que deverá seguir a
rima do anterior (v. décima, galope, glosa, martelo, mote, pé-quebrado, trova).
Morrer de sucesso – morrer por um tiro disparado acidentalmente.
Morrer de morte morrida – morrer de morte natural, não por acidente ou em
crime.
Morrer em cima – chegar ao ponto ou local certo. Ex: “quano você adobrar
[dobrar] a direita vai morre em cima”, ou seja, chegar no ponto certo.
Morrer (ou matar) na unha – expressão para indicar uma relação de dependente
em que um dos dois não tem outra alternativa.
Morrer pela boca cuma [como] peixe – tem dois sentidos: 1. falar demais,
atraindo inimigos para si. 2. comer o que não deve, descumprindo um dieta
alimentar e acabar morrendo.
Morrinha – doença típica de galinhas, mas também usado para designar o estado
de uma pessoa triste, depressiva, etc. (v. amorrinhado).
Mortaia - abreviação de “mortalha” – vestimenta com que se envolve o defunto a
ser sepultado.
Mosca-morta – pessoa sem ação, sem graça.
Mosquitotem dois sentidos: 1. pequena mosca. 2. pequena abelha que produz um
mel muito fino e claro, geralmente em pequenas fechas de pedras.
Mostrar com quantos pau se faz uma cangaia [cangalha] – dar uma lição,
aplicar um corretivo, fazer sentir as consequências de algo.
Mostrar os dente – sorrir
Mote - o tema a ser seguido por um repentista no seu improviso (v. trova).
Mover mundos e fundos – fazer de tudo, não medir esforços para resolver algo.
Mubia – corruptela de “mobília” – móveis de uma casa.
Muçambê - pequena erva que produz uma semente muito apreciada pelas aves,
principalmente, pelas rolinhas.
Mucica – sopapo, puxão com força ou violência.
Muciça(o) – corruptela de “maciça(o)”, tem dois sentidos: 1. consistente, firme,
dura(o), que é o contrário de mole. 2. macia(o). Ex: “quero 1kg de carne muciça”.
Mucuim - tipo de piolho achatado que procura as partes pubianas (v. chato).
Mucumbu – última vértebra da coluna (cóccix), próximo ao ânus.
Muda - tem cinco sentidos: 1. do verbo mudar. 2. mudança – por isso no Sertão
quando alguém está mudando-se diz-se que está colocando a muda no carro de
boi. 3. uma pessoa que não fala. 4. parte de uma planta que se corta para
replantar (v. ôi). Daí ser comum a expressão “me dê uma mudinha dessa rosa pra
eu plantar lá emn casa”. 5. peça de roupa que se leva em viagem para trocar no
outro dia (v. uma muda de roupa).
Mudano [mudando] de pato pra ganso, ou de pau pra cacete – mudando de
assunto ou o rumo da conversa
Mula – tem dois sentidos: 1. fêmea do burro (burra-mula), que é um animal híbrido,
estéril, filho do cruzamento do cavalo com a jumenta ou da égua com o jumento.
(v. burro). 2. adenite, que é uma doença sexualmente transmissível.
Mula sem cabeça – lenda em torno da amante (mulher) do padre. Diz-se que, na
noite de sexta-feira, ela vira uma mula-sem-cabeça.
Mulé, ou muié – abreviação de “mulher”.
Mulé [mulher] apartada, ou laigada [largada], ou separada – mulher que não
vive mais com o marido (desquitada, etc).
Mulé [mulher] de boi, ou de Chico, ou de bode – mulher menstruada.
Mulé [mulher] -feita – diz-se de uma menina que já tem corpo de mulher.
Mulé [mulher] -macho – mulher corajosa, valente, destemida.
Mundaréu - palavra usada para expressar uma visão ampla do mundo, ou, do
ponto de vista físico, até perder de vista.
Muriçoca, ou murmurana – mosquito ou inseto pernilongo que chupa sangue.
Mutuca - mosca grande do mato que pica animais e homens para chupar o sangue.

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 N

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Na baixa da égua, ou na casa de chepéu (ou de cacete, ou do carai [caralho]),
ou na caixa-bozó (ou prego), ou nos cafundó do Juda, ou na cochichina, ou
nas cucuias, ou no fim (oco, ou mêi [meio]) do mundo, ou onde Adão perdeu
as bota (ou as espora), ou onde o vento faz a cuiva [curva]
– lugar distante
imaginário.
Na carne viva – diz-se quando se sofre um arranhão, corte, talho, etc, e a carne
fica exposta.
Nadinha, ou nadica de nada, ou necas de pitibiriba – coisa alguma, nada.
Na hora feito cardo [caldo] de cana – resolução rápida, ou na hora, de qualquer
coisa.
Naigadinha – pequena quantidade de líquido. Ex: ”tome uma naigadinha d’água”
(v. goipe ou goipim).
Na maciota, ou na valsa – na moleza, devagar.
Na maió [maior] – numa boa, confortavelmente.
Na marra, ou na tora, ou na raça, ou no duro, ou na munheca, ou na porrada,
ou na garra, ou na lei do apulso
– expressões usadas para indicar uma coisa
feita a força, por exemplo, o famoso “casamento na marra” .
Na medida, ou na batata, ou no ponto – na medida certa ou no ponto certo.
Na moitatem dois sentidos: 1. na tocaia, escondido. 2. enrustido. Muito usado
em referência a homossexuais não assumidos.
Nas calada da noite – ao pé da letra significa “altas horas da noite”, mas é usado
para se referir a negócios escusos feitos “às escondidas”, ”na surdina”, que nem
sempre foi feito à noite.
Nascer morto – que na hora do nascimento já veio morto (aborto natural ou
espontâneo) (v. acordar morto).
Nas última – em estado terminal, quase morrendo.
Nata – tem três sentidos: 1. gordura do leite. 2. aguaceiro que embarçar os olhos,
daí o matuto dizer que “tá cum nata nos zói”. 3. alto escalão de uma classe social
ou profissional: burguesia, intelectuais, etc..
Natureza – tem dois sentidos: 1. o cosmo. 2. estado psíquicofísico de uma pessoa.
Daí nascem expressões do tipo: “hoje amanheci cum a natureza rim”, ou seja,
enjoado, com mal-estar.
Neivosa, ou neuvosa – corruptela de “nervosa” – tem dois sentidos: 1. uma carne
com nervos. 2. pessoa com problemas no sistema nervoso.
Nem a pau, ou que a vaca tussa, ou nem morto, ou nem frito – em hipótese
alguma.
Nem mé [mel], nem cabaço – quando deixamos de fazer ou aceitar uma coisa
pensando noutro e, no final, nem uma coisa, nem outra
Nem oito, nem oitenta – nem um extremo nem outro, mas um meio termo.
Nem tão cedo – não se sabe a hora, vai demorar muito.
Né não! – expressão de interrogação, equivalente a “não é não?”, a qual geralmente
vem acrescida de: “entonce o que é?”
Nesga, ou nesguinha – uma tira estreita de algo. Ex: “uma nesguinha de pano”.
Nestante – abreviação de “neste instante”.
Neu – abreviação de “em mim”, daí ser comum a expressão “ele deu neu”.
Nim [ninho] de cobra – coisa ou local perigoso.
Nó cego – tem dois sentidos: 1. nó difícil de ser desatado, 2. pessoa complicada ou
ruim, problema de difícil solução.
Noda - abreveação de “nódoa”, que é uma mancha, sujeira. Daí ser comum dizerse:
“Fulano tá com uma noda na roupa” (v. grude, veigão).
Nó de poico [porco] – um tipo de nó que não arrocha nem afrouxa, próprio para
amarrar porco, pois nem arrocha no pé, nem folga.
No dia de São Nunca – santo imaginário que não existe na lista dos santos, daí ser
usada para casos perdidos, ou que nunca vai acontecer, como, por exemplo,
quando um sujeito não tem com que pagar uma dívida, diz-se que vai pagar “no
dia de São Nunca” (v. quano galinha criar dente)
No frigir dos zovo [ovos] – no final das contas, ou concluindo. Usado para encerrar
uma história, um caso.
No giro (ou rumo) da venta – em frente, em linha reta, na direção do nariz.
Nó nas tripa – prisão de ventre aguda (verticulite) (v. cum bucho inchado…).
No pé – junto, perto.
No pé da conversa – atento, alerta.
No pé do cipa – bem guardado no bolso dianteiro da calça, ou seja, perto do “cipó”
ou pênis.
No pingo do mêi [meio] -dia – ao meio-dia.
Nopró - inchaço, hematoma.
No prumo – tem dois sentidos: 1. reto verticalmente, ou seja, que está “no prumo”,
que é um instrumento usada por pedreiros para verificar se uma parede está
alinhada verticalmente (v. aprumado). 2. pode ser usada no sentido de consertar
alguém, ou colocá-lo no bom caminho, daí se diz : “vou colocá-lo no prumo…”.
No tempo do ronca, ou do ronconcom, ou que se amarrava cachorro com
linguiça, ou que se cagava quadrado, ou que Adão era cadete
– diz-se de coisa
antiga, atrasada, ultrapassada.
Novena – programação religiosa (de orações) que dura nove dias.
Num abrir nem prum [para um] trem - não desistir, não ter medo de nada.
Num arredar o pé – tem dois sentidos: 1. não sair do lugar fisicamente. 2. não
abrir mão de algo, ser intransigente. (v. arredar).
Num ata nem desata, ou num trepa nem sai de cima, ou num caga nem deixa a
moita
– pessoa indecisa, que nem faz nem deixa outro fazer.
Num atrapaiano [atrapalhando] a conversa – modo de desculpar-se ao se
intrometer numa conversa alheia, sem ser chamado.
Num bater (ou girar) bem da bola, ou da cachola – ser meio doido, ou apresentar
sinais de deficiência mental.
Num bater nem a passarinha – não se preocupar diante do perigo.
Num contar conversa – não perder tempo.
Num dar fé – não perceber (v. dar fé)
Num dar mi [milho] a pinto, ou num bater prego sem estopa, ou num dar
ponto sem nó
– não fazer nada sem interesse próprio.
Num dar murro em ponta de faca – não fazer negócio impensado ou arriscado.
Num dar o braço a trocer [torcer] – não declarar-se errado, ainda que esteja, por
birra.
Num dar um chá, ou um cardo [caldo] – tem dois sentidos: 1. coisa fácil, rápida,
etc. de se fazer. 2. coisa pouca.
Num dar um prego numa barra de sabão – não fazer nada, viver da malandrgem.
Num é de hoje – faz tempo, há muito tempo.
Num é do seu rosário – não é da sua conta.
Num é pru [para o] seu bico – não está ao seu alcance.
Num é esses balai [balaio] todo não – não é tão bonito, ou belo, etc., quanto se diz
por aí.
Num fede nem cheira, ou num é carne nem peixe – coisa neutra, que tanto faz
como tanto fez.
Num esquenta o lugar – diz-se de quem vive se mudando de lugar, por exemplo,
de casa.
Num ligue pra isso não – não se encomode com isso, deixe isso pra lá, etc.
Num morre mais esse ano, ou num morre tão cedo – diz-se quando se está
falando [ou pensando em] de uma pessoa e ela aparece, repentinamente.
… num sei das quanta – expressão usada no final de uma ideia, quando não se sabe
o final da conversa, por exemplo, depois do nome próprio de uma pessoa, quando
não se sabe o sobrenome ou nome de família, daí se diz “Fulano não sei das
quanta…”
Num sei pru [por] qual caiga [carga] -d’água – não saber o motivo, a razão de
ser, etc.
Num se lixar – não se incomodar, não dá atenção, não dá ouvido.
Num tá entendeno [entendendo] bulufa (ou patavina) alguma, ou nadica de
nada
– não estar entendo nada.
Num tem no cu o que um pinto roa, ou onde cair morto – expressão usada para
criticar alguém que é pobre, mas dá uma de rico (v. pé-rapado).
Num tem parêa [parelha] não – não tem melhor, ou igual.
Num tê [ter] nada a vê [ver] cum [com o] pato – não ter nada a ver com o caso,
com a história, etc.
Num ter um pé de gente – não ter uma única pessoa.
Num tomar pé de… – não estar informado ou não ter conhecimento de algo.
Num vale merda, ou o qu’o gato enterra, ou um Cibazol – não vale nada – usado
para definir uma pessoa desprezível.
Nutiça – corruptela de “notícia”.
Nuvia – abreviação de “novilha”, que é uma vaca nova que não deu cria a nenhum
bezerro.

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 O

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Ôba! – expressão de espanto ou admiração.
Ôba-ôba – falatório, conversa sem sentido.
O cão chupano [chupando] manga – diz-se de uma pessoa que se apresenta como
o bonitão, o gostosão, o sabidão, o valentão, etc.
O canto mais limpo – expressão que significa vazio, limpo, sem ninguém, sem
nada.
Ôcê - abreviação de “você”.
Oco na barriga – fome.
O côro [couro] (ou pau) cumê [comer] – bater, surrar.
O diabo a quatro – usado no final de uma frase para simplificar uma grande
quantidade de objetos. Ex: “aquele cara é muito rico, tem casa, terra, gado e o
diabo a quatro”.
Ô de casa! – usa-se para chamar alguém numa casa desconhecida, daí se costuma
bater palmas e dizer “ô de casa!”. Quem está lá dentro, por sua vez, responde: “ô
de fora (ô de fora!).
Ôi – tem dois sentidos: 1. abreviação de “olho” (v. zoi). 2. ponta ou últimas folhas
que ainda estão brotando em uma árvore. Daí serem comuns as expressões: “o ôi
da goiabeira”, “o ôi da cana” etc. ou parte de uma planta que se corta para
replantar (v. muda). Daí ser comum a expressão “pru [por] favor, me dê um ôim
[olhinho] dessa cana pr’eu prantar [plantar] no meu roçado”.
Ôia, ou ôinha – coisa fácil, vantajosa.
Oiar – abreviação de “olhar”, tem dois sentidos: 1. verbo olhar (v. espiar). 2. brotar
Ex: “a roseira começou a oiar [olhar]”.
Oiar [olhar] pru riba [por cima] do ombro – olhar de modo desdenhoso, com
desprezo.
Ôi [olho] -d’água, ou vêi [veio] -d’água – fonte natural d’água, geralmente, as
nascentes de um rio ou riacho (v. cabeceira).
Ôi [olho] -gordo, ou grande – inveja.
Oitão - esquina de uma casa.
Olaria – local onde se fabricam tijolos e telhas.
O mais tardar… – até tal hora.
O mermo [mesmo] tanto – a mesma quantidade, medida, distância, etc.
Ó pa i ó!, ou ópaisso – abreviação de “olha para isso”, “veja só”
Operação - cirurgia médica.
O que num mata engorda – diz-se quando alguém ingere uma coisa indevida, mas
que não mata.
Ôra bolas!, ou pinóia! – interjeição de repúdio.
Ôra mais, ta! – ora essa!, veja só!
Oratório – pequena capela, com santos de madeira que os antigos costumavam ter
em casa.
Orvai [orvalho] – umidade produzida pela frieza da noite ou “sereno da noite”.
Oscular – beijar.
Os conhão [colhões], ou os quiba [quibas] – testículos (v. zovo).
Ossim [ossinho] gostoso – ossinho do tornozelo, que por ser saliente é muito
propício a sofrer pancadas.
Osso do cucumbu, ou do pai-João – última vértebra da coluna (cóccix), próximo
ao ânus.
Osso duro de roer, ou carne de pescoço – pessoa difícil de ser convencida, de se
fazer acordo com ela.
Otário – pessoa boba, ingênua (v. bambulê de otário).
O texto [ou a tampa] e a panela – diz-se de duas pessoas que se combinam ou são
do mesmo tipo.
Ou vai, ou racha, ou o rabo arranca – ou tudo ou nada.
Oveiro – ânus de aves.
Ovo indez – ovo que se deixa no ninho da galinha, como chamariz, para que ela
volte a pôr no mesmo local.
Ovo gôro, ou choco – diz-se de um ovo que foi colocado para chocar, mas não
nasceu pinto, ficando podre.
Ôxente!, ou ôxi! – interjeição de admiração, espanto, dúvida, repúdio, etc.

