Letra N do Dicionário Matutês

 N

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Na baixa da égua, ou na casa de chepéu (ou de cacete, ou do carai [caralho]), ou na caixa-bozó (ou prego), ou nos cafundó do Juda, ou na cochichina, ou nas cucuias, ou no fim (oco, ou mêi [meio]) do mundo, ou onde Adão perdeu as bota (ou as espora), ou onde o vento faz a cuiva [curva] – lugar distante
imaginário.
Na carne viva – diz-se quando se sofre um arranhão, corte, talho, etc, e a carne fica exposta.
Nadinha, ou nadica de nada, ou necas de pitibiriba – coisa alguma, nada.
Na hora feito cardo [caldo] de cana – resolução rápida, ou na hora, de qualquer
coisa.
Naigadinha – pequena quantidade de líquido. Ex: ”tome uma naigadinha d’água”
(v. goipe ou goipim).
Na maciota, ou na valsa – na moleza, devagar.
Na maió [maior] – numa boa, confortavelmente.
Na marra, ou na tora, ou na raça, ou no duro, ou na munheca, ou na porrada, ou na garra, ou na lei do apulso – expressões usadas para indicar uma coisa
feita a força, por exemplo, o famoso “casamento na marra” .
Na medida, ou na batata, ou no ponto – na medida certa ou no ponto certo.
Na moitatem dois sentidos: 1. na tocaia, escondido. 2. enrustido. Muito usado
em referência a homossexuais não assumidos.
Nas calada da noite – ao pé da letra significa “altas horas da noite”, mas é usado
para se referir a negócios escusos feitos “às escondidas”, ”na surdina”, que nem
sempre foi feito à noite.
Nascer morto – que na hora do nascimento já veio morto (aborto natural ou
espontâneo) (v. acordar morto).
Nas última – em estado terminal, quase morrendo.
Nata – tem três sentidos: 1. gordura do leite. 2. aguaceiro que embarçar os olhos,
daí o matuto dizer que “tá cum nata nos zói”. 3. alto escalão de uma classe social
ou profissional: burguesia, intelectuais, etc..
Natureza – tem dois sentidos: 1. o cosmo. 2. estado psíquicofísico de uma pessoa.
Daí nascem expressões do tipo: “hoje amanheci cum a natureza rim”, ou seja,
enjoado, com mal-estar.
Neivosa, ou neuvosa – corruptela de “nervosa” – tem dois sentidos: 1. uma carne
com nervos. 2. pessoa com problemas no sistema nervoso.
Nem a pau, ou que a vaca tussa, ou nem morto, ou nem frito – em hipótese
alguma.
Nem mé [mel], nem cabaço – quando deixamos de fazer ou aceitar uma coisa
pensando noutro e, no final, nem uma coisa, nem outra
Nem oito, nem oitenta – nem um extremo nem outro, mas um meio termo.
Nem tão cedo – não se sabe a hora, vai demorar muito.
Né não! – expressão de interrogação, equivalente a “não é não?”, a qual geralmente
vem acrescida de: “entonce o que é?”
Nesga, ou nesguinha – uma tira estreita de algo. Ex: “uma nesguinha de pano”.
Nestante – abreviação de “neste instante”.
Neu – abreviação de “em mim”, daí ser comum a expressão “ele deu neu”.
Nim [ninho] de cobra – coisa ou local perigoso.
Nó cego – tem dois sentidos: 1. nó difícil de ser desatado, 2. pessoa complicada ou
ruim, problema de difícil solução.
Noda - abreveação de “nódoa”, que é uma mancha, sujeira. Daí ser comum dizerse: “Fulano tá com uma noda na roupa” (v. grude, veigão).
Nó de poico [porco] – um tipo de nó que não arrocha nem afrouxa, próprio para amarrar porco, pois nem arrocha no pé, nem folga.
No dia de São Nunca – santo imaginário que não existe na lista dos santos, daí ser
usada para casos perdidos, ou que nunca vai acontecer, como, por exemplo, quando um sujeito não tem com que pagar uma dívida, diz-se que vai pagar “no dia de São Nunca” (v. quano galinha criar dente)
No frigir dos zovo [ovos] – no final das contas, ou concluindo. Usado para encerrar uma história, um caso.
No giro (ou rumo) da venta – em frente, em linha reta, na direção do nariz.
Nó nas tripa – prisão de ventre aguda (verticulite) (v. cum bucho inchado…).
No pé – junto, perto.