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 P

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Paçoca – farofa feita com carne assada, coco seco, farinha de mandioca e temperos,
tudo pisado num pilão.
Padaria – tem dois sentidos: 1. casa de fazer pão. 2. nádegas (v. bunda).
Padim – diminutivo ou forma carinhosa de padrinho. Ex: “Padim Ciçu”.
Padrão - fardamento de time de futebol.
Padroeiro – santo protetor de um lugar.
Pagar cum [com] a vida – morrer em consequência de uma ação ou palavra dita.
Pagar pra ver – apostar, confiar.
Pagar o pato – levar a culpa por outro.
Pagão – criança que ainda não foi batizada (v. anjim).
Pai-d’égua – jumento reprodutor (v. animá inteiro).
Pai de chiqueiro – bode reprodutor (v. animá inteiro).
Pai de famia [família] – pai – responsável pela casa.
Pai-de-fogo - isqueiro primitivo que o matuto conduzia no bolso para acender
cigarro, constituído de um tufo de algodão batido dentro de um chifre de vaca
serrado, com uma tampa, que era aceso mediante uma faísca provocada por um
ferro em atrito com uma pedra.
Pai-dos-burro - dicionário.
Paim, ou painho – diminutivo ou forma carinhosa de pai.
Paima – corruptela de “palma”, tem três sentidos: 1. palma da mão. 2. cacto usado
como ração para animais. 3. palma de banana.
Paimo – corruptela de “palmo”, que é uma medida de referência para medir
madeira, corda, etc. equivalente a uma mão-aberta, indo da ponta do dedo
mindinho a ponta do dedo polegar estirados (v. outra medidas: braça, cuia, lata,
litro, polegada, saca ou saco).
Paimo [palmo] de gato – medida que vai da ponta do dedo mindinho à ponta do
dedo indicador, estirados
Paió - abreviação de “paiol”, tem dois sentidos: 1. amontoado de algo, como, por
exemplo, de cereais ainda na palha (milho, feijão etc) (v. empaiolar). 2. depósito
de algo.
Palavra de hôme [homem] – palavra de honra, que não volta atrás.
Palavreado - discurso com palavras difíceis que não se entendem.
Palestra, ou prosa – conversa agradável, descontraída entre dois matutos.
Paliar - arremessar algo com uma pá.
Pamonha, ou pomonha – tem dois sentidos: comida feita com a massa do milhoverde
envolta na palha do milho, muito comum nas festas juninas no Nordeste. 2.
pessoa boba, ingênua. 3. pessoa frouxa, medrosa.
Panha de feijão – colheita de feijão.
Pança - barriga (v. bucho)
Pancada de chuva - chuva rápida e inesperada.
Pancada de vento – vento rápido e inesperado.
Pandeiro – tem dois sentidos: 1. instrumento musical de couro. 2. nádegas (v.
bunda).
Pangaré – cavalo avermelhado, pé-duro ou sem raça definida.
Pantim – esquivar-se, ou fazer cara feia, frescura.
Pano - qualquer tecido (v. fazenda).
Pano branco – manchas brancas na pele.
Pano de bunda – pedaço de tecido que as mulheres usavam, no tempo que não
havia absorvente, no período de menstruação (v. mode).
Pano preto – manchas pretas na pele.
Papa-anjo – pessoa de certa idade que gosta de se relacionar com criança
(pedófilo).
Papa-fígado – fábula na qual aparece um homem (geralmente velho) com uma
doença que faz crescer as orelhas, e que, para melhorar de tal doença, ele anda
pegando crianças para matar, tirar o fígado e comer. Tal fábula é muito usada
para amedrontar as crianças (v. bicho papão).
Papagai - abreviação de “papagaio”, tem dois sentidos: 1. periquito grande (v.
lôro). 2. pipa, raia, daí ser comum dizer-se “empinar, “ou soltar) papagai”.
Papa-hóstia – pessoa que só vive de missa em missa.
Papangu - homem fantasiado de animal, personagem folclórica, etc, que desfila
nos dias de carnaval, fazendo gracejo.
Papangu de novena – pessoa que se arruma e fica ainda mais feio.
Papa-vento – pequeno lagarto cinzento que enche um papo de ar.
Papo – tem dois sentidos: 1. estomago de ave. 2. conversa, diálogo entre pessoas.
Daí a expressão “bater um papo”.
Parabelo – rifle.
Parada – tem dois sentidos: 1. fixa, imóvel. 2. dificuldade, obstáculo. Ex: “acho
que vou ter que enfrentar essa parada”.
Parangolé – coisa sem importância.
Parêa – abreviação de “parelha”, tem dois sentidos: 1. um par. Ex: “uma parêa de
rolinha”. 2. junto, colado, lado a lado. Daí a expressão “casas parêa [parelha] -demêa
[meia]” – duas casas conjugadas).
Parece que bebeu água de chocai [chocalho] quano [quando] criança – diz-se
de uma pessoa que fala demais, em alusão ao fato de que, quando uma criança
tem dificuldade de começar a falar, costuma-se dar água ou leite num chocalho
para ela “botar pra falar”.
Pareceiro – companheiro, colega (num sentido pejorativo).
Parede de tijolo a gaiga – parede fina com tijolos sentados um em cima do outro
de lado ou quina e não deitados.
Parir – dar à luz. Usada tanto para animais como para mulheres (v. descansar).
Paró – abreviação de “parol”, que é um tanque ou reservatório que colhe a garapa
(caldo) da cana no engenho, para dali seguir para os tachos.
Parteira – mulher que faz os partos das mulheres nas residências.
Partido – tem dois sentidos: 1. agremiação política. 2. plantio de determinada
cultura. Ex: “um partido de cana, de paima [palma], etc”.
Passar a mão na cabeça – acobertar, proteger.
Passar a mão no alêi [alheio] – roubar.
Passar a noite em claro – passar a noite sem conseguir dormir (insônia).
Passar a noite na fuiquia [forquilha] feito cabeçai [cabeçalho] de carro de boi,
ou cuma [como] panela de leite
– passar a noite transando. Referindo-se ao
noivo na noite de núpcias, que passa a noite entre as pernas da esposa (v. fuiquia).
Passar a paeta [palheta] – encher uma vasilha (especialmente um copo de
cachaça) até a boquinha, como se tivesse passado uma tabuazinha (palheta) em
cima tirando e excesso.
Passar batido, ou em branco – perder a vez.
Passada – tem dois sentidos: 1. passo de uma pessoa ou animal. 2. diz-se de uma
coisa estragada, podre (v. comida passada).
Passador – pequenas escadas que se colocam em cada um dos lados de uma cerca
para se passar por cima, quando a mesma cruza estrada.
Passado na casca do angico, ou do ai [alho] – diz-se de uma pessoa experiente,
vivida.
Passar na venta, ou na cara – cobrar ou relembrar um favor.
Passar necessidade – viver em condições precárias.
Passar o pente-fino – tem dois sentidos: 1. passar um pente-fino na cabela para
tirar piolho. 2. fazer uma limpeza ou seleção rigorosa.
Passa-raiva – mamão (v. mamão-de-corda)
Passarim, ou passarinho – diminutivo de pássaro.
Passarinha – bife do baço bovino.
Passar um rabo de ôi [olho] – tomar conta, vigiar.
Pastorar - tomar conta, vigiar, cuidar. Ex: “pastorar o gado”.
Pasto, ou ração – alimentos para animais: erva nativa ou plantado (v. mato).
Pastoril – dança natalina, formada por dois grupos (cordões), um azul e outro
encarnado (vermelho), os quais disputam a atenção do público.
Patacatem dois sentidos: 1. pinta, sinal, mancha. Ex: “Fulano tá com uma pataca
de grude na roupa” (v. rajada, siná, veigão). 2. moeda antiga que não vale mais
nada. Ex: “Fulano num vale uma pataca furada”.
Pata choca – diz-se de uma mulher brava, barulhenta, escandalosa.
Patada – tem dois sentidos: 1. coice de animal. 2. dar um fora em alguém (v.
subida, pa-trás)
Pato – tem dois sentidos: 1. ave. 2. diz-se de uma pessoa boba, tola, etc.
Pato rôco [rouco] – diz-se de uma pessoa rouca.
Pau a pau – de igual para igual, no mesmo nível.
Pau-d’aico [d’arco] – ipê de flores amarelas (ipê-amarelo).
Pau da venta – osso do nariz (v. venta)
Pau-de-arara – caminhão adaptado, com bancos e cobertura na carroceria, para
transporte de pessoas, principalmente romeiros.
Pau de fogo – arma de fogo.
Pau-de-galão – vara com duas cordas ou corrente nas pontas para se pendurar latas
para o transporte de água nos ombros.
Pau-de-sebo – brincadeira popular, que consiste em colocar um mastro alto,
melado de sebo (ensebado), com uma certa quantia em dinheiro na ponta
destinada a quem conseguir subir e pegar.
Pau-pra-toda-obra – pessoa disponível ou disposta, que não se nega a fazer
qualquer coisa.
Pau que nasce torto, morre torto – ditado popular determinista para dizer que
quem nasce ruim não endireita nunca.
Pavi [pavio] curto – pessoa irritada, que briga com facilidade.
Paviola, ou padiola - maca primitiva feita com dois paus compridos e alguns
menores atravessados, conduzido por duas ou mais pessoas, uns na frente outros
atrás. Muito usada para transportar defuntos do sítio para cidade (v. girau).
Pea – abreaviação de “peia”, que são tecidos gordurosos que envolvem a carne (v.
peenta, pelanca).
Pêa – abreviaçõ de “pêia”, tem dois sentidos: 1. correia de couro ou corda para
amarrar as pernas da vaca na hora de tirar o leite. 2. órgão sexual masculino -
pênis. Daí expressões como: “caba da pêa grande…” (v. bilola…).
Peba - tem dois sentidos: 1. animal silvestre parecido com um tatu. 2. coisa
falsificada, de má qualidade.
Pé-d’água – chuva forte.
Pé da barriga – baixo-ventre ou parte baixa da barriga.
Pedaço de má [mal] camim [caminho] – diz-se de mulher boa, gostosa, bonita, etc.
Pé de briga – um motivo para brigar
Pé de cá [cal] – paredão de barragem, feito de pedra com caliça (cal).
Pé de cana, ou inchado – alcoólatra.
Pé de fulô [flor] – uma plantar qualquer que bota flores.
Pé de fruta – uma planta qualquer que bota frutos comestíveis.
Pé de galinha – rugas (v. prega).
Pé de gente – pessoa, indívíduo. Ex: “na festa num tinha um pé de gente”, ou seja,
não foi ninguém.
Pé de mato – qualquer erva ou arbusto.
Pé-de-mêa [meia] – reserva ou poupança.
Pé de moleque – bolo de massa de mandioca, temperado com café, amendoim,
castanha de caju, etc.
Pé de paeta [palheta] – pé chato ou largo e arredondado.
Pé de pau – qualquer árvore.
Pé de pranta [planta] – qualquer planta cultivada pelo homem.
Pé de rabo – conjunto das partes sensuais (coxas, nádegas e genitália) de uma
mulher. Ex: “essa mulé tem um pé de rabo que…” (v. rabo)
Pé de serra – tem dois sentidos: 1.encosta de uma serra. 2. conjunto primitivo de
forró, com apenas três instrumentos: zabumba, triângulo e sanfona.
Pé de vento – pequeno redemoinho, ventania.
Pedir a benção – costume sertanejo do filho pedir ao pai e/ou mãe para que o
abencoe antes de dormir, ao acordar, ao viajar, etc. dizendo: “bença pai ou mãe”.
e aos avós e tios, quando os encontram exporaticamente.
Pedir o pinico, ou sabão – afrouxa, dar pra trás.
Pedra de amolar – pedra porosa que o matuto usa para afiar instrumentos
cortantes: faca, foice, machado, etc.
Pedra-ume – pedra branca, salgada usada como cicatrizante, principalmente pelos
barbeiros que passam no rosto do cliente depois de barbeá-lo.
Pé-duro – animal (boi, bode, porco, etc) sem raça definida, mas muito resistente ao
semi-árido.
Peduvido – abreviação de “pé do ouvido”.
Peenta – tem dois sentidos: 1. carne com muitos tecidos gordurosos que a
envolvem (v. pea, pelanca). 2. expressão usada para indicar, negativamente, os
músculos e/ou a pele flácida de uma pessoa (v. pregas).
Pé-frio – pessoa sem sorte ou que traz azar.
Pêga – jumenta, burra, égua (v. “arra diacho, ou êita pêga).
Pegador – gancho de ferro para pegar brasas nos fogões.
Pegado – ligado, colado, contînuo, inteiro (v. dinheiro pegado, intiriço).
Pega-pinto – arbusto rasteiro pegajoso que prende pitinhos novos.
Pega pra capar – confusão, briga, discussão, disputa. Ex: “ontem teve um pegapra-
capar entre Fulano e Sicrano”.
Pegar ar, ou queimar ruim – irritar-se, aborrecer-se com algo.
Pegar a reta, ou o beco – ir embora, sair, fugir.
Pegar cum [com] a boca na botija – pegar em flagrante.
Pegar de jeito – atingir de um jeito que o sujeito não escape.
Pegar na palavra – fechar um negócio, aproveitando-se de uma palavra dita por
alguém, antes que ele se arrependa ou volte atrás.
Pegar no ar – entender uma mensagem que foi dita de forma implícita, ou seja, em
parábola, metáfora, analogia, etc.
Pegar no batente – trabalhar.
Pegar no pé – incomodar, perseguir.
Pegar no pesado – trabalhar em serviço pesado, ou que exija muito esforço físico.
Pegar no rabo da gata, ou puxar cobra prus [para os] pés – limpar ou capinar
mato com uma enxada.
Pegar no sono – adormecer.
Pegar o só [sol] cum [com] a mão – acordar muito cedo.
Peido de véa (ou veia) [velha] – pequeno traque de massa explosiva, em forma
triangular, muito usado nos festejos de São João.
Peinha - pequena tira de couro. Ex: “Fulano cortou o dedo, ficou pendurado só
numa peinha”.
Peitar - tem dois sentidos: 1. bater, colidir (v. barruada). 2. afrontar alguém.
Peitorá – abreviação de “peitoral”, que é um avental de couro colocado no peito do
cavalo de vaqueiro, para protegê-lo dos galhos de pau.
Peito - tem dois sentidos: 1. seio (de mulher), úbero ou umbro (de animal) (v. sêi,
têta). 2. força, coragem. Daí a expressão “levar no peito”.
Peitudo – diz-se de uma pessoa corajosa, valente.
Pé lá, pé cá, ou um pé lá, outro cá, ou vá num pé e vorte [volte] noutro, ou vá e
vorte [volte] no mermo [mesmo] pé, ou vá ligeiro e vorte [volte] correno
[correndo]
– expressões que indicam pressa, ou seja, ir e voltar rápido.
Pelada – tem dois sentidos: 1. nua, sem roupa. 2. jogo de futebol improvisado.
Pela hora da morte, ou pelos zoi [olhos] da cara – diz-se de coisa muito cara
economicamente.
Pela madrugada - tem dois sentidos: 1. de madrugada. 2. interjeição de espanto,
equivalente a “por amor de Deus”..
Pelanca - tem dois sentidos: 1. carne com muitos tecidos gordurosos que a
envolvem (v. pea, peenta). 2. expressão usada para indicar, negativamente, os
músculos e/ou a pele flácida de uma pessoa (v. pregas).
Pelejatem quatro sentidos: 1. disputa entre dois cantadores de viola (v. cantoria,
desafio). 2. briga, contenda. 3. serviço, trabalho, luta pela vida (v. labuta, lida,
lôita). 4. tentativa, busca, insistir em algo. Daí o ditado popular: “quem nasce pra
não ter nada, peleja, peleja e nada tem”.
Pelisiná [pelo sinal], ou siná [sinal] -da-cruz – gesto cristão de se benzer, em que,
primeiro, se vai fazendo pequenas cruzes, com o polegar, na testa, na boca e no
peito, e, sucessivamente, pronunciando: “pelisiná [pelo sinal], da Santa Cruz;
livrai-nos Deus, Nosso Sinhô; dos nossos inimigos”, em seguida, faz uma cruz,
colocando-se, sucessivamente, a ponta da mão na testa, no peito, no ombro
esquerdo e no ombro direito, dizendo: “em nome do Pai, do Fi [Filho] e do
Esprito [Espírito] Santo – Amém”.
Pelo adiantar da hora – como já está ficando tarde.
Pelo andar da carruagem – pelo ruma que as coisas estão tomando.
Pena - tem dois sentidos: 1. pena de ave. 2. sentimento de compaixão.
Penca – tem dois sentidos: 1. conjunto de frutas num mesmo caule. Ex: “penca de
banana, etc. (v. cacho) 2. usada para indicar uma pessoa que tem muitos filhos.
Ex: “Fulano tem uma penca de menino” (v. ruma, reca).
Pender do só [sol] – entre meio-dia e uma hora da tarde.
Pendenga – questão, desavença, intriga, contenda.
Peneira – utensílio doméstico usado separar graus maiores dos menores.
Peneirar – tem dois sentidos: 1. ato de peneirar com uma peneira. 2. balançar-se ou
dançar sem sair do lugar. Ex: “o gavião tava se peneirando, esperando a hora de
dar o bote”.
Penitença - corruptela de “penitência”, tem dois sentidos: 1. pagamento de
Penosa – galinha.
Pensano [pensando] com meus botão – imaginando, refletindo, pensando a sós.
Pensar que babado é bico – confundir ou não avaliar corretamente algo.
Pentei – abreviação de “pentelho”, tem dois sentidos: 1. pelo pubiano. 2. menino
levado, travesso.
Penteadeira – móvel em forma de cômoda, com um espelho para as mulheres se
pentearem e se maquiarem.
Pepino – tem dois sentidos: 1. um tipo de melão muito cheiroso nativo do Sertão. 2.
problema.
Pé-quebrado – tem dois sentidos: 1. diz-se da amante de alguém. 2. versos em
quadra (quatro linhas) com quebra de rima de forma que dê um efeito satírico ou
jacoso. (v. décima, galope, glosa, martelo, mote, mourão, trova).
Per’aí, ou perainda – abreviação de “espere aí” ou”espere ainda mais”.
Pé-rapado (ou de chinelo, ou de poeira), ou sem eira nem beira, – pessoa pobre,
de baixo nível social.
Perder (ou virar) a bola – enlouquecer, endoidar.
Perder o cabaço, ou se perder – perder a virgindade – feminina.
Perder o fi [fio] da meada – perder o rumo da conversa.
Pereba – ferida.
Perereca – tem três sentidos: 1. pequeno anfíbio semelhante a um sapo pequeno. 2.
peça com dentes artificiais (v. dentadura, chapa). 3. genitália feminina – vulva ou
vagina (v. buçanha…).
Perna-de-pau – tem dois sentidos: 1. pernas compridas, na qual o palhaço se
equilibra. 2. jogador ruim.
Pernas pra que te quero – diz numa situação de perigo onde a solução é correr.
Perneira – calça de couro que o vaqueiro usa para se proteger do mato.
Pescano [pescando] – tem dois sentidos: 1. pegando peixe. 2. diz-se de uma pessoa
que está cochilando.
Pessoa dada – pessoa amável, agradável.
Pessuá – abreviação de “pessoal”, usado para substituir “gente”.
Pestana – tem dois sentidos: 1. cílio. 2. marquise na fachada de um prédio.
Peteleco – pequena tapa na cabeça (v. currulepe, cascudo).
Peu, ou pr’eu – abreviação matuta de “para eu”.
Pia! – abreviação de espia, que quer dizer olha. (v. ispiar).
Piaba – tem dois sentidos: 1. pequeno peixe encontrado nos rios, riachos, açudes e
lagos muito usado na refeição dos pobres e como petisco ou tira-gosto nas
rodadas de cachaça. 2. Nome de cachorro vira-lata, de pobre.
Piada – tem dois sentidos: 1. pequena história com sentido figurado. 2. indireta,
insulto, afrontamento (v. fuleragem, pilera).
Piado – tem três sentidos: 1. barulho de pintos. 2. amarrado pelos pés. 3. diz-se de
uma pessoa muito lenta.
Pião – brinquedo de criança feito com um pau torneado em forma de coração e um
prego fincado na ponta sobre o qual se enrola uma ponteira (cordão) e ao lançá-lo
ao chão este fica girando.
Piar – tem dois sentidos: 1. barulho provocado pelos pintos. Ex: “bom é acordar
cum [com o] piado dos pintos”. 2. abreviação de “apeiar”, que significa amarrar
as pernas uma na outra com uma pêia (v. pêa).
Picar a mula, ou se picar – ir embora, fugir.
Picada – tem dois sentidos: 1. caminho estreito, improvisado, aberto na mata. 2.
ferroada de um inseto ou mordida de um animal peçonhento.
Picareta – tem dois sentidos: 1. feramenta de cavar terreno duro. 2. pessoa má,
trambiqueira.
Piçarro – tem dois sentidos: 1. cinzas ou borra que fica no cachimbo depois que o
fumo queima (v. sarro). 2. terreno ruim, coberto de lejes, petras. etc (v. cascabui).
Pichilinga – inseto menor que uma pulga, muito comum em chiqueiro de galhinha
ou ninhos de pássaros.
Picinêz – óculos (v. cangaia, zocrus).
Pifar – tem dois sentidos: 1. quebrar, falhar. Ex: o carro pifou na hora da saída. 2.
estar faltando apenas uma pedra para bater num bingo.
Pife – abreviação de “pífano”.
Pigarro – travo na garganta, provocado por tosse, catarro ou algum líquido forte,
como, por exemplo, o sumo do caju.
Pilar - tem dois sentidos: 1. triturar num pilão (v. pisar). 2. viga em pé para
sustentação de parede, telhado, etc.
Pilera – abreviação de “pilhéria”, que significa dizer indireta com alguém que o
ofenda (v. fuleragem, piada).
Pinga-pinga – transporte coletivo (caminhão, ônibus, etc.) que para em todo lugar
para pegar ou deixar passageiro.
Pinguela – ponte estreita.
Pinguelo – clitóris da vagina.
Pinha – fruta-de-conde.
Pinhão – planta nativa do Sertão que produz um leite que é usado como soro
natural contra veneno de cobra. Por exemplo, o teju, ao ser mordido por uma
conbra, corre e moder a casca do pinhão para não morrer (v. cabeça-de-negro).
Obs: o pinhão-roxo é usado como amuleto para espantar mau-olhado.
Pinicar - tem três sentidos: 1. perfurar com o bico (v. bicar). 2. coçar, provocar
comichão no corpo. 3. piscar. Ex: “aquela menina pinicou o ôi [olho] pra mim”.
Pinicado – tem dois sentidos: 1. perfurado com o bico de um pássaro. 2. comichão
ou coceira do corpo.
Pinicão – comichão no corpo.
Pinico, ou urinó [orinol] – vaso com uma asa de lado para se fazer as necessidades
nele (xixi e cocô) (v. capitão).
Pinica-pau – pica-pau
Piniqueira – termo pejorativa dado a empregada doméstica, em alusão ao fato de
que ela lava os penicos da casa onde trabalha.
Pinta – tem três sentidos: mancha, sinal. Ex: “aquele bezerro tem uma pinta branca
na testa”. 2. órgão sexual masculino, porém mais usado para indicar o pênis de
uma criança (v. pitoca). 3. jeito, aparência. Ex: “aquele cara tem pinta de rico”.
Pintar – tem dois sentidos: 1. colorir. 2. aparecer, surgir. Ex: “pintou uma mulé
[mulher] na minha vida”.
Pintar o sete, ou pintar e bordar – fazer coisas erradas.
Pió – abreviação de “pior”.
Piôi [piolho] -de-cobra – um tipo de centopeia venenosa (v.imbuá).
Piorréa – abreviação de “piorréia”, que são calcificações escuras nos pés dos
dentes (tártaros).
Pipiu – nome carinhoso da genitália feminina, porém mais usado para indicar a
vagina de uma menina pequena.
Pipinar - cortar em pedacinhos.
Pipoca – tem dois sentidos: 1. milho explodido em alta temperatura. 2. bolha no
corpo.
Pipoco – tem dois sentidos: 1. estrondo, barulho, explosão. 2. diz-se para indicar
uma coisa cujo preço subiu muito no mercado ou alguém que fez um rápido
sucesso. Ex: “Fulano pipocou no meicado [mercado] cuma [como] cantor”.
Piquais – objetos pessoais sem valor.
Pirar - ficar doido.
Pirão – espécie de massa ou creme feito com farinha de mandioca escaldado no
caldo de carne quente.
Piroca – coisa sem valor, insignificante.
Pirrai, ou pirraia – abreviações de pirralho, quer dizer menino, criança.
Pirraça – teimosia, implicância, fazer algo de propósito para irritar.
Pirueta – cambalhota, acrobacia.
Pirulito – pequeno bombom, na ponta de um pau. Antigamente, fabricado
artesanalmente com açúcar queimado. Hoje, industrializado com sabores e cores
artificiais e revestido em papel.
Pisa – tem dois sentidos: 1. surra, espancamento (v. sova). 2. vitória com grande
vantagem numa disputa (política, jogo de futebol, etc)
Pisar – tem dois sentidos: 1. colocar o pé. 2. triturar (v. pilar).
Pisada – tem dois sentidos: 1. rastro, marca de pé no chão. 2. ritmo de trabalho ou
de outra coisa, daí ser comum dizer “a pisada é essa”.
Pisadura – ferida em animais provocada pela canga ou cangalha.
Pisante – sapato.
Pisar em rastro de corno, ou em bosta de cururu – estar sem sorte, ou de azar.
Pisar na beira da cova – escapar por pouco de morrer (v. escapar fedeno).
Pisar nos calo – incomodar, mexer no ponto franco de alguém.
Pisano [pisando] em ovo – com muito cuidado, com muita cautela.
Pisilica – ressaca de cachaça
Psiu…! - expressão usada para pedir silêncio.
Pista – estrada asfaltada.
Pistolão – tem dois sentidos: 1. uma pistola grande. 2. padrinho político, amigo
capaz de conseguir algo para outro (v. quebra-gai).
Pitaco – palpite, opinião.
Pitada – tem dois sentidos: 1. pequena quantidade. Ex: “uma pitada de sá [sal]”. 2.
tirar um trago num cachimbo.
Pitéu - mulher nova e bonita.
Pitó – pequena trunfa de cabelo amarrada com uma fita ou outro prendedor.
Pitoca – órgão sexual masculino. Usado para indicar o pênis de criança (v. pinta).
Pitoco – botão de acender ou acionar algo.
Pixototim, ou pixototinho – pequenininho ou muito pequeno.
Pizunhado – anda inquieto pra lá e pra cá, no mesmo lugar.
– talco.
Pobre-diabo – pessoa pobre, sem importância (v. Zé-ninguém).
Pode ir tirano [tirando] o cavalim [cavalinho] da chuva – desista, nem pensar.
Poica [porca] – tem dois sentidos: 1. fêmea do porco. 2. peça com rosca que se
coloca num parafuso para apertar.
Poicaria [porcaria], ou poiqueira [porqueira] – sujeira, coisa mal feita.
Poico [porco] baié, ou batoré – uma raça de porco entroncado: com focinho e
pernas curtas, que engorda muito. Daí a expressão “Fulano tá gordo que só um
porco baié, ou um batoré”.
Poime de café – resto do pó de café que assenta no fundo da xícara (v. bôrra)
Polegada – medida referente equivalente ao dedo polegar, usada para medir faca,
prego, serrote, etc. 3. usada como medida de referência, equivalente a 20 litros (v.
cuia, braça, lata, litro, saca ou saco).
Poleiro – tem dois sentidos: 1. local onde dormem galinhas, patos, etc.. 2.
arquibancada de circo.
Ponche - tem dois sentidos: 1. suco de fruta fraco ou com muita água e pouca
polpa (v. pefresco). 2. cachaça ou aguardente.
Ponta de rua – periferia de uma cidade.
Pôpa – abreviação de “polpa”, tem três sentidos: 1. sumo da fruta. 2. salto de um
animal. Ex: “o jegue deu uma pôpa”. 3. carnes das nádegas, também chamada de
“pôpa da bunda” (v. bunda, etc).
Porra – vem de esporrar, que significa ejacular esperma, entretanto virou um termo
popular usado em diversos sentidos: interjeição de admiração, espanto. Ex:
“pôrra!, qui côisa bunita”. Expressão de repúdio, rejeição, etc. Ex: “vai pra
porra!” ou “ta cá porra!” e até para se fazer analogias ou comparações. Ex: “esse
lugar é longe que só a porra”.
Porreta – bonito, bom, correto, etc.
Porteira – portão de madeira que se coloca nos currais, ou em cercas que cruzam
estradas.
Possante – tem dois sentidos: 1. forte, resistente. 2. carro velho.
Posturatem dois sentidos: 1. posição ou perfil de uma pessoa. 2. muito usada
quando um galinha (uma franguinha) põe ovos pela primeira vez, daí se diz que é
a “primeira postura”.
Potó – inseto muito cujo mijo provoca queimadura na nossa pele.
Potoca - conversa besta ou em tom de brincadeira.
Pra baixo – tem dois sentidos: 1. descendo. 2. em baixo-astral, deprimido.
Pra começo de conversa – para início de conversa, para começar.
Pra encurtar a conversa – para encerrar a conversa.
Pra lá e pra cá cuma [como] Bíblia em sovaco de crente (evangélico ou
protestante), ou côro [couro] de pescoso (ou de pica)
– conversa pra frente e
pra trás, ou negócio que avança e recua, sem fim.
Prantar [plantar] no seco – plantar em terra seca, geralmente aos primeiros sinais
de chuva, arriscando que vai chover.
Pra num dar gosto ao cão – quando uma comida cai no chão, o matuto pega,
limpa e diz: “pra num dar gosto ao cão” e, em seguida, come.
Pra riba – para cima.
Prastada – certa quantidade de algo grudento, melequento, etc. Ex: “Fulano sentou
em cima de uma prastada de cataro”.
Prática – tem dois sentidos: 1. experiência, habilidade. 2. pregação do padre (v.
sermão).
Prateleira – pequena estante, para se colocar pratos, xícaras, etc.. (v. cristaleira, ou
pitisqueiro).
Precisão – necessidade, motivo. Ex. “Fulano bateu na mulé sem precisão”
Pregado – fixado, colado.
Pregar uma peça – fazer algo inesperado.
Preguiçosa – tem dois sentidos: 1. pessoa sem coragem. 2. cadeira de tecido,
parecida com uma cama, usada para descanso (v. espreguiçadeira).
Pregunta - corruptela de “pergunta”.
Premeiro [primeiro] que… – expressão usada para explimir uma situação de
lentidão, vagareza, etc., que provoca atraso.
Premeiro [primeiro] sono – sono profundo (v. derradeiro sono).
Presepada – coisa desmantelada, feia, etc.
Pretume – pretidão, escuridão.
Primo carná [carnal], ou primos irmãos – primo duas vezes, ou seja, por parte de
mãe e pai.
Procissão - desfile religioso, geralmente com a imagem de um santo.
Procotó - inseto que provoca a “doença de chagas”. (v. baibeiro)
Procurano [procurando] chifre em cabeça de cavalo – procurando coisa onde
não há.
Procurar sarna pra se coçar – procurar encrenca, se meter em problemas.
Prometer mundos e fundos – prometer tudo, o que tem e o que não tem.
Prosa – conversa, diálogo. Daí ser comum a expressão “dois dedim de prosa”.
Pru [por] arte do diabo – por tentação do diabo, ou falta de sorte.
Pru [por] cá – por aqui.
Pru [por] conta do bode – coisa sem dono, rumo ou direção.
Pru culá, ou puraculá – contração de “por lá ou por ali”.
Pru [por] dentro chupano [chupando] imbu [umbu] – atalhar, cortar caminho.
Pru [por] fim da força – a todo custo, forçosamente.
Pru [por] mode, ou pru causas que – por causa. Também usada simplificado
como: “modes que” ou “causas que”.
Pru qui – por aqui.
Pru [por] riba – por cima.
Pru riba [por cima] de pau e pedra – a todo custo.
Pru [por] via das dúvida – por garantia, por precaução.
… pru [por] vida – constantemenbte, cotidianamente, por toda vida. Ex: “Fulano
vevi [vive] se queixando pru [por] vida de uma dor no estambo”.
Pua, ou trado – instrumento pontiagudo de marceneiro para perfurar madeira (v.
broca).
Puba – massa da mandioca apodrecida n’água e depois lavada em várias águas,
própria para fazer bolo.
Puía - abreviação de “pulha”, qu é uma pegadinha ou brincadeira de duplo sentido.
Puída - gasta. Por exemplo, uma roupa se rasgando de velha (v. esgarçar, ou se
poir).
Puiga - corruptela de “pulga”, que é um pequeno inseto que chupa sangue.
Puiga [pulga] -de-coz – diz-se de uma pessoa insistente, pegajosa.
Puigante – corruptela de “purgante”, que é um remédio laxante caseiro feito com
azeite de mamona muito ruim de se tomar (v. cristé, garrafada), daí, quando uma
comida ou bebida fica muito ruim, costuma dizer-se que “ficou um puigante”.
Pular a ceica [cerca] – cometer uma traição conjugal.
Pular de gai [galho] em gai [galho] – trocar, constantemente, de religião, de
partido político, etc.
Pular uma fogueira – escapar de algo perigoso ou difícil.
Pulia – tem dois sentidos: 1. peça redonda em um eixo, para receber a correia que o
faz girar. 2. pequeno inseto, menor que um cupim, que destrói madeira.
Puliça - corruptela de “polícia”.
Punhado – aquilo que cabe em uma mão (no punho). Ex: “traz aí um punhado de
sá [sal]”. 2. certa quantidade de gente, podendo ser grande ou pequena. Ex:
“tinha um punhado de gente na festa” (v. ruma, tuia).
Punaré – rato grande do mato que o matuto mata como alimento.
Punho - tem dois sentidos: 1. uma mão fechada. 2. cordões pelos quais são
penduradas as redes.
Pustema – inflamação ou abscesso com pus (v. apustemado, inframado)
Puta-merda, ou que pariu, ou putis grilo – interjeição de admiração, espanto,
chateação, indignação, etc..
Putaria – tem dois sentidos: 1. vida de prostituta. 2. safadeza, imoralidade, etc.
Putaria franciscana – intransigências, burocracias, etc. sem sentido, ao que
modernamente costuma-se chamar de “frescura” (v. intica, peitica, picuinha).
Putrucada, ou putrucão – furada, espetada.
Puxado - tem três sentidos: 1. aumento que se faz numa casa. 2. cansaço, falta de
ar, asma, tosse. 2. esticado, alongado.
Puxa-puxa – um tipo de bombom (alfenim mole), feito com açúcar e corante.
Puxar a sardinha para sua brasa - advogar em causa própria.
Puxar conversa – provocar assunto.
Puxar pela memória – tentar recordar algo.
Puxar um ronco - dormir.
Puxavanco, ou puxarranco, ou puxavanque – corruptela de “puxavante”, que é
um puxão violento ou brusco.
Puxincói, ou cuxincói – contração de “puxa e encolhe”, que é uma coisa uma coisa
que vai-e-vem, que faz e desfaz, ou uma conversa pra frente e pra trás (v. pra lá e
pra cá feito…).