No pé da conversa – atento, alerta.
No pé do cipa – bem guardado no bolso dianteiro da calça, ou seja, perto do “cipó” ou pênis.
No pingo do mêi [meio] -dia – ao meio-dia.
Nopró - inchaço, hematoma.
No prumo – tem dois sentidos: 1. reto verticalmente, ou seja, que está “no prumo”, que é um instrumento usada por pedreiros para verificar se uma parede está alinhada verticalmente (v. aprumado). 2. pode ser usada no sentido de consertar alguém, ou colocá-lo no bom caminho, daí se diz : “vou colocá-lo no prumo…”.
No tempo do ronca, ou do ronconcom, ou que se amarrava cachorro com linguiça, ou que se cagava quadrado, ou que Adão era cadete – diz-se de coisa
antiga, atrasada, ultrapassada.
Novena – programação religiosa (de orações) que dura nove dias.
Num abrir nem prum [para um] trem - não desistir, não ter medo de nada.
Num arredar o pé – tem dois sentidos: 1. não sair do lugar fisicamente. 2. não abrir mão de algo, ser intransigente. (v. arredar).
Num ata nem desata, ou num trepa nem sai de cima, ou num caga nem deixa a moita – pessoa indecisa, que nem faz nem deixa outro fazer.
Num atrapaiano [atrapalhando] a conversa – modo de desculpar-se ao se
intrometer numa conversa alheia, sem ser chamado.
Num bater (ou girar) bem da bola, ou da cachola – ser meio doido, ou apresentar
sinais de deficiência mental.
Num bater nem a passarinha – não se preocupar diante do perigo.
Num contar conversa – não perder tempo.
Num dar fé – não perceber (v. dar fé)
Num dar mi [milho] a pinto, ou num bater prego sem estopa, ou num dar ponto sem nó – não fazer nada sem interesse próprio.
Num dar murro em ponta de faca – não fazer negócio impensado ou arriscado.
Num dar o braço a trocer [torcer] – não declarar-se errado, ainda que esteja, por birra.
Num dar um chá, ou um cardo [caldo] – tem dois sentidos: 1. coisa fácil, rápida, etc. de se fazer. 2. coisa pouca.
Num dar um prego numa barra de sabão – não fazer nada, viver da malandrgem.
Num é de hoje – faz tempo, há muito tempo.
Num é do seu rosário – não é da sua conta.
Num é pru [para o] seu bico – não está ao seu alcance.
Num é esses balai [balaio] todo não – não é tão bonito, ou belo, etc., quanto se diz por aí.
Num fede nem cheira, ou num é carne nem peixe – coisa neutra, que tanto faz como tanto fez.
Num esquenta o lugar – diz-se de quem vive se mudando de lugar, por exemplo, de casa.
Num ligue pra isso não – não se encomode com isso, deixe isso pra lá, etc.
Num morre mais esse ano, ou num morre tão cedo – diz-se quando se está falando [ou pensando em] de uma pessoa e ela aparece, repentinamente.
… num sei das quanta – expressão usada no final de uma ideia, quando não se sabe o final da conversa, por exemplo, depois do nome próprio de uma pessoa, quando não se sabe o sobrenome ou nome de família, daí se diz “Fulano não sei das
quanta…”
Num sei pru [por] qual caiga [carga] -d’água – não saber o motivo, a razão de ser, etc.
Num se lixar – não se incomodar, não dá atenção, não dá ouvido.
Num tá entendeno [entendendo] bulufa (ou patavina) alguma, ou nadica de
nada
– não estar entendo nada.
Num tem no cu o que um pinto roa, ou onde cair morto – expressão usada para
criticar alguém que é pobre, mas dá uma de rico (v. pé-rapado).
Num tem parêa [parelha] não – não tem melhor, ou igual.
Num tê [ter] nada a vê [ver] cum [com o] pato – não ter nada a ver com o caso, com a história, etc.
Num ter um pé de gente – não ter uma única pessoa.
Num tomar pé de… – não estar informado ou não ter conhecimento de algo.
Num vale merda, ou o qu’o gato enterra, ou um Cibazol – não vale nada – usado para definir uma pessoa desprezível.
Nutiça – corruptela de “notícia”. Nuvia – abreviação de “novilha”, que é uma vaca nova que não deu cria a nenhum
bezerro.

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