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 Q

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Quadrado – tem três sentidos: 1. figura geométrica com quatro lados iguais. 2.
uma pessoa conservadora ou atrasada culturalmente. 3. pequeno cercado para
colocar criança.
Quadría – abreviação de “quadrilha”, tem dois sentidos: 1. dança junina com
diversos pares e um puxador (ou gritador) que vai orientando os passos e a
coreografia, ao som de um trio de forró. 2. um bando de malfeitores.
Qualé? – contração de “qual é?”.
Qualé sua graça? – qual é seu nome?
Quano [quando] Deus der bom tempo - quando as coisas melhorarem.
Quano [quando] galinha criar dente – diz-se para casos perdidos, ou que nunca
vão acontecer (v. no dia de São Nunca).
Quarar – colocar uma roupa de molho (com sabão ou ensaboada) ao sol para
amolecer ou alvejar, depois é só lavar com outra água limpa (v. enxaguar).
Quarador – local onde se expõe a roupa de molho (com sabão ou ensaboada) ao
sol para quarar (v. quarar).
Quarta – tem dois sentidos: 1. um dos dias da semana (quarta-feira). 2. medida ou
peso para venda de produtos no varejo, equivalente a ¼ de kilo. Daí ser comum
dizer: “me dê uma quarta de açúcar” (v. quarto).
Quarto – tem quatro sentidos: 1. um ¼ de kilo de qualquer coisa. 2. cômodo de
uma casa. 3. quadril de uma pessoa, daí é comum a expressão “hoje acordei com
dor nos quarto” (v. bacia) 4. no Sertão é comum matar um animal,
principalmente bode, e, depois de tirar o couro, dividi-lo em quatro pedaços ou
partes para vender. Daí é comum a expressão “um quarto de bode”.
Quebrada – tem três sentido: 1. partida (v. torar). 2. uma pessoa falida
economicamente. 3. lugar isolado, daí a expressão “nas quebrada do Sertão”.
Quebra-gai [galho] - tem dois sentidos: 1. algo que serve provisoriamente
enquanto se consegue o definitivo (v. tapa-buraco). 2. padrinho político ou amigo
influente capaz de conseguir algo para outro (v. pistolão).
Quebra-panela - brincadeira em que se coloca uma panela cheia de balas
(bombons) e as pessoas (com uma fenda nos olhos) tentam quebrá-la com um
pau. Quem quebrar ganha o conteúdo.
Quebra-pedra – arbusto usado como remédio (chá) para expelir pedras nos rins.
Quebra-quebra – briga, confusão, tumulto.
Quebra-queixo - doce muito ligado, que recebe este nome por pregar muito nos
dentes na hora de comer (nas cidades grandes e “japonês).
Quebrar - tem dois sentidos: 1. partir. 2. falir financeiramente.
Quebrar a barriga – ficar com a barriga mole e pendurada.
Quebrar à direita – dobrar à direita.
Quebrar à esquerda – dobrar à direita.
Quebrar cabeça – debater-se com o um problema ou negócio de difícil solução.
Quebrar coco (ou catolé), ou bater fofo – diz-se quando a espoleta da espingarda
falha.
Quebrar do dia, ou da barra – sair do sol.
Quebrar (ou tirar) o cabresto – diz-se quando o menino/rapaz transa pela
primeira vez.
Quebrar o mi [milho] – colher espigas de milho.
Quebrar peso – perder peso, emagracer.
Queda de asa – desvio brusco para um dos lados.
Queda de braço – tem dois sentidos: 1. jogo de medir forças, com os cotovelos
dos jogadores fincados na mesa, os braços e mãos entrelaçadas, daí quem
conseguir encostar a mão do outro na mesa ganha o jogo. 2. qualquer tipo de
disputa em que se medem forças, políticas, etc..
Que-dirar – expressão de comparação equivalente a “quanto mais”. Ex: “se esse
dinheiro não dar para eu passar inté o fim do mês, que-dirar inté o fim do ano”.
Que é ver, ou taliquá [tal e qual] – quase igual ou parecido. Ex: “Fulano tem uma
fia [filha] que é ver um macho”.
Queijo de cuai [coalho] - queijo branco tradicional no Nordeste, feito com o
coalho, cru e prensado, do leite.
Queijo de manteiga – queijo amarelado tradicional no Nordeste, feito com o
coalho do leite, cozido com manteiga (de garrafa).
Queijudo - diz-se de uma pessoa que está há muito tempo sem transar.
Queimatem três sentidos: 1. verbo queimar. Ex: “queima de fogos”. 2. ácido
estomacal (v. azia). 3. liquidação ou venda a preço baixo.
Queimar o derradeiro cartucho – fazer a última tentativa.
Queimar (ou dar) a rodinha – dar a bunda ou o cu numa relação sexual.
Queimar o arroz – andar com a calcinha/cueca entrando na regada da bunda.
Queimar rim [ruim] – não gostar, irritar-se.
Queira Deus – se Deuz quizer, Deus queira.
Que mal lhe pergunte? – desculpe-me por perguntar.
Que massa! – muito bom, legal, excelente.
Quem num tem cão caça cum gato – que o matuto usa no sentido de que quem
não tem o ideal improvisa, ou usa o que pode, é uma corruptela de “quem não
tem cão caça como gato”, ou seja, sozinho.
Quem num te conhece que te compre – quem não te conheça que acredite.
Quem tem boca vai a Roma – que o matuto usa no sentido de que perguntando-se
se descobe o que procura, é uma corruptela de “quem tem boca vaia [verbo vaiar]
Roma”.
Quem tem fi [filho] baibado[barbado] é gato – expressão para dizer que não vai
continuar sustentando filho já adulto.
Quem tem medo de cagar num come, ou quem num pode cum [com o] pote
num pega na rudia [rodilha]
– quem tem medo das cosequências de uma coisa
não inventa fazê-la.
Quem tiver suas cabrita prenda que meu bode tá sorto [solto] – quem tiver
filhas cuide bem, pois meus filhos estão a fim delas.
Quenga – tem dois sentidos: 1. banda de coco. 2. prostituta (v. mulé da vida…).
Quengar – prostituir-se, ou raparigar.
Quengo - tem dois sentidos: 1. banda de coco. 2. cabeça.
Quente – tem dois sentidos: 1. em alta temperatura. 2. pessoa levemente
embriagada.
Quentura – tem dois sentidos: 1. alta temperatura. 2. pessoa eficiente, desenrolada,
daí se diz que “Fulano é quentura”.
Querer ensinar Pai-Nosso a vigário – querer ensinar a quem já sabe muito mais,
ou que já é professor no assunto.
Querela, ou querencia, ou quizila, ou quizumba – briga, intriga, desavença.
Quereno [querendo] aparecer – diz-se de uma pessoa que está se mostrando,
exibindo-se para chamar a atenção.
Querer abaicar [abarcar] (ou abraçar) o mundo cum as perna – querer fazer
muitas coisa ao mesmo tempo sem porder.
Querer ser o que a foinha [folhinha] num maica [marca] – ser orgulhoso,
exibido, arrogante, ou seja, quer ser mais do que é, em alusão ao calendário
“Coração de Jesus”, que, todo dia, o matuto vai lá e olha na “folhinha” as
informações ou indicações do dia: “fases da lua, feriados, etc. Há varias coisas
que a folhinha não marca, daí o dito popular (v. só quer ser as prega).
Querer tapar o só [sol] com uma peneira – querer esconder a verdade, tenter
negar a ralidade dos fato.
Quer por que quer – querer insistentemente, com teimosia.
Que só – tem dois sentidos: 1. quando colocada no final de uma frase significa
“muito”. Ex: “gostei dessa roupa que só”. 2. expressão comparativa equivalente a
“igual a” ou “tal qual”. Ex: “Fulano é fêi [feio] que só um caboré”.
Questão – tem dois sentidos: 1. pergunta, problema. 2. caso, intriga, desavença.
Nesse caso temos as famosas “questões de terras” nos Sertões.
Qui! qui! qui! … tem dois sentidos: 1. expressão para chamar cachorro. 2. fofoca.
Quicé – faca velha, com pouco lâmina, desgastada pelo tempo (v. trinchete).
Quina – esquina (aresta) ou extremidade pontiaguda de um objeto.
Quinca – apelido popular de Joaquim.
Qui-nem – expressão comparativa equivalente a “como quem” ou “igual a”.
Quipa – goleiro.
Quidirá – abreviação de “quem dirá – que significa imagine. Ex: “a festa inda nem
começou e Fulano já está bêbado, quidirá mais tarde”.
Quixaba – pequeno fruto da quixabeira, com pouquíssima polpa e muito azeda,
mas que menino acaba comendo por brincadeira.
Quixó – tem dois sentidos: 1. armadilha de pedra para pegar preá, punaré, etc. (v.
fojo). 2. um dos nomes de casa de pobre (v. biboca…).

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 R

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Rabada – comida feita com o rabo do boi.
Rabeca, ou rebeca – um tipo de violino.
Rabiçaca – torce a cabeça bruscamente com raiva ou desfazendo de alguém.
Rabicho – correia fina de couro que passa por baixo da cauda do animal dando
sustentação à sela, impedindo que ela corra para frente.
Rabichola - correia larga de couro que passa por baixo da cauda do animal dando
sustentação à cangalha, impedindo que ela corra para frente.
Rabo - tem dois sentidos: 1. cauda de um animal. 2. conjunto das partes traseiras
(coxas, nádegas e órgãos genitais) de uma pessoa. Ex: “aquela menina é muito
boa de rabo”. Ou simplesmente o ânus (cu) ou a vagina (buceta) separadamente.
Ex: “Fulana deu o rabo”, que pode ser o ânus ou a vagina.
Rabo de cavalo – penteado em que se junta e amarra o cabelo no pé do casco
deixando-o pendurado feito o rabo de um cavalo.
Rabo de foguete – situação difícil, fria.
Rabo de ôi [olho] – olhar discreto, ou de repreensão (v. passar um rabo de ôi).
Rabo de saia – mulher.
Rabugento – tem dois sentidos: 1. que tem rabugem (v. rabugem). 2. uma pessoa
abusada, intolerante (v. cabuloso, caprichoso).
Rabugem – doença de pele que dá em cachorro, principalmente quando está velho
(coceira, escamação da pele, queda de cabelo).
Rachar – tem três sentidos: 1. abrir em duas bandas (v. trincar). 2. dividir algo. Ex:
“rachar uma conta”. 3. brigar, desentender-se. Muito usada para desavenças
políticas, quando se diz que “Fulano rachou com Sicrano”.
Raçudo – corajoso, valente, disposto.
Radier – cinturão de ferro e concreto para numa parede.
Raiar - tem dois sentidos: 1. repreender, chamar a atenção de alguém (levar uma
bronca…). 2. amanhecer. Daí a expressão “inté o dia raiar”.
Raiar o dia, ou o só [sol] – amanhecer o dia, ou ao sol nascer.
Rajado – tem dois sentidos: 1. multicor. Ex: “um boi rajado” (v. maiado). 2. com
machas ou pintas. Ex: “Fulano tá rajado de grude” (v. pataca).
Ralar – tem dois sentidos: 1. esfregar um alimento num ralo para triturá-lo (v. ralo,
raspar). 2. penar, sofrer. Ex: “Fulano tá se ralano pra conseguir emprego”.
Rala (ou rela) -bucho – qualquer festa dançante, especialmente forró.
Ralo – tem três sentidos: 1. peneira que se coloca nos esgotos para não passar
detritos. 2. fraco. Ex: “um suco ralo”, ou seja, com pouca polpa de fruta. 2.
objeto de lata ou outro metal, cheio de pontas, uma espécie de peneira às avessas,
na qual se esfrega um alimento para triturá-lo (v. ralar).
Rama - aste de mato fino e rasteiro. Ex: “rama de fêjão [feijão], de melancia, etc”.
Ramo - tem três sentidos: 1. galho fino de árvore. 2. abreviação popular de
derrame (trombose) que, quando acontece, costuma-se dizer que a pessoa fica
com a “boca troncha” ou com um “lado esquecido”, ou seja, paralisado (v. ter um
lado esquecido). 3. profissão, meio de vida. Ex: ”qualé seu ramo de vida?”.
Ramo de vida, ou negocio – profissão, meio de vida, tipo de empressa. (v. ramo).
Rancho – casebre de apoio no sítio ou roçado, mas que, às vezes, acaba sendo um
dos nomes de casa de pobre (v. biboca…).
Randevú – festa dançante onde frequentada por pessoas de baixo nível social.
Ranço - tem dois sentidos: 1. gosto de gordura estragada. 2. rancor, mágoa.
Rangido - som produzido pelo atrito entre dois corpos. Ex: “o rangido da porteira”.
Rapadura, ou raspadura – doce sólido, derivado do mel da cana-de-açúcar.
Rapapé - confusão, briga.
Rapé – fumo torrado e pisado para ser inalado pelo nariz (v. tabaco).
Raposa véa (ou veia) [velha] – diz-se de uma pessoa experiente, hábil.
Rá-rá-rá, ou quiriquiqui - risadagem.
Rasga mortaia [mortalha] – pequena coruja branca que, segundo a superstição
popular, quando sobrevoa uma casa traz desgraça aos seus moradores.
Rasgar o verbo – dizer a verdade, denunciar, etc.
Raspar - tem dois sentidos: 1. esfregar um alimento num ralo para triturá-lo Ex:
“raspar a rapadura” (v. ralar). 2. passar próximo. Ex: “a bala passou raspano …”
(v. roçar)
Raspa-coco, ou raspador de coco – utensílio doméstico de raspar coco.
Rasteira – tem dois sentidos: 1. uma coisa baixa, ao nível do chão. 2. calçar uma
pessoa pelas pernas para que ela caia.
Ratoeira – armadilha para pegar ratos.
Rebãe [rebanho] – dá a idea de conjunto, principalmente de animais, mas pode ser
usado também para pessoas (v. êito, moi, penca, reca, ruma).
Rebarba – sobra de algo recortado.
Rebocar – tem dois sentidos: 1. revestir ou dar o acabamento (reboco) em uma
parede com barro, caliça ou outro material. 2. puxar um carro quebrado com
outro carro.
Rebolar – tem dois sentidos: 1. rolar algo, uma pedra, por exemplo. 2. virar-se, dar
um jeito. Ex: “Fulano tá se rebolano pra conseguir emprego”.
Rebolo - coisa grande, pesada, etc.
Reca – certo número de pessoas Daí ser muito usada para indicar uma pessoa que
tem muitos filhos. Ex: “Fulano tem uma reca de menino” (v. êito, moi, penca).
Rede – peça de tecido pendurada ou presa a duas paredes para dormir ou descansar.
Rediatem dois sentidos: 1. corda presa à cabeça de um animal. Através dela se
tem o controle do mesmo, fazendo-o ir para os lados, parar ou andar mais rápido.
2. num sentido figurado, é usada para designar o controle de uma pessoa sobre
outra. Daí se diz que “Fulano trata Sicrana com rédia curta”.
Redimuim, ou redemoinho – vento forte circular que sai retorcendo tudo que
encontra pela frente (poeira, papel, folha, etc).
Redondeza – região circunvizinha.
Refresco – suco gelado (v. ponche).
Refugo – sobra ou resto de algo por ser considerado de má qualidade.
Regada – rego entre as nádegas, também chamado de “rego da bunda ou do cu”.
Regras – tem dois sentidos: 1. normas. 2. menstruação (v. mulé [mulher] de boi)
Regular – tem dois sentidos: 1. controlar, ajustar. 2. calcular, medir, julgar, etc. (v.
caicular, chutar).
Reimoso – diz-se para indicar a baixa imunidade de uma pessoa, a qual tem grande
propensão a infecções, daí se costuma dizer que está com o “corpo reimoso” (v.
comida carregada, ou reimosa).
Réis - moeda corrente até 1942, mas que até hoje é usado pelo matuto. Daí diz-se
“um conto de réis”, referindo-se a um real.
Rejeto – calcanhar ou tornozelo.
Relar – ralar, arranhar.
Remanso – redemoinhos que se formam na água corrente.
Remela – secreção ocular endurecida.
Remela de gamela – mel que se deixa escorrer nas bordas da gamela na hora de
fazer a rapadura.
Remelexo – requebrado, dançar balançando os quadris.
Remexer – tem dois sentidos: 1. procurar, vasculhar detidamente. 2. mover-se. Ex:
“o defunto se remexeu na cova”.
Remoer – tem três sentidos: 1. remastigar um alimento ingerido que volta à boca
para ser melhor triturado, típico de alguns animais, como boi, bode, etc. (v.
ruminar). 2. deslizar uma porca numa rosca gasta que não torce mais nem para
frente nem para trás. 3. conversa pra frente e para trás.
Rém-rém – arenga ou discussão sem fim, que vai e vem.
Renitente – insistente, teimoso.
Repente - verso feito de improviso (v. cantador de viola).
Repique - ritmo musical, mas, principalmente, um ritmo que se toca com o sino da
igreja acompanhando o enterro de uma criança (v. anjim).
Represa – lastro d’água de um açude, que, à medida que vai baixando ou
esvaziando, vai sendo utilizado para o plantio de alimentos (v. vazante).
Repuxo – grande esforço, trabalho pesado (v. rojão)
Requifife – tem dois sentidos: 1. enfeite, ornamento. 2. frescura, requinte.
Reserva – tem dois sentidos: 1. algo ou certa quantia em dinheiro que se guarda
como garantia para ser usado em momentos de necessidade. 2. local (balcão)
“reservado” de uma bodega para venda de cachaça no varejo, em que as pessoas
bebem em pé.
Resguardo – período de repouso absoluto (quarentena) que a mulher deve observar
após o parto, o qual é acompanhado por uma rigorosa dieta, à base de “canja de
galinha”.
Respeite! – interjeição de admiração. Ex: “Fulano tem uma fia [filha] que
respeite!”.
Resta – corruptela de “restia”, que quer dizer sombra.
Retai - abreviação de “retalho”, que é um pequeno pedaço de algo, como, por
exemplo, de tecido. Daí nasce a famosa “colcha do retai”, feita de retalhos de
tecido (v. corte).
Retaiar - abreviação de “retalhar”, que tem dois sentidos: 1. dividir em pedaços
(retalhos), que num caso de um animal tem o sentido de esquartejar. Ex: “Fulano
tá retaiano um bode”, ou seja, esquartejando. 2. vender no varejo (v. vender à
grané, ou à retai).
Retear - abreviação de “retelhar”, que significa reorganizar o telhado de uma casa.
Retraço – pedaceira, resto, sobra, etc. de algo. Ex: “Fulano cumeu as partes boas
da galinha, deixou só o retraço pra mim”.
Retrato – fotografia (v. bater uma chapa).
Revelar - tem três sentidos: 1. revelar o filme pelo fotógrafo. 2. tornar público algo,
como, por exemplo, um segredo. Ex: “Fulano revelou o segredo de…”. 3. torcer
ou contundir um membro do corpo. Ex: “Fulano revelou o pé”, ou seja, torceu o
pé (v. dar um jeito, desmintir).
Rever – tem dois sentidos: 1. reencontrar. 2. vazar, ou deixar escapar água. Ex: “o
açude tá revendo água pelo bardo”
Reveso – cercado grande feito para prender animais (v. ceicado, currá).
Revestréz - corruptela de “revertério”, que é um retrocesso, dar para trás, dar efeito
contrário (v. banana).
Rêumatismo - toda e qualquer dor ou doença óssea.
Reza (ou oração) forte – reza ou oração, através da qual acredita-se curar doenças
ou fechar o corpo de alguém contra malefícios (v. benzedeira).
Riata – alça ou passador de cinto.
Ribanceira – margens ou barreiras de rio, açude, cacimba, etc.
Ribeira - zona ou área próxima a um rio.
Ricuso – corruptela de “recurso”, tem dois sentidos: 1. tentativa, alternativa, meio
legal. Ex: “só em útimo ricuso nós vamos embora” (v. em último caso). 2.
riqueza, bens, etc, daí vem a palavra “arricusado” (v. arricusado).
Rim, ou rizim – abreviação de ruim ou ruizinho.
Rinchar – abreviação de “relinchar”, que é o som prodizido pelo jumento, cavalo,
burro.
Ripa - tiras de madeira compridas e finas, colocadas transversalmente entre os
caibos para sustentar as telhas de uma casa.
Ripar – tem dois sentidos: 1. colocar ripas. 2. cortar (v. abastar, aparar). Ex: “ripar
a crina do cavalo”.
Riscar - tem dois sentidos: 1. fazer um risco. 2. aparecer de repente.
Rixa – intriga, raiva de outrem.
Roça, ou roçado – área de plantio do agricultor.
Roçar – tem três sentidos: 1. ato de capinar. 2. passar próximo. Ex: “a bala passou
roçando a cabeça de…” (v. raspar).
Roço – capinar o mato sem arrancá-lo pela raiz (com uma enxada), mas apenas
cortando-o (com uma foice), deixando os tocos.
Rodagem – estrada larga por onde trafegam carros, ao contrário de camim
[caminho], que é uma estrada estreita por onde só circulam animais e pessoas [v.
camim].
Rodapé – pintura ou barra feita com uma tinta mais escura na parte baixa de uma
parede para proteger na hora de varrer. Hoje em dia feita com cerâmica.
Rodopiar – girar. Também indica uma dança em que o casal gira muito.
Roer – tem dois sentidos: 1. ato de roer provocado por um animal roedor. Ex: “o
rato roeu a roupa”. 2. sofrer por um amor não correspondido.
Rojão – tem dois sentidos: 1. bomba de fabricação caseira de grande poder de
explosão. 2. grande esforço, trabalho pesado (v. repuxo).
Rolinhatem dois sentidos: 1. pequena ave parecida com um pomba. As mais
conhecidas são: cafoca, caldo-de-fejão e casvacel. 2. órgão sexual masculino -
pênis (v. bilola…).
Rola-bosta – besouro preto, parecido com um gangangá, mas que tem duas presas,
com as quais costuma rolar (embolar) bosta pelo chão.
Roleta - briga, luta corporal. Ex: “os meninos pegaram uma róleta”, ou seja, uma
briga.
Rolêta – um dos tipos de jogo de azar.
Rôlête – pequenos cubos de canas, geralmente enfiados em palitos de taboca, para
venda (v. taboca).
Rolimã - esferas de ferro extraídas de rolamentos.
Roliço – redondo.
Rolo - tem três sentidos: 1. algo enrolado. 2. confusão, briga. 3. negociata
financeira.
Rombo – tem dois sentidos: 1. um grande buraco. 2. um desfalque financeiro.
Rombudo – instrumento cortante de ponta, não afiado ou cego.
Romeiro – devotos que fazem romarias (caminhadas) a um centro religioso.
Ronhento – brabo, feroz, perigoso. Mais usada para indicar cachorro brabo, mas
também para uma pessoa briguenta.
Roncha – marca roxa na pele provocada por uma pancada.
Roncôi – abreviação de “rocolho”, que significa com apenas um único testículo.
Muito comum quando se erra na castração e o animal fica só com um testículo.
Ronco – tem dois sentidos: 1. barulho produzido por uma pessoa dormindo. 2.
barulho do trovão. Daí ser comum falar-se do “ronco do truvão na serra”.
Rôpa [roupa] de baixo – roupa íntima (v. andar em osso).
Rôpa [roupa] do coipo [corpo] – diz-se de uma pessoa pobre, que “só tem a rôpa
do coipo”, ou seja, sem nada. Ex: “Fulano perdeu tudo, ficou só cum a rôpa do
coipo”.
Rôpa [roupa] combinano [combinando] – quando as duas peças de um vestuário;
a de baixo (calça ou saia) e a de cima (brusa) são da mesma cor, ou pelo menos
na mesma donalidade, ou seja, tom sobre tom.
Roqueira – peça feita a partir de um cano de espingarda, serrado e preso a um
tronco de pau, que vai sendo carregado com pólvora e disparado como fogo de
artifício durante os festejos juninos.
Rosário - iguaria vendida nas feiras livres, formada por coquinhos catolé enfiados
um cordão.
Roscope - corruptela de “roscofre”, que é um relógio de pulso fraco, de marca ruim.
Roseira - usado não só para a roseira propriamente dita, mas para qualquer tipo de
planta que bote flores.
Roseta - estrela de espora.
Rosnar - barulho produzido pelo cachorro quando quer morder (v. acuar).
Rudia - abreviação de “rodilha”, que é um pano enrolado em forma circular que se
coloca na cabeça como apoio para carregar peso: lata-d’água, balaio, etc.
Ruela - corruptela de “arruela”, que é uma pequena chapa de metal redonda com
um foro do centro.
Ruge - pó avermelhado (cosmético ) para passar nas bochechas (blush).
Ruma - número elevado, porção. Ex: “Fulano tem uma ruma de fi [filho]” (v. êito).
Rumbeira – dançarina de circo pobre que se apresenta de biquíni.
Ruminar - remastigar um alimento ingerido que volta à boca para ser melhor
triturado (v. remoer).

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 S

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– abreviação de “sal”.
Sabão da terra – sabão fabricado artesanalmente à base de gordura de porco, cinza
e soda cáustica.
Saber de có e sarteado [salteado], ou na ponta da língua – saber algo decorado,
de memória.
Sabido – tem dois sentidos: 1. instruído, sábio. 2. vivo, perspicaz.
Sabido que só bicho de circo – diz-se de uma pessoa inteligente ou de um animal
adestrado.
Sabugotem dois sentidos: 1. madeira que sobra da espiga quando se retiram
grãos de milho. 2. expressão para indicar resto, daí se dizer: “Fulano comeu tudo,
deixou só a sabugueira”.
Saburá – cera onde as abelhas depositam o mel e/ou os filhotes.
Sacanagem, ou safadeza – tem dois sentidos: 1. ruindade, imoralidade, depravação,
trapacear.
Saca-trapo – vareta de ferro para socar numa “espingarda de feixe” (v. socar).
Sacotem três sentidos: 1. retângulo de tecido costurado nos lados para transporte
de cereais. 2. testículos, daí ser comum dizer que “Fulano tava cosano os saco”
(v. cunhões, zovo).. 3. expressão de insatisfação, etc. Ex: “isso é um saco!”.
Sacudir - lançar, jogar. Ex: “sacudir pedra num passarim” (v. zunir).
Saco de batata – tem dois sentidos: 1. saco com batatas. 2. coisa desmantelada,
inclusive uma pessoa mal feita de corpo.
Safra - colheita.
Safrejar – brotar frutos (v. botar).
Sai do meu pé, chulé! – sai da minha vida, do meu encalce, etc.
Saído (ou saidim) [saidinho] – pessoa atrevida, enxerida.
Sair (ou fazer) a toque de caixa – sair, (ou fazer) de qualquer jeito, sem cuidado
ou capricho.
Sair com quatro pedra na mão – diz-se de uma pessoa que, de repente, age com
ignorância ou estupidez.
Saideira – última cachaça para ir embora (v. abrideira).
Sair de finim [fininho] – sair escondido sem que ninguém perceba.
Sair do sério, ou perder as estribeira - perder a paciência ou controle a ponto de
agir com ignorância ou com violência.
Sair na bassôra [vassoura], ou no lixo - sair depois que a festa acabar, em último
lugar.
Sair pra fora – sair.
Sair mió [melhor] (ou pió [pior]) do que a emcomenda – sair melhor, ou pior, do
que o esperado.
Sair no braço – brigar, lutar.
Saiu c’um quente e dois freveno [fervendo] – diz-se de uma pessoa que, de
repente, apresenta-se brava, irritada, zangada.
Salada - prato com mistura de frutas ou verduras. Podendo ser sinônimo, também,
de qualquer coisa misturada, bagunçada.
Salafrário – ordinário, indecente, desprezível.
Salão – tem dois sentidos: 1. uma sala grande. 2. terreno forrado por pedra.
Salobo [salobro] – salgado ou com muito sal.
Salvou-se uma aima [alma] - diz-se quando sai alguma coisa boa de quem não se
espera nada de bom.
Samango - tem dois sentidos: 1. soldado raso. 2. animal pequeno, magro.
Samba – tem dois sentidos: 1. ritmo específico de música/dança. 2. pode ser todo e
qualquer tipo de dança. Daí ser comum dizer “hoje vai tê um samba na casa de
Fulano…”, para indicar qualquer tipo de festa dançante.
Samba de latada – samba primitivo,  próximo ao forro, tocado com sanfona.
Sambado – coisa muito usada, velha.
Sambudo - criança ou animal magro, mas com a barriga grande.
Sanefa – suporte de madeira para pendurar cortina em porta, janela, etc.
Sangrar - tem três sentidos: 1. ato de sangrar. Ex: “sangrar um bode” 2. escorrer
sangue. Ex: “o ferimento começou a sangrar”. 3. transbordar. Daí a expressão: “u
açude tá sangrano”.
Sangria – tem três sentidos: 1. ato de estar sangrando. 2. parte de um açude por
onde a água transborda ou sangra. 3. refresco feito com vinho, água e açúcar.
Sangria desatada – pressa, urgência.
Sangue pisado – um sangue escuro ou misturado com pus.
Santantôi, ou Santontôi – contração de Santo Antônio.
Santim [santinho] – tem três sentidos: 1. pequeno santo. 2. convite de missa de
defunto que traz impressa a foto do falecido. 3. pequeno cartaz (panfleto) com a
foto de um candidato político.
Santo do pau oco – pessoa falsa, sonsa, fingida, que se faz de santo sem ser.
Sapatão, ou sapatona – mulher lésbica, ou seja, que gosta ou mantém relações
sexuais com outra mulher. Também se costuma dizer que “calça 40”.
Sapatear – tem dois sentidos: 1. bater os pés no chão por qualquer motivo: positivo,
tirando a poeira; negativo: com raiva, zangado (v. ciscar). 2. dançar.
Sapecar – tem três sentidos: 1. arrebatar, lançar, atirar. 2. assar uma coisa (carne)
só por fora, deixando o miolo cru (chamuscar). 3. fazer uma coisa ou serviço mal
feito.
Sapriscar – corruptrela de “salpicar”, tem dois sentidos: 1. jogar água sobre a terra
para umedecer ou baixar a poeira (v. aguar, barrufar). 2. chover fino, daí se diz
que está “sapriscando” (v. choviscar, lebrinar, sereno).
Sarapaté – abreviação de “sarapatel”, que é uma comida feita de picadinhos de
vísceras e sangue coalhado de porco, bode ou carneiro.
Sarrabui - abreviação de “sarrabulho”, que significa esfregão. Que pode ser uma
surra esfregando o sujeito na terra, ou “sarabuiar a carne na cinza”.
Sarrafo – tira fina e comprida de madeira.
Sarro - tem dois sentidos: 1. borra do fumo queimado no cachimbo. 2. namoro
íntimo demais (v. amasso, chambrego, ou chumbrego).
Satisfação – desculpa, retratação, explicação.
Se abancar [abancar-se] – apropropiar-se, opoderar-se, invadir.
Se abrir [abrir-se] – tem dois sentidos: 1. desabafar, revelar algo, falar dos
sentimento a outrem. 2. sorrir.
Se acabano [acabando-se] na mão cuma [como] culé [colher] de pedreiro -
masturbando-se (v. bater uma bronha…).
Se acabano [acabando-se] pelo fundo cuma [como] balai [balaio] (ou saco, ou
lata) véi (ou véio) [velho]
– com diarreia (v. andaço, caganeira, etc.).
Se acituar (acituar-se), ou pegar – resistir. Usado para indicar uma planta que foi
transportada de um lugar para outro e resistiu ou foi para frente
Se adestinar [destinar-se] – resolver, tomar destino ou coragem.
Se afeiçoar [afeiçoar-se] – apegarse ou criar laços de afetividade por algo.
Se afobar [afobar-se] – irritar-se, perder a calma.
Se alastrar [alastrar-se] – espalhar-se desordenadamente, ou sem controle.
Se alinhar [alinhar-se], ou se empiriquitar [empiriquitar-se] – enfeitar-se.
Se amorcegar [amorcegar-se] – diz-se quando alguém pega uma carona num
carro sem que o motorista veja, ficando o caronista pendurado pelo lado de fora,
feito um morcego (v. bigú).
Se amostrar [amostrar-se] – querer aparecer, exibir-se.
Se aprochegar [aprochegar-se] – aproximar-se, chegar perto.
Se arranchar [arranchar-se] – hospedar-se temporariamente Ex: “as abêas
[abelhas] se arrancharam no têiado [telhado] da casa”. Além disso, no Sertão é
comum o pessoal do sítio vir para feira e hospedar-se na casa de um parente ou
conhecido, daí se diz que estão “arranchados na casa de…”.
Se arretirar [retirar-se] – que o matuto acrescenta “ar” antes, quer dizer ir embora,
migrar, sair. Ex: “a seca fez o hôme [homem] se arretirar do Sertão”.
Se arrombar [arrombar-se] – dar-se mal.
Se assujeitar [assujeitar-se] – submeter-se, humilhar-se, deixar-se dominar.
Se atrever [atrever-se] – ariscar-se, não ter medo de ousar.
Se avezar [avezar-se] – viciar-se, habituar-se, acostumar-se.
Se banhar [banhar-se]tem dois sentidos: 1. lavar apenas as partes principais do
corpo. No tempo antigo, o matuto costumava tomar banho completo somente
quando ia à cidade, principalmente, nos dias de feira e missas. Nos demais dias,
apenas “se banhava” para dormir, ou seja, lavava os pés, as mãos e o rosto. 2.
Levar vantagem, fazer um bom negócio, tirar sorte.
Sebito - tem dois sentidos: 1. pequeno pássaro um pouco maior que um beija-flor.
2. pessoa muito magra, também chamada de “sebito baliado”.
Seboseira – sujeira, imundície, falta de higiene.
Seca – tem três sentidos: 1. estiagem ou falta de chuva. 2. uma vasilha desocupado,
sem nada dentro (v. vazia). 3. não úmido.
Se cagano [cagando-se], ou se obrano [obrando-se) - defecando (v. cagar).
Secura - tem dois sentidos: 1. falta de água na garganta. 2. fixação por uma coisa,
principalmente desejo ou tesão sexual por alguém (v. cegueira).
Se danar a ... [danar-se a ...] – começar a … Ex: “adispôis da doença, ele se danou
a trabaiar [trabalhar]”.
Se dar [dar-se], ou se bicar [bicar-se] – entender-se, combinar-se, etc. Ex:
“Fulano num se dá cum Sicrano” (v. dois bicudo num se beija).
S’encantar [encantar-se] – desaparecer misteriosamente como num toque de
mágica (v. desincantar).
S’enfronhar [enfronhar-se] – animar-se, interessar-se, envolver-se.
S’enrabichar [enrabichar-se] – apaixonar-se por alguém.
S’entreter [entreter-se] – se distrair com algo a ponto de ver passar o tempo.
S’estrepar [estrepar-se]tem dois sentidos: 1. ser perfurado por algo pontiagudo.
Ex: “s’estrepar num espim de juá”. 2. dar-se mal em algum negócio.
Se fazer [fazer-se] – tem dois sentidos: 1. fingir-se. Ex: “ele se fez de doente pra
num trabaiar [trabalhar]”. 2. aproveitar-se. Ex: “ele se fez na festa”, ou seja,
comeu tudo que podia.
Se fazer [fazer-se] de morto (ou de defunto) pra cumê [comer] o cu do coveiro
- fazer-se de sonso para tirar vantagens.
Se feche! [feche-se!] – expressão para mandar alguém parar de ironizar, de
debochar, de provocar.
Se gabar [gabar-se], ou se gavar [gavar-se], ou se pabular [papular-se] -
autoelogiar-se, vangloriar-se, contar vantagem para si (v. arrotar riquez).
Segurar vela, ou cumê [comer] cocada – vigiar ou fazer companhia a um casal de
namorados.
Seguro morreu de véi (ou veio) [velho] – indica cautela, precaução.
Sêi – tem dois sentidos: 1. abreviação de seio (v. peito, têta). 2. bisaco de apanhar
ou colher cereais.
Se ino [indo-se] – indo embora.
Seja o que Deus quiser! – seja a vontade de Deus.
Sela - utensílio de couro colocado sobre um animal (cavalo, burro, jumento), para
servir de montaria.
Selar – tem quantro sentidos: 1. selar uma carta. 2. fazer um acordo. Ex: “as duas
famías [famílias] selaram um acordo de paz”. 3. colocar a sela num animal. 4.
inclinar, curvar. Ex: “aquela parede tá selada”.
Se ligar [ligar-se] – prestar a atenção, ficar atento.
Sem cerimônia – espontânio, natural, irreverente.
Sem dó nem piedade – sem compaxião, implacávelmente, impiedosamente.
Sem estilo, ou modos – mal-educado, sem etiqueta, pricipalmente na hora das
refeições (v. acavalado, amundiçado).
Sem jeito – tem dois sentidos: 1. não ter mais jeito. 2. desajeitado, desconfiado.
Sem papa na língua – diz-se de uma pessoa franca, que diz o que pensa.
Sem pé nem cabeça – sem sentido, sem lógica.
Sem que nem pra que – sem mais nem menos, sem motivos.
Sem um tostão furado – liso, sem dinheiro.
Sem-vergonha – pessoa insolente, imoral, desacarada,
Sem ver de que – por acaso, sem motivo algum.
Se num for eu cegue! – expressão de juramento de que está falando a verdade.
Sentar – tem três sentidos: 1. verbo sentar. 2. bater. Ex: “Fulano sentou a mão
em…” (v. meter). 3. colar. Ex: “hoje o pedreiro sentou 100 tijôlos na parede”.
Sentido – tem dois sentidos: 1. direção, rumo. 2. magoado, ofendido, triste. Ex:
“Fulano ficou muito sentido cum [com o] que Sicrano disse”
Sentinela – velório.
Se o esprito [espírito] num me’gana [me engana] – se não estou enganado.
Se ofereceno [oferecendo-se] feito chofer de praça, ou puta pobre – diz-se de
uma pessoa oferecida.
Se oriente! [oriente-se!] – tome jeito (v. tome entento)..
Sequi – abreviação de “sequilho”, que é uma bolacha feita com polvilho de
mandioca e leite de coco.
Serafina, ou sarafina – pequeno piano de oito pés usado nas igrejas para
acompanhar as músicas sacras.
Serão – trabalho à noite.
Será o Benedito? – expressão de espanto, admiração, etc. diante de algo estranho,
em alusão ao “Benedito”, que é um boneco de fantoche preto, muito comum nas
feiras do interior, usado para atrair compradores pelos vendedores de remédios
caseiros, cordéis, etc. (v. mamulengo).
Serenotem três sentidos: 1. chuva muito fina (v. choviscar). 2. pessoa calma. 3.
frieza da noite, daí é comum se proibir uma pessoa doente sair à noite, para não
pegar o “sereno da noite” (v. orvai).
Se rino [rindo-se] – rindo sozinho.
Sério que só um caju sem castanha, ou que só um poico [porco] mijano
[mijando]
– diz-se de uma pessoa muito séria, sisuda.
Sermão – tem dois sentidos: 1. prédica de padre (v. prática). 2. repreensão,
chamado de atenção (v. levar uma bronca…).
Serra
- tem dois sentidos: 1. montanha. 2. lâmina de ferro com dentes que o
marceneiro usa para serrar madeira (v. serrote).
Serrar – tem três sentidos: 1. cortar algo com uma serra. 2. fechar. Ex: “o menino
serrou os dente pra num beber remédio” (v. trincar). 3. comer ou beber à custa
dos outros (v. serrão).
Serra cachimbano [cachimbando] – serra com cerração, neblina ou névoa.
Serrão – pessoa oportunista que se aproveita da boa vontade dos outros para pedir
algo.
Serrote – tem dois sentidos: 1. pequena montanha pedregosa. 2. lâmina de ferro
com dentes que o marceneiro usa para serrar madeira (v. serra).
Sete côro [couro] - inflamação do calcanhar que vai soltando pele ou couro (até
sete vezes).
Sêu – fórmula popular de “Senhor”, que faz o feminino com Sá, que é a abreviação
de Sin-á. Ex: “Sêu Zé” e “Sá Filiça” (v. Sinhô).
Se valer [valer-se] – se apegar, buscar a proteção de…
Se veno [vendo-se], ou se valeno [valendo-se] – sofrendo, sentindo dores.
Sibila [de sibilar] – assobiu ou som agudo prolongado produzido pelo vento.
Sicrano - pessoa indeterminada, uma vez já tendo sido usado Fulano. Ex: “fumo
[fomos] eu, Fulano e Sicrano” (v. Beltrano, Fulano de tal).
Simsinhô – abreviação de “sim Senhor”, que denota obediência, submissão.
Sina – destino, sorte.
Siná [sinal] de beleza – aquelas covinhas que algumas pessoas têm nas bochechas.
Sinhô - Senhor (v. Sêu).
Sirigaita - mulher ruim, que rouba o marido das outras.
Sisudo – pessoa da cara fechada, carrancuda, antipática.
Só [sol] arto [alto] – tarde da manhã (entre oito e dez da manhã).
Só [sol] a pino – final da manhã (entre 10 e meio-dia).
Sobe e desce – movimento contínuo de subir e descer.
Sobrada - errar numa curva saindo da pista.
Sobrim – abreviação de “sobrinho”, que é o filho do meu irmão ou minha irmã.
Sobrim-neto [sobrinho-neto] – neto do irmão ou irmã (v. tio-avô)
Soca – broto novo que ressurge de uma planta que foi cortada.
Socar – tem dois sentidos: 1. prensar, enfiar. 2. infiltrar-se no meio de outros.
Socado – tem dois sentidos: 1. empresado, batido. Ex: “um saco de algodão bem
sucado”. 2. infiltrado, metido. Ex: “Fulano vevi [vive] socado na casa de…”.
Socó – ave de pernas longas que vive nas lagoas pescando pequenos peixes.
Sôco – murro (v. tabefe).
Só [sol] coado – sol brando, filtrado ou peneirado pelas nuvens.
Soda – bolacha feita com mel de rapadura e trigo típiva do Sertão (v. mata-fome).
Só [sol] das aima [almas] – sol avermelhado, geralmente ao pôr-do-sol.
Só faz barui [barulho] feito cachorro capado – expressão usada para criticar
alguém que conversa muito, mas não realiza o que diz, principalmente do ponto
de vista sexual.
Sofre mais do que sovaco de aleijado, que côro [couro] de pisar tabaco [rapé] -
diz-se de uma pessoa muito sofrida.
Sola – couro curtido, usada para muitos fins no Sertão.
Solado – tem dois sentidos: 1. sola de um calçado. 2. uma comida, geralmente bolo,
que não cresceu, mas ficou duro (v. encuiê).
Solitária – tem dois sentidos: 1. pessoa sozinha. 2. verme, tênue.
Soldado apaisano [apaisando] – soldado fora do seu horário de trabalho, sem
farda.
Soleira – barrotes de madeiras horizontais em cima de uma janela ou porta para
suportar os tijolos (que hoje em dia são feitos com viga de cimento).
Sombra e água fresca – moleza, folga.
Sombrinha – guarda-chuva feminino.
Só num chamou de santo, ou de arroz-doce – diz-se quando alguém ofendeu com
palavras outra pessoa.
Sono ferrado – em sono profundo.
Sonsa – pessoa fingida, desconfiada, dissimulada.
Sopa – tem dois sentidos: 1. comida líquida ou pastosa feita com a mistura ou sobra
de alimentos. 2. ônibus ou lotação.
Sopapo – puxar violentamente, empurrão.
Só [sol] poente – sol se pondo, ou pôr do sol.
Só quer ser as prega – diz-se de uma pessoa metida a besta, que quer ser mais do
que é (v. querer ser o que a foinha num maica).
Sortar [soltar] a franga – assumir ou declarar-se homossexual.
Sortar soltar] peido, ou pum – soltar gazes intestinais pelo ânus com ruído ou
som, geralmente fedorentos (v. bufar, traque).
Sorto [solto] na bagaceira, ou na buraqueira, ou de canga e corda – livre,
desimpedido.
Sote – corruptela de sótão, que é um primeiro andar ou piso de um casarão antigo.
Sova – surra, espancamento (v. pisa).
Sovaco – axilas.
Sovaqueira – catinga provocada pelo suor do “sovaco” (das axílas).
Sovela – tem dois sentidos: 1. traíra – peixe – ainda pequena (v. traíra). 2.
instrumento pontiagudo usado pelo sapateiro para furar couro.
Sozim – tem dois sentidos: 1. abreviação de sozinho. 2. um sol fraco, pouco quente.
Sozim [sozinho] cuma [como] boi de arado – desolado, etc.
Suar a camisa – trabalhar, esforçar-se.
Sobejo – restos de alimentos colocados para outra pessoa comer.
Subir pra cima, ou pra riba – subir.
Sugestionado - impressionado, nervoso, ancioso.
Sujeito descolado, ou escovado – pessoa esperta, ágil, astuta.
Sujeita – mulher depravada, escandalosa, vigarista.
Sujo que só poleiro de pato – diz-se de uma pessoa suja, sem crédito, sem moral,
etc.
Sunga - calção de banho.
Supimpa – muito bom, excelente.
Surrado - velho, estragado.
Surrão - qualquer peça velha de couro, como, sela velha, saco, etc.
Surrupiar – roupar, passar a mão no alheio.
Surtido – corruptela de “sortido”, tem dois sentidos: 1. misturado. Ex: “menino,
compre ali R$ 1,00 de pão sortido”, ou seja, de vários tipos. 2. abastecido, ou
com muita variedade de mercadorias. Ex: “a bodega de Fulano é muito sortida”.
Suru - sem cauda ou rabo.
Suspensório – tiras ou fitas de tecido com fivelas fixadas nas calças para serem
suspensas aos ombros.
Sustança – abreviação de “sustância”, que quer dizer energia, vitalidade, força,
nutritivo. (v. comida de panela).
Sustento – necessidade mínima para sobrevivência. Ex: “esse ano lucrei só pru
sustento”.

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Tá aboiano [boiando] qui-nem bosta n’água - não saber de nada, estar por fora
do assunto.
Tá apus – estar afim, desejando. Ex: “esse menino tá apus de ganha um dinheirim”
Tabaco – tem dois sentidos: 1. fumo torrado e pisado para ser inalado pelo nariz (v.
rapé). 2. genitália feminina – vulva ou vagina (v. buçanha, buceta).
Taba [tábua] do queixo – maxilar inferior.
Tabefe – tapa com a mão aberta (v. bofetada, bolacha).
Tabica - vem do árabe “taTbïqâ”, que é uma tira fina de madeira.
Taboca – um tipo de bambu fino, típico do Sertão, cuja vara é muito usada para
anzol de pescaria, ou para expor reletes de cana (v. rôlete).
Tabuleiro – tem três sentidos: 1. mesa improvisada. Ex: “um tabuleiro de coentro”,
que é um giral de varas para plantar coentro em cima. (v. girar). 2. terra desértica
comum na caatinga (v. capoeira, cascabui, descampado). 3. tábua perfurada para
suporte de pirulito compridos de açúcar queimada.
Tabuleta – prancheta.
Tá cá – contração de “estar com a”…
Tá cá [com a] cabeça a mil – estar com a cabeça quente, preocupada, apreensiva.
Tá cá [com a] bexiga, ou cá [com a] brucuta, ou cá [com a] celibrina, ou cá
[com a] gota serena, ou cá [com a] gregena, ou cá [com a] bobônica, ou cá
[com a] macaca oca, ou cá [com a] molesta dos cachorro, ou cá [com a] pêga,
ou cá [com a] peste, ou cum [com o] bute, ou cum’s [com os] seiscentos diabo,
ou cum [com o] cão no côro [couro]
- expressões usadas genericamente em
caso de espanto, admiração, rejeição, malcriação, etc.
Tacaca, ou ticaca – animal que tem uma glândula que produz um grande mau
cheiro, quando se vê ameaçada.
Tacada – tem dois sentidos: 1. pancada. 2. grande quantidade ou soma. Ex:
“Fulano tirou uma tacada de dinheiro no jogo do bicho”.
Tá canso de … – estar cansado ou acostumado. Ex: “eu tô canso de dizer, mas ele
num me atende”.
Tacar – bater. Ex: “Fulano tacou a mão na cara de Sicrano” (v. meter).
Tá careca de saber – estar cansado de saber.
Tá chêi [cheio], ou pur’aqui [por aqui] – estar no limite da paciência.
Tacho - vasilha de ferro ou bronze para ferver doce ou mel de engenho.
Tá coçano [coçando], ou quereno [querendo] dar, ou viçano [viçando] – diz-se
de uma pessoa que está a fim de transar. Muito usado para indicar uma menina
nova que fica insinuando-se para os rapazes (v. menina assanhada…).
Taco, ou taquim – abreviações de “taquinho” – pequeno pedaço ou fatia de algo (v.
bocado).
Tá cum [com] a batata quente na mão – estar com um problema difícil de
resolver.
Tá cum [com] a faca e o queijo na mão – estar com todas as condições favoráveis
ao seu favor.
Tá cum [com o] cu torano [toranndo] aço – estar morrendo de medo, no maior
sufoco.
Tá cumeno [comendo] inté [até] o mi [milho] pranta [planta] – está passando
necessidade ou fome a ponto de comer até o milho que se guarda para plantar no
próximo inverno.
Tá dano [dando] beliscão em azulejo, ou subino [subindo] pelas parede, ou a
perigo
– estar carente sexualmente.
Ta (ou ficar) cum [com o] estambo [estômago] embruiado [embrulhado] – com
ânsia de vômito.
Tá cum [com o] ôi [olho] no cu? – expressão equivalente a “tá cego? num viu
não?”
Tá cum [com o] pé na cova – estar só esperando a hora de morrer
Tá cum [com o] rabo preso – estar nas mãos de outro, por dívida, segredo, etc.
Tá corrido da puliça [polícia] – estar fugindo da polícia.
Tá de bucho – estar grávida.
Tá de cama, ou acamado – estar doente em cima de uma cama.
Tá encangano [encangando] grilo – estar vagabundando, desocupado
Tadim, ou tadinho – coitadinho.
Tai, ou taio – abreviação de “talho”, que significa corte, cisão.
Taiada – abreviação de “talhada”, tem dois sentidos: 1. cortada. 2. fatia de algo.
Ex: “uma taiada de melancia”.
Taico – corruptela de “talco”. Muito usado nas barbearias.
Ta (ou ficar) inválido – adquirir uma doença (tetrapégico, paraplégico, AVC, etc.)
que torna a pessoa totalmente deficiente ou inapta para exercer certas atividades
pessoais ou sociais.
Taioca – formiga grande e avermelhada que costuma roer coisas doces.
Talaigada – gole, especialmente de cachaça (v. golpe).
Taludo - criança que já estar tomando corpo de homem ou mulher.
Tá matano [matando] cachorro a grito – estar em situação de miséria, de penúria,
ou em estado de secura sexual.
Tamborete - cadeira sem encosto (v. banco).
Tampinha – diz-se de uma pessoa baixa.
Tam-tam – doido, louco.
Tá na casa dos…, ou beirano [beirando] os…, ou pegano [pegando] os… – estar
numa faixa de idade X. Ex: “Fulano deve tá na casa dos 80”.
Tanajura – formiga saúva, com a bunda grande e asas, que, nas primeiras chuvas,
sai a voar para formar novo formigueiro. Momento em que muita gente tira a
bunda dela para comer.
Tá não – não estar.
Tá na pindaíba – sem dinheiro, em má situação financeira.
Tá na rua da amaigura[amargura] – estar desiludido, aflito, sofrendo.
Tá na vida que pediu a Deus – estar numa boa-vida, sem fazer nada, só comendo
e dormindo.
Tanger – pode ter um sentido tanto negativo, como espantar, dispersar; como
positivo, guiar, conduzir (v. expressão “shô, shô, shô…”).
Tá no mato sem cachorro – estar perdido.
Tá no ôi [olho] da rua – estar sem emprego, sem casa, etc.
Tá no papo – estar garantido, seguro.
Tá no rato – estar liso, sem dinheiro.
Tanque – cisterna formada nas depressões dos lajedos (v. cardeirão)
Tapa - bater ou surrar com a mão aberta.
Tapado – tem dois sentidos: 1. fechado, obstruido (v. entupido). 2. pessoa com
dificuldade de compreender ou assimilar as coisas. (v. burro).
Tapa-ôi [olho] – tapa ou sôco no olho.
Tá pela hora da morte – estar muito caro
Tapera – casa de taipa, geralmente de pobre. (v. barraco, cortiço, tapera, quixó).
Tapia – pessoa que serve de isca ou incentivo a um jogo ilícito.
Tapear – tem dois sentidos: 1. enganar, enrolar. 2. quebrar um galho.
Tapioca – um tipo “bêju”, em forma de pastel, de goma de mandioca.
Tá pôco [pouco] se lixano [lixando] – num querer nem saber.
Tapuru – bicho ou larva que se cria em frutas ou carne em decomposição.
Tarado – tem dois sentidos: 1. potente sexualmente. 2. pessoa que não controla
seus instintos sexuais.
Tareco – pequeno bolo em forma de bolacha feito de trigo e ovo.
Tarimba – medida padrão de algo. Daí quando alguém se torna experiente em algo,
que já sabe a medida exata das coisas, diz-se que é “tarimbado”.
Tarrafa - rede de pescar.
Tá sem um puto – estar sem dinheiro (v. duro, liso).
Tá se vestino [vestindo-se], ou se ajeitano [ajeitando-se] – tem dois sentidos: 1.
estar vestindo a roupa. 2. estar-se organizando ou ficando mais parecido com o
que vai ser. Muito usado na construção civil, quando na fase de acabamento de
um prédio se costuma dizer que “tá se vestino, ou se ajeitano”.
Tá só o caco, ou só o pito – estar cansado.
Tá só o côro [couro] e o osso – pessoa muito magra.
Tá sujeito – tem dois sentidos: 1. estar em estado de submissão. 2. estar ou ser
possível, capaz, etc. Ex: “quem empresta dinheiro, tá sujeito a perder”.
Tá ( ou ficar) tiririca da vida – com raiva, zangado, furioso.
Tá variano [variando] – estar desnorteado, esclerosado (v. atarantado, caducando).
Tá vogano [vogando] – estar valento, é pra voler.
Tchau e bênção! – expressão usada para encerrar uma conversa indesejada,
equivalente a “e ponto final!” ou “e fim de papo”.
Têa – abreviação de “telha”.
Tê [ter] bucho furado – não guardar segredo.
Tê [ter] cabelo na venta – ser bravo, durão (v. venta).
Tê [ter] corpo-fechado – acreditar ser imune de feitiçarias, livre de males e perigos,
como tiros, picada de cobra, etc.
Tê [ter] as costa laiga [larga], ou quente – ter um padrinho político ou qualquer
outra pessoa de prestígio que o defenda ou proteja.
Tê [ter] dois gato pingado de gente – ter pouca gente.
Teimoso que só boi rajado, ou que só uma mula, ou que só cururu de pé de
pote
– diz-se de uma pessoa muito teimosa.
Teju, ou têju, ou teiú – lagarto grande e preto que é caçado como alimento.
Tê [ter] mãos calejada – sinômino de trabalhador, que tens suas mãos calejadas
pelas ferramentas do trabalho, ao contrário de “mãos finas”, que é sinônimo de
vida fácil.
Tem caroço nesse angu – diz-se diante de história mal contada, para dizer que tem
algo a mais que está sendo escondido.
Tem fi [filhos] que só preá – uma pessoa que tem muitos filhos.
Tem gosto pra tudo – diz-se quando alguém faz uma má escolha, escolhendo pior
ao invez do melhor.
Temperar – tem dois sentidos: 1. codimentar algo, uma comida, por exemplo. 2.
dar o tempo certo em um metal (instrumento de trabalho) colocado no fogo para
que o mesmo fique resistente ou pegue corte (v. destemperar).
Temperar a gaiganta [garganta], ou a goela – pigarrear.
Tempo bonito – diz-se quando estar se preparando para chover.
Tempo fêi [feio] – diz-se quando está demorando a chover.
Tempo das vaca gorda – de bom, de abundância.
Tempo das vaca magra – tempo ruim, de necessidades, etc.
Tendéu – bagunça, coisa desmantelada.
Tê [ter] rabo de paia [palha] – ter culpa ou um passado sujo.
Terém, traia, troço – coisa velha, sem valor.
Terreiro – área ao redor da casa, sem mato, por ser varrido juntamente com a casa.
Local de as crianças brincarem, de festas à noite etc.
Tê [ter] sangue doce – ter propensão a piolho, doenças, etc.
Tetéu – pássaro que passa a noite cantando, daí, quando alguém não consegue
dormir, diz-se que passou a noite igual a um tetéu.
Tê [ter] uma morte nas costa – ser criminoso ou já ter matado alguém.
Tê [ter] uma lado esquecido – ter tido derrame (trombose) que, quando acontece,
costuma-se dizer que a pessoa fica com a “boca troncha” ou com um “lado
esquecido”, ou seja, paralisado (v. ramo).
Tê [ter] o ôi [olho] maió [maior] que a barriga – ser guloso, colocar mais comida
no prato do que consegue comer.
Tê [ter] os traço (ou as feição) de – ser parecido com alguém (v. feição).
Tesôra - abreviação de “tesoura”, tem dois sentidos: 1. utensílio doméstico para
cortar tecido, etc. 2. estrutura de madeira, com linhas em forma de triângulo, para
sustentação de telhados entre paredes distantes.
Tesôrão [tesourão] – um tipo de colibri (beija-flor) escuro e com o rabo grande e
aberto em duas bandas semelhantes a uma tesoura.
Texto – tem dois sentidos: 1. algo escrito. 2. tampa de uma lata, panela, etc.
Ti! ti! ti! … – expressão usada para chamar galinha.
Tiborna – sujeira extraída do mel de engenho, muito usada para engordar porco.
Tição – tem dois sentidos: 1. resto de madeira que não queimou toda, mas continua
acessa. 2. negro. Daí a expressão: “Fulano é preto que só um tição”.
Tico, ou tiquim – abreviação de pouquíssimo. Ex: “a festa teve um tiquim de
gente”.
Tigela – vasilha grande com boca larga usada para cozinhar alimentos.
Tijolo - tem dois sentidos: 1. retângulos de barro queimados para construção de
casas. 2. qualquer tipo de doce sólido, cortado em barras parecidas com tijolos.
Timão - camisola comprida.
Tina – caixote de madeira para colocar barro em uma construção civil.
Tinir – tem dois sentidos: 1. som agudo provocado quando se bate um ferro noutro.
2. coisa muito boa, daí se costuma dizer “a comida tava tinino de boa”.
Tino - jeito, tendência, habilidade. Ex: “Fulano tem tino pra negociar”.
Tio-avô – irmão do avô (v. sobrim-neto)
Tipóia - faixa de pano para suspender um braço doente.
Tira - faixa estreita.
Tirada – tem dois sentidos: 1. longa distância. Ex: “daí pra rua é uma tirada”. 2.
conversa para despistar. Ex: “Fulano saiu com’a tirada que enganou todo mundo”.
Tira-gosto – petisco que acompanha a cachaça.
Tirante… – expressão equivalente a “se num fosse” ou “ afora”. Ex: “minha vida tá
muito boa, tirante um pequeno problema de…”.
Tirar a barriga da miséria – matar a fome, comer.
Tirar de letra – safar-se, escapar.
Tirar idea [ideia], ou onda – debochar ou ironizar alguém (v. caçoar, gozar, grear)
Tirar na sorte grande – ganhar um prêmio inesperado
Tirar o coipo (corpo) fora – esquivar-se.
Tirar pra fora – diz-se quando alguém está muito doente e os médicos locais não
resolvem o caso, daí como tem de ser levado para um centro médico mais
avançado, costuma-se dizer que tem de “tirar pra fora”.
Tirar pru [por] menos – deixar por menos, relevar um pouco.
Tirar o cavalo da chuva – desistir.
Tirar o côro [couro] – tem três sentidos: 1. explorar alguém no trabalho. 2. dar
uma surra em alguém. 3. rir de alguém amigavelmente.
Tirar o cu (ou o meu) da reta – safar-se, sair do problema deixando-o com os
outros.
Tirar o pai da foica [forca] – socorrer, salvar.
Tirar o pé da lama – receber uma boa grana ou um bem.
Tirar o queijo – transar depois ter feito muito tempo que não transa.
Tirar um casquinha – namorar por distração, aproveitando-se da outra pessoa
sexualmente.
Tirar uma pestana, ou uma madorna, ou uma sesta – tirar uma soneca ou um
pequeno sono, principalmente após o almoço.
Tirar um fino – passar muito próximo.
Tiriça, ou itiriça – corruptelas de “icterícia”, que é uma doença que deixa a criança
com os olhos amarelos.
Tirina - travessa própria para colocar comida na mesa.
Tirinete – tem dois sentidos: 1. uma coisa contínua. 2. briga.
Tisgo – pessoa magra demais (geralmente com suspeita de tuberculose).
Titela - peito ou tórax de uma ave (v entitelado).
Toca - tem dois sentidos: 1. esconderijo (v. entocar). 3. brincadeira de criança onde
uma (o toca) corre atrás de muitas e, ao tocar numa, essa passa a correr atrás das
outras até alcançar uma que passar a ser o toca, e assim sucessivamente.
Tôca – pequeno chapéu, ou boné, especialmente para crianças recém-nascidas.
Tocar – tem dois sentidos: 1. tocar um instrumento. 2. alcançar com a mão.
Toco – tem dois sentidos: 1. tronco de uma árvore cortada e que ainda se encontra
fincado ao chão. 2. dinheiro que se dá para subornar alguém. (v. bola)
Todo penso é torto – usada quando alguém pensa muito antes de fazer uma coisa e
acaba fazendo errado.
Tô liso, leso e lôco [louco], comprano [comprando] fiado e pedino [pedindo] o
troco
- expressão popular dita por alguém sem dinheiro, diante de uma cobrança.
Tomar – tem dois sentidos: 1. beber. 2. retirar. Ex: “ele tomou o brinquedo do
outro”.
Tomar dianteira – adiantar-se, ir na frente.
Tomar as dores – sair em defesa de alguém.
Tomar intento, ou reparo – prestar a atenção.
Tomar pé – tem dois sentidos: 1. tomar conhecimento ou inteirar-se de algo. 2.
mergulhar e alcançar o fundo do açude, poço, etc.
Tomara que… – torçamos para que… Ex: “tomara que amenhã chova” (v. a Deus
querer).
Tomar uma fresquinha – tomar vento.
Tomar uma, ou umas e outras – beber cachaça.
Tomar um pequeno – tomar um café pequeno (numa xícara pequena).
Tomém, ou tombém – corruptela de “também”.
Tome intento, ou tenência! – tomar rumo, juízo, etc.
Tontice, ou zonzeira – sem equilibrio, desnorteado, com labirintite (v. tonto).
Tonto – tem dois sentidos: 1. sem equilíbrio, com labirintite (v. tontiçe) . 2. pessoa
boba, idiota, ingênua (v. ababacado, abestaiado, etc.).
Topar – tem quatro sentidos: 1. tropeçar em algo. 2. assumir, aceitar. 3. deparar-se,
encontrar. Ex: “Fulano foi pra feira e topou-se com Sicrano lá” (v. dá).4. ir com a
cara de alguém.
Topada, ou trupicão – tropeçar, meter o pé em algo.
Tope - tamanho, estatura. Ex: “procure um menino do seu tope pra brigar”.
Topete – tem dois sentidos: 1. cabeleira alta. 2. atrevimento, ousadia.
Tora – pedaço grande. Ex: “o menino cumeu [comeu] uma tora de bolo”.
Torado – tem dois sentidos: 1. partido. 2. pessoa robusta, musculosa.
Torda – corruptela de “toldo”, que é uma cobertura de barraca de feira.
Tôrejar – abreviação de “tourejar”, que significa entrar no cio ou período fértil
para acasalar – dito para vaca (v. viçar)
Tornar – tem dois sentidos: 1. recobrar os sentidos após um desmaio. 2. diferença
que se dá em contrapartida numa troca de objetos. Ex. “eu dou uma cabra na
outra e torno R$ 10,00” (v. vorta].
Torno – pedaço de madeira ou ferro fixo à parede para pendurar rede.
Toró – chuva muito grossa.
Torrar – tem dois sentidos: 1. assar, fritar. Ex: “torrar castanha, ou farinha”. 2. dar
fim, desperdiçar, jogar fora. Ex: “Fulano torrou o dinheiro no jogo”.
Torrar a paciência – encher a paciência de alguém.
Torrão – bolo de barro duro.
Torrão natal – lugar onde uma pessoa nasce. Ex: “eu amo meu torrão natá [natal]”.
Torresmo – toucinho torrado.
Toucim - abreviação de “toucinho” – gordura que fica entre a carne e o couro do
porco.
Toutiço – nuca.
Trabaiar [trabalhar] à seca – trabalhar sem a alimentação inclusa no valor da
diária.
Trabaiar [trabalhar] cum [com] a mesa – trabalhar com a alimentação inclusa no
valor da diária.
Trabaiar [trabalhar] (ou viver) de gãe [ganho) - viver do trabalho
assalariado.
Trabaiar [trabalhar] de mêa [meia] – executar um serviço, por exemplo, colher
feijão, tendo como pagamento metade do que se colhe (v. criar de mêa).
Trabaiar [trabalhar] pra fora – trabalhar para outro, por dinheiro.
Trabaiar [trabalhar] que só um condenado, ou um burro de caiga [carga] -
trabalhar muito, sem descanso.
Trabuco, ou trinta-e-oito – revólver (v. berro).
Traçar – tem dois sentidos: 1. misturar, mexer. Ex: “um traço de cimento”. 2.
riscar, rabiscar. Ex: “fazer um traço no chão”.
Traíra – tem dois sentidos: 1. peixe de água doce (v. suvela). 2. pessoa traidora.
Traje – roupa padronizada, farda.
Trambêi – abreviação de “trambolho”, que é uma coisa velha, desmantelada, sem
valor.
Tramela - ferrolho primitivo, de madeira, que gira em torno de um prego (v. trave).
Trança - corda feita a partir de três peças, geralmente feita nos cabelos das
mulheres, mas podendo ser também com outros coisas, como, por exemplo,
trança de cebola ou cebolinha.
Trancafiado - fechado, enjaulado, trancado.
Traquejo - jeito, habilidade, prática.
Traque – tem dois sentidos: 1. pequeno fogo de artifício parecido com um fósforo.
2. peido (v. peidar)
Traque de massa – pequeno fogo de artifício que explode mediante impacto
(jogando-se) no chão, próprio para crianças pequenas.
Traseiro - parte de trás – nadegas – de uma pessoa, ou animal (v. bunda, quarto).
Traste – pessoa má, inútil.
Tratado a pão e água – na miséria, na penúria (v. criado a mingua).
Tratar - tem três sentidos: 1. fazer um trato. 2. cervar. 3. carnear um animal (v.
retaiar).
Tratante – tem um sentido contrário, ou seja, intratante, que é uma pessoa que não
cumpre trato ou acordo.
Trato – tem dois sentidos: 1. acordo. 2. arrumação, melhoria. Ex: “vou dá um trato
nessa mesa” (v. garibar)
Trave - tira de madeira que se coloca atravessada por trás das portas e/ou janelas
como reforço ou segurança, além da fechadura (v. tramela).
Travessão – pau ou madeira colocada horizontalmente entre duas estacas, para
apoiar os demais paus em pé, numa “cerca de pau a pique”.
Treco – tem dois sentidos: 1. desmaio, vertigem (v. agonia, chililique…). 2. objeto
sem valor (v. catrevage).
Treisó – corruptela de “terçol’, que é um pequeno furúnculo ou tumor na pálpebra
do olho.
Tremeno [tremendo] mais do que vara verde – diz-se de uma pessoa com
calafrios de medo.
Trempe – suporte de panela ou pote de barro, feito com um pau fincado ao chão
com três pontas para cima, entre as quais se coloca a panela ou o pote.
Trena – fita métrica usada para medir tecido.
Trepar – tem dois asentidos: 1. subir. 2. fazer sexo (v. foder).
Trepeça – tem dois sentidos: 1. pessoa má. 2. objeto sem valor.
Trevaliar - ter alucinação, delírio, principalmente, em caso de febre alta.
Tribufu – pessoa feia e/ou muito gorda.
Tribuzana – confusão, algazarra.
Tricotar – tem dois sentidos: 1. fazer tricô. 2. falar da vida alheia (v. bater na cuia,
futricar, fuxicar).
Trimilique – tremedeira.
Trincar – tem dois sentidos: 1. uma pequena abertura ou fissura (v. rachar, lascar).
2. fechar. Ex: “o menino trincou os dentes pra não beber o remedio”.
Trincha – pincel largo.
Trinchete – faca pequena, própria para cortar agave (cisal) (v. quicé).
Tripa gaiteira – intestino grosso.
Tripé – suporte com três pés sobre o qual se penduram panelas, caçarolas, etc.
Triscar – tocar, arranhar ou chocar-se de leve (v. roçar).
Triste do bicho que outro cumê [comer] – diz-se quando se come um bicho
(verme, inseto, etc) em uma comida.
Trocaram a cangaia [cangalha], mas a besta é a mesma – diz-se diante de uma
situação de falsa mudança em que se altera apenas o acessório, o periférico, mas
na essência, ou o que interessa, é a mesma coisa.
Trocar figurinha – trocar ideia ou experiência.
Trocer [torcer] – tem dois sentidos: 1. aplaudir, fazer votos em prol de algo ou
alguém. 2. espremer girando.
Trololó – conversa, diálogo.
Tromba-d’água – tempestade, temporal, chuva muito forte
Trombudo - diz-se de uma com cara feia, mal-humorada.
Torto, ou troncho – tem dois sentidos: 1. envergado (v. empenado). 2. uma pessoa
desmantelada, depravada. Daí a expressão: “Fulano é um caba troncho…”
Tropa – conjunto de animais de carga – cavalo, burro, etc. (v. tropeiro).
Trova - versos poéticos. (v. galope, glosa, martelo, mote, môrão, etc.).
Trovejar - em alusão ao som dos trovões.
Trovoada – barulho dos trovões, que, para o matuto, é anúncio de chuva. Daí,
muito famosas são as “trovoadas de final de ano”, que anunciam o início do
inverno.
Trôxa – abreviação de “trouxa”, tem três sentidos: 1. amontoado de objetos
(principalmente roupas) presos dentro de um lençol com as pontas amarradas. 2.
uma pessoa tola, boa demais. 3. órgão sexual masculino – pênis (v. bilola…).
Trupé – correria, andar apressado. Geralmente usada para animais (cavalo,
jumento)
Truta – tem dois sentidos: 1. um tipo de peixe. 2. malandragem, mentira.
Truve, ou trusse – corruptela de “trouxe” (passado do verbo trazer).
Tudo em riba (em cima) – tudo bem.
Tuia – abreviação de “tulha”, que é certa quantidade de qualquer coisa, daí ser
muito comum dizer-se: “uma tuia de bosta” (v. moi, monte, ruma, bocado).
Tudim - abreviatura de “todinho”, que apesar de estar no diminutivo, tem sentido
contrário de “por inteiro, sem faltar nada, totalmente”.
Tudo bom e nada presta – diz-se em resposta à pergunta: “Cuma vai?”.
Tutano – gordura no interior dos ossos (medula óssea).
Tutubiar – tem dois sentidos: 1. cometer um deslize, errar, vacilar . 2. balançar,
desequilibrar, cai mais não cai.

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 U

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Uai! – expressão usada em situação de medo.
Ué! – expressão de espanto, admiração, supresa.
Ufa! – interjeição de admiração, sinal de cansaço, etc.
Ui! – interjeição em caso de susto, medo.
Uma mão lava a outra – incentivo à solidariedade.
Uma mão na roda – uma ajuda importante num momento difícil.
Uma muda de roupa – uma peça de roupa que se leva em viagem para trocar no
outro dia (v. muda).
Uma ova
– expressão de negação ou repúdio.
Uma parêa [parelha] de roupa - duas peças de roupas que se completam, por
exemplo, calça e camisa ou saia e blusa.
Uma pedra no sapato – algo ou pessoa que incomoda.
Uma pessoa sentida – diz-se de uma pessoa que se sente ofendida, que está
magoada ou desgostosa.
Um copo passado a paeta [palheta] – um copo cheio ao máximo, como se tivesse
sido retirado o excesso com uma palheta.
Um dizer – uma mensagem (ditado, provérbio, etc).
Um ôi [olho] no padre, outro na missa – fazer algo com duplo interesse.
Um particular – uma conversa em particular, reservada.
Um santo remédio – algo que soluciona definitivamente um problema (v. cacete
não é santo mas obra milagre).
Um sujo falano [falando] de um má lavado – diz-se quando uma pessoa errada
está falando mal de outra (v. macaco num oia o seu próprio rabo).
Unha e carne – duas pessoas muito ligadas, inseparáveis.
Unheiro - inflamação nas unhas.
Urêa, ou zurêa – corruptela ou contração de “as orelhas” (v. uvido, ou zuvido).
Urêa [orelha] -de-pau – tem dois sentidos: 1. espécie de cogumelo (fungo) que
nasce em madeira seca. 2. pequeno bolo de farinha de milho e ovo, achatado,
feito em um prato de barro (v. bolo de caco).
Uvêa (ou uvêia) [ovelha] negra da famia [família] – membro desajustado,
problemático, etc. causador de escândalos em uma família de bem.
Uvido, ou zuvidu – corruptela de “ouvido” (v. urêa ou zurêa).
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 V

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Vaca – tem dois sentidos: 1. fêmea do boi. 2. mulher leviana.
Vadiar – tem dois sentidos: 1. não fazer nada, malandrar. 2. fazer sexo.
Vagabundar - não fazer nada, brincar, malandrar.
Vai que… – suponhamos que… Ex: “vai que amanhã chova”.
Vai ser bom (ou bonito, ou gostoso, etc,) assim na casa de carai [caralho]! -
expressão de elogio colocando a coisa em alto nível. Mas pode ser usada num
sentido contrário, por exemplo: “vai ser rim [ruim] assim no inferno”.
Vai te catar, ou te lascar, ou pr’o rai [raio] que te parta, ou pras cucuias, ou
cagar no mato, ou prantar [plantar] batata, ou catar lata, ou te foder, ou
tomar no cu
– expressões malcriadas usadas para ofender, dispensar ou descartar
alguém.
Vai ver se eu tô ali na esquina, ou lá fora – modo de descartar, despistar ou
mandar alguém ir embora.
Valer a pena – compensar.
Valia - importância.
Vaquejada, ou festa de apartação, ou pega de boi – esporte rural em que dois
homens a cavalo correm atrás de um boi até derrubá-lo pelo rabo
Vaqueiro – homem que cuida do gado.
Varanda - tem dois sentidos: 1. meia-parede, geralmente com vazados, que se
fazem nos terraços ou alpendres. 2. tecido rendado que se coloca como enfeite
nas laterais das redes.
Varão – tem dois sentidos: 1. vara grande. 2. nome dado a quadro de bicicleta.
Varar – atravessar de um lada a outro.
Varei-te! – expressão de repúdio para dizer “tô fora ou sai pra lá…” (v. vote!).
Varejeira – mosca grande meio esverdeada, que costuma pousar em carnes
provocando bicho ou verme.
Variar - delirar. Ex: Fulano tá variano das idea [ideias]”.
Vascuiar [vasculhar] – tem dois sentidos: 1. procurar, investigar. 2. espanar o
tenhado de uma casa com uma vassoura na ponte de uma vara longa.
Vá tomar na tripa gaiteira, ou no ané [anel] de côro [couro], ou no ás de copa,
ou no boga, ou no bufante, ou no butico, ou no caneco de côro [couro], ou no
fiofo, ou no fundo, ou furico, ou no fufu, ou no ôi [olho] da goiaba, ou ôi
[olho] de poico [porco], ou no papeiro
– expressões malcriadas equivalente a
“vá tomar no cu – ânus”.
Vão - cômodo de uma casa.
Vazar – sem dois sentidos. 2. transpassar. 2. escapar por um furo (v. xiringar).
Vazante – plantio feito nas bordas do lastro d’água de um açude ou dos rios à
medida que este vai baixando ou esvaziando (v. represa).
Vazio - tem dois sentidos: 1. sem nada dentro. 2. parte mole nas laterais da barriga
de uma pessoa ou animal, abaixo da costela, fruto de um certo vácuo (vazio)
entre o couro e o intestino. Ex: “dá uma esporada num vazio do cavalo”.
Vazia - tem dois sentidos: 1. pronúncia matuta de vasilha. 2. desocupada, sem nada
dentro (v. seca).
Véi (ou veio) [velho] que só a serra – pessoa, ou coisa, muito velha.
Vêi – tem três sentidos: 1. verbo vir. 2. abreviação de “veeiro”, que são rachaduras,
ramificações ou listras que apresentam as pedras, indicando minérios. Ex: “vêi de
ouro”. 3. conduto natural de água subterrânea Ex: “vêi-d’água”.
Vêi buscar fogo? – pergunta que se faz a quem chega e sai imediatamente.
Veigão [vergão] – mancha de sujeira. Daí ser comum a expressão “Fulano tá cum
veigão de grude…” (v. grude, noda).
Velame - arbusto da caatinga sertaneja.
Vender à grané [granel], ou à retai [retalho] – vender no varejo, ou seja, em
frações, em pequenas proporções ou medidas (v. retaiar).
Vender gato pru [por] lebre – enganar fazendo passar uma coisa por outro.
Vender em grosso – vender no atacado, ou seja, em grande quantidade.
Vender na foia [folha] – tomar dinheiro emprestado para pagar, depois, com
produto agrícola.
Vender o peixe – fazer propaganda
Venta – nariz.
Vento encanado – corrente de ar.
Verão – estação seca ou período de estiagem, ao contrário do “inverno” que é o
período de chuva, que são as únicas estações do ano nos Sertões.
Ver com’s zoi [olhos], cumê [comer] cum [com] a testa – ficar só no desejo, ou
na vontade.
Vereda – estrada muito estreita poe entre árvores, mato, pedras, etc. (v. camim).
Ver estrela, ou a cobra fumar, ou o bicho pegar – ver coisa ruim, difícil, etc.
Ver o que é bom pra tosse – ver as consequências do que está fazendo.
Vesgo, ou zanôi [zanoio], ou zarôi [zarolho], ou caraôi, ou cum [com] a
estalação trocada
– com olhos trocados (estrabismo)
Vevi [vive] cuma [como] gato e cachorro – diz-se de duas pessoas que vivem de
briga, que não se entendem.
Vevi [vive] (ou tá) no mundo da lua – diz-se de uma pessoa que vive desligado do
mundo, aéreo, indiferente.
Vexame – tem dois sentidos: 1. presa; o matuto costuma acrescentar um “a” antes,
daí fica: “Fulano tá muito avexado”. 2. escândalo, passar vergonha.
Viajado – pessoa experiente, que andou muito pelo mundo.
Viçar – entrar no cio ou no período fértil para acasalar – dito para qualquer animal
(v. tôrejar).
Vi com esses zoi [olhos] que a terra há de cumê [comer] – afirmativa de que não
ouviu dizer, mas viu pessoalmente algo.
Vige!, ou Vixe!, ou Vige Maria!, ou Vixe Maria! – interjeições de espanto ou
admiração correspondente a “Virgem!” ou “Virgem Maria!”. (v. Afe! ou Afe
Maria!, ou Ixe!)
Vigiar- tem dois sentidos: 1. tomar conta de, olhar, prestar a atenção. Daí ser
comum a expressão “vigi esse saco enquanto eu vu alí”. 2. providenciar, trazer.
Ex: “vigi um prato pra mim”.
Vinga – pequeno broto de um fruto. Ex: “uma vinga de melancia, de jerimum , etc”.
Vingar - tem dois sentidos: 1. revidar. 2. brotar.
Virar a bola, ou o miolo – enlouquecer.
Virar (ou trocer [torcer]) a cara – gesto de desdém ou de desprezo.
Virar a casaca – mudar de lado numa discussão, eleição, etc.
Viração da tarde – no meio da tarde (entre 3 e 5 da tarde).
Virada – tem dois sentidos: 1. capotagem de carro, pelo fato de ele ficar
emborcado, ou de rodas para cima. Ex: “Fulano levou uma virada de carro, quaji
morre” (v. capotar). 2. pessoa levada, esperta (v. traquino, boliçoso).
Virado no cão, ou no diacho [diabo], ou na besta-fera, ou num moi [molho] de
coentro
– diz-se de uma pessoa braba, valente, ruim.
Virar o mí [milho] – depois que o milho seca, dobrar os pés de milho abaixo da
espiga para que essa fique com a ponta para baixo e assim poder secar sem entrar
água de chuva.
Visgo - armadilha para pegar passarinho, colocando-se cola (seiva de burraleiteira)
numa varinha para que o pássaro pulse e fique pregado.
Visão – tem dois sentidos: 1. aquilo que se vê com os olhos. 2. alucinação.
miragem. Ex: “Fulano teve uma visão…”.
Visse? – muito usada nos sentidos de “ver”, “ouvir”, “compreender”, etc.
Vestir a carapuça – tomar para si uma indireta.
Vitamina – suco de banana (v. bananada).
Viu passarim verde? – pergunta a alguém que está feliz da vida a ponto de ficar
meio aéreo.
Vivência - ter prática ou experiência de vida.
Viver na boa-vida, ou no bem-bom – viver comodamente, sem trabalhar (v. boavida)

Viveiro – gaiola grande para criação de vários pássaros, de diversas espécies, ao
mesmo tempo.
Viúva fresca – mulher cujo marido morreu recentemente.
Vizim de parede-mêa [meia] – vizinho que mora ao lado do outro, ou seja, em
casas coladas ou conjugadas.
Vizim de porta – vizinho que mora em frente ao outro, ou seja, “porta com porta”.
Vou alí e vorto [volto] já – indicação de pressa, de rapidez.
Vou chegano [chegando] – tem um sentido contrário, equivalente a “vou saindo”
ou “já vou indo”.
Vogar - valer.
Voinha - diminutivo carinhoso de vozinha ou vovozinha.
Vorta [volta] – tem três sentidos: 1. giro. 2. cordão de metal (ouro, preta, etc.). 3.
diferença que se dá em contrapartida numa troca de objetos. Ex. “eu dou uma
cabra na outra e vorto R$ 10,00” (v. tornar].
Vorta [volta] e mêa [meia] – de vez em quando, vez por outra.
Vosmicê – corruptela de ou contração de “Vossa mercê” – usada para se dirigir a
autoridades.
Vote! – expressão de repúdio ou espanto, equivalente a “tô fora” (v. varei-te).
Vou não – tem um sentido contrário, equivalente a “não vou”.
Vrêmêa – abreviação de “vermelha” (v. encarnado).
Vrido – corruptela de “vidro”.
Vurto – corruptela de “vulto”, que significa visão ofuscada de um objeto.
.

  X

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Xadrêz, ou xilindró – cadeia, presídio.
Xamboque, ou chamboque – corruptela de “samboque”, que é um pedaço que se
desprende de algo por acidente (v. tampo).
Xanha – um tipo de coceira nas partes pubianas.
Xarar, ou xarapa – individuo que tem o mesmo nome de batismo de outro.
Xaxar – tem dois sentidos: 1. limpar ou capinar puxando a terra para o troco das
plantas. 2. dançar o xaxado.
Xaxado – um dos ritmos do forro em que se dança sozinho como se estivesse
puxando terra para os pés.
Xerém – comida feita com grãos de milho moído, muito comum no Sertão.
Xexo – corruptela de “seixo” e tem dois sentidos: 1. pedra arredondada e dura. 2.
deixar de pagar uma dívida (v. calote, cano).
Xexelento – que não toma banho, fedorento.
Xi! – interjeição de admiração ou reprovação.
XIimba, ou ximbão – bola de gude grande (v. bila).
Xinxilar - cozinhar em fogo brando, quase apagado.
Xiringar - corruptela de “seringar”, que é expelir um jato fino de um líquido
qualquer (vazando). Ex: “aquela lata furada tá cum buraco xiringano água”.
Xique-xique – cacto típico da caatinga sertaneja.
Xô! xô! xô! … – usada para tanger ou espantar animais, especialmente galinha.
Xodó – amor, manoro.
Xote - tem dois sentidos: 1. galope lento de um animal (cavalo, burro, jumento). 2.
uma das variações ou ritmos do forró.
Xoxar – murchar, diminuir.
Xoxa-bunda – feijão de corda ou macaça.
Xucro – rude, inculto, iletrado.
Xunxada – tem dois sentidos: 1. fisgada no corpo. 2. repreensão (v. levar uma
bronca…).
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  Z

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Zabé - abreviação ou apelido de Izabel.
Zambeta - pessoa que tem pernas tortas para dentro (v. cambota, cangaia).
Zancureta - corruptela ou abreviação de “as ancoretas, que são recipientes ou
depósitos de madeira ou zinco, parecido com um barril, para transporte de água
no lombo de animais.
Zangão – formiga de asa macho.
Zé, ou Zezim – abreviação ou apelido de José (v. Seu Zé).
Zé-bocó – pessoa tola, idiota, etc (v. ababacado, ou abestaiado, ou Mané).
Zefa, ou Zefinha – abreviação ou apelido de Josefa.
Zé-ninguém, ou povim – pessoa pobre, de baixo nível social (v. pobre-diabo).
Zero-cabaço, ou zerada – qualquer coisa virgem ou ainda não usada.
Zinha – termo depreciativo para se referir a uma mulher. Ex: “quem disse isso?” –
responde-se: “essa zinha”. Ou seja, “essa mulherzinha”.
Zoi - corruptela ou contração de “os olhos” (v. ôi).
Zoi cumprido – olhar de cobiça.
Zôiça – corruptela de “as ouças”, para designar a capacidade auditiva Ex: “Fulano
tá rim [ruim] das zôiça”, ou seja, surdo ou ruim da audição.
Zona – tem dois sentidos: 1. região. Ex: “Zona da Mata”. 2. casa de prostituição (v.
baixo meretriço, cabaré, casa de ricuso, etc.).
Zonzo, ou zoró – tonto, atordoado, vendo o mundo girar.
Zovo – corruptela ou contração de “os ovos”, podendo ser: 1. ovos de aves. 2.
testículos. Daí a expressão “Fulano levou um coice nos zovo” (v. cunhões).
Zoada, ou zoeira – ruído, barulho.
Zocrus – contração de “os óculos” (v. cangaia, picinêz).
Zumbí – fantasma, alma, espírito vagante.
Zumbido, ou zunido – barulho ou ruído contínuo.
Zunha – corruptela ou contração de “as unhas”, daí o verbo “azunhar”.
Zunir – tem dois sentidos: 1. produzir zunido, por exemplo, um som nasal contínuo.
2. atirar. Ex: “zunir uma pedra num passarim” (v. avoar, jogar, sacudir).
Zuvido – corruptela ou contração de “os ouvidos”.

 

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REFERÊNCIAS

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nova ortografia da língua portuguesa. São Paulo: Cpmpanhia Editora Nacional,
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BERNARDINO, Bertrando. Minidicionário de pernambuquês. 3. ed. Recife:
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CABRAL, Tomé. Novo dicionário de termos e expressões populares. Fortaleza:
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CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 10. ed. ilust. São
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_. Antologia do folclore brasileiro. 5. ed. São Paulo: Global, 2001. 323 p.
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GADELHA, Marcus. Dicionário de cearés: termos e expressões populares do ceará. 7. ed.
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MELLO, Nélson Cunha. Conversando a gente se entende: dicionário de expressões
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MOTTA, Roberto Coutinho da. Preservando o matutês: dicionário de nomes e expressões
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http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/715520>. Acesso em: janeiro de 2009.
NAVARRO, Fred. Dicionário do Nordeste: 5000 palavras e expressões. São
Paulo: Estação Liberdade, 2004. 404 p.
NOVO dicionário Aurélio: conforme a nova ortografia. 4. ed. São Paulo: Editora
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OLIVEIRA, Sebastião Alneida. Expressões do populário sertanejo: vocabulário
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PONTES, Carlos Gildemar. Super dicionário de cearensês. Fortaleza: Acauã
Edições; Livrarias Livro Técnico, 2000. 254 p.
SOUTO MAIOR, Mário. Alimentação e folclore. Recife: Massagana, 2004. 312 p.
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_. ; VALENTE, Waldemar (Orgs). Antologia pernambucana do folclore.
Recife: Massagana, 2001. 239 p.

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